domingo, 19 de novembro de 2017

DIY Gargantilha e todos os braceletes da Harley Quinn Esquadrão Suicida


É fato que os eventos estão bem escassos este ano, porém não significa que as habilidades e aprimoramento devem ser deixados de lado, até porque há cosplays futuros que muitos podem querer fazer e exigem que se aprenda umas coisas. Logo, como o bom e velho Faça Você Mesmo é não só útil, mas dá pra economizar bastante obtendo resultados bem legais, eis que trago um tutorial de acessórios de uma das personagens mais procuradas para cosplay no ano passado: Harley Quinn, do Esquadrão Suicida. Os acessórios dela chamaram atenção pelos detalhes e referências ao seu Curinga. Espero que curtam!

MATERIAIS:

- E.V.A nas cores lilás, dourado e cinza (ou branco)
- Velcro
- Cola quente e pistola
- Rolo de papel higiênico
- Papel alumínio
- Cartolina ou papel de presente dourado
- Tinta acrílica metálica dourado
- Molde com as letras
- Tesoura, lápis e borracha

1. Gargantilha e pulseiras

- Recorte as letras do molde impresso


- Passe as letras para o E.V.A. dourado


- Pinte com a tinta dourada para dar mais vivacidade


- Recorte as letras do E.V.A


- Meça a medida do seu pescoço no E.V.A branco e a medida dos pulsos no E.V.A lilás



- Cole com cuidado as letras de PUDDIN no E.V.A branco e as de SIR e YES no lilás (cuidado com os dedos)


- Cole um pequeno pedaço de velcro na gargantilha e pulseiras

- E prontinho!


2. Pulseira de spikes

- Pegue o rolo de papel higiênico e corte ao meio


- Meça no seu pulso e acerte as pontas para ficar mais curvado

- Dobre bem para ficar bem firme


- Cole o E.V.A por cima



- Separe 8 pedaços quadrados de papel alumínio


- Modele eles pra que fiquem como spikes


- Depois separe 8 pedaços quadrados de papel de presente dourado



- Encape os spikes colando a ponta


- Cole os spikes ao longo da pulseira



- E prontinho!




domingo, 12 de novembro de 2017

6 coisas que tiram do sério atualmente




O mundo mudou muito nas últimas décadas. O advento da internet, de mensagens instantâneas trouxe muita praticidade e ao mesmo tempo novidade, não propriamente e exclusivamente positivas. Claro que num meio onde você não precisa ser nem especialista nem autoridade para expor o que pensa e fatos que acredita, lógico que isso gerou um impacto na sociedade. De repente, houve um sentimento de liberdade sem precedentes e com ele, a sensação de que excessos poderiam ser cometidos á vontade. Legalmente houveram mudanças na tentativa de conter a instalação do caos. Há o ponto de se pensar que não tem limites no meio digital e que as pessoas não se mostram muito dispostas a ceder em suas convicções duras.

Atualmente o que tira do sério é o meio que as pessoas estão usando para mostrar seus pontos de vista, atitudes extremas... mesmo algo bom e decente ao cair no exagero e no radicalismo torna-se nocivo e torpe, o bastante para que as próprias pessoas adeptas das idéias considerem errado. E com isso inclusive, outros que poderiam se interessar em conhecer, sentem uma aversão tão grande que de cara tomam como algo extremamente negativo e ruim, mesmo que o cerne tenha sido projetado pra ser uma coisa boa. Em tempos de internet é lamentável que esteja ocorrendo com mais frequência que deveria, segue um pequeno resumo das coisas que mais tiram e vem tirando qualquer um do sério.

1. Falta de interpretação de texto

- Gostar: Trans. dir. = achar agradável, apreciar
- Aceitar: Trans. dir. = estar de acordo ou conformar-se com
- Respeitar: Trans. dir. = não causar qualquer prejuízo a, não perturbar
É bem pertinente começar falando do significado destas três palavras porque quando elas estão envolvidas em muitas discussões, por vezes ou é esquecido ou por espontânea vontade, se confunde o significado delas e transformam tudo em um bolo só. Daí a frase "não gosto" ou qualquer expressão do teor 'gosto pessoal' é tida como desrespeito ao objeto/pessoa alvo do não-gostar, geralmente acaba em ofensa e castração de opiniões, como se todos tivessem que gostar das mesmas coisas para não serem ofendidos ou precisassem constantemente rebuscar palavras e assumir para si uma responsabilidade (inexistente) pelo que o outro pensa e em como recebe as informações, por mais claras e explicadas que sejam. Eu sempre exemplifico com o caso de dois vizinhos. Se por acaso um for ligado em música gospel e o outro em super batidão, podem até não gostar do estilo, aceitar muito bem o fato de uma família ser mais discreta e outra descer até o chão mas se se respeitarem, é bem capaz de nas festas cantarem "Nossa querida vizinhança" juntos.


