domingo, 31 de julho de 2016

A aversão ao diferente. Trágico. Trágico


Segundo uma pesquisa sobre rejeição de parceiros, muitas pessoas rejeitam piercings e cabelos coloridos. A explicação relacionada com a evolução da espécie diz que este sentimento do homem na sua primitividade ser avesso à novidades. Em outras palavras, o Uga-Buga de um bando rejeitava qualquer indivíduo que se apresentasse de forma diferente do seu bando.

Hoje, milhões de anos depois, não somos mais nômades, não caçamos pra comer nem precisamos nos deslocar em bando para sobreviver, mas a aversão ao diferente permanece. E vários tipos de aversão que se converte em preconceitos, falas e olhares tortos. Mesmo a aversão a que pensa diferente de você faz muitos buscarem qualquer característica física ou qualitativa na pessoa a fim de diminui-la.

Em especial no país em que vivemos, qualquer coisa que se sobressaia um pouco mais já é motivo pra um olhar mais torto ou atravessado. Seja em aparência, por gostos, hobby ou opinião, alguns tendem a ser olhados com mais estranheza que outros, afinal certas coisas, ainda que nada tenham de anormais, são olhadas como se fossem.

No país do futebol parece estranho que alguém prefira games e fuja daquela social pelada, não queira uma bola de presente ou sequer se interesse por cultura brasileira, preferindo coisas de fora que a seus olhos pareçam mais interessantes. Em um lugar onde o clima normalmente é quente, como conviver com aqueles que gostam de casacos pesados, coturnos, modas alternativas? Ou simplesmente ter um cabelo diferente do velho liso/cacheado/crespo de cor loira/castanha/preta? Acessórios como piercings, brincos transversais, turbantes, em brancas ou negras, é olhado como o fim do mundo.

No mês em que comemoramos o Dia Nacional do Cosplayer, vi o quão tóxica pode ser essa reminiscência ancestral. Na verdade vejo toda vez que há um evento e nos depoimentos dos cosplayers sobre o que acontece do momento que estão saindo de casa até o momento em que voltam. Cosplay é a arte de se vestir como um personagem. Seja de filme, desenho, anime ou série, originais também valem. Nasceu meio tímida, hoje, contudo, tem adeptos do mundo todo.


E leia-se aqui, não só adeptos mas também eventos e competições sérias que reúnem esse público, estimulando cada vez mais a arte. Aqui no Brasil, possuímos bons representantes no ramo. Os Irmãos Somenzari fizeram bonito representando o país na Copa Mundial de Cosplay. Só ressaltando que em termo de cosplay somos tri-campeões mundiais. Logo, me surpreende haver tanta ignorância e rejeição contra o diferente. Não só o diferente hobby do cosplay, mas diferentes esses que além de serem hostilizados, são totalmente inofensivos e nada prejudicam quem está inserido neles.

Por isso eu acho engraçado. Acho uma palhaçada o Brasil sediar as Olimpíadas, da mesma forma como foi engraçado sediar a Copa. Não toco no ponto de indignação, pois afinal, é como se já estivéssemos tão acostumados a rachaduras na saúde e educação e roubalheiras, que é até lucro ter um evento que faça o mundo olhar pra cá. Toco no ponto de que é engraçado pensar que receberemos pessoas do mundo inteiro, leia-se pessoas que falam línguas diferentes, que tem olhos e cabelos diferentes, costumes diferentes, usam adornos diferentes... Definitivamente o mundo não é igual a nós, contudo sequer conseguimos lidar com as diferenças das pessoas que vivem no próprio país, o que dirá lidar com a diferença dos outros. É velha história: arrume sua casa primeiro antes de arrumar o que está fora dela. Talvez seja por isso que os turistas vem aqui e dizem: “Oh, beautiful! Beautiful!” ou “C’est magnifique!”, porém não há muitos que queiram realmente ficar aqui, ao passo que há muitos brasileiros que querem sair daqui.

