sexta-feira, 26 de junho de 2020

Você não é Empático, você é Simpático


Empatia virou uma palavra da moda. Tem sido muito comum usá-la em situações onde um grupo/pessoa parece estar sendo oprimido por outros, ou humilhado ou subjulgado de algum modo. Mais do que uma palavra da moda, virou também uma arma. 

Uma arma usada para atacar os que supostamente não a tem como sendo pessoas mais vis do mundo e quem se julga ter, como sendo um ser humano acima de qualquer suspeita, o detentor de toda moral, incorruptível. Mais do que moda e arma, empatia virou cobrança. Todavia, tem sido cobrada por pessoas que não sabem o que empatia de verdade significa.

Por partes, empatia por definição é "Se colocar no lugar do outro" ou "Entender a dor do outro", é puramente a prerrogativa do "Não faça ao outro o que não deseja que façam com você" e há um ponto na definição, não há ressalvas nem condicionais. E aí começa a dificuldade. Afinal, o mais comum é vermos as pessoas demonstrando a "empatia" apenas com causas e pessoas que despertam afeição. E nesse caso, por envolver um ponto individual, é complicado considerar uma pessoa como sendo empática, que é algo universal.

E como exemplo, peguemos o cenário atual. Fomos assolados por um vírus devastador, letal e cruel. Contudo, visto que as pessoas aqui tendem a rotular dependendo de fatores como corrente política e candidatos, não raro vermos casos nos quais se um individuo for da corrente A/votar em A e houver notícia da doença haverá comoção e mensagens de apoio, porém se for de corrente B/votar em B, e este for considerado errado, haverá comemoração mesmo que a causa da morte e ameaça sejam as mesmas. Ou seja, dependendo do envolvido, o vírus vai de ameaça a aliado em segundos, ainda que ninguém possa controlá-lo, e isso mais do que tudo é no mínimo ingenuidade.

Em uma matéria sobre transsexuais presidiários, um deles despertou atenção ao mencionar a solidão na cadeia. Os afins com este grupo logo se comoveram e quiseram fazer algo a respeito, desde campanhas a mandar cartas a pessoa. Todavia, os afins com as vítimas de crimes trataram logo de cavar e descobrir por qual crime o indivíduo fora julgado: estupro e assassinato de criança. Se voltaram para a mãe da v´pitima e fizeram questão de expor o que consideravam ser um absurdo, afinal, ao que parecia, as pessoas estavam defendendo um estuprador enquanto a mãe amargava a perda de seu filho. 
Já ouvi que muitos avessos a pessoas de classes diferentes da sua ficam felizes quando alguém da referida classe se dá mal de alguma forma, seja por morte, por perda, por dificuldades, por doença... Mas cobram total empatia e consideração quando os mesmos infortúnios  os acometem ou alguém que consideram digno, como se a vida tivesse alguma dívida para com os mesmos. Já vi pessoas chorando por um grupo com um ideal/corrente/ideias/pensamentos parecidos, não tendo a menos ressalva de desejar 10 minutos depois a morte de outro diferente de si... É nesse momento que é bem notório, ao menos para quem tem olhos para ver, que tais pessoas que gritam "Mais empatia!" não sabem nada sobre ela. E na verdade, são SIMPÁTICAS.

Simpatia é algo muito simples e raso. Ela se baseia no mero "gosto" ou não "gosto", "tenho afeição" ou "não tenho afeição",assim sendo, vai ser muito mais fácil e lógico você sentir compreensão, carinho, proximidade, olhar com consideração para aquilo/aqueles que possuem o mesmo pensamento e por quem sente mais afinidade. Sua simpatia vai lhe conferir um julgamento mais brando, a rigidez aplicada a outros será deixada de lado, palavras serão menos duras, serão dadas múltiplas chances, ao passo que a não afeição vai gerar uma aversão imediata, nada flexível, isso se não for taxativa.
E é ali que se percebe a nítida diferença. A empatia é universal. Ela está presente mesmo quando alguém com quem não concordamos está envolvido, afinal existe uma percepção de que a pessoa pode estar num estado de ignorância. E mesmo que atos sejam cometidos conscientemente, há uma benevolência de saber que vai haver uma colheita não muito boa depois e isso desperta compaixão. 
Ao contrário do que podem alegar, isso não tem haver com negligenciar atos errados, amenizar crimes ou "passar pano" como dizem, tem a ver com um olhar mais amplo, um olhar de que todos estão propensos a erros e a julgamentos severos, mesmo que injustos, e tal olhar proporciona um sentido de compreensão maior.

