quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Tombo de bicicleta

Hoje eu levei um tombo, mas não foi um tombo qualquer. Foi de bicicleta. Sempre acredito que as coisas não são por acaso, acho que isso também não. Era de noite e vi algumas crianças brincando na rua, olhei pra uma menina de bicicleta e perguntei alto: Será que eu ainda sei andar? E meu pai (amado papai) disse pra eu pedir emprestada a bicicleta e andar um pouco. Seria muito fácil, mas devem fazer exatos 12 anos que não monto numa garupa que dirá no banco da frente, porque eu costumava sim, andar na praça, rodar a cidade com meu pai e tomar água de côco entre uma parada e outra. Bem, porém lá fui eu, meio envergonhada de início, mas fui. De início parecia que eu nem conseguia subir nem me equilibrar, mas depois da primeira pedalada as coisas ficaram mais fáceis. Segui em linha reta, meio lenta, meio rápida, tudo isso em poucos segundos e alguns metros á frente. Aí veio a primeira curva e então... a queda. Meus joelhos foram parar direto no asfalto e acho que quedas de bicicleta são umas das poucas em que não adianta você colocar a mão á frente já que cai de lado. Tinha um monte de gente do outro lado da rua, um monte mesmo, deviam ter rido, eu não vi e ainda se tivesse visto acho que não importava, peguei a bicicleta do chão, montei de novo e segui em frente. Era noite, mas pude ver duas manchas enormes nos meus dois joelhos, mas continuei. Voltei e entreguei a bicicleta á dona.

A primeira que viu meu machucado foi uma menina de uns 8 anos, filha de uma vizinha. Vim andando e sentei numa cadeira, todo mundo á minha volta, surpresos, acho que não viram que eu tinha caído. As crianças vizinhas olhando e com certeza achando que devia estar doendo muito. Minha mãe foi pegar álcool pra passar, não vou negar, ardeu pacas, sou do tempo em que a gente sentia o ardor dos machucados e sobrevivíamos. Novamente as crianças, elas me olhavam assustadas, surpresas dizendo que eu agüentava, fazendo as caras de dor que eu não fazia. Contudo, por trás elas deviam estar mesmo abismadas por ver uma garota grande e bem mais velha cair e aparecer com ralados no joelho, deviam se perguntar como alguém grande podia cair. Eu falei (sem aquele tom de adulto chato que já viveu mais): “Lembrem-se, a gente mesmo grande também cai e levanta”. E falei de igual pra igual.


A moral dessa história toda seja essa, não importa se você leva um tombo de bicicleta, um tombo de um investimento alto ou do que quer que seja, você levanta, o que muda com o passar do tempo é o modo como você levanta e sai andando. No início pode ter vergonha que os outros riem de você, pode sentir raiva por cometer o erro, mas vai aprendendo a levantar e encarar da melhor forma. Me lembrei da minha avó, que ficaria desesperada mas me encheria de beijos, me lembrei de outra pessoa querida que se preocuparia quando visse e me faria ficar sentada com as pernas apoiadas numa almofada, mas independente da dor, da marca, do sangue que ficou na minha bermuda, relembrei que nunca se é tarde pra levar uns tombos e perceber que a gente está levantando melhor do que no passado e ainda que se machuque, valeu totalmente á pena...








2 comentários:

  1. Gostei do último parágrafo...no meu caso nunca aprendi a andar de bicicleta justamente por ter ficado traumatizado com tantas quedas. Tenho um sério problema em guiar meios de transporte (nunca aprendi a andar de bicicleta, skate ou patins. Tenho medo de cavalos e fui reprovado no exame prático da auto-escola três vezes) ^^'

    ResponderExcluir
  2. ^^ Que bom que gostou! Na vida é assim, a gente cai, levanta e anda levando a experiência. Nunca aprendi a andar de patins e também fui reprovada em exame de auto-escola, mas a gente vai tentando vencer esses traumas e procurando outros caminhos XD. Obrigada por comentar

    ResponderExcluir