quinta-feira, 22 de junho de 2023

Pinóquio de Del Toro: Não é apenas mais um pinóquio


Pinóquio de Del Toro entrou pra história. Não apenas por ter desbancado a Disney no Oscar mas o próprio Pinóquio. Não é algo que se possa ignorar. A própria história tem algo de muito peculiar, ela se inicia de forma diferente, de forma que já é um soco no estômago para os que a vêem, ali já prova que não veio com o intuito inocente de mero entreterimento, é até pertinente dizer que talvez não tenha vindo sequer com objetivo de ser para crianças.

Vê-se Gepetto como o conhecemos, um velhinho de barba, com uma áurea fofa e doce, tal qual muitos velhinhos que se conhece. Todavia o diferencial aqui é que a narração se inicia com o próprio grilo falante, nomeado de Sebastião. Incrível pensar que ele assume uma energia intelectual, de um narrador analítico que ao ver os fatos de fora, assume uma postura mais séria, no filme de Del Toro ele é um romancista, alguém buscando um local para escrever sua obra e encontra o pequeno local onde Gepetto mora. Algo de muito inusitado começa a ser contado com relação ao artesão. 

Não se pode negar que Del Toro tem sua peculiaridade. A Forma da Água e O Labirinto do Fauno demonstraram que existe algo de muito profundo nas mensagens do diretor, algo de muito misterioso mas que ao mesmo tempo causa-nos um conforto, todavia sempre há um ponto convergente em suas obras e nestas três em particular é a guerra. Muitos filmes que são versões diferentes de outros outrora lançados acabm vindo para esclarecer pontos
obscuros e dúvidas persistentes por anos a fio, aqui fica claro esse lado paterno de Gepetto e o porquê é tão aflorado. Segundo o início, antes de Pinóquio ser construído, Gepetto tinha um filho. De nome Carlo, o menino havia falecido com 10 anos de idade e levado junto com ele também a vida de seu pai, viviam sempre juntos, se amavam, nada faltava a eles por mais simples que fossem suas vidas.

Para uma primeira cena repleta de emoção, canções e ternura entre um pai e um filho com desfecho trágico por conta de uma bomba lançada de um avião, já é o bastante para levar os mais endurecidos às lágrimas, ali já se percebe que os corações mais sensíveis sentirão o quão forte esse bonequiho de madeira bate. A solidão de Gepetto em determinados momentos é palpável, aliás o filme inteiro toca em temas tão profundos que os adultos são justamente os que sentem mais porque já passaram por muitas coisas, muitas experiências, logo há uma compatibilidade com Gepetto.

Interessante perceber que por mais que o gráfico e os bonequinhos sejam fofos, tudo ali é de uma humanidade visceral. Quando se narra sobre os sentimentos de Gepetto, logo se percebe duas coisas : luto e depressão. O luto é mais familiar dos adultos, embora crianças possam sofrer perdas, os adultos devido tempo de existência tem mais probabilidade de vivenciar essa separação, no caso mostrado no filme é uma separação de pai e filho, o que torna tudo mais doloroso. O luto é um processo, todavia por mais que ele tenha uma fase final, não significa que a ausência deixe de ser sentida. Com nosso artesão, vemos um luto que perdurou, estacionou na fase da dor, levando a uma depressão profunda. Todas as pessoas da vila de Gepetto conheciam ele e seu filho Carlo, conheciam-nos, cumprimentavam e achavam o menino muito doce, contudo quando Sebastião menciona o período em que Gepetto está vivenciando a dor, ele diz que ele “trabalhava pouco e comia menos ainda”, ou seja, uma depressão profunda assolou a vida do velhinho que ele mal conseguia fazer as atividades ditas básicas. A velha história de que o mundo seguiu em frente mas ele não. Percebe-se isso também no modo como as próprias pessoas de sua vila passam a encará-lo. Com a depressão, o trabalho ausente, Gepetto foi de “ciddadão italiano exemplar”, “ótimo pai” e “talentoso” a “bêbado” de forma bem rápida, demonstrando que se o próprio indivídio tem dificuldades de lidar com depressão e luto, o mundo em volta talvez tenha mais ainda.

