terça-feira, 26 de agosto de 2014

O Ser Filho Único




Ser filho único gera muitas idéias no imaginário das pessoas. Normalmente, ser único é consequência de uma decisão dos pais, eles ou querem somente um ou adiam a decisão de ter mais e quando percebem não há mais tempo. Não é algo intencional, embora eles contribuam muito para a construção da personalidade dos filhos únicos.

Começa pela denominação, esse adjetivo "único"é meio centrado e individualista, talvez por esse mesmo motivo é que acreditam que somos mimados egoístas que não sabem dividir nada. Mais uma vez os pais entram em cena, podem não nos ensinar a dividir com irmão, mas com primo, amigo, colega. Quando crianças, há uma dificuldade maior, afinal, o território é só nosso e ver outra pessoa é sinônimo de invasão. Já adultos há o aprendizado de que não se é uma ilha, porém, filhos únicos tendem a ser um pouco mais introvertidos que as outras pessoas. É como murar um castelo, você está só, sem outro pra estabelecer um contraponto, daí prefere se proteger mais do que abrir totalmente suas defesas para algo.

Já ouvi que ser filho único é vantagem. Por não ter ninguém com quem dividir, tudo é seu. Todos os brinquedos, toda a atenção, todo o carinho, há a propensão a se tornar ciumento sob a ótica de proteger o que acha que se tem posse. Não só com pessoas mas com objetos também, o que é nosso ninguém tasca. Ainda que pareça legal ter todos os holofotes virados pra você, há uma contrapartida: as críticas também são só pra você, as cobranças e broncas idem. Os olhares se voltam, se está tirando boas notas, se arrumou os brinquedos, se se comportou adequadamente. Não há um irmão pra dividir a culpa ou pra ajudar com um ombro amigo, até mesmo pra defender e ficar junto. Ser filho único te obriga desde sempre a assumir suas culpas, afinal, não há mais ninguém pra quem olhar e supor que pode ser culpado. Você aprende isso mais rápido.
Além da responsabilidade precoce, os únicos aprendem a ter menos medo. Por dormirem sozinhos logo cedo, se condicionam a não temer o próprio quarto, pois sabem que não vai haver ninguém pra segurar a mão se tiver um pesadelo, não vai haver ninguém pra dizer que não há monstros embaixo da cama, daí como a gente está só e fica com vergonha de acordar os pais, escolhemos o caminho mais difícil que é não ter medo, por isso não tememos escuro, bichos papões ou babadocks no armário. Quando pequeno temos o hábito de nos apoiar mais nos pais e em quem está em volta, por isso a fama de mimados. Contudo, conforme a idade chega, já cansados dessa fama ruim, e as responsabilidades que se instalam, passamos a ser mais independentes, criamos um instinto de se virar e correr atrás. 

Ainda que a independência e a maneira de não esperar os outros se puder fazer logo as coisas venha, há um lado negativo: a possibilidade de ficar só está sempre presente. Filhos únicos permanecem com a espada da solidão pairando sobre suas cabeças, não solidão emocional, mas de companhia. Como fica um filho único que não se casa depois que seus pais se vão? Os outros tem irmãos, sobrinhos, almoços de domingo, filhos únicos não... Assim como a responsabilidade pelos pais na velhice também é deles. Eles aprendem a lidar com isso, muitos tornam-se mais amorosos e ótimos amigos, não necessariamente pelo medo da solidão mas porque se podem fazer alguém se sentir acolhido, o fazem. 

Ser filho único tem muitas vantagens e ao mesmo tempo desvantagens, cabe aos próprios únicos construir suas personalidades de modo a conviver o melhor possível com as pessoas ao redor.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Resenha Dia Cosplay


Quem olhava pra mim com aquele casaco de pikachu e batom vermelho nunca diria que eu estava saindo de um plantão em hospital de 12h, fora o fim de semana inteiro que passei. Confesso que estava muito ansiosa para este domingo, a idéia de ouvir cosplayers falando de suas "carreiras" me fascinava. Afinal, eu dou muito valor a começos.

Vivian Flourite

Victor Braun
Dos que iriam palestrar eu conhecia a Morganna Farat e o Victor Braun, embora a Vivian Flourite e a Priscilla Mequi me pareceram igualmente simpáticas e disponíveis. É muito engraçado e fascinante ouvir as histórias de quando eles, que pra mim parecem tão importantes, faziam tudo no improviso, com vestidos emprestados, materiais de qualidade baixa e perucas brilhosas de camelô. O que enfatizaram, contudo, não foram as falhas do início, mas como as melhoras foram se instalando.