2. "Seu livre arbítrio agora é meu!"

Do mesmo jeito que a Mary Shaw matava para se apoderar das vozes das vítimas, hoje em dia há muitos que creem ter o poder ou direito de se apoderar da vontade das pessoas e dizer o que elas tem que gostar ou aceitar, o modo como devem proceder, no que acreditar e caso contrário, é rotulado de algo que quase na totalidade é muito ruim. E isso ressalta os rótulos, afinal se não é/acredita em A, automaticamente é B, portanto é C e apoia D. Se você é ateu, dizem que você vai pro inferno. Se é cristão, te chamam de idiota e fantasioso. Se come carne, é carnista e assassino sem empatia nenhuma. Se é mulher e não liga pra cantadas, é machista. Se critica racismo, está correto e recebe aplausos, mas se aponta alguma falha de caráter de uma pessoa negra para com uma branca está sendo racista porque afinal, o inverso não existe. Se gosta de determinada arte de museu é ok, mas se gosta de outro tipo, é chato. Fora que sobre alguns assuntos, determinado grupo de pessoas sequer pode opinar, talvez nem pensar sobre porque "não têm esse direito". Tudo está muito preto e branco, ninguém está conseguindo estabelecer nuances, um ponto de equilíbrio, o que está gerando esse verdadeiro problema de grupos distintos, seja de que tipo for, é que estes mesmos grupos nem sempre se mostram dispostos a interagir. Numa época em que clamam por diversidade, tolerância e interação, com esse tipo de coisa, fica claro que em muitos casos o mundo está é cada vez mais dividido em nichos.

3. Mazelas de redes sociais

Li certa vez que hoje em dia "Textão é o novo B.O". Com o advento da internet, claro que o ato de escrever em redes sociais se tornou frequente. Porém como sempre há em todo lugar, pessoas se aproveitam do ato para disseminar informações nem sempre verdadeiras. Ou ainda, escrevem relatos longos sobre crimes e compartilham, ao passo que tais relatos ganham curtidas e compartilhamentos. Não há problema em expor situações erradas. problema é quando a vontade de expor se sobrepõe às medidas cabíveis para os crimes que estão sendo expostos. Ou pior ainda, se sobrepõe a veracidade dos fatos. E mais ainda quando há incitação de conhecidos na exposição, envolvendo pessoas em assuntos que deviam ser resolvidos intimamente. Sendo que o expositor ao agregar pessoas acaba gerando uma bola de neve maior que a intenção original.