E eu ainda nem estou mencionando sexualidade, religião e cor, que são os pontos mais delicados e relevantes quando se trata de “diferença” e que fazem as estatísticas de intolerância com relação a estes três pontos e violência engordarem de sobremaneira. Falo de coisas simples, bobas até. Um piercing no septo nasal, um piercing no nariz, uma tatuagem na nuca, uma camiseta de super herói, uma roupa diferente, um cabelo colorido. Coisas que não deviam incomodar ninguém ou ser motivo de risada, mas faz você ser olhado como um ET por ser diferente. E muitas vezes por pessoas que também sofrem algum tipo de preconceito, de outro teor, porém ainda assim preconceito. Tristemente constato que muitos casos se apresentam dessa forma: você tem o teto de vidro, mas gosta de jogar pedra no telhado do outro mesmo assim.

Essa aversão muitas vezes começa em casa. O ambiente em que você mais deveria se sentir acolhido. Relatei uma situação assim a um mês, de casa ao carinha que vendia balangandã, aquele olhar de surpresa para a roupa e as mechas vermelhas. A surpresa inicial ao que foge do padrão é aceitável, mas passados alguns segundos a naturalidade devia aparecer, sorte que há alguns que enxergam além de uma roupa, um piercing ou uma tatuagem de super herói e veem uma outra pessoa ali, que como você tem gostos e vontades mas que não necessariamente iguais aos seus. Nesse mesmo relato, falei de uma senhora de meia idade que disse: “Adorei o estilo de vocês. Era assim quando jovem” e na mesma tarde, uma moça que pediu para tirar fotos com aquele casal de jovens alternativos que somente quiseram um look diferente para um cinema.

Muitas pessoas que agem dessa forma ao diferente adoram a Metamorfose Ambulante do Raul Seixas, entoam como se fosse um hino porém pouco praticam o que ela quer dizer e pouco respeitam quem a segue. Se excitam com filmes dos X-men, mas além de não notarem a mensagem do que é ser um mutante na história, tratam como “mutante” quem está caracterizado na fila do cinema.  Ser diferente se você não prejudica nem fere ninguém não é ruim.  A própria palavra “diferença” é usada na falta de uma melhor, afinal, se ser diferente é o que vemos, devia ser encarado com mais naturalidade. Algumas pessoas no meio da população conseguem, sabem admirar, batem fotos porque olham e acham interessante, por mais gente assim, porém talvez ainda seja preciso pelo menos mais 500 anos pra que o Brasil possa começar a ser chamado de “civilizado”.

Não se deve perder a esperança. Talvez seja possível de que num futuro o diferente por aqui, independentemente de que teor seja, possa ser olhado de forma natural e respeitado. E aí sim poderemos receber os eventos mundiais com todas as pessoas e sua carga de “diferenças” com o peito mais aberto e a consciência mais leve.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Make e outfit da Feira do Game


Domingo visitei a Feira do game que está ocorrendo no Shopping Boulevard aqui da minha cidade, provavelmente voltarei lá, pois é muito interessante e curioso. Mas além disso, fiz uma make pra esse passeio, uma make bem simples, já que queria sair logo, mas ainda assim ficou muito legal. Logo resolvi reproduzir essa make e mostrar que mesmo com pouquinha coisa você consegue um resultado muito bacana. E de quebra coloco aqui o outfit que usei, também casual, mas totalmente ao estilo Cancerious XD.


1. Primeiro eu fiz minha pele. Estou adotando um modo que não utilizava, dou muito valor em corretivos seguidos de base depois que vi o vídeo de um rapaz que colocava sem medo. Confesso que tinha receio de usar, mas agora vi que não há problema e não fica aquela coisa pesada que pensava que ficava. Fora que estava com uma espinha cavalar nesse dia ^^'.




2. Apliquei um bom fixador de sombras apliquei em toda a pálpebra uma sombra de tonalidade marrom. Talvez dois tons acima da minha pele, mas que deram uma profundidade no olhar.


