domingo, 17 de julho de 2022

Resenha Anime Geek 2ª Edição

 


Depois do Anime Geek Day essa versão com o tema inspirado em Harry Potter deve ter sido um dos eventos mais esperados. Liberação das máscaras, local diferente, atrações super conhecidas, era a fórmula perfeita. De início na aquisição dos ingressos já começou algo inédito, como o número de pessoas foi surpreendentemente grande na última edição, desta vez houve prevenção, logo colocaram venda on-line, para facilitar o acesso e também a rapidez na fila, bastava apresentar o QR code quando chegasse, o que evitou aglomerações e longa espera.

Por uma eventualidade o local precisou mudar assim como a data, tudo de última hora devido algumas questões logísticas e provas de concurso realizadas no local pensado de início, todavia isso não apagou o brilho e empolgação das pessoas, arrisco a dizer que muitos se sentiram mais ansiosos devido a distância, espaço e nostalgia.

E não decepcionou. A entrada não teve filas, foi organizado, as barracas de vendas bem espaçadas, havia conforto para olhar bem os produtos e bem localizadas quanto a isso, fora a variedade de souvenires para os ávidos por compras. Claro que por ser um local que há muito não recebia um evento foi preciso certo tempo até se acostumar com o local das salas, se situar quanto aos caminhos para se chegar até elas assim como encontrar as salas chave como a do guarda volume e do meet com as atrações.

A área do palco era deveras espaçosa e arejada. Por mais que se tratasse de um evento realizado em pleno verão com direito a muito calor, não se sentia o excessivo incomodo de ar abafado, havia


circulação de ar mesmo com muita gente transitando, fora que haviam inúmeros caminhos para se chegar até o palco, dava pra pegar atalhos e ficava bem pertinho da área de alimentação, dava pra pegar uma broca sem perder muito das atrações que estavam sendo apresentadas pelos mestres Rai e Thiago.

Desta vez resolvi não ir de cosplay, quis ter uma liberdade maior de prestigiar meus colegas cosplayers e ter mais tempo pra circular pelas inúmeras salas. Claro que para os dois dias os outfits foram muito bem pensados. No primeiro dia, como eu iria circular mais optei por um short, meias, coturno e corset, estreei minha peruca bicolor e era super confortável. Deu pra transitar nas salas, tirar fotos, se movimentar com liberdade. Parar pra ver os


espetáculos, destaque para o espetáculo da Moana, protagonizado pelo grupo de teatro Sigma em Arte, incrível e emocionante, com ótimos atores que deram um show de talento. Eu que já fiz cosplay de Moana fiquei emocionada ao ouvir as músicas e interpretação. 

No primeiro dia, digo que conheci pessoas novas e aproveitei para ver as apresentações de K-pop, algo que tinha tempo que não via. Preciso salientar que era difícil tirar uma foto desses meninos parados, pois o que eles pulavam e arrasavam no palco não está no gibi, as apresentações individuais e em dupla estavam de altíssimo nível, contudo era sempre frisado a eles que se hidratasse e se alimentassem bem, pois pelo menos cinco saíram do palco com estafa precisando de atendimento especial. Mas foi incrível! E uma das juradas era a youtuber Pandangélica, conhecedora da cultura que está bem por dentro do que há de moderno em termos de dança, a carinha que ela fazia era de surpresa e emoção ao mesmo tempo, como se não esperasse ver tanta gente surpreendente.

Depois do concurso de K-pop, a vez foi do youtuber Gordox, ele mencionou as dificuldades da pandemia, os afastamentos e até mesmo como algumas redes tornaram-se obsoletas para determinados fins. Algo que me deixou deveras feliz e orgulhosa foi ver que durante as apresentações colocaram um interprete de libras, para que as pessoas com deficiência auditiva pudessem também se sentir


contempladas. Em apenas mais um evento que fui, isso foi pensado e me senti muito feliz uma vez que demonstra o quanto a organização do evento está pensando de fato no público e ouvindo sugestões.