4. Falta de senso

No meio de tantas pessoas querendo provar que tem razão, nesse meio muitas não se importam de usar qualquer artifício pra conseguir isso. E aí se não houver argumentos, fatalmente acaba em falta de senso. Ao invés de argumentos, muitas pessoas, em muitos momentos começam simplesmente a ofender, usar palavrões e tentar diminuir os outros a qualquer custo. Por experiência própria, percebi que nem precisa ofensa, basta proferir uma opinião contrária a maioria. É como se não houvesse capacidade para lidar com isso, ou mais ainda, capacidade para entender que haverão opiniões contrárias, seja lá em que assunto for. E o mais curioso nesta situação é que na tentativa de defender um ideal comum, muitos acabam ignorando por completo se alguém deste mesmo ideal for um completo cretino e não mostrar caráter algum. Mais triste ainda é que muitas causas defendidas são até nobres, porém as pessoas que supostamente as defendem são torpes. Sempre lembro de um fato que vi em um certo grupo que relata abusos sofridos por empregadas domésticas. É notório o quanto é benéfico para a classe os desabafos mas também é notório o quanto parecem não aceitar ou não querem acreditar que o contrário simplesmente existe. E sim, há indivíduas no mencionado grupo que buscam a todo custo justificativas para o fato de que há funcionárias domésticas que não fazem o trabalho corretamente, que pegam e danificam coisas, maltratam idosos e crianças... Isso quando não chamam de "mesquinharia" por parte dos empregadores atos que são de fato, roubo. Mesquinharia é você preferir ficar com dor de barriga a dividir seu pacote de jujubas. Pegar algo que não lhe pertence e não lhe foi dada liberdade de pegar não se enquadra nisso. Mas aí, por algum motivo (ou falta de senso mesmo) já vi justificarem com "Ah, mas foi só um pouquinho", "Ah, mas ela tava grávida, com os hormônios em alta", amenizando o (mínimo) direito de propriedade que o outro tem, quebrando limites necessários e lógicos que há entre empregadores e funcionários. Outro exemplo, neste ano mesmo, foi sobre uma mãe que queria obrigar uma moça a dar um brinquedo para o filho dela. Gostei de ver o quanto muitas mesmo sendo mães acharam um desserviço e falta de educação, mas não faltaram aquelas que acharam egoísmo, de novo mesquinharia dando a nítida impressão que queriam que o mundo girasse em torno de suas opiniões e concepções. Quando se discute com pessoas assim é aconselhável dar um basta de cara, pois elas são do tipo que roubam fotos no perfil alheio para humilhar quem as contraria, pressupõem fatos de vida na tentativa de diminuir a opinião dada, isso quando não vasculham atrás de coisas pessoais, como por exemplo hobbies, como uma forma de ataque. É infantil a um nível que beira o ridículo, afinal até o ídolo Cazuza dizia que queria viver uma ideologia mas ele não mencionou nada sobre ser um escroto por causa disso.


5. Politicamente (Exageradamente) Correto

Não estou falando do politicamente correto que fez com que piadas muito torpes fossem evitadas com determinados grupos, que ridicularizavam ou que transmitiam uma ideia equivocada. Estou falando do politicamente correto que castra conteúdos que mesmo seguindo todas as normas de respeito, sofre críticas em muitas vezes infundadas. É o politicamente correto que queria castrar IT, A Coisa de Stephen King porque palhaços estavam perdendo empregos e pessoas que tinham fobia não queriam no cinema. É o politicamente correto que afirma que Maria Antonieta de Las Nieves, no programa Chespirito não podia ter feito a Rainha de Sabá (personagem negra) pois estava usando a chamada black face, sendo que não imagino qualquer outra atriz que conseguisse reproduzir com tanta maestria a interpretação feita. É o politicamente correto que acusa de racismo cosplayers que fazem personagens negros e usam de pinturas corporais para se parecerem mais com seus personagens favoritos ou afirmam que não se pode usar tal acessório por pertencer exclusivamente a um povo/cultura/etnia. Um politicamente correto que censura desenhos, animes e filmes. O politicamente correto atualmente que faz com que histórias, ficcionais, diga-se de passagem e muito boas sejam tiradas do ar porque "não tem nada a ver com a realidade". Um exemplo foi uma fanfiction chamada "A Outra Face de um Tirano", que narrava o envolvimento de um capitão nazista cruel com uma judia e em como mesmo começando como um relacionamento abusivo, coisas boas foram sendo despertadas no tirano ao longo da trama. A pressão foi tanta que a escritora deletou a fanfiction e não responde mais as mensagens nem da administradora do site. O politicamente correto hoje em muitos casos julga você por ser contra e se chatear com coisas que de fato são erradas, mas ele muitas vezes coloca você numa posição de incompreensivo ao tentar achar justificativas para o injustificável. O excesso de politicamente correto é bem castrador e censurador, ficou bem claro num episódio dos Simpsons. Margie estava bem insatisfeita com o desenho Comichão e Coçadinha que seus filhos assistiam, afirmava que era violento e ruim, ela tanto fez que mandou uma carta para o produtor e eles mudaram o roteiro. Semanas depois, os episódios passaram a mostrar os dois tomando chá, fazendo tricô juntos e se houvesse dúvida sobre alguma sequência, os produtores ligavam para Margie para perguntar sobre o mais correto a ser mostrado. O resultado dessa mudança drástica? As crianças se cansaram de assistir algo tão chato e começaram a brincar na rua. É, os Simpsons mais uma vez previram o futuro...


