terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O direito (e escolha) de ser Nerd




O décimo post tinha que ser especial! Então resolvi colocar sobre algo no qual vinha pensando já faz tempo: sobre o fato de ser nerd e assumir isso publicamente.

Há algumas teorias sobre a palavra nerd, uma delas que parece ser a mais real é sobre sua utilização desde o final da década de 1950 no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Também há uma versão na qual a palavra derivaria de Northern Electric Research and Development (Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da companhia Northern Electric do Canadá, hoje Nortel), ou seja, atribuída àqueles indivíduos que trabalhavam no laboratório de tecnologia, que eram dados a passar noites em claro nas suas pesquisas. Parece Familiar? 

Daí, com o passar do tempo o antigo CDF também passou a ser chamado de nerd, é aquela pessoa muito dada á livros, meio tímida, com dificuldade de se socializar com os outros, podendo o bulliyng estar ou não incluído, embora a resposta seja sim na maior parte das vezes. Além disso, o nerd é retratado usando óculos fundo de garrafa e aparelhos, não se dá bem em esportes ou qualquer outra coisa que envolva exercícios físicos, se veste de uma forma que não obedece os padrões da moda, sendo descrito como esquisito ou estranho pelos ditos “populares”. Acho essas duas palavras relativas, estranho pra mim é querer ser famoso na escola sendo que ela acaba e com ela sua fama também, mas inteligência é para a eternidade.

O nerd foi evoluindo, hoje há várias divisões para a categoria, dentre elas os otakus, fascinados pela cultura japonesa; geeks, obcecados por tecnologia; gamers, jogadores compulsivos de vídeo game e por aí vai, contudo uma coisa há em comum, todos são muito interessados, obcecados em saber mais sobre sua “especialidade”. Passam noites pesquisando, entrando em fórums, lendo artigos sobre o assunto, o que me parece algo como disciplina, afinal quem é curioso e procura aprender é alguém que sobe bastante no meu conceito.

Nem tudo, entretanto, são flores. Apesar de hoje os nerds serem mais aceitos, ainda é mais pela sua inteligência acima da média do que pela personalidade em si. Algo que todos já viram em sua vida escolar: aquele garoto ou garota que fica no fundão pendurado vai fazer dupla com aquele (a) que fica lá na frente prestando atenção em cada palavra do professor, na prova final. Estranho? Nem um pouco. Não raro vermos em filmes os “populares” se aproveitando dos nerds, sendo estes pessoas tímidas, muitas vezes se apegam á pouca atenção que lhe dão. 

Sorte que isso está mudando, graças á alguns nerds abençoados como o Bill Gates com suas célebres frases, o Steve Jobs, Chad Hurley e Steve Chen que inventaram o Youtube em 2005 e fizeram muitos virarem gurus da noite pro dia, Mark Zuckerberg, que com o facebook fez populares ficarem mais populares, é um nerd milionário. Algumas músicas, como “Escolha já seu nerd”, dos Seminovos, disseminam a idéia de que eles têm seu lugar ao sol e podem ser pessoas muito interessantes e populares á sua maneira, um nerd numa balada pode até ser como um peixe fora d’água, mas numa convenção de Star Trek é um PhD, é mais como uma questão de afinidade. 

E por falar em afinidade, ás vezes as pessoas tentam impor o comportamento mais aceito em sociedade para nós (digo nós porque já vivi). Tipo, era minha total escolha ficar na biblioteca lendo gibi ou estudando na hora do recreio ao invés de ir pra algazarra do pátio, principalmente porque detesto fuzuê, pra ser sincera algumas coisas pra mim parecem totalmente sem sentido, mas faz sentido para os outros, eu respeito numa boa. Eu usava aparelho e tinham outros aparelhados por lá, alguns deles devo dizer estão muito bem, os populares que torciam a boca pra gente não sei dizer ao certo. Não raro ouvia que tinha que me socializar, mas eu já me socializava, só que com pessoas que ficavam mais na delas. 

