domingo, 14 de abril de 2024

Extreme Look #39 - Lady in Violet

 


Quando eu comecei os Extreme Looks, minha intenção era gastar os produtos que eu tinha. Pensava que queria não apenas me aprimorar mas também gastar tudo que tinha de muito. A questão é que vendo que já fazem sete anos que não terminei, o que é uma vergonha, ainda comprei mais produtos que preciso terminar. Percebo que sou uma pessoa de muito, mas isso traz sérios danos colaterais, todavia ao sair do ciclo vicioso a gente percebe que precisa usar o que tem, ou se forçar a passar adiante ou ter terminativas, é pedagógico. Eu adoro a cor roxa, violeta, lilás, normalmente meus glitters e esmaltes dessa cor são os primeiros que terminam porque uso muito, então por que não usar na cara?
















Extreme look #38 - Super verdão

 


O primeiro look de maquiagem do ano! Será que ainda levo jeito? Pensei. Afinal, maquiagem, leitura, qualquer habilidade leva tempo e prática, e desde ano passado alguns dias tem sido tão massacrantes e estranguladores que eu negava o chamado dos pincéis e das cores, todavia algumas coisas me fizeram pensar que o tempo está passando e não queria acabar sem ter terminado. Espero que gostem! 














sábado, 13 de abril de 2024

Esposas donas de casa e Esposas troféu: a gourmetização das dependências

 


“Vamos ver até onde vai esse rigor moral todo. Porque quando tudo isso acabar eu vou voltar a advogar e o dinheiro vai voltar a entrar como sempre entrou. Vamos ver se eu não vou ter de volta a minha esposa bonita, bem vestida, cheia de joias, calada e sem ter a menor noção de como se ganha a vida, afinal preocupação demais faz mal pra pele”.

De repente, voltou uma moda: a de moças que querem ser donas de casa apenas. Contudo, como tudo sofre por vezes gourmetização para ser vendido mais caro, ocorreu o mesmo com essa ideologia, e eis que surgem as mulheres troféu. Por definição são aquelas moças que não trabalham, são sustentadas unicamente por um marido provedor, mas que também não fazem ABSOLUTAMENTE NADA dentro de uma casa e/ou para filhos.


Exemplos são melhores definidores. E é possível ver uma definição gritante entre uma esposa dona de casa e uma esposa troféu mediante personagens de novela. Na novela Éramos Seis, Lola conta cada centavo de seus tricôs e economia para pagamento e despesas da casa e de seus quatro filhos, além de fazer todo o serviço doméstico praticamente. Ao passo que temos Sônia Sarmento de Cheias de Charme. Tal como outras amigas da mesma classe, sua única função é estar sempre muito apresentável com boas roupas e sapatos, dar ordens sobre como a casa deve funcionar, ir a eventos, chás e saber de cultura.

Nota-se a discrepância destas duas esposas. A ideia de que a esposa dita conservadora que não tem carreira foi disseminada por pessoas de fundamentalismo tradicional que não concordam que mulheres


trabalhem fora e crêem que apenas o marido deve prover. O que não mencionam é que há uma distância enorme entre o provimento dado a uma esposa dona de casa e uma esposa troféu.

Antes de aprofundar é necessário colocar significado a palavras. Troféu é algo que não tem muita utilidade a não ser, ser exibido para visitas. Logo deve estar sempre muito bem polido e a vista. Sendo assim, esposas troféu não são vistas ao lado de homens de classe média/baixa. Considera-se aqui rico um nível de renda mensal mima de 100000,00, um casamento no qual caso a mulher trabalhe é por mero hobby ou para não se sentir inútil. Agora passemos para a esposa dona de casa, normalmente ela cuida de uma casa inteira, de filhos, do marido e sempre está atenta com finanças para não desiquilibrar o orçamento familiar. De forma muito enfática, não existe esposa troféu de classe média. Todavia sempre haverá um homem querendo convencer que sua esposa “rainha do lar” que não tem renda própria e está sempre fadigada é uma esposa troféu.

Agora que a definição de ambas está clara, é preciso definir “Dependência”. Dependência é estar em um ciclo condicionado e atrelado a outra pessoa ou coisa, sendo que sair de tal ciclo, seja por qual motivo for causará quantidade maior ou menor de rugosidades, traumas, dificuldade de adaptação dependendo do nível de dependência que esse indivíduo se encontra. As donas de casa e esposas troféu convergem nesse ponto. Poderiam tomar chá falando de suas discrepâncias financeiras, mas uma palavra se repetiria no discurso de ambas: marido.