Após o Gordox foi a vez do concurso cosplay com a famosa cosplayer Juliana Lopez, que tem milhares de seguidores e dá um show em termos de vídeos e qualidade na arte de cosplayar. Eu cheguei a vê-la quando chegou e ainda gritei “É ELA!”, daí porque quando fui tirar foto com ela, ela me reconheceu e me deu dicas. Pensamos que alguém com uma rede tão cheia de seguidores tem um estúdio mega profissional, com uma super equipe, eu perguntei sobre isso e ela super humilde e gentil me disse que não se precisava disso, que as fotos e vídeos ela fazia de seu próprio quarto usando uma boa luz, foi tão gratificante sentir esse acolhimento dadas tantas confusões devido competição no meio, alguém que pode se considerar no topo demonstrar todo esse acolhimento, pra se ter noção, ela ficou sem jeito e até surpresa quando eu lhe pedi um autógrafo, era como se ele mesma não se achasse famosa.

Os cosplays também não economizaram talento e esforço para compor as roupas e acessórios. O pessoal arrasou mesmo e havia uma boa quantidade de competidores, alguns usaram trilhas sonoras,


outros foram só com a presença mesmo. Mas tal ocorreu com Pandangelica, Juliana ficou estarrecida com toda a qualidade que presenciou no palco, sim, aqui o pessoal vai atrás mesmo quando quer fazer bonito, as premiações foram merecidas.

No segundo dia de evento, o outfit foi mais característico. Como eu iria para o meet com os dubladores Charles Emanuel e Luisa Palomanes, que dublam Hermione e Rony em Harry Potter, lógico que eu precisava trazer toda a minha essência lufana, pensei minunciosamente e me cerquei de elementos amarelos e pretos. Fui com uma camisa exclusiva, encomendada que simula a camisa da capitã de quadribol, com direito ao meu nome e um número escolhido, o conforto ficou por conta da legging preta e cinza e all star tratorado (o melhor de dois mundos), os acessórios ficaram por conta do meu orelhão e anéis com as cores da minha casa. 

Por ser domingo, tudo estava bem mais cheio. Os dubladores era uma das atrações mais aguardadas, tanto que uma hora e meia antes da abertura para distribuição de senhas para o meet, já havia uma fila considerável, ninguém queria perder. Além deles, o rapper VMZ também era bem esperado para fechar o dia com um super show. Tirei bem mais fotos no segundo dia, inclusive das apresentações em grupo de k-pop, eles entregaram tudo! Tal como as apresentações em dupla, foi de altíssimo nível! Eu me encanto mais ainda não só com os passos, as coreografias bem feitas, mas com a fidelidade dos figurinos, os detalhes nos acessórios, os jurados mencionaram que estavam muito felizes de ver que o nível aumentou, que estavam de fato estudando e se esforçando pela melhora.

A expectativa ficou em torno dos dubladores Charles Emanuel e Luisa Palomanes, juntou uma multidão em frente ao palco, eles são extremamente simpáticos e doces, demonstraram ter adorado visitar nossa cidade. E estarem realmente felizes com todo o carinho e acolhimento dos fãs, as perguntas eram tantas que quase que eles não conseguem deixar o palco. Emanuel uma hora desceu para tirar fotos com o


pessoal de uma ponta e receber presentes e desenhos, assim como Luisa. Sempre valorizei esse tipo de gesto, mostra que por mais famoso que você seja, você não considera quem o admira como alguém a ser visto por uma barreira. O meet com eles foi ótimo também, não perdi oportunidade de dar uma lembrancinha, trabalho do meu querido Antônio do ESoda Canecas, recheadas com umas iguarias doces da minha terrinha.