E isso parece que incomoda. Parece que incomoda ver alguém que gosta de computador, de jogar RPG, colecionar bonecos mesmo tendo 25 anos e prefere isso á ir pra aquele show daquele DJ com nome de raça de cachorro ou pra algum barzinho ver um cantor cantar (e mal) algumas músicas toscas. Acho perda de tempo tentar ser o que não é, contudo parecia que antes dizer “não gosto” era mais do que motivo para que se conformassem e deixassem pra lá, mas se tratando de um nerd é como não dizer nada e continuarem insistindo. Daí vai dele ceder ou não. Eu paro pra pensar, são poucas as coisas que me permito e se o faço é porque vejo uma probabilidade no fim do túnel de que possa gostar, já me permiti sim ir pra algum lugar cheio de gente, com música alta e tentar me enturmar adotando comportamentos que não eram meus, mas no fim era só uma fase e eu voltei a ser mais eu, daí pra mim deu muito mais certo. Hoje se me chamarem para o show de algum DJ Chiuaua eu vou dizer com toda a educação: Eu não gosto, mas se tiver algum matsuri ou uma pizza com filme na casa de alguém, eu topo e irei com todo prazer.

Outro ponto que observo é que muitos julgam o nerd uma criança, um adulto que foi pra Terra do Nunca e não voltou. Mentira. Nerds não gostam de sair e se saem é pra comer, ver um filme super legal no cinema ou pra algum evento de anime ou séries, gostam de video game e comprar coisas que façam jus á suas paixões, mas isso não significa que sejam menos maduros do que muitos que se julgam como tal. Um exemplo claro disso, tenho um amigo que é fascinado por action figures e queria um vídeo game muito legal, mas ele me disse certa vez que queria começar a trabalhar na profissão pra que ele com seu próprio dinheiro pudesse comprar ao invés de pedir para os pais. Vi um claro reflexo de desejo de independência aqui, tanto financeira como pessoal. Ao mesmo tempo que já vi alguns populares, reais e fictícios (sim, já reviewsei fics que envolviam nerds) se gabando das baladas imperdíveis para a qual foram e sendo venerados por alguma turminha, mas na verdade por trás de toda a arrogância a situação foi a seguinte: a mãe chegou em casa provavelmente dizendo: “Meu amor, mamãe já comprou seu ingresso para a área Vip do show, você quer que eu compre uma camiseta também?” Alguns desses ao menos tem objetivos, outros não pareciam ter muito na cabeça. Sem comentários nem reviews.

Bill Gates disse: “Seja legal com os CDF’s, pois um dia eles poderão ser seus chefes”, não analiso por aí mas acho que nerds mereciam mais respeito e tolerância por parte da sociedade, populares ou seja lá quem for. Pessoalmente, acho que nós escolhemos o que queremos ser, se é bom ou ruim, cabe a nós perceber e mudar se assim for de nossa vontade. Agora, o que cansa é sempre alguém ali, como se fosse uma personificação da sociedade querendo impor seus comportamentos padrão. Convivi ao longo de minha vida com populares e também com nerds, viva pacificamente com os dois, porque sabia respeitar ambos em suas maneiras mesmo quando tentavam interferir na minha. 

Acho que ser nerd em parte é o que você carrega com você, a maneira como você se sente bem, mesmo que seja “enclausurado” num quarto discutindo em fóruns, é o modo como encara os fatos e as situações que a vida lhe impõe. Há, no entanto, o outro lado, também é escolha. Escolher ser de um jeito ainda que a sociedade condene mesmo que você não faça mal a uma mosca. Aos que querem se socializar de qualquer forma e mudam sua maneira para se adaptarem, só desejo que se sintam bem e que não se sufoquem nos próprios desejos e aos que não têm vergonha de assumir que são nerds, que não têm medo de represálias nem críticas e continuam firmemente em sua maneira de ser, também desejo tudo de bom, mas além disso digo para não se abaterem quando as críticas vierem, pois como dizia uma frase marcante do vídeo de lançamento do Rock in Rio 2011: EU TÔ NA BOA E NÃO VOU MUDAR MINHA CONDUTA!



sábado, 28 de janeiro de 2012

O casamento da moça - Parte I



Era uma vez uma moça que viveu um conto de fadas ao contrário. Ela não esperava mais pelo príncipe encantado e eis que ele apareceu montado num cavalo branco, ou melhor dizendo, sentado dirigindo um Corolla, ou seja lá qual for o carro dele. Eu fui no casamento dessa moça. Digo moça porque agora que ela começou a viver seu próprio conto de amor, apesar de na realidade ela ter 35 anos e ter perdido a esperança por um tempo.

