quarta-feira, 31 de julho de 2013

Desvendando os cancerianos


O mês 7 é nosso. Pegamos um pouquinho do mês de junho, mas julho é tido como o do caranguejo.
A primeira coisa que vem na cabeça de quem ouve a palavra “câncer”, depois do susto por ser doença, é um grupo de pessoas desse signo que aparentam ser boa gente, românticos e nada práticos. Resumindo, somos sentimentais assumidos.

Nossa natureza é assim, sentimento á flor da pele, o que não é propriamente um problema exceto para aqueles tão rígidos na terra como uma árvore centenária.nosso verbo é: Eu sinto, então se não tem o mínimo sentimento envolvido, não vale á pena. Ainda que muitos nos considerem fadados a quebrar a cara uma vez que a realidade exija o “Eu penso” muitas vezes.

Talvez ser assim seja um mal de signo, não propriamente ruim, mas muito pessoal. Cancerianos sempre foram tidos como uma raça de românticos, otários e chorões, porém de todo o resto são talvez os que mais aguentam apanhar. Experimente bater num caranguejo, ele pode ser por dentro todo mole, mas mesmo assim ele vai tentar lhe apertar com as pinças e continuar andando ainda que tenha uma colher enfiada no casco.

A natureza do caranguejo é diferente. Por dentro ele é mole, por fora é rígido, ou seja, há uma proteção com o que temos em nossos interiores, nossos sentimentos são o que nos é mais caro e valioso, por isso protegemos com toda a força de nossos cascos. Se você mexe muito com um caranguejo, ele vai tentar se proteger se enfiando em seu buraquinho no mangue. Se insistir em machucá-lo, ele vai usar as pinças e pode-se acabar com um dedo decepado. Nós, sempre nos protegemos, guardamos, escondemos, mas na hora, se o ataque for demais, você acabará não com o dedo, mas com o ego decepado.

A casca nos garante a teimosia pelo que cremos, a parte molenga, a fidelidade ao sentimento envolvido. Dois caranguejos quando brigam é engraçado, eles ficam andando juntos, tentando se cutucar, mas não se atingem. O que é diferente quando a coisa vem de fora. Me sinto na obrigação, ou melhor, na solidariedade, de dizer que tentar falar, criticar ou impor para um canceriano o que ele deve sentir, sem o menor respeito ao que ele realmente sente ou intenção de fazer bem, é tão inútil quanto masturbar um cadáver. Inútil. Revoltante e ofensivo tanto quanto.

Imagine a cena. Um velório de uma pessoa. Aí chega um indivíduo e começa a tocar o defunto em partes íntimas de uma forma nada adequada. Os parentes próximos ficarão chocados e posteriormente revoltados e ofendidos. Quando alguém chega e desdenha do nosso choro, olham com desdém para nossa tristeza ou até para o nosso modo de ver a vida, é como se fossemos o cadáver masturbado. É inútil, mas não impede o sentimento de ofensa e violação.

Caranguejos são diferentes das outras espécies. Diferente de leões, carneiros e escorpiões. Um leão já é grande o suficiente, um carneiro já dá lã necessária, um escorpião pode ser pequeno, mas seu ferrão venenoso mata um idoso ou uma criança, gêmeos são dois, touros são bravos e até um peixe, se raro, por si só se basta num aquário. Um caranguejo somente não mata a fome de um homem, é necessário uma penca. Fui a uma praia e vi como é, em 1 m² tipo havia 100 caranguejos pequenos. Isso ocorre porque sozinhos não somos nada, mas com uma família podemos ser além do tudo. Sozinhos, sobrevivemos; com alguém conseguimos aproveitar o que a vida tem a nos dar pra viver. Alguns textos astrológicos já disseram que Deus aos nos criar disse: "Para você, Câncer, dou a tarefa de ensinar aos homens sobre emoção. Minha idéia é você causar-lhes risos e lágrimas para que tudo que vejam e pensem se desenvolva com plenitude interior. Para isso, dou-lhe o dom da família , para que sua plenitude possa se multiplicar".


Sabemos fazer raiz na água. Firmes, mas ainda conseguindo caminhar entre as pedras, conseguindo enxergar outros ângulos e ser flexível. E com isso compreendemos mais.

Cancerianos são amorosos e bons amigos. Como amantes, funcionamos melhor envolvidos. Tipo, nada contra sexo de primeira, mas pelo que vejo, a gente funciona melhor com envolvimento, sintonia e sentimento. E isso, com todo respeito, a gente não consegue adquirir só com uma noite somente de conversa.