Por isso é difícil a empatia no sentido totalitário que ela se propõe. Algumas fontes inclusive dizem que ela é nata, ou seja, ou você tem ou não tem e não há meio termo, ou ela nasce com você ou não. Pois ela não pode ser ensinada, não é um conteúdo frio que você fala para alguém "Seja empático" e a pessoa simplesmente aprende como ser e proceder assim. Ela pode ser despertada dentro de um ser humano, mas ainda assim, isso exige tempo, desprendimento de conceitos medíocres, de arestas limitantes, de percepções rasas, de fechamento de ideias... A empatia torna-se difícil porque nem todos conseguem, ou querem e estão dispostos a tais desprendimentos. Ela envolve você compreender a dor do outro, enxergar o problema de outro mesmo que você não considere aquilo um problema.

"Mas é os que são maus, fazem mal aos outros", essa é a prova de fogo da empatia. É você olhar para aquela pessoa e entender que não tem direito sobre o destino dela. Comumente escuto que "gente assim tem que morrer", "bem feito que fulano morreu", "a justiça foi feita", cabe o questionamento: esse direito realmente me cabe? É de fato meu direito desejar a morte de outra pessoa e decidir sobre isso? E mesmo que seja uma pessoa dita de má índole, sendo alguém que se denomina tão empático e se crê na razão de cobrar isso, não seria muito mais correto olhar para esta pessoa como sendo alguém que precisa pagar pelo que faz porém desejando que ela possa passar por isso de uma forma mais positiva? A percepção de colheita está ali, porém a benevolência também está. Por isso é bem contraditório pensar que pessoas que desejam a morte de outras com tanta facilidade mas cobrem bondade e compaixão para com outras se considerem tão empáticas quanto creem ser. 

Ao contrário do que parece, ser empático também não tem a ver com ser besta, ser ingênuo, se deixar levar por maldades ou aceitar tudo. Muitos quando demonstram atitudes de fato empáticas são criticados pelo senso que possuem, chamados de burros, isso quando não mandam eles se ferrarem por suas percepções. Os empáticos que já apareceram no mundo, os que despertaram a verdadeira empatia ou já tinham ela desde sempre, foram pessoas extraordinárias, mas diferente do que pode parecer, isso não as fez ter regalias da vida ou não terem absolutamente nenhuma dificuldade. Ao invés disso, muitos sofreram duras críticas e privações, mas como a empatia vem de dentro, isso para tais pessoas foi irrelevante, uma vez que ao compreender o próximo suas perspectivas os aproximava e isso os preenchia. Irmã Dulce foi um exemplo de amor ao próximo, não importando que próximo fosse esse, era acometida por muitas afecções e mesmo limitada, construiu uma obra sem igual. Chico Xavier tomava café da tarde com as moças do prostíbulo da sua cidade, não porque fazia uso dos serviços como muitos podem insinuar, mas porque ele olhava para elas sabendo que muitas estavam expiando algo, que não era uma vida fácil e que ao contrário do que podia parecer, boa parte não estava lá pela mera "sem-vergonhice", da mesma forma como promovia campanhas de arrecadação para presidiários, mesmo que seus companheiros de trabalho criticassem alegando que criminosos eram pessoas más, mas Chico dizia que eles eram também pessoas que precisavam de ajuda. O Papa Francisco recebeu transsexuais, índios e até ditadores, deu declarações cujas palavras acolhiam pessoas que sua congregação julgava "condenadas", "perdidas", "pecadoras". Ele sabe das falhas, ele sabe o que se considera certo ou errado, mas acolheu tais pessoas em suas arestas com caridade e compreensão, mostrou benevolência e amor a elas e não julgamento, ele deu o exemplo da figura maior da sua religião que acolhia prostitutas, ladrões, ia na casa das pessoas ditas de "má vida" e jantava com elas, não se cercava dos que se julgavam justos e sábios mas dos que careciam de "remédio" e como Francisco é denominado por alguns? "O pior papa da história".