E a partir de uma noite na qual Sebastião chega na velha casa, Gepetto tem talvez a mudança de fase do luto, em um acesso de raiva acha que pode trazer seu filho Carlo de volta na forma de um boneco de madeira. A esse pequeno boneco é dada a vida para que possa encher os dias de Gepetto de luz e aplacar sua solidão. Contudo, não seria algo tão
simples, se fosse não seria Del Toro. Exite uma adaptação, afinal, Pinocchio é um menino imperfeito e Gepetto reluta em aceitar tamanha indisciplina proveninete de seu novo “filho”. O próprio Sebastião menciona que existem pais imperfeitos e filhos imperfeitos, mas se houver uma análise da história, a busca frenética de Pinocchio em busca de se tornar “um menino de verdade” seja em que versão for, é apenas um detalhe, pois em termos de atitudes, aprendizado, sentimentos para com amigos e família, Pinocchio já é um menino de verdade, esculpido no pinheiro da mais pura humanidade e suas falhas vãs.

E o ponto da humanidade de Pinocchio não se dá apenas na indisciplina de não ir a escola, desviar seu caminho para ser uma estrela de circo ou mentir, se dá também na questão da própria morte, que de um modo até torturante está presente do início ao fim. Pinocchio é um boneco de madeira, logo de uma modo lógico, a vida lhe foi dada, ele não nasceu propriamente dizendo, logo sua morte tão pouco é literal, o que faz com que ele assim como as árvores centenárias que se conhece, viva longos períodos e se “morto” tende a voltar assim como galhos e mudas novas crescem novamente. Ele não percebe o quão cruel isso pode ser a longo prazo e até fica empolgado com a ideia de “imortalidade”, até que a própria personificação da morte diz que justamente o que torna a vida humana tão bonita é justamente o fato de que cada momento pode ser o último e uma vida pode trazer sofrimento, mas uma vida eterna pode trazer um sofrimento eterno. Ali se tem um breve lampejo do conto original e da busca de Pinóquio em busca de ser “um menino de verdade”.

Muito embora as outras versões de Pinóquio girem em torno dele se tornar de carne e osso, aqui tudo é mais metafórico e ao mesmo tempo literal. Ele pode nunca sentir as sensações fisicas que um ser humano, todavia em termos emocionais e morais, existem todas as arestas tão tipicamente humanas. E a medida que Pinóquio vira “de verdade” até mesmo sua madeira fica mais vulnerável, com mais fragilidade. Na altura na qual ele é mandado para o chamado campo dos meninos rebeldes, pode-se considerar tão de verdade que sua percepção está mais nítida, já tendo passado pela exploração do circo, visto a maldade, ele já consegue perceber muito bem onde e que momento vive. Como dito, a guerra é algo presente nos filmes de Del Toro, e quase sempre as figuras vilãs tem uma repulsa, uma energia tão vil e torpe que são facilmente odiadas, Pinóquio e os outros meninos orientados por uma dessas figuras começam a não apenas entender mas vivenciar a guerra, algo que uma criança vendo o filme pode não entender mas um adulto vendo, sente um aperto de pensar o quanto crianças tão novas eram inseridas nesse meio sem nem ao menos terem altura ou idade, tudo sob alegações falsas de responsabilidade com pátria e outras.

No mais tardar, muito da história se repete, a baleia, o salvamento e o final “feliz” entre mil aspas. Pinóquio não tem um final dito cheio de canções e fofo como talvez se esteja habituado a ver em desenhos, todavia um final reflexivo e possível considerando toda a prerrogativa a qual a história se propõe. O filme trata de perdas, logo no início já se percebe isso, perda de inocência, perda de percepções em nome de outras, perda de pessoas... e do quanto essas perdas fazem parte de nós e como devemos, ainda que não nos seja agradável, aprender a carregá-las. Literalmente se termina com todos os canais emocionais abertos e tal como Pinóquio, com a sensação de que é de fato isso que nos torna “de verdade”.


segunda-feira, 12 de junho de 2023

Nem sempre é um "Eu te amo"

 

Chegamos ao dia dos namorados de 2023! Curiosamente, em todo o resto do mundo se comemora o Dia de São Valentim que meio que engloba amor e amizade, tanto entre namorados de fato, quanto entre família e amigos, aqui no Brasil é que há um dia unicamente voltado ao amor e namoro. Embora seja dito que é mais uma data comercial, pessoalmente creio na teoria de que é pra combinar com o dia de Santo Antônio, comemorado dia 13, afinal parece lógico que num dia seja comemorado o dia dos namorados e no outro haja ode ao santo que pode levar o namoro a um casamento. 

