"Por que estamos juntos se você não pretende casar comigo?" Essa pergunta parece meio estranha se feita por um namorado(a), porém acredite, não é muito raro de se ouvir. Muitos quando namoram pensam logo no casório, no bolo, presentes, convidados, projetam o bairro onde vão morar, quantos filhos vão ter, cor da parede da cozinha... As pessoas, no entanto, são diferentes e seus pensamentos nem sempre atingem o parceiro na mesma intensidade.
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Passado o dia de Santo Antônio, o que não faltou foram pessoas fazendo promessas para um casamento perfeito. Não é uma atitude errada, é bom ter fé, porém por ser algo que não depende exclusivamente de uma pessoa, não se pode agir como se o controle estivesse todo em suas mãos. Esse talvez seja um dos principais erros num relacionamento, tratar o outro como um receptor, um controlado ao invés de parceiro. Namoro ou casamento possuem algo em comum, mesmo que não pareça: em ambos, o outro deve/precisa ser visto de igual pra igual, como um parceiro, sócio não como um subordinado.
Voltando ao casamento, nos últimos tempos essa palavra parece que cria certo pânico. Não entendo como muitos fogem dele como se fosse algum tipo de sentença. Casar não é um objetivo, algo que se firma e se põe na cabeça dizendo "eu quero" de qualquer maneira e as maiores loucuras e sacrifícios são cometidos para tal. Casamento é um CAMINHO, um meio de se conseguir algo muito maior do que aliança no dedo, festa e fotos bonitas, é um meio para ser feliz acompanhado. Você está com alguém, gosta da companhia do outro, partilha momentos e aprende acima de tudo, daí resolve ficar com essa pessoa por mais tempo, de um outro jeito, de uma forma que possa aprender um pouco mais, aprender não só sobre o jeito como ela se veste para encontros, gostos de comida, mas saber como ela organiza a vida, como divide o tempo e o que gosta de fazer em casa, é aquela velha sensação de querer ficar com a pessoa de tal forma que se possa dialogar a hora que quiser, passar o tempo sem se preocupar com horas e partilhar mais e mais e evoluir da mesma forma, e o jeito para se aprender esse todo mais se chama casamento.

Claro que várias imagens desse ato, em muitos casos negativas, permaneceram ao longo do tempo. Contudo, talvez esse negócio de "namorar é melhor", "ser solteiro é melhor" é uma tremenda arapuca. Os sertanejos dissipam umas ideias meio canalhas sobre isso. Acredito que se você disser algo que envolva a palavra "melhor", diga "melhor pra mim" ( o que ainda tem ressalva), dessa forma, você não generaliza nem envolve ninguém nas suas idéias e modos de ver a vida.
Eu não hesito em dizer que casamento quando tem compatibilidade e amor é uma forma muito eficiente de evoluir. Ninguém cresce ilhado ou convivendo só consigo mesmo, é um modo fácil, porém meio limitado de viver. Muitas espécies de animais já tem consciência de se unir a um parceiro, é como uma necessidade, mas também uma estratégia de sobrevivência, as baleias são o exemplo mais famoso. Daí quando vejo uns e outros falando em tom de agressão que casamento é uma porcaria, perda de tempo, prisão, não posso evitar de pensar que a primeira vista me pareçam menos evoluídos que as baleias. Posso dizer que vivi fases, acredito que as outras pessoas também vivam, algumas dessas fases duram mais do que outras, mas não significa que o aprendizado não venha.
Alguns mais antigos, num tempo em que casamento era o objetivo, não importando exatamente o quão compatíveis os noivos eram, não aceitam nem entendem muito bem aquela questão do sexo antes de casar ou como já ouvi "já se dá tudo, casar pra que?". Respeito total às crenças, casar é um aprendizado e algumas idéias sobre o sexo já levaram as pessoas a acharem que tal ato servia não só para uma comodidade de ter alguém que cuidasse de uma casa mas também para o bônus de ter sexo de graça, a hora e a tempo que se quisesse, o que na minha opinião é tão vil quanto ser solteiro e não procurar saber a importância de ter amor no ato sexual. Já li uma vez que casal casto não significa casal abstinente, mas aquele que se respeita enquanto pessoa, enquanto espírito e valoriza o que o outro pensa e sente.
No feminismo, casamento me parece um ponto muito contraditório. Se há igualdade tudo bem, mas em alguns pontos é como uma competição, se a mulher lava a louça, é opressão; se o marido prefere a comida dela do que a de um restaurante, é uma forma de forçá-la a cozinhar, as expressões "casar pra cuidar" é ofensa e machismo, o próprio conto da Cinderela já foi alvo. O baile é feito com o objetivo de achar uma noiva para o príncipe, o que para muitas é como tratar as mulheres como objeto. Porém, há um grande porém aí, o rei é que fazia maior questão e o príncipe também foi envolvido. Ele não parecia muito disposto, tanto que ele boceja, levanta os olhos meio como que dizendo: "que chato ficar aqui me inclinando pra tantas moças", ou seja, ele também não era muito a favor da idéia de se casar, pelo menos até ver a Cinderela.