Empatia verdadeira é uma construção e despertar de uma vida. Exige esforço e tolerância, pois é muito difícil você passar pelos próprios ascos, pelas próprias aversões e até pelo próprio senso de justiça, afinal, ser empático é você olhar com benevolência tanto pro algoz quanto para a vítima, ambos em suas próprias situações. Voltando para o caso do estuprador, é muito difícil imaginar a dor dessa mãe vendo seu filho inocente perecer nas mãos de alguém. Mas o que a empatia poderia conferir nessa situação? Uma mãe perdeu seu filho, nunca mais será a mesma e viverá essa ausência para sempre, devemos ter compaixão para com ela, amor para com sua dor. E o criminoso? A colheita de sua própria semeadura será dura, será dolorosa, ele já está colhendo pela justiça dos homens, porém ainda que esta se cumpra, não haverá nunca mais uma possibilidade sem carregar a marca do crime, ele será lembrado todos os dias pela consciência e pela sociedade quando estiver de volta a ela. E para os que acreditam na vida além-túmulo, as coisas não ficarão mais fáceis também. Ser empático é olhar com compaixão para ambos e sentir que ambos em suas individualidades podem ser olhados com benevolência, mesmo que seja muito difícil passar por cima do conceito de "bom" e "mau", e que um merece bênçãos e outro somente maldições. Cabe a questão de que se você for benevolente apenas com quem concorda, ama e considera digno, que mérito há nisso?

Embora hajam dificuldades, a empatia verdadeira causa uma concepção maior, uma visão mais ampla da vida, você se sente mais próximo do outro de fato. E o outro por sua vez também acaba se tocando com sua atitude, ser empático é conquista, é vencer limitações perceptivas e por conseguinte, evoluir.

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Remake maquiagem inspirada em Beast Wars - Megatron



Continuando a sequência de remakes de looks inspirados nos Beast Wars, agora chegou a vez dos Predacons! Os adversários dos Maximals e lógico que não podia deixar de começar pelo líder deles, Megatron. Sua forma é um dinossauro roxo e quando ele assume a forma de robô tem um mix de cores incríveis que dão um esfumado arrasador. Espero que curtam!








2013


segunda-feira, 15 de junho de 2020

Extreme Look #26 - Lady in Red


Eu vi um look com cores vermelhas e achei um encanto! Só me lembrei daquela música Lady in Red, porque é uma cor que fica bonita em muitos acessórios, roupas e na make, hoje está bem mais aberto, uma vez que não era uma cor muito usada e bem estigmatizada como cor usada somente por algumas tribos urbanas, contudo hoje, com criatividade pode ser usada por qualquer um. Espero que curtam!











quinta-feira, 11 de junho de 2020

Ideias de presentes simples (e DIY) para o Dia dos Namorados


Com tanta confusão que ocorreu ultimamente, muitos ficaram seriamente de mãos na cabeça pensando em como dariam o presente do dia dos namorados. Afinal, lojas fechadas, opções limitadas e muitas pessoas não são o exímio exemplo de criatividade, não se garantindo fazer algo por conta própria. Eu não culpo, as pessoas hoje são muito práticas, preferem logo comprar algo a pronta entrega e já bem feitinho, só pra ver a satisfação do amado (a), só que muitas situações nos obrigam a uma certa aprendizagem que nunca imaginávamos, então aqui vai algumas dicas pra você que não conseguiu o presente dos sonhos mas ainda pode fazer algo especial pro dia dos pombinhos.