Deixando contudo a questão dos presentes de lado, sugere-se que o Dia dos Namorados seja acima de tudo uma data para celebrar amor. O amor entre duas pessoas, independente da opção sexual, que se dispõem a ficar juntas. Se for parar pra pensar de forma fria, é algo bem inusitado, pois um indivíduo de forma totalmente voluntária fica com outro que é totalmente diferente, com costumes diferentes, percepções diferentes e com toda certeza uma história diferente e desconhecida até o momento em que ambos se encontram. E todas essas diferenças vão se cruzar na construção de um caminho comum, não fundido, pois ambos continuam sendo indivíduos distintos embora algumas correntes tentem convencer que você perde sua individualidade ao se relacionar, mas comum. Caminhos paralelos, com compatibilidades porém ainda assim distintos. Não parece algo fácil, como de fato não o é, demanda esforço, compreensaão e amor. 

Amor esse que nem sempre é demonstrado com palavras literais. Sempre se escuta que essas palavras são algo muito sério de se dizer e de se ouvir, então nunca deviam ser ditas levianamente, só que falar nada é se não vier acompanhado de boas demonstrações, de uma parte prática de fato e em muitos casos a literalidade do "Eu te amo" é substituida por outras palavras carregadas do sentimento e da carga de emoção que esse sentimento causa. Então, nem sempre é um "Eu te amo" mas sempre amor.


1. "Mas agora sabem que existiu um homem chamado Jack Dawson e que ele me salvou de todas as formas que alguém pode ser salva, e eu não tenho um retrato dele, agora ele existe apenas na minha memória"- Rose e Jack, Titanic

Não se precisa dizer que Titanic é figura carimbada nos fins de semana dos namorados. A história de Rose, a menina rica e Jack, o rapaz pobre que passam pela tragédia do naufrágio do navio de luxo completou seus 25 anos e continua despertando suspiros. Eles não dizem Eu te amo, apenas no momento final, quando estão congelando no oceano lutando pra sobreviver, mas considerando todo o percurso até ali, desde o momento em que Jack salva Rose de se suicidar, a percepção dela de que precisava se libertar da gaiola dourada na qual vivia e que Jack a auxiliou com isso tudo denota que havia amor ali. Pode-se questionar como amor nasce em tão pouco tempo, todavia os gestos de amor foram inegáveis e que influenciaram em toda a vida de Rose e mudaram o curso de sua história fazendo dela alguém melhor.

2. "Não tinha acabado, ainda não acabou!" - Noah e Allie, Diário de uma paixão

Outro filme hino das tardes de dia dos namorados é Diário de Uma Paixão. A história do amor cheio de reveses de Noah e Allie, da separação quando jovens, problemas ao longo do caminho até o reencontro e famoso beijo na chuva, que sela um amor de vida inteira arranca admiração até dos corações mais duros. Eles eram literais no sentido das palavras, afinal, se conheceram jovens, os arroubos da juventude sempre fazem com que se fale Eu te Amo na presença do sentimento mais forte, todavia passada a juventude dos dois e vindo o início da vida adulta e outros pontos a se lidar, as demonstrações e atitude passam a valer mais. E que demonstração mais pura do que Noah permanecer ao lado de Alli mesmo quando ela sequer se lembrava dele ou de sua família? Repetir uma rotina de ler um diário para que pudessem ter mínimos momentos juntos de amor e reconhecimento, isso sim é demonstração de mais do que amor, de carinho, cuidado e consideração por uma vida em comunhão.