Como se vê, casamento como objetivo não só atingia as mulheres em épocas mais "machistas", mas os homens também. A diferença era que os homens podiam ter liberdade para acrescentar mais coisas, as mulheres tinham só essa opção. Com os homens, eles estudavam, se formavam, e se não exercessem a profissão tinham a opção de ser padre, mas ainda que demorassem, a vida deles também desaguava num altar. Afinal, famílias tradicionais acreditavam que um homem de bem para ser completo necessitava de uma família, além do que casamento fazia com que se instalasse respeito e responsabilidade. Nem é preciso dizer que o que choveu de casais infelizes, sem compatibilidade e amor, em épocas mais antigas não foi brinquedo.
Eu pessoalmente gosto de casamentos, principalmente quando conheço os noivos e vejo que eles tem amor um pelo outro. Casar pra mim, em algumas épocas já foi meio como uma obsessão, foi um devaneio que mal chegou a pisar no chão, mas a pessoa com quem estava fazia questão de alimentar isso. Por isso, que eu não hesitava em pensar em plantas de casas, jantares, pesquisar receitas, imaginar enxovais, além é claro, de nos casamentos que ia ser a primeira a levantar na hora da noiva jogar o buquê e me gabar dos que já tinha pego.

Hoje, percebo que casamento é a carroça e seu aprendizado, vontade de aprender com o outro e maturidade pra conduzir isso são os bois, e é claro colocar a carroça diante dos bois tem possibilidades enormes de dar problema. Eu, atualmente, ainda tenho a vontade de subir ao altar, mas não a qualquer preço, nem mesmo dos jeitos como já vi. Quero algo meu, tipo casadinhos com imagens de animes e um vestido desenhado por mim, já que se o casamento pertence aos noivos, que eles possam ter liberdade pra colocar as coisas que gostem, mesmo que ao resto pareça estranho. Talvez seja pelo fato de não querer casar de qualquer jeito nem com qualquer pessoa que hoje já não corra pra pegar buquês, porque cá entre nós, eu trapaceio. Só percebi que era trapaça, quando a primeira vez deu certo, aí peguei o macete de como ter mais chances de pegar. Contudo, eu casar vai depender de achar uma pessoa que também queira e não de um buquê de uma mulher que já tem a sua pessoa.
E acima de tudo, casar é bom com alguém que se goste, que se tenha sintonia e compatibilidade. Alguém com quem você se disponha a ter paciência além daquela de posar para as fotos bonitas. Paciência para peidos, arrotos, manias estranhas, dias de mau humor ou quando a comida não está tão boa, porque só com ela é que se consegue passar pelos momentos chatos e se extrair o melhor dos momentos divertidos. Afinal, envelhecer com alguém é fácil, alguns envelhecem de tal maneira que anos chegam a ser roubados do outro, mas o melhor é ENVELHECER SORRINDO E RINDO com o outro, ou melhor dizendo, rejuvenescer com o outro.