1. Porta retrato
Fotos hoje são tiradas no celular de forma automática mesmo que nunca mais se volte na pasta na qual elas estão. Todavia numa data desta, um porta retrato bonito, com uma foto de algum momento especial pode ser uma ótima pedida. Uma foto que simbolize algo bom, uma espontaneidade do casal emoldurada de uma forma que você pode decorar de forma pessoal pode ser uma linda forma de demonstrar seu amor.

2. Scrapbook
O Scrapbook é meio que um upgrade do porta retrato. Como o próprio nome sugere, é como um livro de retalhos, sendo estes fotos. Normalmente o scrapbook pode contar histórias através das figuras, aí é usar a imaginação. Se pode usar as fotos e decorar com recortes de revistas, dizeres coloridos, adesivos, vale o que o coração mandar, o tamanho vai de quantas fotos você quer usar. Você ainda pode fazer uma foto no estilo de scrapbook e colocar numa moldura.


3. Camisa customizada
Sabe aquela camisa simples que está esquecida no armário? Algumas tintas e uns utensílios podem transformar ela num presente exclusivo pro seu love. Existe algo de muito especial em camisetas, a pessoa que usa leva um sentimento de quem presenteou, é como se a presença estivesse ali. Imagina fazer uma camiseta que somente seu namorado (a) vai ter? E ainda mais feita por você, com suas próprias mãos? No youtube existem vários tutoriais de camisas simples que você com coisas como esponja e um pouco de tinta pode fazer, o resultado fica bonito e muito significativo.

4. Bonecos exclusivos
Muitos aqui já ouviram falar de biscuit, ou porcelana fria. Inclusive muitos artesãos ficaram famosos devido grande talento e peças incríveis que confeccionam. Lógico que se você não é artesão, a questão aqui é muito mais intenção e espontaneidade do que propriamente habilidade. Todos nós já brincamos de massinha de modelar, imagina você entregar pro seu amado (a) um bonequinho feito por você do jeitinho como você o imagina? Aqui foi citado biscuit, mas pode ser de qualquer outro material que você possa usar, já vi bonequinhos de pano e quem sabe, papel. No filme O Corcunda de Notre Dame 2, Quasimodo dá a sua amada Madeleine uma bonequinha que fez dela de madeira dizendo: "Agora sempre vai poder se ver pelos meus olhos".


5. Uma carta
Se você não tiver muita habilidade, não souber fazer coisas artísticas muito bem, sempre sobra a opção mais simples e ao mesmo tempo mais bonita que existe: coloque em palavras seu amor. Hoje, elas entraram em desuso devido a tecnologia, mas há décadas atrás, as pessoas esperavam ansiosas por uma carta de pessoas queridas e amadas, era a única forma de se comunicar e a chegada delas era um grande acontecimento, as palavras eram bem escolhidas e muitas eram grandes. Então se você não conseguiu comprar o presente nem se sente seguro pra tentar fazer nada, escreva no papel o quanto a pessoa significa pra você, como a vê, o que sente por ela, com certeza se as palavras forem ditas com sinceridade, vai ser um presente inesquecível.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

De Exorcista a Anabelle: do que se trata um filme de terror



Minha história com filmes de terror não começou bem. Ao contrário dos aficcionados do gênero, eu tinha medo até da madrasta da Branca de Neve e o filme do Sexto Sentido me fez ficar sem dormir por três noites. Contudo, um belo dia eu perdi o medo. Na verdade, eu percebi como lidar com ele. Curiosamente, sempre tive muitos medos que me faziam tremer só de pensar neles, mas para meu azar (ou sorte) quando muitos deles se concretizaram e eu percebi que precisava lidar e sobreviver, com o tempo não pareciam tão terríveis assim.
Desse modo, ao enfrentar tantas coisas doloridas, que fazem tremer na vida real, será que um filme é de fato tão assustador quanto parece? Lógico que considero os baseados em fatos reais, esses deixam as pessoas impressionadas ao verem os créditos, todavia afirmo que o cinema enfeita bastante e muitos daqueles demônios, espíritos, entidades são bem maquiados justamente para amedrontar todo mundo, fazer com que as pessoas levem susto e recomendem o filme aos amigos. Medo é algo engraçado. Faz você ficar em alerta, porém quando enfrentado não mais parece assustador. Ele permite que você desperte o instinto de autoproteção mas existe algo que impulsiona você a querer sentir tudo de novo. É curioso pensar que é exatamente nisso que se baseia a indústria do terror, todavia analisando um pouco mais, percebe-se que mesmo terror possui uma sequência lógica em seus filmes, histórias que colocadas lado a lado possuem um cerne, algo que as liga à mesma raiz.