3. "Você não quis pular o muro" "Não, George, não quis pular o muro" - Rainha Charlotte e George

Não é fácil pensar que você vai passar o resto da sua vida com alguém que está conhecendo no momento do casamento. Assim foi com Charlotte e George, ela ficava muito brava porque absolutamente ninguém falava sobre ele, a mínima informação sequer sobre sua aparência e Charlotte detestava ficar no escuro. Ao tentar fugir do casamento pediu ajuda justamente para seu noivo "desconhecido", que prontamente se apresentou e numa rápida descrição disse como era, deixando-a livre pra decidir se queria prosseguir com o casamento ou não. Ela escolheu o sim. Ao longo das vidas deles houveram obstáculos, George sofria de uma doença que o fazia ficar instável e com medo de machucar sua esposa, mas ela tirou de letra e conseguiu compreende-lo, lidar com sua instabilidade mesmo que pra isso fosse preciso entrar um pouco em seu surto. George confessa que sempre a amou e desse modo viveram a vida inteira, tiveram 15 bebês (15!) e governaram, de modo que um simples muro foi decisivo pra isso.

3. "Ainda vai me amar amanhã de manhã?" "Para todo sempre" - Danna e Michael, Click

O trabalho sempre acabava vencendo quando era colocado lado a lado com a família de Michael. Até que um dia Danna se cansa e eles se separam, o controle mágico dele começa a mostrar que avançar pra ter sucesso rapidamente também pode acarretar em grandes perdas. E nos momentos finais dele quando ele percebe que perdeu sua vida, momentos com os filhos e o amor da esposa a quem ainda amava mesmo ela tendo refeito a vida, vem o arrependimento mas também a lembrança de que ele nunca deixou o sentimento de lado. A frase denota isso, a mesma que eles disseram no primeiro encontro e no último momento de Michael, fica a lição do quão doloroso pode ser. Todavia por sorte ele recebe uma segunda chance de poder viver sua vida de forma diferente, mas fica a lição de que o mesmo não se aplica a todos.


4. "Lua da minha vida" "Meu Sol e Estrelas" - Daenerys e Drogo, Game of Thrones

Sempre vai existir a polêmica de que ela tinha 13 anos quando se casou e tudo o mais, de que houve abuso, afinal o cara era um bárbaro guerreiro, mas na série é mostrado que havia afeto entre eles. Ou passou a haver. Curiosamente, na língua Dothraki não existem certas palavras ou expressões, Eu Te amo é uma delas, a máxima de afeto e afeição que se pode demonstrar é quando você chama o outro de "lua" ou "sol e estrelas", se formos parar pra pensar é como colocar o outro como um centro em sua vida, uma vez que não se vive sem lua, sem estrelas e sem sol.

5. "Prefiro passar uma vida mortal com você do que enfrentar todas as eras do mundo sozinha" - Arwen e Aragorn, Senhor dos Anéis

Abdicar de algo seu em nome de viver um amor com o outro é uma demonstração sublime de amor. Arwen era imortal, ela poderia viver pra sempre na paz, tranquilidade das terras imortais, contudo seu amor por Aragorn foi mais forte, tão forte a ponto de que a própria vida élfica a estava deixando, uma vez que ela escolhera ficar com ele e tornar-se mortal. É a legítima demonstração de que você quando quer acompanhar alguém, não se importa de abdicar de certas coisas, Arwen demonstrou isso e nunca disse sequer um Eu te Amo pra Aragorn.

6. "Nos meus sonhos estamos sempre juntos" - Lagertha e Ragnar, Vinkings

Eles são um exemplo de muitas coisas e de como um casal deve funcionar. Eles lutavam juntos sem aquela atitude piegas de querer proteger um ao outro por crer em fragilidade. Eles tinham seus momentos íntimos, cuidavam da casa e da fazenda, dos filhos e mesmo quando se separaram foi porque Lagertha não aceitou desrespeito, e nos reencontros havia respeito e consideração. Nunca o amor deixou de estar ali, mas as frases ditas entre eles nunca envolveu Eu te Amo, mas metáforas, entrelinhas e a maior delas era que mesmo em sonhos eles estavam unidos, não a toa que no momento da morte de Lagertha ela diz que sentará com seu "amado Ragnar" e no momento de seu funaral é mostrado o reencontro.