Inegável dizer que ambas em algum nível dependem do marido que está ao lado. De forma financeira, mais propriamente dizendo. Ainda que tenham estudado, tenham trabalhado antes do casamento, o mercado de trabalho torna-se cruel com quem fica fora dele muito tempo sem reciclagem, logo torna-se perigoso colocar todo o poder conferido a finanças a um único membro da família. As donas de casa


não trabalham remuneradamente, embora auxiliem o marido a economizar. As troféu são o reflexo do dinheiro que este homem possui, logo o luxo, o conforto não dão mesmo a estas senhoras a vontade de trabalhar. Até porque nem mesmo elas trabalham dentro de casa como mencionado, tem um time de empregados que fazem absolutamente tudo. Por vezes nem mesmo os filhos são criados por elas, mas por mentores, babás e enfermeiros. A esposa troféu é como um objeto de adorno, uma obra de arte para ser exibida, pois é personificação do dinheiro, poder e tudo que o homem comprar. É admirada pelo que representa, pelo mundo que personifica, contudo não propriamente pela pessoa que é em alguns casos; é como ter um quadro de Van Gogh na parede. Impressiona-se pelo fato de ser um Van Gogh valioso e oneroso, porém poucos apreciariam a pessoa do Van Gogh.


Estas esposas precisam estar sempre bonitas e em muitos casos, apenas isso. Lógico que há exceções como esposas de políticos importantes, de magnatas, as quais necessitam além de estar bem apessoadas, ter uma questão cultural irretocável com conhecimentos de mundo. Entretanto exceto estas, de forma muito vulgar dizendo, a esposa troféu é quase como uma acompanhante de luxo com uma aliança. Na série A GAROTA DO CALENDÁRIO” é exposto o mundo destas bonecas. Não é tão diferente assim. Há um contrato muito bem definido, elas fazem e são o que seus clientes precisam que sejam e mostrem enquanto acompanhantes. Sempre precisam estar visualmente adequadas para as ocasiões, sexo apenas consensual e não engravidar, é até colocado que engravidar de um estranho é burrice nesses casos, falam somente quando é preciso ou solicitado e precisam sorrir sempre, regras bem rígidas embora estejam muito bem providas de roupas, cachê e compras. 

Não faltam esposas troféu mencionando que seus maridos arcam com tudo e estão seguras financeiramente, não querendo outra vida, apenas viver indo a restaurantes, festas, se exercitando e batendo bolsa em lojas. As esposas donas de casa não


precisa dizer muito. São aquelas moças que fazem tudo e mais um pouco, decoram a mesa com vasinhos de flores, servem comida em jogos americanos, dão banho e cuidam de seus próprios bebês, sem babá ou empregada. E para as menores despesas precisam pedir ao marido ou usar o ou ele dá.

Ambas as esposas tem marido, casa e filhos, porém as logísticas mudam. A dona de casa arca com a casa, tarefas e demandas; a troféu é como uma proprietária. Ela apenas manda seu time realizar as jogadas, mesmo a maternidade é diferente nestas duas, a dona de casa faz questão de estar perto, a troféu enche a criança de atividades extras em muitos casos não transmitindo nem ao menos valores porque muitas de forma fatídica não tem nenhum.

Na novela Cheias de Charme, como citado, foram apresentadas as esposas troféu na sua forma mais pura, em termos de caráter também. Mulheres que se regozijavam de sua postura, de seu ócio, da exploração que cometiam, de apenas ter a dependência financeira, crendo-se muitos invejadas por todos (encontra-se muitas assim nas redes), entretanto, quando certas coisas vieram à tona, deu-se conta que o dinheiro e o modo como este foi ganho colocou uma família inteira em risco. “Pra quem gosta de gastar, o dinheiro vem naturalmente, como se fosse uma lei divina”. Não raro muitas ofenderem-se quando confrontadas, dizem ter garantias, INSS, divisão de bens, todavia sabemos que a justiça brasileira ainda a passou lentos, então até se ganhar de fato, vai tempo e famílias entram em colapso.