Se pegarmos os filmes de terror mais assustadores da história, veremos que são pautados em um tema comum. Ressalva que os "mais assustadores" aqui mudam conforme a época. Frankenstein (1931) e O Exorcista (1973) foram marcos de seu tempo. Hoje, muitos dormiriam e revirariam os olhos com os efeitos especiais parcos, a imagem de qualidade baixa, isso se não rissem das atuações. Mesmo os filmes contemporâneos com a melhor maquiagem e imagem 3D pode não ser tão impressionante para alguns... Todavia retomando o ponto inicial, a maior parte se baseia em algo peculiar: o desconhecido

O desconhecido aqui envolve os mistérios da vida e principalmente da morte, e nossa relação com esses mistérios que normalmente vem pautada de receio e temor. Em Frankenstein, logo no início um aviso é dado ao telespectador sobre o teor do filme, afirmando que estavam sendo avisados sobre a tensão a qual seriam submetidos. Afinal, a história envolve um homem que tenta recriar vida a partir de cadáveres, para a sociedade da época era algo realmente impressionante e assustador, da mesma forma como O Exorcista, por mexer com questões religiosas, fez muitos saírem vomitando do cinema. 

Nos dias de hoje, tivemos o famoso O Sexto Sentido, Espíritos, a franquia Invocação do Mal, que contou com fatos reais, considerados realmente assustadores mas que também tocavam nesse ponto do limite entre a vida e o além túmulo. Cabe dizer que é no mínimo curioso algo assim causar tanto temor, uma vez que é a coisa mais certa e definitiva da vida, todavia quando a questão "morte" se envolve, tudo assume uma nuance assustadora, por mais que se saiba processo natural da vida. 

Boa parte dos filmes envolve uma necessidade de seus personagens de lidarem com algo que não só não compreendem bem, mas que em 98% dos casos tem natureza maléfica, que traz quaisquer tipo de prejuízo aos envolvidos. Em Invocação do Mal, Anabelle e O Exorcista vimos entidades ditas "más" trazerem coisas realmente horríveis para aqueles que tiveram contato com elas, fazendo com que a ideia de morte/espiritual já viesse associado com algo negativo de cara. Quando não vem associado com algo do tipo, seja através de fenômenos sobrenaturais assustadores que ocorrem dentro de um local ou com alguém, vemos que o desejo de talvez ter contato com uma pessoa querida que já se foi pode permear o enredo.

Creio que quando amor e morte estão presentes numa mesma figura, os sentimentos podem ser dúbios. Existe a terrível dor pela ausência e o desejo de proximidade todavia se sabe que um contato com sentidos físicos envolve algo maior que nós. Como vemos em Anabelle 2 e 3, o desejo ávido de ver e reencontrar parentes amados já falecidos, tornou os personagens vulneráveis a qualquer coisa que lhes desse essa ilusão. O problema é que nesse ato, coisas ruins se aproximaram, trazendo o caos para esses personagens, isso mostra a dificuldade de lidar com a perda e o que essa vontade de poder ter contato, mesmo que por um momento com seres queridos, pode levar alguém a se submeter e fazer.

Lógico que muitos desses filmes trazem dentro de sua áurea escura, um pouco de elucidação sobre esse assunto. Mesmo que a franquia Invocação do Mal tenha sido feita com o objetivo de chocar, Lorraine Warren com sua doçura traz alguns conhecimentos sobre o assunto, mostrando que se pode conviver com isso tendo o conhecimento devido. O Sexto Sentido também traz o jovem Kevin nesse processo de autoconhecimento, numa tentativa de poder ter mais paz e lidar melhor com seu dom. Assim como em Espíritos 2, que mostra a saga de uma família cujos integrantes possuem um dom comum. Muitos podem crer que isso tem a ver com religião ou alguma doutrina, porém tem a ver com elucidação. Não vou mentir que muitas religiões tratam do assunto de um modo mais natural, com outro foco que fica bem longe de medo, numa experiência pessoal, aprendi a tratar da morte dessa forma, falo de forma tão natural que já me perguntaram como consigo dormir á noite.