Morganna Farat
Priscilla Mequi


















Além das experiências pessoais, houve muitas dicas sobre materiais. Ao meu ver ainda são um tabu, pois muitas vezes imaginei estruturas e acessórios, sabia a forma, a consistência que deviam ter, a finalidade, só não sabia como chegar até elas. Para nossa sorte há cosplayers mais experientes que compartilham os típicos "Modos de fazer" e onde encontrá-los. Sorte nossa que muitos desses materiais são de baixo custo e uma vez que saibamos manipular barateia muito o processo todo. A Priscilla deu a dica da massa acrílica e Morg disse: "Reciclar é bom, é ecológico e ainda ajuda o cosplay a ficar barato." Daí o que não faltou foram histórias da platéia falando de guarda roupas para espadas, pedaços de madeira achados no Ver-o-Pêso que viraram Firebolts, abridores de latinha que se transformaram em armaduras e roupas recicladas que baratearam (e muito) o cosplay. O meu de White, custou menos de R$ 60,00, algumas coisas eu já tinha, outras comprei e mais algumas com trabalho manual eu transformei.

Cosplayers palestrantes

As apresentações foram outro ponto muito importante e atraiu muitos olhares. Percebo, ainda que com pouca experiência, que muitos fazem cosplay porém são circulantes, tiram fotos, mas não fazem apresentações. O contrário também é verdadeiro, há aqueles que só vão para se apresentar e não aparecem antes. Eu já fui de cosplay pra andar e me apresentar no final do dia e ambos são incríveis. Um dos entraves para se apresentar seja a timidez, os cosplayers mencionaram isso, assim como nervossismo. Ao ser questionada sobre se apresentar, a  Vivian disse que são necessárias três palavras: "Cara de pau", talvez elas ajudem também quando as coisas não saem como planejado. Afinal, ás vezes os passos ensaiados travam na hora, o zíper não abre na hora de trocar de roupa, utensílios quebram. Ela lembrou que o importante é não perder a calma e continuar. Quando Victor se apresentou de Elsa, ficou tão bom que eu nem notei (ou sequer sabia) que algo tinha dado errado.

Público
Eles falaram sobre os concursos nacionais, as exigências, algumas situações pelas quais os cosplayers passam, seja constrangedoras, seja quando os fãs reconhecem. Victor mencionou que não é pelo prêmio, e eu devo concordar, acho que lá dentro a satisfação de ser visto, de estar lá em cima do palco, estar vestido como um personagem favorito e chegarem com você e olharem com aquele olhar de satisfação e admirado vale mais do que muito prêmio. E o mais surpreendente é que nós, os brasileiros, somos tri-campeões no mundial de cosplay, acredito que isso é a maior prova que estamos onde devemos estar. Afinal, num país onde faltam materiais, as perucas vem do outro lado do mundo, não há lojas especializadas e ainda olham torto, ter cosplays do nível que se vê mostra o quanto temos capacidade de melhora e que com esforço, muito é possível.
Master Ball é Para os Fracos, Cancerious e
Priscilla Mequi marcando presença

Foi um dia mágico, disso não tenho dúvida. Não posso negar que me apaixonei mais um tantão por esse hobby e é engraçado como quando você faz o primeiro, é como se se abrisse um portal pra uma dimensão infinita de idéias pra se fazer novos cosplays. Eu gostaria de agradecer aos cosplayers, a iniciativa elucidante e gostaria de dizer (pedir) que aguardo ansiosamente para o próximo encontro. XD

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Vídeo Make de Pokémon - Haunter


Eu estava devendo mais vídeos dessa série de pokémon. Devo dizer que não tive muito tempo e organização pra fazer mais vídeos, mudanças de mobília e até mesmo falta dela me fizeram deixar os tutoriais de lado, porém talvez não há nada que mais incomode do que aquela cobrança interna. Bem, este é o vídeo do Haunter, um pokémon fantasma que adoro, além dos psíquicos. Espero que gostem e continuem acompanhando ^^




terça-feira, 19 de agosto de 2014

Felicidade: o que é você?


