O termo Childfree deriva do inglês e em sua tradução literal significa "livre de crianças". É um movimento que nasceu com aquelas mulheres e homens que não desejavam ter filhos, casados ou não. Acrescentou-se também a essa ideia alguns estabelecimentos que eram direcionados para consumidores sem filhos, tal como hoteis e restaurantes. Claro que a primeira vista isso parece algo bem excludente, uma vez que crianças são parte de uma sociedade, responsabilidade primária de quem as gerou, mas ainda precisam conviver com a sociedade para crescerem adultos sociáveis. Não há problema em não querer ter filhos, isso é uma escolha. Muitos seja pelo cursos da vida, incluindo trabalho, carreira ou outros objetivos, vão deixando essa ideia de lado, como uma não prioridade.
Outros simplesmente não sentem essa vontade mesmo, seja por não conseguirem se dedicar a algo ou alguém, seja porque não se sentem a vontade com crianças, ou simplesmente não tiveram as condições que consideraram ideais para ter um filho e ficou tudo bem não tê-los. Todos esses argumentos são válidos, assim como os estabelecimentos que miram nesse público; levar uma criança pra ver o Fred Krueger ou para uma boate tarde da noite hoje não é exatamente o significado de atitude responsável. Não existe nenhuma rugosidade em não se ter filhos ou não querer tê-los, o problema é quando isso vira outra coisa. Não raro ver moças exaltadas em grupos clamando por aborto legalizado, outras inclusive chegam a fazer anúncios de pílulas abortivas dizendo que odeiam crianças. Esse ódio quase sempre se estende ás mães delas. Tudo isso transvestido de uma indignação por não serem aceitos em sua escolha, muitos apresentam visões sensatas outros apelam pra baixaria e pura birra. Lógico que o outro lado nem sempre é fácil. Muitas mães por despreparo e falhas educacionais acabam relevando suas próprias falhas, confundem superproteção com educação e em nome dessa maternidade, atacam quem quer que seja.
Nesse meio quem está certo? A resposta talvez seja todo mundo. Pelo menos os que se dispõe de sensatez, de educação, de compreensão com o outro lado e definitivamente quem não se acha melhor do que o outro por causa do fator "filhos". Tê-los ou não são uma forma de ser feliz, de se sentir feliz com a experiência; quem se dispôs a ter filhos e quem os aceitou, se abre a viver isso, com tudo que acarreta, seja momentos alegres ou de dificuldade. Os que escolhem não ter, também devem ser felizes a sua maneira. O que não vale é um se achar melhor ou mais vantajoso que o outro, já dizia Paulo Coelho: Uma coisa é você achar que seu caminho é o certo. Outra bem diferente é achar que ele é único.
Todavia, nesse meio de páginas, muitas com ódio em maior ou menor grau, é bem comum vermos frases ditas numa tentativa de mostrar superioridade. Fora os xingamentos a mães e seus filhos, como parideiras e catarrentos, não é o que se pode chamar de pessoas educadas. Por isso, aqui vão algumas frases ditas erroneamente, mas que podem mostrar muito sobre quem as diz.
1. Filhos não são garantia de companhia
De fato, filhos não são garantia mesmo de companhia ou de amor. Na verdade, a própria família ou casamentos não são garantias de afeto, e muitos enquanto filhos não são de longe garantia alguma aos pais. Embora deva-se ressaltar que não ter ninguém é garantia 100% de não ter companhia ou cuidados. Muitos mencionam a velhice, é um ponto delicado, uma vez que por mais modernos que os idosos estejam hoje, há um ponto da vida que cuidados e vigilância são necessários. Filhos e família nem sempre caminham de uma forma caridosa, amorosa, valorizando seus membros dispondo-lhes cuidados e amor, porém nada impede de se tentar cultivar o melhor possível. É a velha premissa de que amor é algo que se dá de graça e por graça, se o recebe de volta ou não, é responsabilidade do outro, sua parte você o fez. Com relação a filhos, no momento em que se os tem, os pais em sua maioria pelo menos dispõem cuidados, sentimentos. Por vezes se questiona a função de um filho, e é exatamente essa: a de fazer alguém descobrir o quanto se pode dar amor a outro sabendo que este outro não lhe pertence, dar valores e continuar amando ainda que sabendo que este alguém poderá ir embora. Por mais que se diga que o dar amor pode ser para estranhos, animais, a doação para um filho é sempre de uma nuance diferente.