A elucidação é acima de tudo um conhecimento e ele é como uma luz abrindo caminho no meio da escuridão, e quando a iluminação vem, perde-se o medo do desconhecido. E esse mesmo conhecimento possibilita que no caso de filmes de terror, haja menos medo. Quem gosta não vai deixar de assisti-los, mas definitivamente os sustos não farão com que se passe uma noite em claro...

sábado, 6 de junho de 2020

10 cenas marcantes envolvendo comida


Comer é um prazer primitivo do ser humano. Ao que parece, quando você come algo gostoso e que gosta muito, hormônios são liberados no seu cérebro, fazendo com que você se sinta bem e confortável. Lógico que questões nutricionais a parte, comer coisas gostosas é algo que sempre vai despontar em nós sensações, lembranças, saudades, nos remetendo a um lugar, uma pessoa, uma situação... Então aqui vão algumas cenas bem significativas envolvendo comida e é claro, quem as degustou.
1. Ratatouile
Essa provavelmente é uma das comidas que ficaram mais famosas e fizeram muitos quererem experimentar. Com o filme do mesmo nome, Ratatouile parece muito enfeitado, contudo é na verdade um prato super simples e que nem todos iriam gostar. Afinal, sua consistência se baseia especialmente em legumes. O prato é de origem francesa (lógico!) e consiste em um simples guisado, o qual era feito por camponeses pobres com vegetais frescos que eram colhidos no verão, seu nome significa "picar, triturar", o que faz sentido, uma vez que os legumes são picados em pedaços bem pequenos. O filme que mostra nosso adorado ratinho Remy que sonha em ser cozinheiro apresenta o ratatouile com riqueza de detalhes e vegetais variados. Qualquer um pode fazer sua própria versão de ratatouile de acordo com o que se tem disponível. No filme, Remy serve o prato, considerado relativamente simples ao crítico gastronômico ferino Ego. Acharam estranho algo tão singelo servido a alguém tão sofisticado, sendo que desse prato sairia uma crítica extremamente importante e de peso. E aí a surpresa: assim que Ego coloca a primeira garfada na boca, vem a lembrança de sua mãe na beira do fogão, com um sorriso bondoso após ver que ele se machucou caindo de bicicleta, ela lhe serve o ratatouile e vem o calor do bem estar proporcionado pela comida de mãe que nos dá acalento e conforto, aquela que não há igual. Ego deixa sua caneta cair ao perceber que aquele prato lhe proporcionava tão profundo sentimento e devora até lamber o prato de tanta satisfação.


2. Bolo de chocolate com laranja
Aninha na novela Chocolate com Pimenta havia perdido tudo que tinha e resolveu começar do 0. Ela, com um livro de receitas inéditas nas mãos se aventura na cozinha para tentar fazer bolos e bombons, e assim ajudar a família para não passar necessidade. O problema é que ela nunca havia tentado nada parecido e os primeiros resultados são desastrosos, um dos bolos explode de tanto fermento, outro gruda os dentes com a calda grudenta, ela quase desiste mas é aconselhada a fazer as coisas com coração, seguir o que seu sentimento lhe diz. Daí ela tenta novamente e tem a ideia de acrescentar a calda de chocolate, calda de laranja. Assim que o bolo sai do forno, ela pede a sua Vó Carmen que experimente. A senhora fica receosa de início, com medo do que podia acontecer, mas cede. "Filha se você quer que eu experimente, eu experimento. Vó é Vó". Quando ela prova, Aninha fica na expectativa achando que podia ter dado errado e Carmen sorri, fazendo aquela carinha de "hummm", como que dizendo o quanto estava apreciando aquela fatia de bolo. Essa receita ficou tão famosa e com tanta gente querendo provar que foi publicada no site da emissora.