Temos boa memória, possuo uma tese não científica que cancerianos tem menos propensão a ter Alzheimer. Se dizem que nos apegamos ao passado, não importa, não nos culpem se não sofremos de amnésia. Além de lembrar, há mil interpretações possíveis para um fato de uma única memória. Ás vezes é bom outras vezes é meio enlouquecedor, mas sem dúvida um exercício para conhecimento pessoal.

Caranguejos são bons, gentis, amigos/amores para uma vida inteira. Se magoam facilmente pela moleza do seu interior, tanto que grosserias são uma das poucas coisas imperdoáveis, mas lidamos com a maior parte das coisas bem. E com as que não conseguimos, bem, nossa casca nos protege.

Não temos lá muitas ambições, sempre queremos ter nossa casinha com tudo que gostamos dentro dela e voltar pra lá. Podemos ir realmente longe, mas no fim voltamos pra nossa essência e para aquilo que chamamos de lar. Pode ser um apartamento de luxo, um buraquinho num mangue ou uma casinha simples, porém um lar pra chamar de nosso.

* Dedico este texto à Joana Viegas, a carangueja mais durona e doce que conheci



terça-feira, 30 de julho de 2013

Texto: O que é uma vagabunda?


Enviei esse texto faz um bom tempo para o Papo de Homem, mas acho que o senhor dono do site não deve ter curtido, enfim, talvez seja meu jeito de falar e eles gostem de um negócio mais maquiado e cheio de palavras, não sei. Mas há dois meses, não tive mais resposta, daí decidi publicar aqui.

Há umas três décadas atrás, vagabunda e puta eram sinônimos. Acrescentaram o “vadia”, que por vezes também significa mulher preguiçosa. Vagabunda ainda é impactante. Uma mulher chamando a outra de vagaba é bem mais chocante e golpeador do que um homem fazer a mesma coisa. Nas novelas, não posso negar que me regojiza uma cena com essa característica. A razão é simples: a mulher tem a concepção diferente e mais profunda do que caracteriza uma verdadeira vagabunda. Nos dias de hoje pelo menos.

Na novela Gabriela, que se passa nos anos 20, isso foi bem estampado. As vagabundas eram as guengas, as prostitutas; em contrapartida, as “direitas” eram as esposas, as que tinham uma casa e filhos pra cuidar, por mais hipócritas, mesquinhas e até más que fossem. Essa concepção perdurou por décadas, mesmo na revolução sexual dos anos 60, as “senhoras” olhavam de viés para aquelas mulheres que não se importavam com regras, etiqueta, depilação nem com a quantidade de homens que passavam em suas camas. Essas eram tidas como as legítimas vagabundas.

As prostitutas, que lançaram a moda do boca tudo, olho tudo, geram polêmica pelo que fazem e pelas condutas assumidas. Não raro ouvir uma esposa dizer: “Não faço isso porque é coisa de vagabunda, é coisa de prostituta”, como se elas fossem alguma espécie alienígena de mulher. No tempo da minha avó, se você fosse somente vista nos arredores da zona da cidade, já era motivo de preocupação porque poderiam confundir você com uma das guengas do local e ficaria péssimo para sua reputação.

Amantes são outro tipo bem comum de se ver segundo as denominações alheias. Na verdade, é uma espécie em larga expansão, algumas até preferem ser amantes, porque não tem compromisso, nem deveres, nem toalha molhada em cima da cama, nem cozinha, nem filhos chorando á noite, só prazer e a diversão. Claro, elas só tem que arcar com o ódio das esposas, a rejeição dos conhecidos e o escárnio da sociedade. Fora isso, tá de boa.

E a espécie de vagabundas que mais vem crescendo atualmente são as que dão de primeira. Chegam na balada, mostram a que vieram, escolhem um carinha bem aprumado e foi. Não é necessário dizer que as feministas tem nos ensinando que é errado chamar esse tipo de moça de um nome tão feio, porque o que acontece na verdade é que são bem determinadas e confiantes. Não só elas, mas as que andam de shortinhos, minissaias e decotes também se enquadram nesse lote, pois só querem a liberdade de escolher como agir e o que usar. A marcha das vadias confirma isso. 

Esses exemplos mostram os tipos de mulheres que a sociedade rotulou como vagabas por décadas e décadas. É algo tão forte que a mesma se esqueceu de ver QUEM SÃO AS VERDADEIRAS VAGABUNDAS.