6. Síndrome de Veruca Salt

"Papai, eu quero outro pônei". "Papai, eu quero ser o destaque do telão na formatura". "Papai, eu quero entrar primeiro". Puxando o assunto das mamães que acham que o mundo deve se curvar a ela e suas crias, não há coisa hoje que esteja mais evidente do que a criação dessa população de Verucas Salt. Pra quem não lembra, Veruca era a menina mimada da Fantástica Fábrica de Chocolates, tudo que ela pedia era prontamente atendido e sem demora. Vemos muitas pessoas sendo criadas assim, dentro de uma redoma na qual seus pais querem submeter o ambiente a sua vontade, ao invés de serem preparados para uma adaptação a situações e superação de adversidades, fatalmente pessoas criadas assim se tornam adultos meio incapazes, despreparados. Vemos casos de pessoas que com essa percepção de terem sempre tudo, quando batem de frente com o mundo, usam de vários artifícios para conseguir o que desejam, nem que o pai ou mãe tenha que bater um papinho em particular com algumas pessoas na tentativa de uma regalia ou usam do puro e simples abuso e cara de pau. E se o mundo mostram que não é trouxa e percebe esse tipo de atitude, ainda é chamado de invejoso ou acusado de estar com dor de cotovelo.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Enem: E lá vamos nós...



O Enem ainda está aí e gerando polêmicas ainda. Já são pelo menos dois anos falando do Enem e seus rebus e esse ano aconteceram algumas coisas bem dignas de menção. 

Lógico que é notório que o Enem segue uma sequência muito clichê. Logo ás vésperas da prova, são mostrados os estudantes com a cabeça nos livros, expressão compenetrada, o rosto rígido, dizendo o quanto se prepararam para aquele momento, o quanto tem o sonho de um curso superior. Há as campanhas reiterando a importância de se chegar no horário, de não esquecer os documentos ou levar a caneta certa. Momentos após a realização da prova, há os memes dos atrasados, o pessoal se dividindo em dois times: os que riem de quem se atrasou mesmo após os lembretes e os que querem parecer muito corretos dizendo "isso não é certo". Um dia depois vem as polêmicas do tema da redação, uns dizendo que era ruim, outros dizendo que era moleza, outros afirmando que não tinha nada a ver com a conjuntura mundial e etc. Daí após os resultados e gabarito, aliás, pouco antes, já vem de novo os muito corretos dizendo que não se deve fazer menção de profissões como atendentes de lanchonete ou pedreiros. E muitos ainda acrescentam que o indivíduo é mais que sua prova. Youtubers fazem vídeos disseminando a idéia de que o Enem é cruel, obsoleto, desleal. Mas é batata que mesmo com tudo isso, tão certo como o sol é quente, ano que vem tudo vai se repetir e com mais candidatos ainda do que este ano.

Em se tratando de estudo, é lógico que nada é fácil. Seria bom que todos descobrissem isso cedo e percebessem que, pelo menos no país que vivemos, estudo vai muito além de livros e cadernos. Numa análise pura e simples, pra que se estuda afinal? Qual o objetivo de você passar pelo menos 20 anos submetido a um sistema de avaliações e notas? A resposta de se alfabetizar talvez seja uma boa, afinal ler, escrever e fazer contas são bem necessários para o dia a dia. Mas o que mais? Pra ser alguém? Bem, muitas pessoas pregam que já somos alguém. Para ser importante? Muitos analfabetos ou pessoas de humildade extrema mas sabedoria de sobra foram importantes para este mundo por meio das ações e influência que exerceram na sociedade. Logo, talvez a resposta do porquê estudamos seja para conseguir uma possibilidade de vida diferente e melhor.

Lógico que houveram pessoas para as quais surgiram oportunidades e com sua forma específica de fazer as coisas, conseguiram mudar de vida sem precisar passar pelos bancos universitários. Uma rápida pesquisa mostra empresários, pessoas que viajaram para fora e conseguiram construir um patrimônio que as tirou de uma vida de privações. Contudo, é concreto que o estudo ainda é o caminho mais óbvio para se mudar. E isso vale tanto para alunos de escolas públicas quanto privadas. De públicas porque as privações já começam na própria escola, com déficit de professores e material. E privada porque o amparato pode ser dos melhores, mas é ilusão achar que nunca vão precisar lutar por nada. 

