sexta-feira, 25 de outubro de 2019

A tecnologia aumentou, mas não inventou


Hoje a coisa mais comum é ouvirmos que as pessoas não se comunicam mais, não mais conversam, não se olham nos olhos e a normalmente culpam a tecnologia, as redes sociais e aplicativos. Vivemos isolados do mundo em nossos celulares, iphones e computadores, porém o isolamento pode até se dar de forma diferente de alguns anos mas indiscutivelmente não é totalmente inédito na história do mundo. 

Com a estreia da nova novela das seis, Éramos Seis, dá pra se ter uma noção de como as coisas eram em termo de comunicação, sociedade, família e em como as relações se davam. Para muitos, parece algo totalmente primitivo viver em um mundo onde telefone era coisa de pessoas exclusivas. Sim, nos anos 20, 30, até a poucas décadas na verdade, telefone em casa era coisa ou de estabelecimento comercial ou de pessoas com certas posses. O celular nem tinha sido inventado e quando o foi, tinha o tamanho de um tijolo e servia literalmente só pra fazer ligação e pra lugares não muito longe. Mensagens instantâneas não existiam, a forma de se comunicar com pessoas em outros estados ou países era por carta, que você contava uma novidade hoje e quando chegava até o destinatário já não era mais novidade. As famílias costumavam jantar juntas, mesmo sem celular ou telefone, não havia desencontros nem isso de "não consegui falar com você", os horários eram bem determinados, seja de escola ou trabalho, haviam atrasos contudo os motivos para tal eram mais lógicos e restritos, visto que as cidades não eram tão grandes e opções eram mais escassas, não havia tanta variedade de lugares para ir. Daí nos perguntamos, o que de fato mudou no quesito se comunicar?

A tecnologia facilitou muito, com o advento da internet tudo despontou mais ainda. Contudo é no mínimo curioso que por mais que você consiga falar com alguém em tempo real no Japão, as pessoas ainda assim tenham problemas de comunicação tanto quanto haviam limitações no passado. Quem inventou o celular, a tecnologia e os aplicativos queria aproximar as pessoas, mas os desencontros não foram sanados mesmo assim. Afinal, por mais que antigamente houvesse atraso considerável com cartas ou até extravio delas, hoje existem os vácuos descarados, os bloqueios, o simples ignorar de mensagens mesmo que quem as enviou saiba que o destinatário leu e simplesmente não esteja querendo dar uma resposta. Você fala por vídeo com alguém na Groelândia mas por vezes não consegue falar com seu colega que mora ao lado, seja porque ele de fato não quer falar com você ou porque as opções de entretenimento nas redes são tantas que ele pode estar vendo algo mais interessante que sua mensagem. 

Uma reclamação frequente é que os celulares e etc afastaram as pessoas, elas não mais se olham, não mais conversam, ficam cada uma em uma bolha teclando, isso é um fato muito corriqueiro no mundo. Contudo, em uma menor escala também ocorria antigamente quando a única fonte de informação eram os jornais de papel, os senhores permaneciam absortos neles no bonde e as senhoras em revistas de moda e culinária, também não havia muita comunicação e todos estavam isolados em seus próprios pensamentos e leituras, assim como hoje se fica em redes e mensagens de grupo. De um jeito ou de outro, havia certo isolamento entre pessoas, a diferença é que ninguém entrava em bondes para roubar jornais.

Outra coisa que mudou mas nem tanto assim foi a necessidade de ter algo que tornasse a realidade menos penosa. Um certo livro que li, que se passava na década de 60/70, que tinha um bordel como um de seus cenários numa das cenas o gerente do lugar dizia a uma das moças: “Os clientes têm reclamado de seu mau humor. E eles não querem mulheres mal-humoradas. Já basta o que têm que aturar em casa ou no trabalho. Quando chegam aqui, esperam encontrar uma lady, e não uma grosseirona que só sabe reclamar e dar foras”, na atual novela das seis isso também é bem evidente. Não existe internet, porém haviam cabarés aos montes, onde os homens extravasavam com dançarinas e bebidas suas frustrações da não promoção ou a chateação do pouco dinheiro ou tédio com as questões domésticas e esposas. Lugares onde não havia depressão, mas um brilho e felicidades constantes, lá não havia problemas, pouco dinheiro, todos queriam mostrar o melhor e mais bonito de si.