2. Quem é mãe tem inveja das childfree
Sempre achei isso bem piegas. Muitas childfree mencionam que as mães tem inveja porque ao se ter uma criança, segundo elas, as mães tornam-se feias, desleixadas, pobres e estressadas. Sempre digo que ou não devem conhecer muitas mães ou não tem muita noção do que a palavra "organização" e "planejamento" significam. Daí o sentimento de que as mães são seres desprovidos de alegrias, que se forçam a tê-las apenas nos filhos e lutam para convencer o mundo de que eles são bons mesmo detestando-os. Esse discurso mostra certa petulância, como se as childfree se achassem muito superiores em todos os sentidos, pensando que as mães são algum tipo de escória. Porém talvez não realizem que há mães (e não são poucas) que tem bons empregos, com cargos de liderança em empresas e em casa, maridos bonitos, são bonitas de corpo e caráter, de quebra com filhos e bolsas Louis Vuitton originais. Certa vez a Record passou uma reportagem sobre mulheres que não querem ter filhos, não faltou quem dissesse que foi tendenciosa. Eu até concordo, mas indiscutivelmente a favor das childfree. Afinal, mostraram estas como sendo mulheres jovens e bem sucedidas, em apartamentos e casas elegantes, viajando e malhando, ao lado de maridos empresários e ricas, ao passo que a mulher que queria ter filhos, sequer tiveram trabalho de maquiá-la para a matéria, tem uma aparência mais maltratada, com aspecto simples e humilde, casada com um homem também simples, em uma casa comum. Ou seja, dá a entender que filhos acabam com sua juventude e com você. Se fosse uma mulher mãe, com alto cargo profissional, linda ao estilo Lady Kate que não são exceções, aí sim, eu acharia justo.
3. Eu não gosto/odeio crianças
Essa é uma fala com a qual se deve ter certo cuidado. É perfeitamente compreensível que não se goste de um determinado grupo de pessoas, é uma liberdade que se tem, embora o modo como se maneje isso, incluindo tratar tal grupo de forma hostil seja escolha e responsabilidade do indivíduo. Muitos afirmam que não gostam de crianças malcriadas e mal educadas, sendo perfeitamente compreensível, filhos assim denotam pais igualmente imaturos. Deve-se dizer que adultos mal educados, que um dia provavelmente foram crianças mal educadas, são também um sério problema, o que tem de maloqueiro que constrange todos seja em qual for o ambiente não está no gibi. Todavia, muitos pegam esse argumento de "não gostar" e o transformam em uma disseminação gratuita de ódio e adversidade. Não faltam páginas que acham engraçado chamar crianças de "praga", dizer que as mães são um estorvo, postam figuras de crianças sendo arremessadas, como sendo engraçado, fazendo isso com total aval de seus seguidores, sem remorso algum. O maior problema nisso tudo é que a sociedade é pautada em relações e aprendizados decorrentes deles, não se pode exigir de alguém um aprendizado se não o colocar em confronto com algo que o proporcione, logo não se pode exigir um comportamento social de uma criança se ela é criada num contêiner. É bom se exigir dos pais, já que é deles a responsabilidade. O maior problema ainda é o ódio motivado pela aversão, não esqueçamos que muito ódio já foi destinado a outros grupos e por esse motivo, eles foram privados de coisas básicas que a sociedade devia lhes conferir, sendo o respeito a principal. Muitos tem essa noção distorcida, por isso fazem e falam coisas sem se dar muita conta do quanto pode ser nocivo. Não gostar é um direito, desrespeitar é uma escolha. Sabem quem também odiava crianças? Mengele. Se procurarem por ele vão ver que também tinha o apelido "carinhoso" de Anjo da Morte. Ele odiava tanto crianças de outra religião e as considerava tão repugnantes que não se importava de colocar clorofórmio nelas, de costurar gêmeos pra ver se sobreviviam, de injetar bactérias nelas pra ver sua durabilidade dentre outras coisas, ele também não via problema nisso. ódio é sempre perigoso por causa do que ele gera: a indiferença. A pessoa que o sente fica tão indiferente que não lhe importa o que acontece com o alvo, por isso seja com crianças ou com quem for, é sempre bom ficar com um pé e meio atrás quando alguém diz que "odeia tal grupo", o ódio é sempre o que é, muda de nuance mas é sempre o mesmo, o que se faz em nome dele sendo mais ou menos grave só depende da oportunidade e permissão.