Nesse meio todo sempre há os que vão dizer que é difícil, que uns tem melhor condição para passar no Enem que outros. Ninguém nunca negou isso, mas afirmam que fatalmente será preciso uma boa dose de esforço, independente de quem seja. Sempre acho muito digno a disseminação da idéia de que os candidatos já são alguém, porém no ano em que completam 10 anos que deixei a escola, me sinto no dever de dizer que mesmo você já sendo alguém, não vai permanecer com 17, 18 anos pra sempre e o mundo não para de girar por ninguém e todos vamos precisar amadurecer e encarar a vida. É compreensível que a pressão exercida seja horrível. Dez anos atrás sofriam essa mesma pressão, ela perdura pela graduação, provavelmente vai existir no trabalho, seja ele qual for. É lógico que esgota, quem em sã consciência prefere de bom grado encarar matérias em muitos casos chatas do que fazer algo mais prazeroso? E mais ainda hoje que existem séries, redes sociais e netflix, é complicado que nesse processo não seja associada repulsa em proporção maior que prazer. Da mesma forma como as profissões mais humildes que viram alvo são dignas e honestas como outras, ajudam muitas pessoas a sustentar famílias, muitos vão querer algo melhor para si, incluindo os que estão nestas profissões em caráter temporário. E mais uma vez, o estudo se torna um caminho para isso, uma porta cuja  chave é o aprimoramento.

Mencionando os atrasados, os memes e afins, lamentavelmente, nesse ponto o vestibular virou um circo. Um espetáculo no qual se você virar um meme depois está no lucro. Quando eu fiz, em 2005-2007, a menção da palavra já deixava os jovens com um sentimento de responsabilidade e seriedade. Ninguém fica com 17, 18 anos pra sempre, lembra? E você vai ser cobrado como tal. Naqueles anos se preparava tudo com antecedência, eu mais de uma vez, cheguei meia hora antes e ficava sentada na minha cadeira lembrando das fórmulas e dos macetes. Talvez fosse mais fácil, naqueles anos só havia celulares que ligavam e recebiam ligações e mensagens de texto, nada de selfies, whatssap ou facebook, era você, sua caneta e sua cabeça. Devo dizer, no entanto, que não acredito que havia tão menos congestionamento e menos candidatos assim na época pra justificar tantos atrasos e ainda dizer que foi o trânsito. A tecnologia e a rapidez de como esses meninos viram celebridades instantâneas devido a algo que devia ser reprovável de algum modo faz com que se atrasar para algo importante para o qual há um preparo de um ano, simplesmente não pareça algo tão errado assim. Logo, talvez não seja tão reprovável assim rir.

Quanto a redação, esse ano eu devo dizer que vibrei. Não vi tanto rebu no Facebook, nem tanta reclamação, nem tanto print exaltado, vi reclamações plausíveis e certa insatisfação. Lógico, com um tema como o desse ano "Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil", muitos foram pegos pelo pé. Considerando que muitos escreveram que para facilitar a educação dos surdos são necessárias rampas nas escolas, o tema foi definitivamente um divisor. Ele separou os alunos bons de prova dos que acham que redação é igual a textão de Facebook, no qual umas palavras exaltadas, umas expressões chamativas bastam pra ganhar o like do corretor. Um tema desse num ano em que provavelmente esperavam coisas como transexualidade por causa da polêmica da novela, ideologia de gênero ou bullying por causa dos atentados, falar dos deficientes auditivos deve ter sido um desafio e tanto. Como nem todos sabem bem do que se trata surdez e só tem por referência aquela pessoa que pergunta mais de duas vezes o que alguém disse, creio eu que esse ano vai dar trabalho. Talvez os que lembraram de uma coisinha chamada "Libras" também conhecida como linguagem brasileira de sinais, em como escolas particulares e públicas tem professores que não possuem esse conhecimento nem mesmo nas universidades, dispensaram criatividade e souberam colocar isso em palavras cultas consigam se dar razoavelmente bem.