Hoje não existem cabarés na forma como eram mostrados antigamente, mas existem casas de show, camarotes e lógico, possibilidade de fotos e publicações em redes sociais. Ninguém quer parecer triste ou solitário, todos são felizes e bonitos. Não é uma verdade absoluta, contudo uma boa parcela das pessoas ainda publica momentos captados em fotos não por uma felicidade real e genuína, mas pensando em quem vai vê-las. Seja para despertar inveja, seja para se preencher ao menos por um momento de algum tipo de vazio, seja para pretender que tem uma vida que por trás da câmera não existe. Logo, pode-se dizer que nesses casos especificamente, as redes sociais são o bordel da internet. Cheio de pessoas que riem para câmeras mas choram por detrás delas quando estão sós, pessoas cujas maquiagens sempre estão impecavelmente esfumadas e nunca erram no delineado, moças fitness que nunca suam em suas roupas de marca ou ficam vermelhas e onde as receitas sempre dão certo e ficam lindas para serem servidas. As pessoas que ousam postar fotos em momentos de fato de tristeza, ou em momentos não tão bonitos, maquiagens sem produtos de marca não recebem tantas curtidas quanto as que abusam de filtros.

A comunicação poderia ser mil vezes melhor do que é hoje se as pessoas talvez se equilibrassem. Se percebessem que por mais que as mensagens se disseminem mais rapidamente, o contato humano ainda é necessário e preciso. O que antes era por falta de recurso, hoje ocorre por falta de vontade. Muitos ainda se isolam mesmo que possam fazer amizades do outro lado do mundo. É estranho pensar que antigamente as pessoas também não se comunicavam com tanta eficiência em casos de distância e hoje mesmo com o melhor celular do mercado, optam por tal. Então meus caros, é um claro exemplo de que as coisas mudam, só que ás vezes nem tanto..

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Extreme Look #19 - Laranja, roxo e glitter


Eu deixei os looks de make de lado um pouco. Meio como que foi um período de adaptação, com coisas que resolvi mudar e outras que surgiram, contudo adoro fazer make e estou aprendendo formas de fazer os posts de um modo mais dinâmico, que seja mais atrativo aos olhos. Maquiagem é muito visual, dúvidas e teoria se pode responder em mensagens ou em alguns tutoriais longos de vídeos e cursos, mas se gostarem das minhas makes, pra mim já é grande satisfação. Espero que curtam!



Usei princiapalmente as cores laranja, amarelo e um glitter roxo, é uma ótima make para festas e pra quem curte um olho marcado











segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Outfit inspirado em Coringa - Para a pré estréia!


As fotos fizeram o maior sucesso. Devo dizer que a recepção foi muito boa e me emocionou, o pessoal realmente curtiu a combinação de cores e peças para compor o outfit que usei na estreia do filme do Coringa, então eu resolvi postar como fiz a combinação e dar umas dicas de como você pode combinar pra fazer um outfit inspirado pra uma estréia ou para qualquer ocasião.

1. Parte superior
Eu comecei a ser adepta dos corset. Vocês sabem aquelas peças que as moças da antiguidade usavam por cima dos vestidos e posteriormente por debaixo deles pra marcar a cintura? Pois bem, existem os corset que são de fato bem apertados e você mal se mexe e são bem caros, e há os corselet que marcam um pouco a cintura (bem menos), contudo deixam a gente mais confortável e tem alguns modelos que imitam rendas e estampados, com detalhes em metal e etc., eu optei por um verde esmeralda que imitava o colete que Coringa usa.
Você pode usar o corselet/corset sozinho ou por cima de uma camisa ou regata, quis usar por cima de uma regata porque por ser tomara que caia eu poderia ficar travada com medo de de fato aparecer algo que não devia (XD). E por cima de tudo isso, usei um max cardigan roxo, Coringa usa um casacão propriamente dito, de um tecido mais pesado porém o cardigan dá leveza e um toque divertido, no pescoço usei uma gargantilha de lacinho, afinal ele usa uma gravata e em algumas versões do tipo borboleta, essa gargantilha de rendinha deu um bom efeito.
Corselet - Aliexpress
Regata - Vegas Confecções
Max Cardigan - Aliexpress
Gargantilha - Presente (direto da rua harajuku no Japão XD)
Peruca - Aliexpress



2. Parte de baixo
Eu confesso que me inspirei em uma peça do Coringa feito por Jared Leto. Ele em uma de suas versões no Esquadrão Suicida usa um short largo tipo samba canção por cima de uma legging preta com o símbolo do Batman em branco. Eu busquei uma legging que fosse parecida e consegui uma com morceguinhos propriamente ditos, além do Coringa dá pra usar no halloween. Os coturnos também são semelhantes a Jared, que também usa, eu usei pretos.
Legging - Aliexpress
Coturno - Mercado Livre


3. Acessórios
Além da gargantilha que já citei, lógico que o cabelo verde devia estar presente e nos dedos usei anéis que deram um ar que remete ao Coringa mais gângster do Esquadrão Suicida.