3. James e o Pêssego Gigante
Crianças nem sempre gostam de frutas, é verdade. Mas esse filme, na sua inocência fez muitas quererem experimentar pêssego, inclusive eu. James vivia com as tias e era sempre maltratado por elas, um dia um velho lhe dá larvas brilhantes que podem fazer maravilhas acontecerem. O menino contudo as perde e uma delas faz um pêssego crescer absurdamente, tal como tudo que estava dentro dele, leia-se bichinhos, os quais viriam a se tornar os melhores amigos de James. Ele tinha o sonho de viajar para Nova York e acaba embarcando numa aventura com seus amigos no pêssego gigante que dentre outras coisas, foi atrelado a gaivotas para voar. É um filme singelo, doce como a própria fruta que com os efeitos especiais e muitas cenas, parece a coisa mais deliciosa do mundo para se provar.


4. Doug e o Fígado Acebolado
Eu adoro fígado! E preciso dizer que devo a Doug meu gosto por ele. Em um dos episódios, Patty convida Doug e outros amigos para jantar, dizendo que o prato principal seria fígado acebolado. O problema é que Doug detesta fígado e fica tenso pensando em como vai jantar com Patty sem passar vergonha. Ele tenta várias coisas para conseguir passar pelo sabor, artimanhas para não sentir o gosto mas tudo em vão. Percebe que o único jeito de comer fígado é justamente comendo. Assim, na véspera em um restaurante ele faz o pedido e encara o prato. Lógico que a cara não é das melhores, mas ele se sente confiante para o jantar sem colocar tudo para fora. E qual é sua surpresa quando Patty disse que tudo não passava de uma brincadeira e o jantar era hot dog com fritas. 


5. Torta de Chocolate da Minie
Essa torta ficou famosa como uma forma de reação contra pessoas racistas. Na década de 50, nos EUA a segregação ainda era forte. Os negros haviam ganho alguns direitos porém ainda reinava a ilusão de uma classe superior a outra, de modo que as empregadas domésticas negras eram sempre submetidas a humilhações, acusações injustas, precisando aceitar tudo caladas. Minie era uma dessas empregadas que como uma forma de se vingar da ex-patroa, lhe fez uma torta de chocolate recheando com fezes. Ela observou a mulher comer duas fatias como se fosse um presente de Deus, mas quando foi humilhada novamente pronunciou o famoso "Eat my shit", gerando toda uma situação bem delicada para a patroa. De fato, a torta da Minie é deliciosa, a chef Isadora Becker, em sua série de comida de cinema ensina a fazer, mas claro, sem ingrediente especial.


6. Banquete da Família de Fiona - Shrek 2
Família quando se reúne pode gerar momentos de muita alegria, mas também momentos de muita confusão. Quando a Princesa Fiona volta para o reino de seus pais com Shrek e os reis veem que sua adorada filha se transformou em ogro, a situação fica bem tensa. Começa que o pai não entende porque ela não foi resgatada pelo Príncipe Encantado e fica bem aborrecido de ter que aturar Shrek em seu palácio. No meio do jantar de boas vindas, o clima é bem pesado. Shrek não sabe bem como se portar, ele e Fiona ficam sem jeito de falar que moram num pântano. Quando falam de filhos, o rei e Shrek engasgam e começam a trocar ofensas, o Burro até tenta sair a francesa dizendo que precisa ir ao banheiro, a rainha fica constrangida de ver a comida sendo violentamente consumida, no fim Fiona sai muito aborrecida com ambos e fica aquele climão pairando no ar.


