quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Extreme Look #28 - Azul e roxo

 


As cores da vez são azul e roxo! Me lembro que quando criança quem tinha lápis violeta ou roxo era rei, mas sempre nos foi ensinado que podíamos misturar vermelho com azul que dava no mesmo hehe, mas ainda assim, roxo, violeta, lilás e suas nuances são algumas das cores mais lindas que existem. Espero que curtam!













quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Ser Good Vibes não é privilégio, é coisa de teimoso

 

Certa vez, algumas pessoas compartilharam cheias de orgulho que “Ser good vibes é coisa de privilegiado”. Good vibes por definição é algo como “boa vibração” ou aquele super otimista. Sabem aquele indivíduo que sempre possui um pensamento super positivo o tempo todo? Aquele que não importa o que aconteça vai olhar sempre o ponto positivo? O melhor lado? Procurar tirar aprendizados da situação por pior que seja? Não raro essa pessoa ser rotulada ou de tola ou de super privilegiada porque apenas desse modo ela pode sempre manter pensamentos tão positivos. Mal sabem contudo que é o contrário.

 

Ser “good vibes” não é coisa de privilegiado, é coisa de gente um tanto mais evoluída mentalmente e até espiritualmente. Existem muitas pessoas em hospitais, necessitando de medicamentos e até órgãos, que mantém um pensamento e boa vibração invejáveis, creio que pouquíssimos iriam querer esse tipo de privilégio. Ser um otimista é um tipo de caminho que vai sendo construído tijolo por tijolo, devagar e com muitos percalços. RECLAMAR é que é coisa de privilegiado.


 Reclamar tem por significado lamentar sobre algo na vida, se queixar, ter urgência que algo se resolva...seguindo tal definição, não há nada que tanja “resolução”. Logo, quem reclama pode se dar ao luxo de tal, porque seja qual for o motivo, sério ou não, a pessoa em questão pode gritar, espernear, tirar a calça e pisar em cima, após o acesso, ainda terá uma rede de possibilidades para cobri-la, uma sorte de facilidades que mesmo que não resolvam, podem auxiliar para que outras dificuldades não apareçam. Ainda haverá muito pelo que se agradecer.

 

Quem não tem nada além de esperança, otimismo ou o próprio “Good Vibes”, se reclamar ou esmorecer, perderá a única coisa que tem que é seu sentimento de que as coisas melhorem caso esteja passando por um momento difícil. Mais do que isso, perderá o sentimento que o impulsionará a trabalhar para que algo melhore. A esperança é de fato a última coisa que morre, porque pra um otimista se isso se perde, ele que em muitos casos tem tão pouco fica sem nada. E com a reclamação, assim que o momento passa, ele continuará tomado de desolação.

 

As pessoas colocaram um estigma nos otimistas. Muitas sentem raivas deles porque lhes parece impossível ter pensamentos positivos o tempo todo sem cair uma única vez. Todavia não há nada mais difícil no mundo do que ser um otimista, justamente pelo fato de estarmos nesse mundo. É difícil manter bons pensamentos com tantas enxurradas o tempo todo de negação, de dificuldades, de obstáculos. É o casamento que não dará certo, são as moradias que estão caras, o emprego que não vai dar sustento, o objetivo que não será alcançado... 

Sempre haverá quem diga nãos infinitamente e o otimista sempre ali, com seu escudo levantado avançando contra um exército de recusas. É preciso força, é preciso determinação, se manter firme diante das chibatadas de um mundo que em muitos casos torna-se um dificultador. Nem sempre o esperançoso acorda dizendo “bom dia sol!”, pelo contrário, há dias em que se diz “que saco, sol! Você de novo? Mais um dia...” tamanho é o cansaço de precisar enfrentar novamente o mundo fora do cobertor, mas essa mesma pessoa por não ter outra alternativa sabe que fazer uma noite artificial é inútil e vai em frente. Privilegiado é quem pode por ventura ter a regalia de continuar como se fosse noite... Assim, vemos que ser “good vibes” não é coisa de privilegiado, é coisa de teimoso.

