Você não vai voltar a floresta! Já está na boca do povo, a Imperatriz contraiu raiva, eles dizem!
Todos têm uma floresta dentro de si. Um lugar que ninguémmais conhece ou se atreve a entrar. Florestas são locais curiosos. São em suma muitao densas e até assustadoras, cheias de árvores e que escondem segredos. Quase todas as histórias de contos de fada se passam em uma floresta e não é á toa, o ambiente sempre propicia um enredo que cabe algo a ser descoberto, um desafio a ser vencido ou até mesmo protegido.
Há uma frase que diz algo como: Florestas nunca são uma linha reta e sendo assim, é fácil você sair do caminho, se perder e esquecer de onde veio. Muitos nas histórias tiveram que lidar com os perigos, temores e bichos de suas próprias florestas. Enfrentar esse lugar pode ser um desafio sem igual com muitas dores dependendo do tipo de floresta que ali está.
Elizabeth enfrentou a floresta do luto. Após a morte de sua primeira filha, passava horas andando sem rumo nos bosques de seu país, despistando as suas damas de companhia, querendo como únicos companheiros sua dor e seus pensamentos. Sendo luto algo tão pessoal e específico, é lógico que ela tinha que passar por isso sozinha. Contudo como Imperatriz era quase um pedido impossível pedir para que a deixassem sozinha por um momento que fosse. Essa floresta de Elizabeth era densa, com árvores cuja copa mal permitia que se passasse a luz do sol, tudo transparecendo a dor da perda, o sentimento de desolação e solidão que ela estava vivendo, fora o frio e sentimento vazio, de estar se perdendo dentro de si mesma. Não adiantava dizerem que a vida era daquele jeito, não adiantava dizerem que as coisas aconteciam assim e que muitos também passavam por isso, a floresta dela não permitia esse tipo de palavra. Andar sem rumo na floresta fpisica era o modo de se expressar o quanto dentro dela havia a sensação de não saber o que fazer. O vazio deixado pela filha e a desolação estavam presentes em cada passo, desabar na floresta real era a personificação de como ela estava mentalmente e fisicamente no chão.
Andar na floresta é como procurar uma saída para algo que não tem saída. A floresta interior não ossui atalhos ou trilhas, a cada passo é uma espécie de desbravamento, um autoconhecimento num campo desconhecido e como tal é extremamente solitário. Não há sons, não há ruídos além dos próprios passos e batidas do coração. Quem está na floresta interior não necessariamente quer ser encontrado ou resgatado, afinal, se é interior não é aberta a visitantes.
Além de Elizabeth, outros mergulharam de cabeça em suas próprias florestas interiores. A própria Mamba Negra precisou mergulhar muito fundo em sua própria floresta de raiva e desolação para poder achar a saída. Também movida por um sentimento de luto, ela deixou sua floresta ser consumida pela
chama da raiva. Na busca pela saída desse labirinto, escolheu a vingança como bússola e sentia que o caminho para sair dessa floresta densa era dar o revide aos seus algozes. A tática funcionou por um tempo até a hora em que ela descobre que sua filha viva, continuar nessa floresta ficou difícil.
Em muitos outros filmes, desenhos e animes, muitos protagonistas tiveram também que enfrentar suas florestas, não necessariamente porque entraram nelas de livre e espontânea vontade, mas porque foram jogados lá para enfrentar a si mesmos e poderem crescer. Nesses casos, o aprendizado é cheio de ranhuras. Olhar pra si mesmo, encarando todos os seus medos personificados, seus defeitos é muito doloroso, pode vir acompanhado de muito pavor que faz com que se veja o que não se existe ou se afunde de uma forma que o reerguer parece impossível.
Estar dentro de uma floresta significa enfrentar a si e seus mais obscuros sentimentos, é um enfrentar hostil, no qual a mesma floresta que dá um conforto por abrigar tão bem sob a copa das árvores é a mesma que envolve com a escuridão á noite. Contudo só o fato de escolher estar nessa floresta interior já diz sobre o que a pessoa está sentindo. E cabe a ela unicamente encontrar a saída...