7. "Eu quero que seja muito, muito feliz. Eu te amo, Matt. Você é meu melhor amigo" - Jenna e Matt, De Repente 30

A velha história de pessoas que são amigas mas não apenas amigas. É algo muito significativo perceber que o amor desses dois começou quando eram crianças, mas perdurou. Sempre sobre esse manto de serem melhores amigos, demorou para as palavras literais mas os pequenos momentos de brincadeiras, de sorrisos, de cooperação davam a entender o quão amor e principalmente companheirismo estava presente ali. E Jenna, quando pensa que seu amor estava perdido, diz que ele é seu melhor amigo e deseja felicidades, sorte que ela recebe uma segunda chance de fazer as coisas certas.

8. "Não entende? Cada passo que dei na vida desde que nos vimos naquela ponte foi para poder me aproximar do senhor" - Sayuri e Presidente, Memórias de uma Gueixa

Aparentemente, amores que perduram por décadas são fórmula certa pra suspiros. Sayuri era uma menina quando conheceu o Presidente, através de uma gentileza que ele fez a ela. A partir dali vendo-o com gueixas elegantes na ponte, deciciu que um dia seria uma delas e o encontraria novamente. O Presidente também se encantara com a menina e ao reencontrá-la quando tinha 15 anos propiciou que ela pudesse ter seus estudos de gueixa, daí ela se tornou um sucesso e mesmo com percalços eles puderam finalmente ficar juntos.


9. "Cadê sua bagagem?" "Deixei pra trás" - Rosie e Alex, Simplesmente acontece

Amigos e depois apaixonados. Passaram pelos percalços da adolescência, amores não correspondidos, traições, mudanças de carreira, construção de vida... Inicialmente separados, mas depois foram se encontrando e se ajustando. Cada um teve seus relacionamentos, suas vivências até que Rosie depois de crer que perdeu Alex pra sempre e tendo também se separado decide focar em seu sonho, e quão não é sua surpresa quando ele aparece dizendo que deixou tudo pra trás decidido a construir algo ali, a partir do zero. Eles eram amigos mas sempre houve um amor ali, e que nunca poderia ser forte se eles não tivessem passado pelo que passaram.

10. "Eu devia estar linda" "Mas você está linda" Fiona e Shrek

Uma princesa sempre se supõe estar linda, magra e em um lindo vestido, de braço dado com um príncipe emplumado. Só que Fiona precisou ver além disso pra poder viver seu amor verdadeiramente. Ela sendo vítima de uma maldição precisou aprender que apenas o amor verdadeiro liberta de arestas e concepções arcaicas. Ela sentiu o amor de Shrek por ela e mesmo não admitindo também o sentia por ele e isso quebrou a maldição, ele a viu muito além de beleza externa e isso sim é uma demonstração de amor e tanto.


11. "Tiana vai conseguir o restaurante de outro jeito. Vou trabalhar, talvez dois empregos, quem sabe três" - Tiana e Naveen, A Princesa e o Sapo

Tiana e Naveen são o exemplo de casal que cresce junto através de trabalho duro e esforço. Afinal, Tiana por si só é a única princesa que trabalha, que tem um emprego, uma carreira e um sonho profissional e mesmo com um príncipe a tiracolo, não se apoiou nisso e desistiu de seu sonho. Ao contrário, ele entrou no sonho junto com ela e abriram o restaurante juntos, com muita obra, martelo e dedicação. Trabalhar junto e ser parceiro no caso deles e em muitos outros vale muito mais do que mil Eu te Amo



12. "Rapunzel, você é o meu sonho" - Rapunzel e José Bezerra

Ela queria viver fora de sua torre, era seu sonho, o sonho dele era ser rico, o que mudou quando a conheceu. Pois ali ele percebeu que amor era algo forte e podia transformar o destino deles. Quando ele se arriscou para salva-la e viu que ela se sacrificaria para que ele não fosse morto, percebeu que era algo forte e dizer que ela era seu sonho equivalia a dizer que a amava e queria viver isso.


13. "E então eu juro prometer, jamais vou te deixar. Maior que a eternidade será o nosso amor. E eu vou te acompanhar aonde for." - Odete e Derick, A Princesa Encantada

Eles se detestavam quando crianças mas o tempo modifica as coisas. Quando jovens começaram a sentir esse chamado amor um pelo outro contudo uma maldição os separa e Derick fica louco para ter sua Odete de volta. Mesmo separados em lugares distintos pensavam um no outro querendo viver esse amor, ansiosos pelo momento no qual se encontrariam novamente. Eles demonstram que a distância por vezes faz o amor crescer muito mais rápido.