O fim do evento ficou ´por conta do concurso cosplay e dos shows, especialmente do esperado VMZ. Eu gravei quando ele entrou, olhei para aquele rapaz tão novo e até brinquei dizendo: “Na idade dele eu estudava para provas”, afinal, alguém novo com tantas multidões gritando seu nome não é pra qualquer
um, nem tanto pela questão do sucesso, fama, dinheiro e toda a questão logística que isso acarreta, mas pela própria questão de maturidade e saber lidar com tais questões, provavelmente abdicando de coisas que muitos buscam, mas só a maturidade ajuda a lidar.

O evento do Anime Geek foi surpreendente. Deixou uma incrível expectativa para as próximas edições, a qualidade sem dúvida melhorou muito, foi bem notório o que a mudança de local associada com mudanças de logística e incrementos fizeram um evento que já era bom se tornar excepcional.























OUTFIT DO PRIMEIRO DIA















OUTFIT DO SEGUNDO DIA

sexta-feira, 8 de julho de 2022

o Poder do Não

 


A cena em que Constantine busca uma resposta ou ao menos um consolo pelo seu trágico e inevitável destino e recebe uma resposta ainda mais desoladora do Anjo Gabriel é um momento em que quase sentimos nossa pequenez diante dos nãos da vida. Afinal, se até um anjo fala de forma tão literal que você está ferrado não deve sobrar muito mais o que acreditar no mundo.

Há muito escuta-se coachs, psicólogos, psiquiatras, influencers seja de nutrição, yoga e o que mais for falarem da necessidade do tal mindset, a mudança do pensamento e que você é aquilo que se afina e pensa, logo a importância de manter sua mente aberta para os pensamentos positivos tal como pensar


positivo sempre. O tal poder do Sim, eu posso que afirmam lhe dar a permissão para poder ser o que quiser e conseguir qualquer objetivo. Todavia, nesse processo talvez hajam alguns passos que são ignorados, especialmente os que se relacionam com o não.

A idade, experiências e convívio com o mundo meio como que fazem perceber que os NÃOS estão aí, por vezes as pessoas vão ouvi-los 100 vezes antes de ouvir um baixo Sim. Lógico que os que persistem e tentam usar isso ao seu favor tendem a crescer muito mais do que os que simplesmente desistem, todavia existe um nível de aprendizado com relação ao Não que só é atingido quando não se tem mais medo dele.

Existem alguns estágios quando se está nessa trajetória de aceitar e entender os nãos da vida. O primeiro se relaciona a revolta. O que é muito comum, uma vez que é natural do ser humano projetar expectativas, daí por mais que se planeje com tanto afinco, com tanto cuidado, é muito provável que em algum momento as coisas não saiam como o planejado. Daí é natural que haja sentimento de revolta, como se algo tão carinhosamente construído fosse quebrado sem que se tivesse tempo ou possibilidade de evitar. 


Indiscutivelmente, essa fase de revolta é muito própria de quando se é mais jovem. Aquele sentimento sempre de revanche e insatisfação pelas coisas não ocorrerem do modo como se quer. Muitos ainda não têm as percepções de ressignificar fatos adversos, então uma situação com a mínima aresta parece um sonho perdido de forma irreparável, algo que causa um rombo na alma que de tão doloroso é como se nunca fosse passar. Todavia o mais lógico é que com o decorrer do tempo as feridas cicatrizem e tudo que sobre seja os aprendizados e novas visões.

O segundo, conforme a evolução e amadurecimento ocorrem, vem o estágio da resiliência. Ela é definida como um sentimento no qual há uma aceitação sensata dos fatos que não podem ser mudados, mesmo que sejam negativos e causem sofrimento, o indivíduo se recupera desses fatos com melhor perspectiva. Existe um olhar diferente sobre tudo que ocorre, e


mesmo com machucados se mira
o lado melhor da situação. Existe uma visão mais limpa e clara das possibilidades, afinal, quem é resiliente consegue perceber como transformar as adversidades em diversidades. E com isso consegue trabalhar melhor seus próprios sentimentos em algo um pouco mais positivo. Não é imediato, mas o caminho torna-se mais fácil e menos penoso.