Ser feliz é um tabu. Há pessoas diferentes no mundo e cada um tem sua própria concepção de felicidade. E essa variação fica mais evidente se for analisada a concepção de felicidade em diferentes fases da vida. Uma criança não fica feliz com as mesmas coisas que um adulto, embora tais coisas possuam chances de serem bem simples e singelas. Um brinquedo, um doce, uma pipoca fazem uma criança sorrir. Adultos ás vezes precisam de coisas maiores e a mais caras. Ou não.

O amadurecimento conta muito também. Ao passo que se enrraiza uma personalidade, certos prazeres tão efêmeros se vão. Alguns errôneos surgem na busca por uma felicidade mais sólida e concepções são adquiridas. Afinal, quanto mais velho, supõem-se que a felicidade se interiorize cada vez mais. É comum notar que crianças ficam felizes quando recebem brinquedos, jovens quando são populares e vão a festas, adultos quando tem um trabalho que renda muito dinheiro, mas muitos na velhice é que percebem, que não possuem mais energia para baladas, dinheiro por vezes é gasto em necessidades e muitas companhias já se foram, nesse momento, a felicidade é encontrada nas pequenas coisas.
O ser humano foi condicionado a colocar sua felicidade no exterior. Não é culpa dele no entanto. Há tantas coisas que o mundo de fora oferece, possibilidades que aumentam com melhor condição financeira, tentação material... O problema é quando se fica somente em função disso, pois aí nunca será suficiente. A comida boa nunca trará saciedade, as roupas mais bonitas nunca parecerão trazer beleza e todo o brilho de jóias ficará opaco.

Na busca por ela, há muitos que procuram múltiplas experiências de várias categorias na esperança de um preenchimento interno, mas ser feliz não é algo de fora pra dentro, mas o contrário. Uma vez colorido o interior, a luz se irradia para fora. É uma luz que salta dos olhos, espalha serenidade, é estar bem simplesmente por estar. Por estar respirando, por andar, por ver crianças no parque, é uma energia que imuniza contra sentimentos pesados e pode ser doada em grandes quantidades.
Essa luz, contudo, diferente do que pensam não é algo pré-determinado, não se nasce já com esse destino firmado e enraizado, por ser uma conquista íntima, ela é construída, um caminho, que por vezes tem baixas, mas muito enriquecedor para quem se dispõem a aprender sobre ele. Muitos conseguem depois de tempo e modificações. Talvez um dia todos nós possamos experimentar essa sensação de plenitude, aquela sensação de olhar o céu azul e as nuvens flutuando de um jeito tão bonito e só por isso dizer: Como sou feliz...

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A Moda Lolita e suas 1001 bonecas


A Moda Lolita nasceu no Japão em meados do fim da década de 70 e início da década de 80, tendo por inspiração a moda kawai (fofa) e modelitos de períodos antigos como o vitoriano. Aos poucos foi ganhando adeptos em todo o mundo assim como se subdividindo em vários estilos. Ele se caracteriza por vestidos rodados, anáguas, saias em forma de sino, acessórios delicados, sapatos de bico arredondado (boneca)... num simples conceito, são meninas e meninos que se vestem como bonecas.

Pode parecer simples falando assim, porém nos contatos que tive com Moda Lolita, o que inclui chás, presença nas salas características em eventos, amigas adeptas e partilhadoras de experiências e pesquisas para fazer "certo", posso dizer que não é algo tão singelo quanto parece. De uma forma geral, a moda tem regras básicas que precisam ser seguidas na hora de montar um outfit:

1. Anágua: Elemento que tem por função dar volume e forma a saia ou ao vestido
2. Saia: Muitas são em formato de sino, mas podem haver outros igualmente rodados
3. Vestidos: Podem ser compostos de uma única peça (One Piece) ou em um formato chamado JSK, que exige uma blusa (blouse) por baixo. Segundo ouvi de algumas fontes, Lolita não admite roupas sem manga
4. Blusa (blouse): Elas tem um formato específico, tem mangas bufantes, ou compridas. Apresentam babadinhos nas mangas e/ou na parte central.
5. Meias: O fio varia, porém aspecto grosseiro assim como meias cor de pele são vistos com maus olhos. Muitas são características com desenhos e rendas
6. Bloomer: É como um short, mas tem babados pra se usar por debaixo da saia
7. Acessórios: Principalmente acessórios de cabeça como laços e tiaras. Bolsas são bem características também, algumas com formato de coração, bichinhos ou doces, todas delicadas. Maquiagem também é básica.