4. Não quero ter responsabilidade com ninguém
Responsabilidade é caráter ou estado de ser responsável por si e pelo outro. Diz respeito em assumir ações, tomar pra si tarefas, seja em prol de si mesmo ou do próximo. Quando escuto childfree dizendo que não tem filhos porque não querem ser responsáveis por ninguém, imagino um repolho. Afinal, um repolho veio de um lugar qualquer e vai pra um lugar qualquer, ele não tem laços com absolutamente nada, logo, nada de responsabilidade com nada da mesma maneira. O ser humano enquanto ser social que é, talvez seja o único na natureza que não foi feito para viver isolado, ainda que muitos se esforcem. Você sempre veio de algum lugar e muito provavelmente sentirá vontade de pertencer a algum lugar, seja através de relações com família, formando nova família, convivendo com pessoas diferentes. E nisso indiretamente se cria certa responsabilidade, uma relação cruzada de se importar com o outro e na medida do possível fazer algo por ele. Ou seja, alguém pode não ter filhos nunca, mas terá pais. E numa hipótese de haver piedade filial, haverá o sentimento de responsabilidade para quando os pais tiverem idade e limitações, um sentimento que impulsiona filhos a quererem cuidar e proporcionar a estes pais o melhor, dando-lhes descanso na velhice em agradecimento ao que deram, a menos que os abandone por quererem se abster, aí serão childfree e parentfree. Se não tiver pais, poderá ser uma relação de casamento. Num mundo ideal as pessoas tem noção de que companheirismo não se resume somente a momentos bons, mas momentos em que a responsabilidade de cuidar fala mais alto, de se estar do lado, mesmo com dificuldades ao invés de simplesmente abandonar, como se vê em casos de doença e inutilidade. E mesmo que a pessoa tenha relação somente com animais e amigos, muitos precisam dispor energia, gastos materiais da mesma forma como quem tem filhos o faz. Logo, isso de não ter responsabilidade com ninguém fura. Porque ainda que a pessoa se esforce e consiga ser uma ilha, ainda terá que ser responsável e gastar consigo mesma.
5. É egoísmo colocar mais um ser neste mundo
A definição de egoísmo é clara: "amor exagerado aos próprios interesses a despeito de outrem" ou "exclusivismo que leva uma pessoa a se tornar como referência de tudo", portanto quando se pensa nisso, é meio contraditório achar que mães são egoístas nesse sentido. Afinal, o ser humano de todas as espécies no mundo é o único que quando filhote não consegue sobreviver por conta própria, os únicos lugares onde isso foi possível foi no filme do Tarzan e do Mogli, ainda com ressalvas porque a gorila e a loba ajudaram muito. Quando se é mãe, a tendência é que se doe, de uma forma que o filho vem em primeiro lugar, assim não se trata de um capricho ou vaidade, pois que capricho exige de você abdicação de muitos conceitos? E ainda mais, exigência de aprendizados, que é uma das coisas mais difíceis de se desprender. Com relação ao mundo, tal como ocorre como adultos, ele já estava aqui antes e muito provavelmente estará quando nos formos, chega a ser meio arrogante achar que nós, na nossa existência breve vai causar alguma cócega no mundo, mesmo as figuras mais ilustres dele se tornaram histórias em livros, foram sucedidas por outras. Então, talvez o verdadeiro egoísmo não tem a ver com colocar filhos num mundo que consideramos cruel, mesmo porque muitos se esmeram para dar filhos bons a esse mundo, mas não se abrir para aprendizados que nos acrescentem (com filhos ou não) MESMO ele sendo cruel.
6. Filhos atrapalham, você perde muito, eles não são bênçãos
Toda mudança na vida exige de quem se dispôs a mudar. Numa certa novela, uma personagem disse que filhos dividem e não somam. Quando as childfree falam isso, normalmente num tom ofensivo, provavelmente acham que estão descobrindo a pólvora, como se quem tem filhos não saiba que vai precisar se readaptar em muitos aspectos por um tempo. A questão do sono e os gastos são reais sim, contudo não são eternos. A questão do planejamento e organização entram em peso aqui, coisa que devia existir inerente de se ter filhos ou não, afinal, uma pessoa pode gastar o dinheiro das contas num cassino, tornando-a tão irresponsável quanto pais que não provém o necessário a seus filhos. Hoje já se sabe que mesmo os que não os tem podem gastar até mais do que pais, pois optam por coisas mais caras. Os pais não negam que filhos gastam, mas muitos o fazem com prazer porque se sentem bem se dedicando dessa forma, já disse que a dedicação a um filho é de uma nuance totalmente diferente que qualquer outra, não pior ou melhor, mas muito diferente. Só ressaltando, que com o velho planejamento que falei, há pais que conseguem ter os mesmos momentos de prazer que outros que não tem filhos, só que acrescidos deles. Caso contrário, não se veriam crianças falando de viagens com os amiguinhos da escola...




