 

Lógico que ser otimista não é algo que nasce conosco , é um caminho devagar e lento, mas muito compensador. Pois o otimista sempre o será independente de onde esteja, ele será otimista com uma fortuna ou com um centavo, conseguirá sempre se sobressair e aceitará de bom grado o que vier. E essa é a sua maior regalia.


sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Querido Tom 02


Caro Tom, acordar ás vezes dói. Nem todos acordam dizendo "Bom dia, sol!", por vezes o que não se quer é ter que vê-lo. Ás vezes cansamos de nos sentir sempre errados e muitas vezes, o que é pior, errados por algo que nem é de fato errado.

Dizem que sou dramática, passional, talvez todo canceriano seja assim, faz tempestades. O pior é que eu fico mal depois, por palavras que outras pessoas me dizem. Muitas sabem conscientemente que machucam, outras nem tanto, é inconsciente. Sabe, Tom, se eu pudesse não seria assim. Você acredita, não é? É exatamente como uma coisa que ouvi com relação aos homossexuais, quando chamavam o que eles eram de "opção" ou até mesmo "preferência". Afirmam que era um termo bem errado, afinal, quem em sã consciência vai escolher ser diferente a ponto de sofrer tanto preconceito, ser hostilizado, marginalizado e até mesmo morto na rua? Porque pode ser um indivíduo bem explícito até o classudo Clodovil, o rico Elton John, o filósofo Mercury, todos sofreram, quem escolhe dar o peito pra sofrer assim? Mas por vezes simplesmente o sofrimento vem.

E como eu disse Tom, se sofre por algo que se é até inocente e não tem culpa. Como o Edmond Danté no Conde de Monte Cristo. Ele foi acusado de levar uma carta espiã de Bonaparte para a França, mas o pobre nem saber ler sabia, porém foi acusado mesmo assim. Muitos exaltam nossos defeitos e esquecimentos mas anonimizam nossas qualidades.

Pensei na Lufa-Lufa... Quando eu era pequena achava que podia fazer algo extraordinário só que uma vez lufana, sempre lufana, o mundo tratará você assim. Os lufanos são as pessoas mais leais do mundo, são justos, são gentis, para eles não existe "jeitinho" porque acreditam no trabalho duro, na construção tijolo por tijolo, foram os que menos se debandaram para o mal porque sua natureza blinda esse tipo de inclinação, eles morrem por você se preciso for e no Torneio Tribruxo, mesmo quando Cedrico ganhou, foi morto e outra pessoa ficou com os louros. E mesmo com tudo isso, os lufanos, nós, somos os (meros) figurantes, os anônimos, os invisíveis...

Talvez esse tipo de coisa nos faça perceber um pouco do mundo que vivemos. E devanear sobre alguns pontos. Sabe Tom, Hitler não era tudo isso. Ele não era bonito, não era inteligente, não era forte, provavelmente nunca pegou numa arma nem matou ninguém, nunca foi para uma trincheira, todavia tinha palavras tão firmes, tão energéticas, tão fortes que faziam um eco tão grande que conseguiu convencer multidões a matarem por ele, convenceu pessoas a serem escravizadas e outras a escravizarem, mandou rotularem gente como mercadorias e entrarem em trens obrigadas mas sem motivo racional... O que ele tinha eram essas palavras, um tipo de carisma e poder de convencimento. Uma coisa presente em muitos por aí, desde aquele seu colega de escola/universidade que não tinha absolutamente nada de excepcional, nem se esforçava muito também para conseguir algo na verdade, mas com suas falas conseguia ser a atração da turma, o centro das festas, a celebridade...
Inveja? Não. É mais como uma reflexão sobre consideração. Lufanos são humildes também, não se vangloriam de seus feitos nem querem aplausos, todavia seria muito bom um pouco de consideração e reconhecimento. Ser discreto por vezes tem se tornado um desajuste. Existem muitos desajustados por aí... Sempre ouvimos que não somos diferentes de ninguém, logo creio que deva haver outras pessoas que se sentem meio desajustadas espalhadas. Devia haver um congresso dos desajustados, imagina o teor das palestras? Inteligência emocional, como não se abalar com palavras, como sair a francesa de festas que não agradam, eu seria uma PhD, pois tenho muito o que dizer no quesito se sentir meio fora do mundo... Talvez a criança criativa tenha sobrevivido a tudo afinal, pois quando eu era criança me enfiava numa casinha de lençol e por alguns segundos era como se de verdade eu estivesse numa dimensão diferente ou no espaço, em outro planeta. De algum modo a cabana de lençol permanece, a única diferença é que depois que crescemos, queremos uma cabana maior...