A pandemia foi magistral nesse ponto. Sua natureza democrática fez perecer não só os maridos de donas de casa, mas também os das troféu. O que foi a diferença entre se reerguer e passar fome foi o quanto de noção e iniciativa essas senhoras tinham.


Poder é a habilidade de direcionar o comportamento de alguém ou manipular situações e assim influenciar o curso dos eventos. Uma esposa dona de casa coloca todo o ´poder financeiro nas mãos do homem. Ele pode racionar as compras, privar a família de bens, usar o dinheiro para outros fins, isso é poder e a esposa por não ter nenhum fica a mercê e dependente, assim como os filhos. A esposa troféu também coloca todo o poder na mão do marido envernizado pelo provimento alto, todavia o dinheiro pode ser excurso, pode haver uma crise financeira e quebras de bolsa.

Ambas parecem diferentes, contudo, muitas durante a pandemia viveram o que mudou o rumo dos acontecimentos: a morte do cônjuge. As donas de casa além do luto precisaram arregaçar as mangas para fazer o que nunca tinham feito antes: prover; e as troféu precisaram literalmente sair da zona de conforto e trabalhar. A pandemia veio para ensinar o quanto é preciso ter poder sobre a própria vida, o


quanto a dependência, seja ela qual for e por menor que seja, pode alterar o curso das vidas e dos acontecimentos, influenciar em famílias e determinar se haverá mais ou menos sofrimento. Houve ao menos uma reflexão do quanto é seguro colocar tanto poder nas mãos de alguém quando se trata da própria vida.

Lógico que vale para a universalidade, mas em termos de casamento parece ser aceito devido nossa cultura e tradicionalismo. Sempre há acusação de aquando menciona-se independência e sempre ter um plano B, é como um incentivo ou ode a separação. Quando na verdade é justamente ter uma segurança a mais para que o casal fique junto, afinal, você pode confiar inteiramente no policial que faz a ronda na sua rua, porém não é por isso que deixará de comprar um bom cadeado para a porta.

Somos seres individuais, nascemos com capacidade própria, logo seja para quem for, não se deve dar esse poder individual de manejar a vida a ninguém. Somente assim poderemos chegar ao total potencial que se possui e descobri as diversas habilidades e por conseguinte, possibilidades.

quinta-feira, 11 de abril de 2024

Somos todos Van Gogh



Van Gogh era um pintor incrível. Ele se consagrou com pinturas cotidianas e escuros ciprestes. Ele nasceu com boa condição, em uma boa família, todavia algo no meio de sua história mudou. Havia algo nele que chamava atenção e uma vez ele que ele começou, não mais parou.

Muitos artistas na história começam de modo inusitado. Normalmente hoje com as redes é mais fácil a divulgação de trabalhos e estilos. O próximo aprendizado de uma atividade tornou-se de fácil acesso, com tantos cursos disponíveis. Todavia ainda assim existe a questão nata, que muitos despontam e outros não, independente de formação.

Pois bem, muitos artistas cujo nome só ouvimos em aulas de história apesar do talento nato e das obras incríveis tiveram pouco ou nenhum reconhecimento durante a vida. Por vezes há o questionamento do porquê disso, já que muitas destas obras custam fortunas incalculáveis ou sequer estão a venda, tal qual valor delas enquanto relíquia e contribuinte para a história da humanidade. Aí vem uma hipótese que pode ser a resposta: os olhos da humanidade na época destes gênios não eram os mesmos de hoje. E isso gera suposições de que a sociedade teve sim momentos de atraso em suas percepções, não sabendo reconhecer belas pérolas quando as via.

Van Gogh era um homem atormentado. Mesmo sendo de família abastada, viveu boa parte de sua vida na miséria, em barracos e se alimentando mal, literalmente barganhando para sobreviver. Os quadros? Ninguém os comprava. Seja porque os achavam de mal gosto ou por falta de interesse. A verdade é que Van Gogh vendeu um único quadro em toda a vida e ainda foi para conhecidos. Cabe lembrar que ele tinha cerca de 800 obras que iam além daquelas conhecidas e decorativas.