3. Depois do marrom, apliquei um preto cintilante no côncavo em si. E é claro, esfumei como se não houvesse amanhã.



4. Dei a finalizada com lápis preto e máscara de cílios.

5. Nãs bochechas, usei um rosa bem claro, mas que deu um efeito muito bonito nas bochechas


6. E nos lábios, um batom de tom rosado e acabamento matte (já disse que é meu acabamento favorito)



PRODUTOS:
  • PELE
Paleta de 5 corretivos Ruby Rose cor 2 
Corretivo Ruby Rose cor 4
Base Any Color cor 03
Pó translúcido NS Star cor Natural
Pó Avon Ideal Shade cor bege médio
  • OLHOS
Fixador de sombras Yes
Paleta de sombras Gabrielle Kim
Lápis preto Ruby Rose
Máscara Luisance Duo Max

  • LÁBIOS
Batom Avon ultramate cor pêssego





A parte da make ficou pronta e vamos ao outfit!



Coloquei a foto no Instagram e a geral curtiu. Ser cosplayer e simpatizante das modas alternativas não significa que você é uma árvore de natal ambulante, mas nem por isso deixa de se destacar de um jeito bom. Não vou mentir que os olhares para o cabelo diferente sempre existem, mas olham assim para qualquer cabelo de formato diferente ainda que tenham as cores clichês, com o tempo você não liga. E quando passa a não ligar, se liberta.

É claro que optei por uma legging. São uma ótima opção para uma dia quente. Esta é uma da Bela Adormecida, de cores bem alegres e vibrantes.

Tão concentrada!
A blusa é uma bem simples e básica preta sem muitos desenhos. Ela atrás é mais comprida e cobre bem o bumbum,  parte que se exalta com qualquer legging.


Achei que um tênis de cano médio preto casava com a blusa, além de ser super confortável. E de acessório, um simples colar de lua que até combinava com a blusa.


  • ONDE ACHAR
Legging - Ebay



domingo, 24 de julho de 2016

Aulas da saudade. Pra alguns nem tanta assim



Aula da Saudade normalmente tem por objetivo reunir todo mundo e relembrar coisas que aconteceram e marcaram 4, 5 anos de curso. O problema é que alguns tem memória mais fraca que outros. Ou tem coisas mais legais pra lembrar do que outros. 5 anos ou 4, que seja, pode não parecer mas é muito tempo. E um tempo no qual muitas coisas podem acontecer, algumas com poder de marcar alguém para sempre. Fazer ranhuras no seu ânimo e no seu ser tão profundas que não podem imaginar como é.

A universidade como eu disse não foi um sonho dourado pra mim. Talvez no máximo tenha sido de bronze. Um que brilhava muito, mas ainda assim bronze. Claro que decorridos alguns anos você preenche essas ranhuras, principalmente depois de ver que muitos eram mais hipócritas, bobos e ridículos do que julgavam que você mesmo o era.

Mas voltando para a Aula da Saudade, por vezes muitos não tem saudade de nada. Eu pelo menos sou uma pessoa bem saudosa e nostálgica digo de peito aberto que não sinto falta de muita gente e podia ter passado sem viver muitas coisas e conhecer muitas pessoas. E francamente, acho o fim da picada criticarem você e fazer você se sentir culpado por não morrer de amores pelas lembranças ou pelo que viveu. Você não é um ingrato ou arrogante, você só tem uma percepção diferente.

As aulas da saudade são bem parecidas pelo que já vi. Começa com a turma toda reunida, comida e bebida trazidas e brincadeiras. Por vezes começa com os próprios alunos depois pode aparecer alguém, um comediante que vai dar mais uma animada. Tem uns videozinhos com momentos e fotos e claro, a distribuição de faixas. Tanto dos alunos quanto de profs. Nessa brincadeirinha cada pessoa recebe uma faixa com a característica "marcante"ou apelido, normalmente baseado em toda a trajetória até ali, confesso que muitos revelam o quanto de criatividade possuem. Ou a falta dela.

Eu nunca fui a pessoa mais popular da universidade. Sempre fui muito na minha desde que me entendo por gente. Ás vezes no silêncio da noite penso se não devia ter uma profissão em que pudesse trabalhar no quarto sem ter contato com tanta gente intratável como a que vi na escola, universidade e na vida. Mas deixemos isso de lado e voltemos às faixas. Eram bem bonitinhas e jeitosas, com as palavras em verde brilhante. E as moças da comissão distribuindo e falando. 