O Enem mesmo que não queiram vai continuar sendo um processo importante, pode não ser o mais ideal para se entrar numa universidade, porém é o que temos. Talvez demore para mudar, porém é fato que por pior que seja ainda é a porta mais óbvia para muitos, torcemos para que ele seja encarado com seriedade e que hajam menos jovens chorando nos portões no dia da prova e mais deles entrando nos portões das instituições de ensino superior.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Bullying: ele é real. Mas até quando?



Ultimamente o Brasil tem sido abalado por múltiplas tragédias motivadas por diversas razões gerando um choque com a intensidade e gravidade delas e o quão elas atingem um cerne profundo que muitos julgavam ser possível ver somente lá fora, em países longe daqui. O mais recente foi o caso do rapaz de 14 anos que atirou na escola, matando colegas e deixando feridos outros. Ao se investigar os motivos, foi afirmado que a motivação foi bullying, o que reacendeu novamente um assunto que na maior parte do tempo julga-se esquecido até que algo chacoalhe as estruturas aonde ele ocorre.

Claro que no meio de tantas notícias que aparecem, desde que o rapaz era nazista até que ele tinha conexão com ET's, é de se esperar que mesmo hoje seja complicado para muitos compreender o que é esse ato. O bullying ocorre quando entre duas partes (bullie e bulinado), que supostamente estão se divertindo juntas, somente uma ri. No seriado Chaves, muitos afirmam de pés juntos que ali há bullying, mas é fato que Chaves chamava Quico de "bochechas de buldogue velho" e recebia um "burro" de volta, cinco minutos depois estavam os dois brincando felizes de futebol e decidindo quem ia ser o Luís Pereira. Se os dois riam no fim, não era um caso típico.

O mesmo não se pode falar de quando a piada parte de um ponto e o sujeito alvo se sente mal, envergonhado ou errado de alguma forma não condizente com a realidade. Lógico que muitos vão
dizer que já passaram por isso, seja lá por que fator for, quando crianças, porém o que vai dizer o quanto de prejudicial há nessas brincadeiras aparentemente bobas é a frequência e a intensidade que elas ocorrem e as remanescências que permanecem. Nessa linha tênue, o bullying é subestimado no quanto pode ser nocivo e em como pode gerar consequências graves, a curto e longo prazo.

Ainda que no mundo tenham ocorrido inúmeros casos extremos relacionados a ele, não há atenção digna para com o assunto. O Brasil não é exceção nesse cenário, mesmo com um caso dessa repercussão. Nas escolas, não importando a espécie, não há um trabalho sério, profissional e condizente. Na semana em que um rapaz atirou dentro de uma sala de aula, já era hora das instituições olharem melhor para seus alunos, para o que fazem e como agem. A educação recebe-se em casa, mas na escola vai ser o exercício dessas regras e se há algo errado, é função dela dar um alerta que seja aos responsáveis.

É totalmente previsível que vão haver os que afirmem piamente que se está "defendendo um assassino", pessoas extremas opinando em casos assim são desnecessárias, pois a violência é ruim em qualquer circunstância e em nada auxilia para se conscientizar sobre o que quer que seja, porém pode-se olhar o que há além disso. Em discussões frisei que não utilizo a palavra "vítima" neste caso. O motivo para isso é muito simples: todos foram de certa forma vítimas, porém também algozes em
algum momento, logo todos perderam sua razão e chegaram a um limite que não deveria nunca ter sido alcançado. Nada justifica o que o rapaz atirador fez, porém se foi um caso de bullying, isso também não devia passar em branco.

Em tragédias assim, os olhos se voltam primeiro para quem agrediu, ou seja, quem matou. Um dos pontos mais evidenciados era o fato dele ser filho de militares, palavra que já gera uma certa defesa. Numa rápida análise, pessoas dessa profissão já são meio desprezados por quem os paga, recebem raiva e repulsa daqueles pra quem trabalham e são odiados pelos que combatem, assim bastou que soubessem que o rapaz tinha contato com esta categoria para que as críticas (e raiva) fossem direcionadas não só a ele, mas também a seus pais, como se os mesmos tivessem ensinado ele a atirar desde pequenininho e seu móbile tivesse fuzis ao invés de ursinhos. Levantou-se a questão do porte de armas, mesmo que em caráter de objeto de profissão, porém numa opinião pessoal, isso se mostrou muito mais como uma forma de desviar o foco através de uma discussão de cunho político do que algo relacionado ao caso. É como se não houvesse muito interesse ou houvesse pura negligência em um episódio no qual o bullying foi pano de fundo.