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Sobre o Cancelamento de Chaves e Chapolin: não é só pela nostalgia



“Ain, não sei porque endeusam tanto Chaves, sempre achei chatão” “Finalmente alguém que me entende”. Na semana em que foi anunciado o fim da transmissão de Chaves em todos os canais abertos e fechados, em que os fãs tem buscado salvar as listas de reprodução do youtube ainda não bloqueadas e episódios perdidos a tapa, ouvir isso é quase um escárnio. Conheci pessoas que não gostavam de Chaves e muitas vezes vendo a conduta delas e suas percepções, não confiava nelas... Lógico que para essas, fãs que se abalaram no Brasil e no mundo com a disputa da Televisa e da família de Bolaños pelos direitos é apenas um exagero. Afinal, é um programa velho que passa há mais de 30 anos e nunca renovou as piadas. Na tentativa de poder justificar as falas, li muito mas creio ser muito pertinente explicar o porquê o abalo da comunidade Chaves e Chapolin foi dessa magnitude.

Chaves e Chapolin (CH) é um programa engraçado. Muitos dirão que não, mas em mais de 100 episódios se alguém não riu pelo menos uma vez é porque realmente há um déficit ali. O humor que Bolaños explorou em suas séries era diferente, não era uma coisa com piadas de duplo sentido, salvo algumas exceções. Não haviam palavras sujas, nem personagens dúbios. Todos eram transparentes em suas personalidades, mesmo Chiquinha que era arteira e se aproveitava dos garotos, jogava limpo com relação a isso. Tinha uma transparência ali que fazia os personagens terem autenticidade. Quando vemos os personagens de hoje, em muitos casos há notória impressão de que são artificiais, que os próprios atores estão se forçando a faze-los, seja porque não gostam ou porque algo os está desagradando, não conseguem incorporar o gênero. Comédia é o gênero mais difícil que existe, é preciso mais que caras e bocas para você convencer uma pessoa a rir do que está propondo e fato é, que poucos se consagraram nisso. E os que conseguiram, tornaram-se eternos. Sendo Bolaños um dos incluídos.

Muitos falam: “Endeusam pela nostalgia”. Sim, de fato, é nostálgico. Mas não, não é apenas por isso. Tv Colosso é nostálgico. Punky, a Levada da Breca é nostálgico. Família Dinossauro é nostálgico. E mesmo algumas coisas mais conhecidas pelas gerações como Bambuluá e Tv Globinho despertam aquele sentimento de saudade de um tempo de criança sem maiores preocupações... Todavia, Chaves e Chapolin permanecem não porque é nostálgico, mas porque tocam em algo maior que a simples lembrança de infância. Risadas são algo muito de momento. Você pode ver um vídeo de pegadinhas do finado Canal Boom e gargalhar, mas passados alguns minutos, horas não mais lembra do que viu. O raciocínio se baseia nisso. Chaves e Chapolin fazem você gargalhar, rir, porém suas bases são mais profundas que o simples humor.

Vemos valores ali. Além das frases de estampa do Seu Madruga, vemos características que se pode levar para além da infância e para além das gargalhadas. Ensinamentos que permanecem, que ficaram impressos em nós até a vida adulta e esse tipo de coisa é que é lembrada, e faz com que CH não seja apenas uma nostalgia. Quantos de nós não aprenderam que devemos ser bons filhos e bons amigos? Vemos na vila condutas que podem ser facilmente vistas fora das telas e exemplos a serem seguidos. Seu Madruga mesmo levando tantas cacetadas nunca levantou a mão para D. Florinda, mesmo que hoje até figuras ilustres apoiem que se deve revidar sem pensar duas vezes. Vimos a gentileza da D. Clotilde, que mesmo nunca sendo correspondida em seu amor platônico, não deixava de ser solícita com seus vizinhos e com Seu Madruga dando bolos, comida e frangos assados.