Talvez pela descrição dos elementos, já se nota que não é só pegar a primeira saia e blusa babada que vir no armário. Meu primeiro outfit Lolita foi meio de armário  não foi legal. Na prática, o chá é mais forte do que isso. Uma saia rodada, em formato de sino e com estampa característica sem anágua é olhada torto; um vestido, mesmo o mais lindo compatível com um subestilo sem manga é criticado ferozmente, o subestilo Sailor (marinheiro), o qual me identifico possibilita falta de mangas frente a gola específica dos uniformes, mas nem assim esses vestidos se livram da língua ferina; os sapatos precisam ser bem redondos, então mesmo algumas Melissas e sapatos de colegiais são violentamente rechaçados e definitivamente a questão das brands (marcas) é um tabu. Uma vez que a mais famosa no meio é a bodyline, em certos círculos há a crença de que quem não usa bodyline é fajuta. Considerando o fato de que no país de origem da moda essa marca é sinônimo de ralé, acho uma bobagem nós, humildes brasileiras, hostilizarmos umas às outras por causa disso. Afinal, enfatizam tanto que Lolita não é cosplay, porém o julgamento está equivalendo ao feito em concursos.
Algumas das maiores referências em Moda Lolita no país sempre postam em seus blogs seus outfits. Depois de ver uns 50 diferentes, pelo menos pra mim, consegue se perceber mil e uma possibilidades e não necessariamente seguindo toda a rigidez de regras que é pintada em certos casos. Coisas tipo: não ao preto e branco, saias com comprimentos friamente calculados, acessório assim-assado não pode. Minha favorita é a Karine, do Subarashii Lolydays, ela tem algo de diferente, ela mais do que tudo Convence sem estar cheia de babados e estampas de doces. Usa bodyline, mas valoriza cada subestilo e marcas nacionais, acessórios simples, mostra que mesmo um sapato "normal" pode compor um lindo outfit Lolita e ainda que de calça jeans ela consegue fazer um boystile. Ela alcançou o cerne da palavra "estilo" e mostra como incorpora isso no dia a dia.

Acredito que a concepção dessa palavra tal como "moda" é essa.. É uma base, um rascunho, há um ponto de partida e você o desenvolve Á PARTIR disso de acordo com as ocasiões e locais. Não importa a marca, se está seguindo a base, não há problema e tão pouco necessidade de criá-los. O que vejo, contudo e embora hajam muitas dispostas a ajudar, é em muitas vezes bancadas duramente armadas pela qual você precisa passar pra obtenção do título "Lolita". Certas situações complicam tanto que a própria Coco Channel se requisitada para fazer um vestido Lolita, enlouqueceria com as divergências e o "Pode", "Não pode", "Onde já se viu?". Imagino-me como alguém de fora que olha e se identifica, se interessa e quer entrar no estilo, ao ouvir tanta confusão, muitas vezes prefere continuar fora.

Em suma, brigas e divergências, tão ferinas pra não dizer ofensivas, só constroem uma barreira pra quem gostaria de adotar o estilo. Começa pelo fato de a própria palavra "Lolita" já está no imaginário como a garota jovem do Nabokov, então sempre que se ouve já remetem a ela. Não posso julgar o mundo, uma vez que essa lolita encanta e tem uma grande fama, pois cerca de 80% do mundo liga lolita ao Nabokov, as meninas adeptas a MODA LOLITA devem ter a paciência de elucidar as pessoas e dizerem que nada tem a ver, o problema é que basta citarem a Loli russa que as doces bonecas viram feras e muitas partem pra cima. Ás vezes não mostram muita tolerância com erros e por vezes adquirem a delicadeza de uma dama viking.

Moda Lolita é muito linda. Eu pessoalmente acho incrível e recomendo se ter algumas roupas do estilo no armário. Caso queira entrar de cabeça, tiver condições e ambientes pra usar, vá fundo. Converse, se informe, há muitas Lolitas que são bem acessíveis e se dispõem a ajudar quem está começando. Eu adoro o estilo sailor, mas por falta de tempo de mandar fazer um vestido e outras necessidades, acabei não fazendo, porém pretendo ter alguns vestidos e sair por aí balançando minha saia...