14. "Diz pra mim que nada mais importa, diz que quer a vida ao lado meu" - Christine e Raoul, O Fantasma da Ópera

Em uma canção eles descrevem exatamente o desejo de viverem uma vida juntos. É quase um pedido de casamento, com promessas de uma vida ao lado, com amor, companheirismo, acolhimento e proteção. Lógico que o fato de ser uma canção torna tudo mais poético e pomposo que um simples Eu te Amo, todavia não deixa de ser uma bela declaração mesmo assim.

15. "Você me lembrou de como eu era antes de me tornar imperador. Eu era vivo" - Francisco e Elizabeth, A Imperatriz

Pensem num climão quando Francisco anuncia que Elisabeth seria sua noiva ao invés da irmã dela. Mas era de se esperar, ele já estava cansado de seguir ordens e fazer coisas contra sua vontade, ao ver Elizabeth tão espontãnea e sem receios de falar o que pensava, percebeu que ela traria para a vida dele uma chama que faltava, uma espontaneidade que tinha necessidade e em poucas palavras se sentiu altivo de novo, fora do gesso da realeza ao qual era obrigado, soube reconhecer que amara isso nla. E assim, ele escolheu uma moça que no futuro se tornaria uma imperatriz super popular porque mais do que espontânea, ela sabia como cativar o povo a quem serviam.

terça-feira, 6 de junho de 2023

A nostalgia dos Power Rangers: 30 anos de Morfar


Eu não vou chorar, eu não vou chorar...”, aí aparece a foto da Thuy Tang e do Jason Frank, dizendo que uma vez ranger sempre ranger, “Agora eu choro”. A Netflix lançou o especial Power Rangers, agora e sempre como uma comemoração aos 30 anos dos Power Rangers. Os heróis que começaram na década de 90 e encantavam as manhãs com suas aventuras e lutas voltaram mostrando que ainda dão um belo caldo.

As temporadas dos Power Rangers ainda continuam na ativa, sempre naqueles moldes dos heróis coloridos que defendem o mundo do mal, na base da luta, armas e robôs gigantes. Todavia neste especial, os adolescentes com garra já não são mais adolescentes, embora a garra continue a mesma. Vemos Billy (David Yost) e Zack (Walter Jones) assumirem o protagonismo ao lutar mais uma vez com Rita


Repulsa, em uma versão robótica e mais demoníaca do que nunca. O gatilho de toda a tragédia é o sacrifício de Triny para defender seu amigo Billy, leva os Rangers a uma reflexão profunda e alerta maior sobre o perigo que a vilã representa. Billy sente-se culpado pois há uma participação indireta dele no nascimento dessa nova Rita, mesmo que não intencional.


Vê-se a filha de Triny saber do legado que a mãe deixou e em seu íntimo deseja fazer parte também de toda a aventura, embora de início não entenda que a motivação é o que faz morfar e como as dela não eram muito positivas, havia certa dificuldade. O ponto é que vemos os Rangers maduros aqui. Pessoas adultas com responsabilidades, empregos, filhos, carreiras, não mais tão jovens, porém ainda

com muita vontade de atender o chamado que lhes é dado. Inevitável rolar uma compatibilidade. Os que cresceram vendo A Hora de Morfar também tiveram anos acrescidos às suas vidas e todo o resto que vem com isso, ver seus heróis ali mais uma vez em seus trajes, com a mesma energia, lutando contra o mal e ainda assim mostrando-se como qualquer adulto em termos de rotina de deixar os fãs com vespas raivosas no estômago.

O ritmo é meio moroso em temros talvez de ação, todavia conseguimos ver os elementos clássicos como o robozinho Alpha e os zords, mesmo alguns personagens secundários, mas muito relevantes como a dupla de Bulk e Skull tem seu espaço. Lógico que algumas coisas mudaram, as faíscas, os barulhos do

teletransporte e até os golpes parecem um pouco menos vigorosos, são 30 anos de golpes e faíscas... contudo a imagem os faz parecer mais nítidos, mais reais, a gente acaba sentindo a criança que ficava lá sentada na frente da televisao vibrar novamente.