Chaves é a personificação de um menino pobre, que pode ser facilmente visto em sinais e calçadas, mas ele mesmo assim em vários episódios quando mencionado o ato de roubar disse que nunca o faria. Quem não se lembra do icônico episódio do Ladrão da Vila no qual ele foi acusado injustamente? Ele decide ir embora não por orgulho, mas porque não achava certo ficar em um local onde desconfiassem dele. Quantas vezes também não o vemos mesmo sendo pobre, dividindo o que

tinha com os outros, dando o exemplo autêntico de amor ao próximo? Seu Madruga mesmo sendo chamado de vagabundo, buscava todo tipo de emprego na tentativa de se virar e sobreviver, podia dizer que não gostava de trabalhar porém estava lá trabalhando no que aparecesse, fora sua solidariedade com Chaves convidando-o para comer e se preocupando com ele, ainda que ralhasse bastante. Vimos o cavalheirismo do Professor Girafales para com a D. Florinda, mostrando como cortejar sem desrespeitar, sendo inclusive meio cafona com desafios para duelo e declarações de poema ajoelhado. Isso sem falar nas lições de Chapolin com elação a vencer a si mesmo, vencer seus medos, que você pode ser um herói ainda que imperfeito. Tudo isso mostra o quanto não é por mera nostalgia, pois quando algo toca você e imprime ma memória, um valor, um sentimento, uma lição, esse algo simplesmente permanece por toda a sua vida, mesmo que tenha acontecido quando criança.


E se formos por outro caminho? Vamos analisar pela ótica dos bastidores. CH foi um programa que consagrou atores e atrizes. Jogou seus nomes numa história que ficou eterna. Lembremos de programas de humor dos últimos anos. Quantos nomes conseguimos lembrar? Quantas risadas e piadas conseguiríamos ver de novo e rir? Pouquíssimas. Um dos que existem atualmente, Zorra Total lembro mais pela vinheta que é altamente grudenta do que por algum quadro ou ator que faça parte. A Escolinha do Professor Raimundo é o mais digno que podemos citar em termos de humor atualmente,
não apenas por Anísio que nos presenteou com uma enxurrada de personagens criativos, mas por celebridades que participaram como a lenda Orlando Drummond. O remake também tem sua dignidade, mantendo boa parte dos moldes originais. Mesmo hoje, muitos atores que fazem parte disso podem se considerar agraciados, ainda que a escolinha não faça você propriamente gargalhar como a dinamicidade de Chaves e Chapolin faz.

Os atores que fizeram parte da época na qual humor era algo sem gessos podem se considerar sortudos. Lógico que como tudo, mudanças são boas. Todavia muitos quadros outrora engraçados do Zorra Total jamais seriam reprisados atualmente devido a enorme quantidade de regras, de gessos “corretos” que foram instaurados no gênero. CH sobreviveu a isso. Sobreviveu e permaneceu sendo amado por décadas a fio, com comunidades criadas especificamente para ele, mostrando que as pessoas de fato gostavam do humor simples e cotidiano, das piadas pastelão, dos xingamentos entre crianças que numa hora chateava mas que cinco minutos depois as fazia brincar juntas. Bolaños ao fazer roteiros assim foi eternizado e já tem seu lugar na história.

E por falar em ser eternizado, muitos que não compreendem o porquê do amor a Bolaños e sua obra não devem saber de onde o apelido “Chespirito” vem. É nada menos que uma referência a Shakeaspeare. Esses devem conhecer. Foi um escritor com obras variadas e significativas na literatura, Bolaños inclusive adaptou sua famosa história de Romeu e Julieta em seus moldes, tornando-se um dos episódios mais famosos de Chapolin. Bolaños também em várias ocasiões encarnava o Magro de O Gordo e o Magro e Chaplin. Este último era um ator bem significativo em termos de humor e comédia. Como eu disse, é o gênero mais difícil de se fazer. Um ator de comédia pode fazer muito bem dramas dignos de Oscar, como vimos Jim Carrey e Will Smith fazerem. Todavia, um ator de drama nem sempre consegue fazer plateias rirem. Chaplin era de uma época na qual não havia muitos efeitos especiais, os que podem fazer os atores parecerem mais incríveis do que o são de verdade. Na verdade, não existiam nem cores ou sequer som. Tudo o que ele tinha era sua pura expressão facial e corporal e com isso precisava cativar. Bolaños não o fazia com tanta maestria a toa. Numa prerrogativa, todos seus personagens eram absurdamente simples. Mesmo Chapolin que era o super heróis era simples de entender, com armas e poderes singelos, conduta sem muitos vieses, caímos de novo no ponto de que a simplicidade fazia com que o humor fosse dos melhores.