A primeira faixa é a "Criada por Vó". "É aquela pessoa melindrada, atrapalhada, a gente precisa explicar as coisas bem pra ela". Todos dão palpites nessa hora, como eu mesma dei, pude ver que as comissionárias já estavam até cansadas da demora em adivinharem. Notei também, fatidicamente, que os nomes de quase todo mundo já tinha sido dito palpitado. Menos o meu. Quando mencionaram ela e as moças confirmaram, meu sorriso se apagou e por 1s eu fiquei brava. Ou melhor por 5s. Fora os minutos posteriores em que fiquei pensando no que se sucedera.
Apesar disso, dá pra ver no vídeo eu sorrindo ao receber a faixa, mas eu dissera "Lembrei da minha avó". Pois bem, vamos pôr as tripas pra fora agora. Sim, eu fui criada por vó. Eu tive sorte, minha mãe também. A s mulheres de hoje reclamam que os filhos tomam tempo e ou não querem tê-los ou são como bombas relógio, a minha não teve esse problema pois mesmo que nunca tenha abdicado da responsabilidade, tinha uma mãe que dava uma força e tanto.

Ela era uma senhora muito distinta e elegante, sustentou uma casa sendo costureira, se separou de um marido que a maltratava, deu uma lição de feminismo maior e mais prática do que muitas dessas mocinhas que conheci na universidade que só postam textões, prints e fotos de mulheres mostrando os peitos, incluindo elas. Não me importo de ter recebido essa faixa. Me importei com o que colocaram sobre ela.

Minha avó faleceu pouco mais de uma no antes de eu me formar, de um jeito inesperado, de repente, sendo que eu desejei de todo coração ver o rosto dela no dia que me formei. Como digo em discussões, ninguém é obrigado a saber da sua vida, mas me dar uma faixa dessas era realmente impossível que eu não me lembrasse. Fora é claro, o "melindrada, atrapalhada", sei que foi com a intenção de brincar, mas ser chamada de atrapalhada não é a coisa mais legal do mundo.

Muitos pra quem falo essa história dizem que receberiam a faixa de cara feia. Ficou uma sensação de inferioridade, afinal foram 5 anos. 1825 dias. 5 anos desprendendo energia pra aproveitar tudo que me era passado, me envergonhando de besteiras que eu poderia ter feito, me sentindo culpada por culpas que por vezes não eram minhas, tentando fazer tudo certo pra ver que foi isso que concluíram de mim. E o pior: perceber que não se deram ao trabalho de olhar um pouquinho mais. 

Eu já escrevia no blog. Eu já fazia vídeos de maquiagem. Eu compartilhava com colegas e eles faziam questão de ignorar, ao menos me consolou que em outra brincadeira, uma colega lembrou do blog e que eu escrevia. Porém preferiam o "atrapalhada" pra encobrir um olhar de "que menina meio tapada ela é", coisa essa que me assombrou por muito tempo, mesmo depois que eu já não pertencia mais à universidade. Engraçado que a "tapada" enfrentava três turnos de atividades, terminou o TCC dois meses antes do prazo e já tinha um trabalho garantido quando saiu da universidade. Quando lembro disso sabendo que me olhavam como uma tapada que talvez não se mobilizava pra nada, percebo que é uma vingança melhor que a do Edmond Danteé.
Sei que parece dramático mas muitos não tem coisas boas para lembrar também. Históricos de bullying, não adaptação, cursos frustrados, humilhações. Quem pensa que a universidade é como American Pie, com seus amiguinhos gozando (em todos os sentidos) se enganou. Se pra alguns é assim, pra muitos é dureza. Mas você não é o único, se sinta acolhido pois não é crime não ser entusiasmado com o que viveu na universidade. Como eu disse em outro post: há resquícios da escola e das dificuldades, você somente está num nível superior no qual os bullies são bullies não por serem populares, mas por participarem de outras coisas ou terem um contato aqui e ali.