Á propósito, boa parte não parece sequer acreditar no bullying em si, não param um segundo pra perceber que ele também é um crime, nem neste caso em específico nem em outros, conduzindo a questão como se fosse apenas um "exagero" ou "vitimismo bobo", levantando a bandeira do "sofri mas nunca matei ninguém", como querendo exaltar seus próprios egos inflados. Questionam o caráter do atirador, resume tudo a isso, pressupõe o diagnóstico de "psicopata" ou apelam para o simples xingamento de "lixo", clamam por uma punição exemplar, o problema é que por mais indefensável e injustificável que seja a atitude, por mais que sim, ele tenha arestas de caráter, o bullying é real. E se numa hipótese não tenha sido neste caso, é em muitos outros ao redor do mundo.


Quando o trio armas-raiva-bullying entram em cena, as coisas podem sair do controle facilmente. E já que muitos precisam de exemplos pra entender, não raro em séries e até desenhos mostrarem o quanto as coisas podem terminar de forma trágica quando são empurradas com a barriga. No episódio 25, do desenho Super Shock (Jimmy), é mostrada nitidamente essa relação do bullying e armas. Ao sofrer bullying pesado por parte de um colega, Jimmy consegue pegar a arma do pai e vai para a escola com ela decidido a dar fim em quem o perturbava. Detalhe: no desenho, o pai era um civil qualquer que tinha uma arma na gaveta que o garoto conseguiu destrancar roubando a chave, o pai não era militar nem Jimmy recebeu instruções. Ele também tinha amigos e no momento da raiva um deles até disse: "Você está com raiva agora, mas daqui a uma semana não vai ligar, não estraga sua vida toda por causa disso". Outros ainda falaram que o bullie não valia isso e no fim, por ACIDENTE, um dos amigos de Jimmy é baleado. A diferença é que depois dessa fatalidade, a escola toma providências: o bullie é colocado pra fazer serviço comunitário e leva uma suspensão, Jimmy também recebeu ajuda. Ao fim do episódio a lição de que todo mundo devia ter aprendido algo com aquilo e não se deve levar armas para a escola nem praticar esse tipo de perturbação, mas aqui seria preciso umas 200 reprises desse episódio para algum aprendizado por parte das instituições e das pessoas.

Além dos desenhos, o bullying foi retratado em séries (CSI Las Vegas e CSI Miami) de forma muito reflexiva e com a seriedade que merece. No caso de CSI Las Vegas, o palhaço da turma foi encontrado baleado no banheiro, gerou surpresa, afinal, ninguém "tem medo do palhaço da turma". Ao voltarem os olhos para os outros alunos, perceberam que todos eram alvo do morto, logo metade dos alunos queria a cabeça do dito cujo. Percebendo essa complexidade, até mesmo dos membros da equipe perita disse: "Vendo os DOIS lados da situação, não digo que o que aconteceu foi certo, mas eu até entendo". O que era mais perturbado pelo bullie e sua família foram investigados, a irmã não escondia a raiva que sentia das agressões que o irmão sofria tanto quanto não escondia a felicidade pela morte que ocorreu. Surpresa ao fim do episódio quando se descobre que a assassina foi a própria diretora. Numa visão distorcida de evitar justamente um grande massacre, ela utilizou como justificativa que se eliminasse o bullie, que era a causa de todos os problemas, evitaria que um dos bulinados saíssem atirando num corredor cheio de jovens, afinal, "Uma vida era melhor que 20 ou 30".

Já em CSI Miami, as coisas foram além. Nas férias, três universitários foram encontrados mortos em diferentes circunstâncias, se percebeu logo que eles eram alvos. Descobriram que no campus, eles haviam humilhado uma garota gordinha e colocado um vídeo íntimo na internet, a vítima retirou a queixa e sumiu. A cena do interrogatório é bem chocante, dá pra ver que a menina tinha muitas cicatrizes. Curiosamente (ou não), o discurso dela é o mesmo que poderia ser dito por qualquer bulinado brasileiro: "Eu implorei por ajuda e ninguém fez nada. Eles arruinaram minha vida e saíram impunes. O que eles fizeram comigo foi desumano, eles mereceram o que tiveram". E da mesma forma como vi em muitos comentários em páginas daqui, os que agrediram primeiro no episódio, ainda que não merecendo tal destino, terminam com suas fotos mostradas com uma música lenta ao fundo, como se também não tivessem feito nada.