4. Maquiagem
Eu poderia listar todos os produtos que utilizei na maquiagem, contudo só adianto o processo. Usei a velha tríade de primer, base, uma um pouco mais clara, um corretivo pra iluminar e assentei tudo com pó banana. Fiz contorno com pó e assentei as outras áreas com pó compacto comum. Nos olhos, esfumei marrom, preto e verde brilhante, marquei com preto. Mas você poderia usar o roxo também se for de sua preferência. E na boca, aquele vermelhão.






Dicas: Quando você quer fazer um outfit inspirado em personagem, seja ele qual for, não precisa ter medo de parecer uma fantasia pois há formas muito elegantes e criativas de você montar um outfit combinando e bem ajustado. A primeira coisa que você precisa ver são as cores. Que cores o personagem usa? Que combinações você pode fazer com base nisso? A segunda coisa é o formato das peças que o personagem usa? Você pode adaptar, se for algo que de fato puxe demais pra fantasia, pegue a ideia. Quer ir de princesa? Pegue as cores que a personagem usa e combine um vestido, peças sobrepostas, acessórios que remetam a sua história e monte seu look. A minha grande inspiração pra começar a fazer outfits inspirados foi uma youtuber antiga chamada Viiixxxen, ela fez dois lookbooks inspirados, um na Terra Média e outro nas princesas (deixo o link) e ela soube de forma criativa e coesa combinar, tente o mesmo e o resultado fica bom. Perucas são bons acessórios se você quiser ficar mais perto do personagem, mas se não tiver, use seu cabelo com um penteado ou algo que também remeta a quem está se inspirando. E divirta-se! Não tenha vergonha de usar sua criatividade, faz bem e é muito saudável! 

 Viiixxxen - Lookbook inspirado em Terra Média: https://www.youtube.com/watch?v=kpQ0wkRBL7U
Viiixxxen - Lookbook inspirado em Princesas: https://www.youtube.com/watch?v=aDCgByzv0d8








quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Coringa 2019: Uma análise do filme e mais


O novo filme do Coringa está aí. Fiz questão de ir na pré-estréia para pegar toda a energia de algo que parecia inovador e totalmente inédito, devo dizer que em menos de 10 minutos de filme me identifiquei totalmente, creio que o mesmo ocorreu com muitos. Depois de grandes polêmicas desde o lançamento dos trailers e em parte por causa da imprensa, que chegou a ser proibida de comparecer aos eventos devido ás suas condutas capciosas. Ouso até a dizer que foi desafiada a assistir ao longa antes de emitir opiniões. É, foi-se o tempo em que os repórteres eram de fato investigadores, ao invés de meros criticadores.

Muito do que se disse sobre Coringa até hoje diz respeito sobre o emocional e condutas de Arthur (Joaquim Phoenix), o comediante falido e sem sucesso, que tenta inutilmente seu lugar ao sol mas só consegue desprezo não só dos que poderiam dar a tão sonhada chance mas da sociedade geral. Falo geral porque fica claro que Arthur tem alguma afecção de cunho psicológico/psiquiátrico, vide os takes mostrando suas consultas no asilo Arkhan assim como o claro escrito dele dizendo que as pessoas esperam que você que tem uma doença mental aja como se não tivesse. E nos próprios trailers sua risada incontrolável em situações nas quais ela não é pedida é totalmente escancarado a dificuldade de ajuste
Diante disso, começaram a pipocar relatos de que era um filme violento, pesado, perturbador... Além de cogitações e declarações sobre o medo de que algum atirador aparecesse nas sessões inspirado pelo personagem tal qual ocorreu em Batman, o Cavaleiro das Trevas. Não posso negar que sim, é um filme muito intenso, em quem viveu ou vive situações como as que Arthur vive pode ter despertado dentro de si, sentimentos assustadores e até os que podem ter superado traumas pode ter diante de si uma penseira trazendo uma penca de reminiscências e lembranças. 