P.S: Antes que possam dizer que só estou "empolgada" ou simplesmente criticando de graça, aqui estão as fontes que consultei (e consulto) para fazer este post:
http://mysubarashiilolidays.blogspot.com.br
http://kawaiikei.blogspot.com.br
http://reinodemorango.blogspot.com.br/

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Adultos chatos x Adultos divertidos










"Quando eu era criança, brincava de ser adulta, depois que cresci vi que não tinha graça nenhuma."
Ser adulto tem seu lado bom. Trabalhar, ter dinheiro pra comprar o que quiser são algumas vantagens. O maior contra, no entanto, diz respeito a cobrança relacionada a idade, quanto mais idade, mais olhares críticos e julgamentos. Contudo o modo como você lida com isso faz toda a diferença e pode ser determinante para o tipo de adulto que virá a ser.

Não raro eu converso com pessoas da minha idade ou um pouco mais velhos e não precisa muito. Uns cinco minutos de conversa e já se sente um cansaço enorme, o papo pesa, o tom é desagradável e vem a fatídica constatação: é um adulto chato. Ser um adulto assim vai muito além de papo chato e condutas arrogantes. Envolve como a pessoa encara a vida, quase sempre envolve pessimismos, determinadas atitudes que enfatizam o pior lado de tudo. Eles não entendem muito bem o significado de "lado otimista da vida", para muitos o ser gentil é igual a ser besta, portanto não há ações boas simplesmente por ser boas e por aí vai. São pessoas que criticam em demasia, procuram para questionar e parecem, em muitos casos carrancudas e sérias. Não transparecem muito o que sentem, não se sabe nada sobre elas, sobre o que fazem, o que as faz sorrir, sobre gostos, preferências, coisas leves de forma pura e simples.

Fácil de reconhecer. Adultos chatos são tão duros com a realidade que muitos por exemplo, gostam de assistir as mesmas tragédias em jornais de três canais diferentes, ou como já vi, feministas tão radicais que ficam procurando apologia ao estupro em comerciais de batatas, alguns tem uma praticidade quase obsessiva e perguntam o por que do óbvio, são adultos que não gostam nem ao menos de algo leve, eu não me importo com condutas chatas ou pela fascinação de muitos por ver crimes na televisão, eu prefiro Chaves e troco pro desenho toda vez que posso.

Adultos divertidos são acessíveis. Não necessariamente gostando de programas de humor, ou vivem gargalhando, embora essa seja uma característica bem clara em muitos. O mais evidente neles é... o espírito. São pessoas que sorriem, falam "bom dia" do momento que saem de casa até a hora que retornam, Sabem que há coisas ruins no mundo, porém não permitem que isso empeste seu humor e jeito. Do mesmo jeito que um ambiente com um adulto chato pesa, o contrário ocorre com um adulto divertido. Pode ser o lugar mais difícil, que há uma energia diferente, algo que dá ânimo. Conheço hospitais que se tornam mais humanos e leves quando adultos divertidos trabalham neles, a equipe se anima de certo modo ainda que tudo seja encarado de forma séria.
Noto o quanto adultos divertidos retratam em seus rostos a própria felicidade. Aquele jeitinho de sorrir, de passar pelas situações sem abatimento, visão otimista. Se adulto e otimista, no fundo, é uma necessidade, embora muitos considerem escolha. É uma necessidade porque ser divertido com responsabilidade possibilita maior habilidade com as pessoas, com as dificuldades. É aquele jeitinho de ver algo bom mesmo em situações difíceis, mesmo que haja choro ou raiva, o adulto divertido pensa e não se deixa abalar.

Não raro esses adultos aparentam juventude. Como se não bastasse a jovialidade no jeito de conduzir a vida, isso se estende ao rosto, a postura física,  algo de pele que se pode tocar. Vejo pessoas de 30 anos sendo caracterizadas como tendo 20. Ser divertido, sorrir, ser leve é a melhor fonte da juventude. Tenho uma teoria que adultos chatos tem grande probabilidade de se tornarem idosos in-su-por-tá-veis.

Na vida não é tudo que me enche os olhos. Poucas coisas realmente penetram meu coração com a força de uma britadeira, aprendi que não se pode cobiçar ou invejar a vida de ninguém, porém me sinto feliz de constatar que as vidas que admiro e tomo por bom exemplo são vidas de adultos divertidos. Aquele adulto que pode até trabalhar em três empregos mas tem uma família bonita, viaja, vai caracterizado para filmes no cinema, se apresenta de cosplay, faz mechas coloridas no cabelo e de quebra vive rindo.