Terceiramente, vem a fase do otimismo/atratividade. Esse ponto é o que os coachs trabalham. Não que tenha algum problema em mencionar o quanto ser otimista atrai de fato coisas boas, é até usar a lei da física a seu próprio favor. Não há como atrair algo com o qual não se afine. Logo, existem estudos e métodos de como modificar as atitudes de modo que elas possam condizer com os pensamentos e sonhos, construindo desse modo a concreticidade do que antes eram apenas pensamentos. Válido e útil para que as pessoas possam se sentir capazes e enxergar seus pontos fortes. Todavia, a aresta principal é que por vezes essas mesmas pessoas ainda não passaram pelos outros estágios. Logo é difícil tentar mencionar otimismo para uma pessoa que sequer aprendeu como lidar com o não de forma mais leve e menos revoltado. Não que não se possa aprender, todavia algumas pessoas não podem pular etapas e precisam vivenciar o aprendizado passinho por passinho. Caso contrário, ao invés de absorver a importância de ser otimista, o efeito será o de se revoltar e achar que é impossível haver lados positivos e a tendência é se tornar alguém sem esperança.

Por fim, há o último estágio. Esse é só pra quem aprendeu sobre os outros, teve suas baixas e soube aprender com elas, pra quem aprendeu na prática, com observações, a custa de cansaços e lágrimas, em suma é alguém que conseguiu atravessar o deserto e chegou na terra prometida. É o estágio do abraço ao Não.

Quando se menciona abraço ao não, significa literalmente não ter medo dele. E vale para quaisquer outras palavras desse cunho. Não mais se tem medo de dizer ou até mesmo pensar as palavras “não”, “nunca”, “jamais”, “de jeito nenhum”, existe alívio em assumir que determinadas coisas ou situações


não virão a acontecer. Não se pode negar que para se chegar neste estágio, o primeiro passo é dolorido, é como abraçar um cacto no qual você sente a dor e até uma desolação, como quando existe uma vitória, mas essa vitória custou tanto de você, tanto de sua energia que ainda que tenha vencido você se sente drenado de múltiplas formas.

Todavia passado o primeiro momento dos espinhos e da vitória dolorosa, o alívio de assumir o não deixa o pesar de lado e gera certa tranquilidade. E tal tranquilidade vem justamente do fato de que interiormente por mais que o Não tenha sido incorporado, há uma maturidade de saber enxergar que este não para o X pode significar sim para Y. Quando se diz “isso nunca vai acontecer” com o desprendimento de medos do futuro e receios, imediatamente se começa a pensar no que se pode fazer em seguida, nas possibilidades existentes e em como transformar aquilo que foi negativo em algo afirmativo.

Daí é que vemos os exemplos de superação. Pois estes englobam todas as fases do aprendizado com o Não, podem ter a revolta, mas esta não dura nem um segundo. São resilientes porque veem o lado positivo, são otimistas porque já cultivam a positividade e abraçam o que lhes foi negado sem, contudo, ficar correndo atrás disso, tentam olhar para frente e perceber o que ainda pode ser seu e miram ali, sem culpas, sem temores, sem apegos ou lamentações. E quando se aprende a abraçar o não, quando se perde o medo dele, se consegue ter poder e domínio melhor sobre quaisquer adversidades.

O Não é algo que sempre estará presente na vida. Alguns dizem que haverá um maior peso dele do que de Sim, logo é até lógico que busquemos abraça-lo como a um velho amigo, sabendo que ele estará sempre em nossas vidas, mas que nós viveremos outras experiências nas quais ele não estará presente.


Tal como foi com Constantine, ele podia até estar ferrado com os pulmões tomados pela doença, condenado ao inferno, todavia quando ele abraçou todas essas negativas, eis que conseguiu sua redenção. Não é tão abstrato no mundo real, mas ainda assim um ótimo exemplo a se pensar.