Quando acometido pela doença, as coisas pioraram. Até hoje se tem dúvidas sobre a verdadeira afecção de Van Gogh, inegável que este homem tinha um psicológico com sérias oscilações, o que lhe gerou internações variadas e mesmo dentro desses momentos ele pôde retratar beleza ali. Mesmo em um ambiente tão insalubre, bem mais que os de hoje pois estamos falando de SÉC. XIX, Van Gogh pôde enxergar além da prisão física e das barras. O perfeito exemplo de que a mente pode ultrapassar barreiras e até mesmo a dor e ver algo belo. É um tipo de característica em muito atribuída aos loucos. Afinal, parece meio impossível em um momento tão negativo, se consiga ressignificar e dar ao mundo algo agradável.

Curiosamente, hoje muitos buscam a terapia para se conhecer melhor e fazem de suas experiências negativas algo construtivo e mais evoluído, Van Gogh fazia isso naturalmente e de forma singela. Todavia voltando ao ponto original: nem todos estavam prontos para ver isso. Ele afundou-se em conflitos, brigas, depressões até o fatídico suicídio no qual menciona que a “tristeza não vai passar”.

Hoje uma obra de Van Gogh é relíquia. Parece injusto que tanto reconhecimento tenha esperado até ser muito tarde para se mostrar presente, contudo, talvez justamente o tempo precisou se fazer presente para que novas percepções surgissem e olhos diferentes pudessem enxergar o que havia por detrás das obras cotidianas de Van Gogh.

Na série Doutor Who, o artista é levado a uma galeria no futuro para ver o sucesso de sua arte. Ele fica estupefato de ver o quanto é querido e popular, o quão é elogiado por transformar dor em beleza. Dá um pesar de pensar em como tudo podia ser diferente se ele tivesse ouvido isso lá atrás... ele carregaria o cavalete com orgulho, as obras seriam o dobro, muito mais beleza deixada para o mundo.

Muitos são como Van Gogh, aliás todos já tiveram seu momento como o artista. Quantas vezes na vida não passamos por situações nas quais por mais esforço que se empregue, mais do mais puro talento e ainda assim o mundo parece ter olhos invisíveis? Lógico que o desânimo é inevitável, a sensação de batalha perdida e inutilidade também, porém algo muito presente não só em Van Gogh, mas em outros como ele fez com que o mundo pudesse herdar tais obras, algo que é um exemplo a todos: a questão intrínseca relacionada aos sentimentos.

Por mais que houvesse a frustração, algo neles relacionado ao coração os impulsionava a continuar. Algo que passava pelo reconhecimento, mas tinha uma nuance superior. Van Gogh pintava em um hospício, em termos lógicos, quem seriam seus expectadores? Para quem ele pintaria senão para seu
próprio ego que clamava por uma expressão? Muito hoje se fala sobre o que se quer fazer, em se fazer o que gosta, entretanto, muitos não pensam que essa concepção começa no intrínseco, que é preciso voltar ao interior para que repercuta no exterior, saber da essência para que os derivados possam se manifestar.

Somos Van Gogh porque em algum momento da vida por mais manifestação que nossos talentos tenham dado, muito ou nada pode ter sido reconhecido, porém muitos talvez tenham divergido dele porque esse não reconhecimento foi um freio, para o artista holandês não fez diferença pois continuou em frente. Ele provavelmente teria desistido desse chamado e aceitado os clichês que lhe eram oferecidos.

Atualmente, em muito as pessoas encontraram-se meio “perdidas” porque fazem um caminho inverso de deixar que os fatores extrínsecos determinem seu intrínseco. Muitos se perdem diante da pergunta: “Você é você?”, ou seja, como seus olhos enxergam as coisas? Van Gogh olhava para o céu e enxergava uma nebulosa escura cheia de pontos coloridos e brilhantes, ele olhava os ciprestes e enxergava árvores tão altas que eram como montanhas, talvez falte às pessoas olhar pra si e tentar olhar com seus próprios olhos, encontrar suas próprias telas, sua própria voz e cores. Somente assim a fonte será ilimitada, tal como o repertório de Van Gogh vai muito além do que muitos conhecem dos livros.

E ao se descobrir o cerne da fonte intrínseca, do que de fato brilha dentro de si, com certeza se encontrará uma forma de manifestar isso ao exterior. Desse modo, com certeza outros olhos saberão ver a beleza das obras e de algum modo, de algum jeito, de alguma fonte, o reconhecimento acabará vindo também.