"Eles são..., como é mesmo? Eu disse uma boa hoje, no café da manhã..."
"Um ridículo bando de bisonhos babões."
Por vezes, ao ver a conduta dos ativistas dos Direitos Humanos, a gente tem vontade de soltar uma dessas. Não pelo objetivo, que inegavelmente tem sua nobreza e boa vontade, mas o modo de execução tem gerado revolta e reduzido o número de futuros adeptos.
Acredito que os Direitos Humanos vieram para sanar necessidades básicas do ser humano. Por vezes a equidade precisa vir antes da justiça de modo que as diferenças de cada um com o tempo não sejam um impasse na busca por inserção e vida melhor. Uma criança com Síndrome de Down ou alguma deficiência física pode ter suas dificuldades, contudo, a lei lhe assegura direito a educação e saúde por vezes especiais e com isso, possibilidade no futuro de ter as mesmas hances de igual pra igual com outra que não possui tantas particularidades.
Os Direitos Hmanos garantem isso. Garantem também que medidas sejam tomadas para amenizar questões preocupantes como a fome na África, tráfico humano, de mulheres, refugiados. Muitas celebridades se engajaram nesta luta de forma magistral. A validade do movimento fica evidente, muitas populações precisam de alguém que olhe por elas, porém o alcance e intenção diminuam quando se trata de presos da justiça.
Começa que quando se trata de criminalidade, sempre se procura um culpado, sendo que a palavra "culpa" nem sempre cabe porque sempre está remetida a constrangimento, depressão, sentimento de que não há saída nem possibilidade de melhora, porém para estabelecer um contraponto claro, aqui ela parece adequada. A primeira idéia (pra não dizer universal) é que o governo e a sociedade são os grandes vilões, os que através de suas condutas jogam um jovem menos afortunado no mundo do crime. Pra início de conversa, é preciso estabelecer que há uma diferença muito grande entre culpa e responsabilidade.
Existem desigualdades inegáveis, porém vai muito além daquela situação, por vezes birrenta, de ricos x pobres. Tal situação tem sido alvo de críticas e duramente apontada como cerne que dá origem a criminalidade e falta de oportunidades. Daí caem em cima das pessoas ditas como "privilegiadas" como chacais apontando o dedo como se elas fossem promotoras de todas as desigualdades do mundo. E isso sem a menor intenção ou vontade de querer saber se as pessoas para quem apontam tiveram uma vida difícil e/ou penaram para estar onde estão.
Exemplos. É crítica a situação dos Direiros Humanos relacionados aos jovens que se enveredam pelo crime. Nem entrarei no critério de maior ou menor idade, porém analisando os fatos um jovem que não tem oportunidade, nem escola nem condições, na busca por algo que deseje ou uma forma de melhorar de vida por vezes se seduz pela idéia de um dinheiro fácil, de coisas bonitas e caras, se envereda por atos ilegais, para conseguir o que não tem através de quem tenha.
Quem foi o responsável pela falta de oportunidades? "O Governo", muitos dirão. Mas e o culpado? Aí dá um nó. O responsável é o governo, pois não cumpriu com seu dever de dar condições e ferramentas necessárias para que seus cidadãos tenham uma boa vida. Ou seja, é a irresponsabilidade de uns interferindo na vida de muitos. Contudo, é importante reiterar que ainda que a influência exista, a escolha pessoal ainda pertence ao indivíduo somente.
Resgatando o exemplo acima, o governo possui a responsabilidade por seus habitantes, porém, ao se falar de uma culpa por um ato, quando um cidadão, de posse de uma arma assalta outro cidadão, não é o governo que escolhe puxar o gatilho. Responsabilidade tem muito a ver com consequências e culpas, com atos gerados devido a tais consequências. Considerando crimes cometidos por indivíduos movidos por necessidades, o governo é responsável, porém culpado é o autor do crime e passível de ser responsabilizado e punido. Não é intenção aqui gerar um massacre ou apontar dedos, pois para isso existe consciência e a lei, mas acho de primordial importância dizer que mais do que uma situação material, há o ponto da situação moral.
Os Direitos Humanos vem pecando porque invertem as bolas. Na ânsia de garantir direitos aos menos afortunados, que sofrem com a irresponsabilidade dos governantes, acabam por negligenciar que as vítimas dos atos cometidos pelos primeiros também são humanos passíveis de possuir direitos. A frase "Esses Direitos Humanos defendem bandido" sempre é ouvida, de delegacias a hospitais, a rodas de bar. E considerando uma população composta por pessoas que em sua maioria dá duro, os componentes desta se sentem ofendidos diante de crimes nos quais a vítima, sendo fatal ou não, é deixada de lado, ao passo que o "culpado" é tratado como um pobre coitado que não teve outra escolha.
Neste ponto os Direitos Humanos perdem sua nobreza. Todo o ideal deles perde o brilho, afinal não é só porque alguém que foi assaltado ou morto pertence a uma classe social melhor do que o agressor, que isso o torna uma espécie de E.T. Acho que a balança quando se trata desses direitos acaba pendendo para um lado só, quando devia ficar em equilíbrio, ambos, tanto vítima quanto agressor deviam receber assistência, cada um dentro de sua condição e terem seus direitos humanos respeitados igualmente.
Logo, não se pode minimizar atos hediondos, crimes bárbaros, amenizar com justificativas de "falta de oportunidade", como se os autores fossem pobres coitados sem o domínio de sua própria escolha. Que os direitos deles lhes sejm concebidos, mas que não fiquem sem o devido resgate de seus atos, nem que estes sejam resgatados em uma prisão como a do Magneto, mas que recebam de acordo com o que fizeram. Não só por uma satisfação a sociedade, mas para que se perceba que ás vezes as consequências de um ato não se apagam com simples arrependimento, por mais louvável e digno que seja.
Eu pessoalmente tenho pena. Não a pena torpe que muitas vezes vemos por parte dos Direitos Humanos e que nos entala, na qual vemos as vítimas se sentirem desprotegidas e ainda sendo "acusadas" por viverem em uma sociedade opressora ou por pertencerem a essa ou aquela classe. Tenho pena porque a vida em si já é algo complicado, cheio de intreperes, tormentas e dificuldades e penso que quem se envereda pelo caminho do crime, o fardo deve ser maior. Não que a responsabilidade se apague, mas acho que saber que existe meio mundo querendo a cabeça destes indivíduos, o que inclui polícia, vítimas e outros, além de saber que se alguém quebra o círculo de medo não hesita em cumprir um "dever cívico" e livrar a sociedade dessa mácula, fora que ninguém lamenta, acredito que viver assim, sem ter paz, pra mim, é de encher de pena.
Contudo, um criminoso tem possibilidade de se redimir e se ressocializar? Sem dúvida. Os Direitos Humanos garantem que ele tenha condições necessárias para se reintegrar à sociedade, porém não só condições e oportunidades garantem essa reintegração, é preciso também um caráter, uma conscientização por parte do indivíduo e escolha por um caminho diferente, porém sob essa parte, os Direitos Humanos não tem poder.
Só que quando um destes indivíduos consegue, torna-se um exemplo para o mundo e nos faz crer que as coisas são possíveis, que as pessoas podem evoluir e sair do círculo ruim em que se encontram e nesse momento, os Direitos Humanos e suas condutas e filosofias mostram toda a sua importância valor.