Considere-se um herói de J.K. Rowling, ela diz que as histórias dela giram em torno de pessoas excluídas, estigmatizadas ou anormais, que viram heroínas. Talvez mesmo com tantas arestas para lembrar, no fim, nós somos os heróis. Pois o que de bom ocorreu, fica. O que de mau, se vai. E você segue. Mais forte, mais esperto e com certeza, muito mais maduro.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Vídeo Look verde e cinza



Oi! E aí? Como está? Eu estava bem inspirada e fiz este look verde e cinza. Pessoalmente adoro essas cores e adorei o efeito delas, é legal fugir do esfumado clichê de preto ou marrom. Espero que curtam!



PRODUTOS


  • PELE
Paleta de 15 bases e corretivos
Paleta Ruby Rose 5 corretivos tipo 2
Pó NS Star cor Natural
Pó Avon Ideal Shade Bege Médio
Blush rosa antigo

  • Olhos
Fixador de Sombras Yes Cosméticos
Paleta Manly de 120 cores tipo B
Máscara 4D Tango

  • Lábios
Batom O Boticário Bege Nude








quarta-feira, 13 de julho de 2016

Bullying na Universidade. Yes, it can


Muitos acham que a universidade é um sonho. Acredito que ela seja mais como uma conquista, cada um sabe o quanto abdicou para conseguir a chance de poder ter um curso superior, o que nas condições atuais do país é uma porta para se melhorar de vida. Passar no vestibular é uma vitória e tanto. Com os atuais processos seletivos de vestibular, conseguir passar e no curso de escolha é algo que deve ser levado em consideração.

Daí sempre se pensa que já se cumpriu a tarefas, mas tem pelo menos mais cinco anos para se formar, cinco anos convivendo com novas pessoas, tendo que reaprender novos métodos e sistemas, não parece difícil. Mas acreditem nem sempre tudo é o que parece.
Pode parecer impossível mas acreditem que certas coisas permanecem mesmo depois da peneira do vestibular. O bullying é uma delas. Algo que você jura que ficou nas paredes da escola com aquelas pessoinhas que não tinham muito na cabeça do que a ilusão de que eram os donos do mundo. Mas você ao contrário delas, tem algo na cabeça. Você é inteligente, você venceu e se pergunta como pode ser possível que ainda aconteça.

Primeiramente, o bullying é sempre aquilo que acontece quando alguém por qualquer razão se coloca acima de você e acha que tem poder para fazer você se sentir menosprezado, oprimido, uma porcaria. Na escola, é através dos valentões, seja pelo fato deles serem maiores em tamanho ou terem popularidade, de algum modo sentem prazer em subjulgar os que consideram inferiores, e coincidência ou não quase sempre são aqueles que ficam bem na deles, ou estudam muito ou são mais alternativos.

Na universidade, os motivos que podem levar ao bullying são outros. Fora os que normalmente vemos nas notícias do Catraca Livre como cor, opção sexual, há os mais diversos, embora preciso dizer que muitos dentro da própria universidade e na mídia geral acreditam que outras formas de bullying por não fazerem volume, não valem ou não devem ser mencionadas, mas EU também digo: podem não valer pra vocês mas pra quem sofre, importa muito. Muito mesmo.

 Se você passou por cotas, pode sofrer bullying. Se não passou por cotas e tem uma vida olhada com inveja e considerada "ótima" por grande parte dos seus colegas, pode sofrer bullying; se você não tem a vida "ótima" mas também não se encaixa no perfil de cotista, normalmente por acreditar no trabalho duro, você pode sofrer bullying; Se valoriza o mérito e acreditar que muitas pessoas batalharam pra chegar onde estão, pode sofrer bullying, a expressão "vazia meritocrata" diz muito sobre isso. Quem gosta de movimentos estudantis podem sofrer bullying, mas tem o amparo de um grupão que também gosta, mas se você não curte muito se meter, sofre bullying porque "olha para o próprio umbigo".