E a definitiva sensação de que o tempo passou se dá ao fim quando há uma homenagem a nossa eterna Tigre Dentes de Sabre e Dragão Verde, tão precocemente tirados do nosso convívio, mas que ainda assim sempre Rangers. O Especial de 30 anos é recomendável para todos que ainda mesmo que dentro de seus dias agitados queiram sentir a sensação do chamado do Zordon, do poder de lutar contra o mal ainda que seja uma burocracia empresarial ou imprevisto de trânsito, e que ainda quer sentir, do fundo da alma que nunca é tarde pra sentir a emoção e força de poder dizer: “É hora de morfar!'

sábado, 3 de junho de 2023

O Live Action da Pequena Sereia: polêmico e bonito

 


Quando eu era criança, um dos sonhos era ser uma sereia. Por isso que eu adorava A Pequena Sereia da Disney, assistia sem parar, fazia desenhos e achava ela até uma tremenda boba de ter trocado a cauda e o mar por um par de pernas. Quando o Live Action foi anunciado, começaram campanhas por causa da cor de Halle, a atriz que faz Ariel. Foi surpreendente uma atriz negra fazer o papel, até para mim foi, não nego, contudo meu pensamento era: cara, é uma sereia, a sereia da Disney, como não ficar incrivelmente fascinada?

Pra começar importante mencionar as críticas ao visual da própria Halle, o fato dela ser negra era apenas um detalhe. Falaram dos dreads nos cabelos dela e a cor vermelha. A palavra “ruivofobia” chega a ser ridícula pois o vermelho da Ariel não é natural, uns pimbudos queriam insistir mencionando a data da história, pois bem, o livro não faz qualquer menção a cor do cabelo de Ariel, não menciona sequer o nome dela. E há o fato de que ela sequer teria cabelo vermelho, mas loiro, a troca de cor foi devido a confusão que poderia se fazer com Madison, outra sereia precussora. O cabelo vermelho de Ariel não é ruivo, mas vermelho sangue, do mesmo tom de cabelo da Meera e condizente com qualquer tom de tinta dessa
nuance. Um tom que gerava muito preconceito inclusive por ser berrante. Tons de ruivo natural são puxados para laranja como o da atriz Marina Ruy Barbosa ou um vermelho fechado como da família Weasley em Harry Potter, o tom vermelho de Ariel pe tão natural quanto o vermelho do cabelo da Arlequina. Portanto, no caso de Halle, os tons de vermelho (porque seu cabelo tinha três tonalidades) se mesclavam com castanho e eram condizentes com o tom de pele da atriz, logo ficou algo adequado.

Passando para o começo do filme em si. Os Lives Actions servem para tapar buracos, dúvidas, sanar coisas mal explicadas dos ditos originais e também há a liberdade criativa de acrescentar coisas que se julgam pertinentes. Contudo, vez ou outra acabam aparecendo carências de alguns pontos. Talvez uma enfatização de Atlantida e do Rei Tritão com maior imponência tenha sido algumas dessas carências, afinal, cidades aquáticas são fascinantes e um live action poderia ter


explorado isso de forma maior que os gráficos do desenho. Todavia a carência de Atlântida foi um pouco compensada no visual das outras filhas de Tritão, e até mesmo em esclarecimentos sobre a origem delas e detalhes sobre a mãe das sereias filhas. Era dito que cada uma representava um mar e ao observar a aparência delas, suas cores e diferença nas caudas, na percepção de etnias, isso foi deveras interessante. A questão dos navios naufragados também foi abordada, e de uma forma que consegue-se perceber o ponto de vista do povo dos ocenaos e a repulsa pelos humanos.