É muito comum, quase universal, que os que se dizem autoridades negligenciem o bullying. Vejo as diretorias e coordenações pedagógicas tratarem o assunto da mesma forma banana que tratavam quando eu estudava a 10 anos atrás, ainda colocando o bulinado como um culpado por "ninguém querer ser seu amiguinho". E quando acontece algo como o que houve, vão para a TV dizer que lamentam, para não ter publicidade negativa, dizem que vão fazer um memorial, transformar a sala do atentado em sala de artes, nada que havia antes e passou a existir porque houve mortes, tal como ocorreu em 13 Reasons Why, a menina se suicida por causa de bullying e enchem a escola de cartazes, dá vontade de dizer: "Cara, vocês são muito incompetentes. Se liguem!". 

Além da parte pedagógica, sempre há uma "autoridade" para falar sobre a parte psicológoca do garoto em questão. E eis que um desses fala com todas as letras que "nunca viu bullying matar ninguém" e que o garoto não sabia lidar com as adversidades e frustrações da vida. Considerando que profissões e tudo relacionado a saúde mental são consideradas tabu, com uma declaração dessa, eu senti vergonha pela classe. O bullying é de fato um teste sobre como lidar com situações, em muitos casos ensina você a lidar com cretinos de maior ou menor grau. Na vida adulta você lida com pessoas sem caráter em filas, restaurantes, pode sofrer assédio moral no trabalho ou universidade, muitos lidam deixando quieto, outros esperam que pare e não entendem bem quando está indo além do limite, mas uma coisa é certa: ninguém vai sair atirando em quem o irrita, mas entre você lidar com pessoas que ficam rindo dos seus óculos e chegar chorando em casa todo dia ou se sentir um alvo ambulante há uma zona abissal de diferença. Provavelmente este senhor desconsiderou quando pessoas se suicidam devido ao bullying, ocorrência tão terrível quanto massacres. A diferença é que nestes casos não há tanta comoção, nem reportagens, os bullies e a escola seguem embora a discussão em si também fique em segundo plano dando a nítida impressão de que tudo está bem desde que ninguém morra ou que morra somente um numa ação contra si mesmo.


Considerando um universo paralelo em que mortes não ocorram, ainda sobra o fato de que quem sofre acaba de algum modo morrendo em vida. Cicatrizes ficam por muito e muito tempo,  doendo e influenciando por anos a fio nas condutas e personalidades do indivíduo mesmo quando adulto enquanto que os bullies provavelmente nunca saberão o efeito dessas cicatrizes. Cedo demais infelizmente (ou felizmente) descobri que os bullies nunca vão deixar sua vida de fato, eles estão em todo lugar. Quando se entra na universidade, para muitos é um grito de independência, um sopro de esperança para sair da prisão da escola e das situações adversas ao ter que lidar com pessoas cretinas, mas a fatídica realidade é que os bullies só mudam de escolaridade. Muitos inclusive se valem de discursos hoje considerados nobres e de cunho social, daí com o apoio que recebem, tal como ocorre na escola muitos fecham os olhos para seus desvios. Muitos bulinados demoram anos até que aprendam que não há nada de errado com eles, aprendam a dizer não e não se sentir devedores de quem quer que se seja.

O caso de Goiânia tal como seu antecessor em Realengo serviu para que novamente haja discussão a respeito do bullying. Quando se trata dele todos os envolvidos necessitam de ajuda, de atenção e um trabalho coletivo, as famílias envolvidas neste caso foram atingidas de uma forma que todos estão sofrendo, todos estão sendo punidos de algum modo e precisando lidar com uma realidade dolorosa. Contudo, resta aos que estão acompanhando tentarem não buscar culpados, mas desenvolverem uma consciência de não mais ignorar determinados fatos de modo que tragédias assim não mais ocorram.