7. Sanduíche de ovo da Arlequina
Ovos, bacon, queijo americano, pão torradinho com manteiga e uma pitada de molho de pimenta. Quando Arlequina termina com Coringa e começa uma nova vida separada dele, menciona que não há modo melhor de se recomeçar do que com um perfeito sanduíche de ovo. Ela faz uma cara de fascinação enquanto ele é preparado e se mostra apaixonada quando vai dar a primeira mordida, com uma perseguição policial intercalada, ela acaba perdendo seu amado sandubão fazendo uma cara de decepção extrema. Lá é costume comer algo assim dito bem pesado logo de manhã, mas fato que o sanduíche é de fato muito bom, não é aconselhável comer todos os dias mas é uma excelente pedida para um lanche diferente de vez em quando.


8. Fricassé de Vitela - Avenida Brasil
Esse foi outro prato que ficou famoso por causa de uma novela. Quando Nina conseguiu o emprego na casa de Tufão, visando se vingar de Carminha, ela quis impressionar logo na primeira noite. Preparou um jantar especial com pratos elaborados e um deles era o fricassé de vitela. O prato agradou a todos, devido a maciez e sabor, vitela é uma carne de boi jovem, embora possa ser feito com outros cortes. O nome parece ser de um prato difícil todavia o preparo é até bem simples e não tem muito demais, aliás alguns outros pratos com carne são mais elaborados e provavelmente mais saborosos. Mas valeu porque Nina começou a agradar enquanto cozinheira com este prato, iniciando sua história de vingança.


9. Os doces de D. Florinda
Eu poderia colocar aqui somente os bolos, ou somente os churros, ou somente os chifres, contudo estaria sendo injusta porque sentimos vontade de experimentar todos. D. Florinda mesmo sendo da alta, era ótima cozinheira, principalmente quando se tratava de cozinhar para agradar o Professor Girafales. Os bolos despertavam não só a vontade do girafão mas também das crianças da vizinhança, eram bolos de baunilha, de chocolate com uma cobertura que dava água na boca. Os higiênicos churros de D. Florinda fizeram muitos quererem saber o que era, numa época em que não era tão popularizado o doce por aqui, curiosamente, Professor Girafales diz que comeu oito deles, o que gera certo espanto pois os churros daqui são recheados e bem grandes, mas lá eles são fininhos como palitos doces sem recheio, logo quem gosta come cinco de uma vez só sem sentir. Os chifres, que causaram tanto mal entendido, nada mais são do que biscoitos feitos com nozes, proibidos por um tempo pois sugeria que as esposas estavam traindo seus maridos ao dizer que estavam lhes preparando chifres, mas também foi algo que fez muitos ficarem ao menos com curiosidade de provar. Os chefs Felipe e Lucas fizeram uma playlist com essas e outras delícias do universo de Chaves que dão um sabor de nostalgia ao mesmo tempo que enche a barriga


Essa é uma das minhas cenas favoritas. Tem uma frase que diz "Todas as tristezas são menores que o amor e o pão", ou seja, quando se está triste, não tem nada que melhore, ao menos um pouco, do que receber apoio e comer algo gostoso. Dorotéia era uma das senhoras mais intolerantes da cidade, vivia falando de moral e bons costumes, julgando a tudo e todos, numa tentativa de esconder seu passado como prostituta, uma vez que conseguiu se tornar "dama honesta". Contudo, tudo isso ruiu quando seu neto Juvenal decide se casar com uma das prostitutas do bataclã, ex-noiva de seu irmão Berto, que foi "desonrada" por ele, o segredo de Dorotéia é revelado, o filho coronel se revela gay e para esconder a vergonha vai embora para a fazenda da família, Berto quer a noiva de volta e ameaça matar Juvenal e a ex-noiva, mas acaba morto por um amigo dela. Em suma, Doroteia acaba sozinha em casa, abandonada por todos aqueles que se diziam seus amigos, mas que a deixaram assim que souiberam de seu passado. Cheia de dor pelo luto e solidão, eis que Gabriela surge a porta com alguns quitutes nas mãos, dizendo que sabia do ocorrido e que ela devia estar passando por muita mágoa. Ela lhe serve um doce e lhe diz que comer faz bem pra espantar as tristezas. Doroteia ali reconhece que a moça que não tinha nenhum rótulo imposto pela sociedade era a que mais, senão a única, que demonstrava ternura, bondade e amizade.