Mesmo que Atlantida não tenha recebido uma aparência imponente, a canção “Aqui no Mar”, uma das carro chefe do filme foi pura nostalgia, os trailers deram uma pitada do que seria, mas ela inteira foi fenomenal. Toda a diversidade da vida marinha que há no original e vivacidade das cores foi representada com muito louvor, não se pode deixar de mencionar que o dublador Yuri Chesman fez um trabalho que contribuiu e muito para o sucesso da cena, o dublador de Sebastião na animação já é falecido, todavia pode se orgulhar onde quer que esteja pois foi substituído a altura. Considerando Sebastião, Linguado e Sabidão, de fato a aparência dos amiguinhos de Ariel poderia ser deveras melhorada, claro que era preciso manter um certo realismo dos animais, todavia poderia haver um tom mais especial visto que eles são os fieis escudeiros da protagonista e sabe-se o quanto os bichinhos tem um lugar especial quando se trata de princesas.

Saindo do mar e indo para a terra firme, o príncipe Eric se mostra aventureiro como no desenho. Muitas críticas foram feitas a atuação de Jonah Hauer, com relação a sua expressão, muitos inclusive de forma até desonesta pegaram takes de expressões deles em cenas aleatórias para dizer que ele estava “sofrendo” ao contracenar com uma Ariel negra, quando na verdade ao se ver o filme inteiro percebe-se que o rapaz tem seu próprio jeito de atuar, um esforço, todavia ainda falta um certo peso em suas expressões. Algo de positivo pôde-se notar todavia. Eric enquanto príncipe na época foi um digno colírio da capricho, uma espécie de sex apeal masculino, suas expressões e o formato de seu rosto associado com a voz grave do dublador Garcia Junior davam um toque até adulto ao rapaz que devia ser pouco mais que um adolescente. No Live Action, o rapaz assume não só


expressões inocentes como também atitudes até infantis, a impulsividade, a rebeldia de ir contra as ordens da mãe, algo bem comum de um jovem de 18 anos. A novidade ficou por conta de uma música própria e mostrando um lado mais pessoal de Eric, como sua curiosidade para colecionar achados e pelo conhecimento, algo que foi bem colocado, já que o príncipe do desenho tinha em grande parte o sex apeal. Leve spoiler para a forma como ele descobre o nome de Ariel, fez muito mais sentido no live action e cobriu um buraco deixado no desenho.

Talvez a função dos Lives sejam exatamente essa: cobrir certas coisas mal entendidas e tornar tudo como o próprio nome diz, mais próximo de nós. Os detalhes do reino de Eric denotaram maior singularidade, no desenho apenas se via o castelo, uma costa, sem mostrar muito de seu povo ou como viviam. Lógico que quando as imagens sairam, não faltaram mais comentários de preconceito, na tentativa de que a intolerância se imiscuisse e parecesse algo de pouca qualidade, fizeram correlações com períodos escravagistas devido ao visual das roupas e


cenário, todavia isso no longa e em esclarecimentos posteriores se esclarece. Ora, é uma ilha tropical, as roupas são leves, tudo é muito colorido, as flores e frutas denotam um clima quente, assim se supõe que a ilha do príncipe seja em uma região tropical e zona de câmbio/tropical, logo diversa, com pessoas de diversas raças e cores, ficou muito mais rico olhar para este lado e acrescentar isso.

A caracterização dos personagens e figurantes também foi alvo de polêmica, todavia, a média foi boa de um jeito ou de outro. Mencionaram Úrsula e sua maquiagem, uma pseudocrítica do youtube afirmou que “ela não metia medo”, pois bem, a personagem Úrsula originalmente foi inspirada em uma drag queen, logo a prerrogativa da personagem não é ser assustadora, mas exagerada,
dramática, interpretativa, sua presença não é pelo susto mas pela exasperação. Ela em si tem uma presença que ocupa o espaço, seus tentáculos são expressivos e aliados com seus gestos e palavras sedutores a tornam persuasiva até mais do que se tivesse o tal canto da sereia, não a toa que consegue convencer os “corações infelizes” de negociarem qualquer coisa para ter o que desejam. Nesse ponto, Úrsula foi mais que acertada.

A Pequena Sereia Live Action foi no que se propôs, um acerto. Apesar das críiticas mal disfarçadas, é um filme bonito, colorido, que nos faz lembrar sim do antigo se abrirmos um pouco mais os olhos e corações, conseguimos imergir nesse mundo e sentir de novo aquela energia do mar, ficamos ao fim não só com o gostinho de querer ir a praia, mas pensando em quais outros lives ainda vem por aí.