Daí o destino vem e mostra que nada é impossível e o que é pra ser nosso sempre é. Quantas moças de 20 anos não queriam estar lá diante do padre querendo dizer SIM? E ela, com seus 35 anos o estava dizendo pela primeira vez. É porque hoje, casamento virou festa da uva, querem comemorar várias vezes e comparar qual foi o melhor. Pessoalmente, eu quero dizer o SIM uma vez só, não ficar colecionando pessoas ao longo da vida, se ela (a moça) esperou e conseguiu quando nem bem esperava, acho que todas conseguem.

Do início então, eu cheguei atrasada. Tinha um compromisso antes, mas lá fui eu com meu vestido preto (não remetam a viuvez ou tristeza) longo e maquiagem cintilante. Cheguei na hora em que o padre falava de amor carnal e de partilhar problemas, dizendo que já não existem mais duas pessoas, mas uma apenas. Eu discordei. Acho que casamento não é você pegar dois caminhos e fundir num só, esquecendo o 2, mas dois caminhos que se encontram e passam a andar lado a lado num novo caminho. Existe o 2 de parceria, mas existe o 1 de individualidade. Sem sufocamento, nem egoísmo.

A igreja estava muito bonita, já fui em outros casamentos, algumas são bem exageradas mas esta estava no ponto. A música lírica era á base de violino e da voz de um cara que devia ingressar no Il Divo. Teve dama de honra com aliança e confesso que me emocionei na hora do “SIM”. Cenas de noivas dizendo “Não” e correndo porta afora atrás de seu verdadeiro amor são legais em novelas, na vida real é meio desolador. No entanto, conheço histórias de noivas que abandonaram noivos uma semana antes do casório (ao menos), o cara surtou mas ela foi atrás da felicidade.

Na saída, teve chuva de arroz, pétalas de rosa e muito auê. A recepção ficava praticamente em frente a igreja, dava pra ir andando, parecia a marcha dos grã finos, um monte de gente de terno e vestido longo caminhando.

Obviamente, os noivos não foram logo, mas recepção já é outra parte do casamento...








domingo, 22 de janeiro de 2012

O fim do Megaupload e a revolta dos downlodeiros


O fechamento do Megaupload no dia 19 causou uma comoção mundial, afinal é o maior site de download de filmes, músicas, animes, etc. Li vários artigos sobre os argumentos contra e á favor, sobre o SOPA (Stop Online Piracy Act), PIPA (Protect Intellectual Property Act) e a revolta dos internautas. Comecei a me preocupar realmente quando percebi que o Megaupload foi como uma desculpa para algo bem maior que é a censura da internet, como se isso fosse possível.

O SOPA (Stop Online Piracy Act) e o PIPA (Protect Intellectual Property Act) são dois projetos (não aprovados) que têm como objetivo dar ao governo dos EUA poderes especiais para conter o acesso a sites desonestos dedicados a infringir patentes ou distribuir produtos falsificados, poderia também requerer que empresas estadunidenses parem de negociar com estes sites, incluindo pedidos para que mecanismos de busca retirem referências a eles e os domínios destes sites sejam filtrados para que sejam dados como não existentes. Em suma, á favor dos dois projetos estão os argumentos da defesa do direito autoral, e a proteção do público contra a pirataria, principalmente de drogas e medicamentos. 

Argumentos contra estão a ameaça à liberdade de expressão online, ou seja blogs, sites de fanfiction e outras formas de exposição de opinião estariam ameaçados; os impactos negativos às empresas que hospedam sites na internet, tais como Google e outras sites de busca e ameaças a usuários que enviam conteúdo para a internet e invasão de privacidade, redes como Facebook, Orkut, Bing, MSN e fotologs poderiam ser censurados em seus conteúdos. Não por acaso as principais empresas que atuam na Internet como o Facebook, Twitter, Google, Yahoo!, LinkedIn, Mozilla, Wikimedia, Zynga, Amazon, eBay, Reddit, 4chan e 9GAG estão entre os opositores do SOPA e PIPA.

