O filme do Gato de Botas 2 entrou pra história. Não apenas por causa de seu icônico vilão, bem construído, bem desenhado, que dá arrepios mesmo sendo um filme infantil e gera muitos questionamentos, deve ter gerado muitas dúvidas nas crianças sobre as questões de medo, morte e vida. Aliás, mesmo que sendo o filme de um personagem fofinho, cujo primeiro filme foi até bobo, acabou que acertou nos adultos e seus sentimentos mais profundos, gerou identificações de pontos muito maduros e complexos, típicos de pessoas que já viveram coisas e tem experiência. Sendo assim, de um modo meio colorido, meio tenso, meio maduro e mergulhado em uma áurea de cenas divertidas, o filme do Gato de Botas traz várias lições interessantes que servem para os pequenos e mais ainda para os grandes.
1. Ser destemido é bom, mas se precisa ter cautela.
O Gato se gabava de rir com suas nove vidas. E de ter sido um herói em todas elas, de ter desafiado perigos, de ter se tornado uma lenda que se acreditava imortal, fisicamente falando. Todavia ao se basear nisso, o Gato começou a ter comportamentos descuidados consigo mesmo, se colocando em perigo deliberadamente e não pensando que poderia perecer com isso. Contava tanto com essas vidas extras que não parou pra pensar que um dia poderiam acabar ficando desesperado quando o momento chegou, começou a pensar que não seria mais nada se não tivesse esse recurso, todavia percebeu no fim que o importante não era ter tantas vidas para viver, mas viver uma única de forma intensa, que valesse a pena e de modo que permanecesse na lembrança.
2. Por vezes você precisa aceitar ajuda. Mesmo que de uma fonte inusitada.
Perrito começou de forma irritante com o Gato. Ele era o típico amiguinho que queria ficar perto não importava o quão cara feia o outro fizesse. E percebendo o quão o Gato estava deprimido, apático, ele se dispôs a ficar perto, a escutar, o instigava para falar sobre o que estava sentindo. O Gato era muito orgulhoso para se abrir, mas mediante a oportunidade e com um pouco de insistência, acabou cedendo ao chamado cão terapeuta e começou a se abrir, sendo imediatamente acolhido por aquela figurinha inusitada.
3. Se seu coração pudesse ser transfigurado, com certeza seria na forma do seu otimismo.
Quando se está com o mapa do desejo, o caminho se mostra diante dos olhos assim como a dificuldade dele. Quando Kitty e o Gato pegam ele tudo que aparece são desafios e obstáculos tortuosos, lugares assustadores, tudo porque eles estavam acostumados com coisas muito difíceis e sempre achando perigos, todavia quando Perrito pegou no mapa, tudo que apareceu foram coisas coloridas, cheias de doçura e facilidade. A razão para isso é que o mapa mostrava o coração, como o dele era sempre bom, otimista e doce, isso se refletiu no caminho a frente, dando a Kitty e ao Gato uma bela lição.
4. Por mais clichê que seja, se você vê ganho, acaba tendo ganho.
Perrito não tem uma história mais feliz que o resto dos personagens, mas o que mudou foi a forma como ele viu sua própria história. Ele contava com alegria que viviam se escondendo dele, que o levavam pra longe, que o jogaram num rio dentro de uma meia com uma pedra, e que quando ele chegou a superfície ele cresceu dentro da meia. Ou seja, eles tentaram afogá-lo e se livrar dele, mas na cabecinha dele tudo era uma boa história e a meia virou um lindo suéter, logo ele só havia tido vantagem e ganho. Lógico que não se deve amenizar sofrimentos ou desmerecer o que fez mal ou negligenciar quem o fez, todavia encarar a experiência de forma mais positiva com certeza faz mais bem do que o contrário.
5. Por vezes é difícil manter a calma, é importante ter as pessoas certas do lado.
O Gato estava apavorado, tendo crises de pânico com a Morte atrás dele, todavia seria muito mais difícil se ele estivesse sozinho enfrentando isso ou com pessoas que não soubessem compreende-lo. Perrito com seu otimismo e sua escuta, assim como Kitty depois com sua compreensão ajudaram nesse processo. Isso demonstra que por mais difícil que a situação seja, é preciso que possamos manter a calma e ter pessoas de confiança ao nosso lado, que nos ajudem a passar por isso da forma mais fácil possível.
6. Você pode ser um herói e ter medo.
O Gato se achava indigno do título de lenda pelo simples fato de ter medo e estar com medo da morte, todavia com sua jornada foi possível para ele perceber que mesmo sendo um herói é possível ter esse sentimento, não o fazia menos corajoso. Ter medo é normal, apenas não se pode paralisar com ele, é preciso aprender com ele e seguir em frente. Gato percebeu que mesmo com medo da Morte, ele poderia continuar vivendo sua vida e aventuras, nem deixava de ser grandioso por causa disso.
7. Por vezes, nem sempre o que achamos que nos faz feliz, é o melhor.
Gato estava desesperado pelo desejo de ter suas vidas de volta, não hesitaria em fazer qualquer coisa para isso, todavia com o decorrer da jornada, percebendo quantas coisas essa vaidade causou, o fastando de pessoas que o queriam bem, ele percebe que não é a escolha melhor para ele. O mesmo ocorre com Cachinhos, ela acha que uma “família de verdade” a faria feliz, todavia isso faria com que ela abdicasse da família de Ursos que a acolheu e cuidou dela por tanto tempo com amor e carinho.
8. Você pode ter mil vidas, se não vive-las bem e partilhando, ainda será uma perda de tempo.
A Morte não errou quando disse que Gato desperdiçou todas as suas vidas e não deu valor a nenhuma delas, Ele se baseava tanto na quantidade que tinha que não pensou que devia vive-las com todo afinco que poderia ter. Quando ele chega na última vida, percebe que não queria desperdiçar mais nenhuma, que queria vive-la com todo o ardor que se poderia viver, ali passa a valorizar cada instante vivido partilhando com seus amigos queridos e aproveitando ao máximo.
9. A maioria das vezes se persegue algo que estava bem diante dos olhos.
O mapa dos desejos era sonho de consumo de praticamente todos, todavia para muitos ele foi um instrumento para perceber que o desejo era algo irrelevante, pois mesmo antes já se tinha tudo que precisava ou poderia desejar. Cachinhos poderia querer uma família, mas ao fim percebe que os ursos são a melhor família em termos de amor e companheirismo que ela poderia querer, o Gato percebe que sua última vida seria a que mais valeria a pena e Kitty recupera seu amor, ninguém fez um pedido, mas todos tiveram ao fim o que mais desejavam.
10. É justamente as imperfeitções que nos torna perfeitos.
Gato se percebe falho e comum, de início bate um desespero achando que sua vida e dignidade acabaram, contudo ele nota que o fato de ter imperfeições é o que faz com que corra atrás da melhora e isso o faz ser perfeito enquanto ser. A busca pelo constante movimento é o que faz com que sejamos perfeitos em nossas imperfeições.