Ainda no ponto dos bastidores, não só atores e atrizes que atuaram no seriado se consagraram porém aqui mesmo no Brasil, outros se consagraram pelo seriado. Os que deram suas vozes aos personagens de Bolaños até hoje são reconhecidos por tal e se estabilizaram através do seriado. Profissionais experientes do ramo não economizam em dizer que os seriados são o maior exemplo de dublagem perfeita existente no país. Para quem não sabe, o Brasil é um dos melhores do ramo, tendo ganho inclusive prêmios internacionais de dublagem pelo excepcional trabalho que estes artistas fazem. O eterno Gastaldi, que se eternizou como a voz de Chaves e Chapolin, cuja voz será lembrada sempre mesmo que ele tenha tido uma morte precoce; Cecília Lemes (Chiquinha) e Carlos Seidl (Seu Madruga), que ficaram famosos por seus bordões e trejeitos, com quem tive honra de tirar foto; Nelson Machado (Quico), que deu também sua voz a outra fera do humor: Robin Willians e estará marcado por suas risadas e choro característico, e tantos outros que já foram silenciados mas que estarão sempre presentes. E considerando CH, não só a dublagem é um bom exemplo mas também a
questão das traduções, seja de diálogo, seja de músicas. Afinal, muitas piadas em espanhol fazem sentido mas que ao serem traduzidas para português, nem tanto. Todavia, ainda que não fizesse sentido, promover risos no público mesmo assim é quase uma arte dos deuses.


Se formos mais a fundo na questão dos bastidores. Chaves e Chapolin vieram em uma época na qual as opções eram extremamente escassas em termo de entretenimento. Não querendo apelar, mas é fato que é difícil para muitos das gerações mais novas com opções baratas como Netflix, amazon, spotify e internet a vontade, falar que houve uma época na qual tv por assinatura era algo extremamente restrito, internet era coisa de quem tinha muito dinheiro e filmes somente em locadoras se voc~e tivesse dinheiro ou pegasse uma promoção muito boa de fim de semana. Nessas décadas, a tv aberta era praticamente tudo que se tinha. Por isso que quando se anunciava um filme que se gostava nos finados Cinema em Casa, Cine Espetacular e etc., era correr pra não perder o horário. Logo, um programa como Chaves e Chapolin, que abrangia o público infantil, que mesmo naquele tempo era meio negligenciado, era colocado nas alturas. Assim como os antigos desenhos de Tom e Jerry, Popeye, She-Ra, os mesmo que muitos hoje criticam e pedem extinção por não considerarem adequados, eram tudo que crianças de famílias não muito abastadas tinham. Aliás, para muitos ter uma televisão já era abastamento suficiente e apenas o que as emissoras abertas proporcionavam. Muitos nunca saberiam o que era anime se não houvesse transmissão aberta, CH era uma das poucas opções para as crianças daquela idade e pelos outros motivos já citados aqui, é que marcou uma geração inteira e permaneceu tatuada nela.

E se formos sair dos bastidores e ir um pouco para o mundo real. Bolaños era um exímio trabalhador. Ele em entrevistas afirmou que se guiava pela frase que talento é 1% de inspiração e 99% de transpiração. Ou seja, tudo era conseguido com suor, com trabalho. Ele imaginava os personagens e histórias e sentava na máquina de escrever e ficava horas a fio escrevendo os episódios. Não havia regalia, não havia jeitinho, nem artifício, nem uma equipe que ficava lhe soprando as ideias... ele não era nenhum gênio por nascença, mas como Chavinho disse: por maioria de votos. Trabalhou por algo e as pessoas reconheceram esse algo como sendo de qualidade. Ao longo de seu caminho, também teve negativas e baixas, mas permaneceu no caminho.

Chaves e Chapolin não foram apenas programas de humor pastelão, que distraiam crianças numa época sem Netflix e youtube. Ele é e foi mais que isso. Muitos fizeram amigos ao entrar em comunidades, muitos se sentiam sozinhos por gostar e se encontraram quando descobriram iguais, há torcida para que o programa volte, embora até o momento o que sinta seja apenas um luto, uma falta que a ausência do programa nos deixou, um programa que trouxe mais do que risadas. Muitos hoje fazem questão de estampar camisetas, colecionar bonecos, não é por uma coisa boba de fã ou mera nostalgia, mas por um sentimento de que contribuição ao caráter e personalidade. E acima de tudo, por gratidão.