O Megaupload está incluído na categoria de site que envia conteúdo para a internet, logo, entrou na lista dos visados pelos dois projetos. Dentre os argumentos contra o site, foi notificado que houve um prejuízo de pelo menos US$ 500 milhões de acordo com o FBI já que o site “promove a distribuição em massa” de conteúdo protegido por direitos autorais, no entanto, muitos artistas como Chris Brown, Snoop Dogg, Mary J Blige, P Diddy, Will.i.am, Alicia Keys e Kanye West há pouco tempo fizeram uma campanha publicitária para o Megaupload. Afinal de contas, com a internet e sua evolução, os artistas também precisaram se adaptar aos novos tempos, daí a percepção de que comprar um CD ou DVD com 20 faixas das quais só agradam a metade não é mais uma opção do consumidor. 

Em resposta ao fim do Megaupload, o grupo de hackers Anonymous no mesmo dia, deixou fora de funcionamento por um tempo as páginas do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, do FBI e da produtora Universal Music, entre outras, avisou que tomará medidas contra as atuações do governo estadunidense sobre a limitação de publicações na rede. O site oficial do presidente da França também foi atacado e aqui em terras brasileiras a página oficial da Paula Fernandes com a frase "Se Megaupload está fora do ar, o senhor também", apesar de eu não curtir ela, muita gente provavelmente downlodava músicas dela pelo Megaupload, então posso ser solidária nesse caso. O grupo assumiu na própria página do twitter (=o) a autoria pelos ataques e muitos internautas que gastavam fortunas com antivírus amedrontados com ameaças de vírus e hackeamentos, seriam capazes de dar as mãos com os membros do Anonymous e gritar “Eu apoio!”

Em meio a toda essa questão, comecei a pensar no que o fim do Mega significava. Afinal de contas eu tinha um bocado de filmes que downlodei de lá, pra falar a verdade até preferia ele aos outros servidores, achava mais eficiente. Daí me bateu um desespero porque quase todos o colocavam como opção de download para filmes e animes legendados. Vi no facebook muitas campanhas, compartilhei algumas, porque essa sim é uma que vale á pena em meio á Luísas, BBB e grávidas que mentem. Aproveitando a deixa resolvi eu lançar minha própria campanha sobre o que percebo á respeito de pirataria. Não acho que os donos do site sejam os culpados, pois o “produto” estava lá, os usuários é que decidiam o que fazer dele.

Por exemplo, há filmes que você pode vasculhar todas as locadoras da sua cidade (todas mesmo) e não encontra, aí você vem para sua casa, digita o nome num site de busca e encontra o bendito para fazer download. Já aconteceu comigo de eu querer muito um DVD, ter o dinheiro pra comprar e ter minha empolgação frustrada por qualquer vendedora que me diz sem a menor emoção: “Não temos no momento e não há previsão de quando chega”. Quando descobri os downloads foi a glória, filmes mais antigos e alguns excêntricos, como os indianos ou aqueles que costumam passar no corujão, você encontra praticamente só na internet.

E downloda sem a menor culpa, você vai curtir no seu sofá comendo sua pipoquinha e o FBI com certeza não vai bater na sua porta (ou arrombá-la, melhor dizendo). Contudo, uma coisa é colocar um filme na sua televisão downlodado da net, outra bem diferente é você ter uma rede de dez computadores conectados na sua sala fazendo download mais um mega equipamento de gravação reproduzindo CD e DVD pirata para vender em algum comércio. No fundo, os vendedores ambulantes, vulgo camelô violam os direitos autorais mais do que os internautas, pois tiram lucro sem pagar o imposto. E um lucro bem alto, uma vez li no jornal, alguns que chegam a lucrar R$ 1000,00 mensais pelo menos. 



Toda a comoção em volta do Mega, no entanto, surtiu efeito, Obama disse “adeus” ao projeto SOPA dizendo que não iria dar apoio ao mesmo. Provavelmente ele viu que aquela velha cena do Gladiador com o povo gritando “Vivo!” mesmo quando o imperador o queria morto estava se repetindo em uma versão moderna. Podemos respirar aliviados, se é por enquanto, não sabemos, mas qualquer forma de repressão e censura na internet, será alvo de protestos em massa do mundo inteiro, isso é fato. Quanto aos direitos autorais, tão defendidos, é uma questão com a qual não se deve se preocupar tão severamente, afinal de contas, há 20 anos atrás, aquelas coleções de enciclopédia de 20 volumes de 1Kg cada eram um luxo para poucos, quem tivesse estava por cima. Hoje, a internet disponibiliza vários artigos de qualquer assunto gratuitamente para download, ao alcance de qualquer pessoa, espalhando conhecimento, mas nem por isso a Barsa faliu.