Esse retrato de felicidade que os adultos divertidos mostram. É este retrato que muitos buscam emoldurar e ser divertido pode ser um caminho para tal.


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Agosto: mês da desinfelicidade



Dizem que agosto é mês de desgosto. Infelicidade é não estar feliz, portanto desinfelicidade é não estar infeliz. Hoje posso dizer que meu mês de agosto/2014 está sendo bem feliz. Feliz porque finalmente compreendi o que é felicidade e o segredo para tê-la a maior parte do tempo. Provavelmente este será o post mais pessoal nestes dois anos e pouco de Cancerious. Até sugiro que seria uma boa idéia assistirem o video que fiz falando do início do blog.

Há um ano atrás, o blog teve um novo boom. Parecia contraditório uma vez que eu estava em pedaços. Talvez o pior do ser humano seja a perda de sonhos, porém pior do que essa seja a de perceber que não consegue criar novos. Eu estava nesse estado. Era um limbo emocional, ao passo de se querer sair de uma tristeza e ao mesmo tempo se afundar cada vez mais nela.

É algo difícil de lidar, uma vez que não se é uma ilha. Existe todo um meio, incluindo trabalho, casa, amigos além de seus conflitos internos que já parecem pesar demais. Como esconder algo que sobe aos seus olhos contra sua vontade? Como aguentar o corpo reclamando e querer parar ainda que seja impossível? Como apagar lembranças presentes de algo que já se foi?

Escuridão mas lá no fundo esperança
Ao tentar responder essas perguntas, o blog me pareceu um ponto de apoio, além de distrair um pouco. Gradativamente, passou da distração a alguns desabafos, mesmo que dissolvidos em alguns posts. E algo dentro de mim se sentia bem de ver que as pessoas de ver que as pessoas se identificavam com algumas das minhas idéias.

As pessoas que estavam a minha volta foram muito boas comigo. E preciso ressaltar que algumas não tinham obrigação de me ouvir, como o mundo não tem, afinal eu tinha muito pra falar e desabafar. Não somente da tristeza em si mas das expectativa, ainda que poucas e surreais.

E nesses momentos de desabafo que se repetiam, quase sempre acompanhados de lágrimas e muito pesar, fui aprendendo mais sobre as pessoas que conviviam comigo e também sobre mim mesma. Cada um tem uma capacidade como ouvinte, dão o que possuem ainda que possam se acrescentar, quem me ouvia de o que pode e sou grata por isso. Contudo pra mim, que não entendia muita coisa, naquela hora era preciso mais.

Rebirth
A primeira coisa que aprendi foi a não colocar nosso sonho em outra pessoa. Digo, dar totalmente isso na mão do outro, pois o sonho começa em nós e cabe a nós dispormos esforço pra sua realização. É algo tão pessoal e importante que mesmo compatível é necessário individualidade. A pessoa se vai e leva com ela o que você colocou em suas mãos, é como roubar um pedaço seu, é como ser preparado como um porco pro abate: o sonho é alimentado por anos a fio e sangrado ao final, você sabe que vai morrar mas continua alimentando mesmo assim.

Após aprender sobre essa concepção de sonho, percebi que as pessoas nem sempre entendem a dimensão do que o sofrimento por isso traz. O sofrimento é um hóspede indesejável, mesmo que ele ajude no aprendizado, diferente do amor e da dor, ele invade sua porta e se abanca com as bagagens sem que você tenha tempo de dizer nada. E como um hóspede abusado, você leva um tempo pra botá-lo pra fora. Esse tempo não é pré-determinado, vai de cada um, as pessoas em volta não entendem muito bem essa demora. Alguns compreendem melhor quando o sofrimento invade suas próprias portas.
Far over the mountain misty cold

Vendo as pessoas, aprendi a lidar com meu sofrimento e a ser um pouco egoísta com ele. Se o sofrimento é meu, sou eu que tenho que lidar assim como botá-lo pra fora. Quem tem ouvidos pra dar, que bom; quem tem escuta limitada, lide com isso, permaneça assim ou se incremente. Com esse pensamento, tomei as coisas nas minhas mãos e aprendi a ser solidária com o sofrimento dos outros. Pode parecer arrogante da minha parte, porém como ignorar o olhar das pessoas? Aquele olhar de desdém através da tela do computador? É aquele olhar que você não vê, mas sabe que está ali no rosto das pessoas. Como negar o fato de me chamarem de carente, grudenta, lesa...?