Vagabunda na real é mulher sem caráter, sem escrúpulos ou dignidade.

Aí a coisa inverte drasticamente. A prostituta que tá lá de boa no seu ponto não acha tão agradável assim passar na mão de 20 homens por noite, porém precisa comer e se sustentar tanto quanto outra pessoa. Algumas até gostam assumidamente de seu serviço e tem orgulho dele, porém ainda que seu trabalho envolva o corpo, não faz dela uma vagabunda. Á menos, é claro, que ela seja aquele tipo de pilantra que bota um boa noite cinderela na bebida do cliente pra roubar e deixá-lo num estado de quase coma. Aí eu dou razão, esse tipo é uma vagabunda.

Conheci amantes que eram mais dignas e direitas do que as “senhoras” que levavam sobrenome e casaram na igreja com padre, pajem e aliança. Como disse Tânia Alves: “Não tenho nome. Trago o coração ferido, mas tenho muito mais classe de quem não soube prender o marido”. E a real é que tem esposa que atormenta o cara, briga, faz comida ruim de propósito, extorqui de todas as formas, chama o cara de encosto e demônio e ainda chama a outra de vagabunda, quando na real ela é que é. Amantes só se tornam vagabas quando se metem de propósito no relacionamento de alguém, metem o dedo num bolo que não é seu, provocam ou tem a intenção de fazer a outra mulher de trouxa e usam o marido dela para tal.

E quanto ás jovenzinhas que fazem sexo no primeiro encontro e gostam de ir até o chão com suas microssaias, não são putas ou derivados, porém se você está deliberadamente mentindo para alguém, o que inclui você mesma, usando seu corpitcho pra provocar e humilhar outra garota que não é lá tão sensual e tá na dela com o namorado de boa ou se por acaso você finge ser uma boa menina para seus pais e o reverendo, mas á noite vira a coelha raivosa da Playboy, sugiro que você não só é vagabunda, mas alguém com sérios distúrbios comportamentais e aconselho busca por assistência especializada.

Eu quando mais nova tinha uma imagem errada aquelas meninas bonitas que viviam com garotos em volta, mas sempre me arrependia quando em algum trabalho em grupo percebia que elas eram legais e eu tinha feito um julgamento errado. A razão porque isso acontecia comigo era porque eu não classificava corretamente uma vagabunda. Hoje, percebo que há muitas delas vestindo ternos e blazers, usam maquiagem importada, podem ter olhos azuis e dinheiro, mas nenhum pingo de caráter ou respeito ao próximo, o que inclui até a própria mãe. Vagabundas do calibre da Paola Bracho

Acho que pra começar a desmistificar as imagens arcaicas de vagabunda-mulher direita, o primeiro passo é saber do que é feito cada uma delas. Eu pelo menos, percebi á tempo e passei a enxergar melhor as verdadeiras vagabundas. Torço para a sociedade fazer o mesmo.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

De bluelittlecrab a Cancerious 4



Bluelittlecrab era meio longo e complicado, embora retratasse o que eu era. Ainda assim queria algo muito característico, pessoal e simples. E a ideia veio. Não havia nada parecido na rede, á menos, é claro a associação mais óbvia.

Cancerious somente foi apontado como título inválido, então acrescentei o 4, que é minha casa. 4, no oriente, é um número de sorte, devo dizer que pra mim também.

O novo nove tem um quê que lembra latim, a sonoridade do nome me lembra a língua morta. Câncer é o nome do meu signo, está na 4ª casa na roda astrológica, tem natureza feminina e como regente, a lua. Meio mutáveis, é verdade, mas fiéis aos objetivos e ao que acreditam, o que faz da gente pessoas meio teimosas, sem sentimentos seletivos. Nosso símbolo é o caranguejo, um animalzinho meio sujo, não muito gracioso e que vive escondido, na sua casinha e na sua casca, e ainda assim consegue ter características bem interessantes.

Também temos o nome de uma doença, mesmo sendo o nome do signo, muitos tremem ainda ao ouvir e associar com a outra coisa. Eu sei o porquê. A doença se chama câncer por um motivo muito claro. Segundo a fisiopatologia das células cancerígenas, quando elas se espalham, começam em um ponto central e formam ramos desse centro, tal como um caranguejo e suas 8 patas.

Cancerious continua sendo eu, com todos os conflitos, polêmicas e opiniões, totalmente eu, o que é mais importante acima de tudo.