 Mas ao se levantar a hipótese de que alguém na vida real pode se identificar com Arthur leva a algumas reflexões. A primeira é que de fato há pessoas sofrendo com suas afecções psicológicas e mais fato ainda é admitir que a sociedade as negligencia ou em casos extremos agride essas pessoas, tal como vemos na cena do metrô onde Arthur é espancado e chamado de esquisito. A segunda é que ao serem negligenciadas e agredidas, algumas pessoas podem mesmo chegar a um extremo, seja com elas mesmas através de tendências suicidas ou para com os outros, como já vimos tiroteios nacionais e internacionais ou até mesmo brigas escolares nas quais o bullying estava envolvido, expor esse medo descomunal que alguém se identifique é também ao mesmo tempo admitir que a sociedade pode ter participação/responsabilidade nisso. E terceiro, assumir que o filme é "violento e perturbador" é enfim admitir que talvez não consiga encarar doenças psiquiátricas de uma forma olho no olho, admitir que talvez não consiga entender que elas causam uma série de complicações na vida de um indivíduo ou demonstrar que está sendo confrontado na opinião de que as considere uma frescura qualquer, daí a repulsa, aversão e fala de que podem haver Coringas por aí. Em suma, essas reflexões só demonstram que quem começou a disseminar esses dizeres de medo só está dando um tiro no próprio pé.
Afinal, vamos raciocinar. Por mais que o assunto tenha sido tratado em muitos filmes, Coringa é um dos que vai mostrar isso com um personagem conhecido, em um filme feito por um estúdio famoso e notório, um diretor conhecido, Todd Philips. Talvez muitos não estejam conseguindo encarar isso com a naturalidade. Falemos abertamente, as pessoas acreditam mesmo que lidar com uma doença mental/psicológica é algo não violento? Algo maleável e flexível? Acreditam mesmo que uma pessoa deprimida vive como uma linha reta embaixo e do nada sobe? Não, são sucessivas ondas, uma hora a pessoa está embaixo se achando escória e na outra crê que pode conquistar o mundo e assim ela vai vivendo, instável e sofrendo. Uma pessoa com síndrome do pânico tem que lidar com ter uma gama de sintomas físicos independente de onde esteja, uma com tendência suicidas vai viver constantemente com a sensação de que seu dia é ou deve ser o último, e muitas vezes o é de fato. Ou seja, não é nada gentil ou simples lidar com isso.

E com isso se pega boa parte do gancho para entender o filme do Coringa. Dando o menos de spoilers possível, a história gira em torno de Arthur, como foi mencionado. Apesar do trabalho como palhaço, ele não só mal recebe recursos para o sustento como também mal tem o respeito dos colegas e do resto, por mais que se esforce é como se simplesmente não fosse engraçado o suficiente. E a condição do riso incontrolável dificulta as coisas.

O filme tem uma sequência bem linear, as coisas vão aumentando gradativamente conforme também os abusos e o peso da negatividade aumentam, até que o ponto de uma divisão de águas chega e o palhaço deixa de ser o cara de sorriso triste por trás das piadas e roupa colorida pra de fato se tornar o Coringa  palhaço como o conhecemos, sádico, cru, que fala tudo na lata e se compraz com o caos. Um personagem de uma histórias que se passa em um asilo para doentes mentais escrita por um autor famoso disse: "Você não se conhece realmente até que chega ao seu limite. Somente ali você sabe até onde pode ir". É exatamente o que vemos com Arthur, somente no momento em que tudo ficou negativo um pouco mais é que ele tenha tomado consciência do que poderia fazer e onde poderia ir, mesmo que seja algo extremamente nocivo. Tal qual para muitos, o limite nem sempre significa a oportunidade da extrema resiliência e fé, mas a loucura como saída de emergência, como nosso próprio Coringa disse em A Piada Mortal, o dia ruim no qual o mais são vira a chave e se torna insano. E então, ainda que dentro do caos alguns conseguem fazer dele um palco e dançar.

Coringa não é um filme para pessoas que não conseguem enxergar o geral, tanto pessoas que estão no topo quanto aquelas que supostamente estão na base. Se o público for o tipo que se considera superior enquanto pessoa e chama os que supostamente estão abaixo dele de "palhaços", jamais vai conseguir entender a dura crítica social presente nem ver a mensagem deixada sobre a necessidade de conscientização de saber lidar com pessoas ditas diferentes e continuará passando por cima delas na calçada, ainda que estejam morrendo por dentro. É um filme que pode sim despertar sentimentos muito assustadores e dolorosos em quem já esteve por baixo ou possui alguma afecção psicológica, pior se estiver vivendo algo relacionado a elas, talvez Coringa seja o filme para os que foram traídos, rejeitados e ainda não foram exaltados ou vistos como deveriam ser... Logo, creio que não somente é um filme incrível, muito bem feito, com uma história boa mas também se soubermos estar abertos, ele dá um toca na ferida de algo que tanto na sociedade de Gotham quanto na nossa existe: de que algumas pessoas são invisíveis e que a sociedade não deveria permitir que elas se tornassem assim, mas acolhê-las para que também pudessem fazer parte da sociedade ao invés de só circulá-la na margem. E por isso a atuação de Joaquim, direção de Todd e todo o resto fazem desse filme nada menos que na minha humilde opinião, um dos melhores e mais memoráveis do ano. E em se tratando de Coringa, todos que já foram ele devem estar exibindo um enorme sorriso agora...