Tudo pelo fato de que eu ainda não havia aprendido a lidar com certas coisas nem conseguia ainda expulsar meu hóspede indesejável. Como conviver com o fato de que me olhavam com comiseração e pena? Tal qual uma mendiga ao receber uma esmola não caridosa, era como se fizessem um grande favor ao me escutar. É difícil admitir que alguéns (e alguém) olhavam dessa forma. E julgavam um fardo me ouvir, me notar, conviver. Isso se perdurou por quatro meses a fio, até que depois de muita insistência da minha parte, offlines sucessivos, diretas de "Você é carente", "Procure ajuda", "Estou cansando de você" e uma patada definitiva, eu reagi. E a frase chave foi: "Posso não ser muito segura, mas tudo que eu não sou é uma coisa mixa".

O primeiro vídeo de maquiagem
Coisa mixa. Tudo o que eu não queria me tornar. Uns chamam de vergonha na cara, eu chamei de aprendizado. Lembro-me como se fosse hoje. Eu havia reunido cacos após palavras ferinas, porém quem deu um up de ajuda foi minha equipe de trabalho. Algo incomum: mal cheguei e disseram: "Por que não está maquiada? Você é nossa inspiração" (eu já fazia vídeos de maquiagem na época), me ofereceram produtos, pediram pra eu maquiar, trançaram meus cabelos e eu me senti refeita, não era somente carência que eu tinha pra oferecer afinal. Ainda que um pedido de desculpas tenha vindo depois, certos buracos não podem ser tapados somente com uma pá de terra.

Comecei então a retomar sonhos que ficaram perdidos, o novembro iniciara ainda que a passos de bebê. Fui numa academia de kung fu assistir uma aula, comprei um bolo delicioso nesse dia, pensei em coisas para curto, médio e longo prazo, coisas que queria tanto, mas que deixei pra trás frente a questionamentos como "para que?", "por que?", "você vai usar?". Aos poucos uma vontade foi crescendo: a de andar. E andei, andei e uma hora acabei voando.

Aqui tudo rebirthou
Em dezembro, eu fiquei livre. Como ainda não tinha ficado. No Anime Geek, com o Wendell, com o Rai, com o Thiago Andrade, ao conhecer meu colega Cássio, ao cantar a abertura de Dragon Ball GT no ônibus e ver os enfeites de Natal brilhando tanto, me senti plena. E meu dezembro, me trouxe presentes e um presentão mesmo antes do sia 25. Passei a noite num hospital trabalhando, mas fiz questão de ligar pro meu irmão Miguel e dizer: "Amigo, to livre! Finalmente livre!"

Os posts no blog sobre o evento refletiam essa liberdade. E ao me deparar com um jovem de cabelos verdes, pouco depois isso se consumou completamente. Mesmo que tenha passado por tanto, senti como é ser livre, plena, ter total sensação de planos e projetos como há muito não tinha. E ainda que esse hóspede tenha ficado abancado tanto tempo, eu mudei e adquiri concepções que antes não tinha, em todos os sentidos, devo dizer. Fiquei mais próxima de Deus, me abri e passei a levar a sério os conceitos que me passaram a ser ensinados e mais do que isso, passei a praticá-lo de forma ativa. Procurei melhorar no trabalho, estudar mais, correr atrás. Dou mais crédito às pessoas, não coloco mais minha vida e meu destino nas mãos do João Bidu, na Astral, nas frases de futuro do jornal, em superstições, aprendi o quanto nós e Deus somos responsáveis por nós mesmos, o quanto nossas escolhas e pensamentos podem repercutir.

Nos projetos pessoais já retomados e documentados, passei a procurar formas de realizá-los e em pouco tempo já realizei dois. Adquiri responsabilidade, maturidade, percepção e capacidade pra lidar com problemas, as palavras negativas já não me atingem tanto, já fui posta a prova. E coincidência ou não, também foi em dezembro.

O segundo boom do Cancerious foi nessa época, da mesma forma como pretendo incrementar o blog cada vez mais, não posso negar que todo o processo que vivi contribui para minha formação como pessoa e para um blog que é puramente o que sou, obviamente contribuiu para ele também. Deixo meus sinceros agradecimentos a todos que ajudaram e contribuiram, e ainda contribuem para este blog, seja comentando ou mesmo cobrando mais posts. Sou extremamente grata!