Há inúmeras coisas que ocorrem em nossa vida que nos marcam. Principalmente quando elas deveriam ser de uma nuance totalmente diferente da qual se apresenta para nós. Quando entrei na universidade estadual, turma de 2008 de fisioterapia, achei que seria um sonho. Mas por estar tão cheia daquela sensação de confiança de que podia fazer tudo, atrai uma pessoa. E por causa desse relacionamento e das coisas que precisei viver com ele, em uma semana mal eu sabia que o sonho tão duramente conquistado viraria um pesadelo.

Aquele carinha que inventou o movimento Senti na Pele, que denuncia situações de racismo que pessoas negras viveram disse que falar pode não resolver, porém ajuda a lidar melhor com a coisa toda. Eu concordo. Afinal, por vezes você precisa colocar as palavras para fora e coisas ruins para que o vento possa levar tudo embora. A Universidade me deu conhecimento, um diploma e uma formação, porém não foi de graça. Haviam pessoas boas, muito boas que ficaram na lembrança e outras não tão boas. As não tão boas ocuparam um volume grande no tempo que passei lá. E infelizmente, mesmo depois que saí, algumas emergiram das profundezas abissais pra mostrarem sua cara que eu já não fazia mais questão de ver.

Sofri bullying pelo ex por ser jovem e ter uma família que se importava o bastante para ter cuidado comigo e se preocupar com o que eu andava fazendo e com quem andava. Havia o bullying por parte de colegas e amigos dele pelo fato de eu ter pais muito presentes. Ele mesmo não gostava da minha família, o que incluía uma raiva da minha mãe e do meu avô, sendo que essas mesmas pessoas deram uma ajuda para que ele fosse em um Congresso. Testemunho de um colega dessa própria turma: ele depois que o tempo passou me disse que mudou a opinião ao meu respeito, viu que eu não era metida ou infantil como o ex me pintava para todos. Segundo esse colega, diziam que eu era chata, infantil, mimada, fora que falavam do jeito como eu me vestia. Acho engraçado porque hoje muitos desses que falavam, são totalmente a favor do modo alternativo, a liberdade de escolha e até fazem passeatas apoiando a livre expressão.

Além desses, haviam os que me tratavam como uma porcaria. A pessoa fingir que você não existe, mesmo quando é preciso ter o mínimo contato com ela também é uma forma de bullying. Não tem nada a ver com ser o centro das atenções, tem a ver com respeito e o mínimo de civilidade. E já ouvi outros casos assim em outras universidades. Eu tentei da minha parte me aproximar, mas se tem algo que aprendi de muita valia foi que se alguém fecha a porta pra você, você pode tentar pra que a pessoa abra, mas se continuamente esmurrar vai acabar ferindo sua mão e a pessoa nem vai se importar, logo ás vezes é melhor deixar de lado. E confesso que fiz muito isso.

A minha cara depois do trabalho de domingo
Eu sempre ficava atrás nos grupos. Uma prova em dupla, quase fiz individual. Ficava sem dupla nas aulas práticas e por vezes quando chegava minha vez não tinha quem fizesse em mim nem fazia prática em ninguém. Fiz estágios individualmente. Me meti em centro acadêmico, mas nunca foi minha praia e saí, mas não curtiram o fato de eu gostar de ficar na minha e não me meter. Troquei de subturma e por causa de perguntas em um trabalho que estava sendo apresentado me chamaram de maldosa, alguém que sequer viu como aconteceu. Fiz um trio e passei o domingo inteiro pesquisando sobre um trabalho difícil de achar, fiz e uniformizei os slides e coloquei uma figura no final pra no dia em que apresentamos, os outros levarem os “nossa, ficou legal o trabalho de vocês” sendo que tiraram a figura sem nem me falarem. Uma moça me chamou de gala seca na frente de uma professora. Alguns mesmo que eu estivesse ajudando em trabalhos em prol da turma e da formatura parece que faziam questão de nem olhar na minha cara.

Mas me formei.

E aí, em comentários em postagens de amigos comuns, lá vem eles de novo. Das profundezas abissais como eu disse. Vieram mentiras, indiretas, coisas como “nem me preocupo, nunca segui” (querida, não faço questão de ser seguida por alguém que trata os outros como uma porcaria), “passou batido no curso ou só olhou para o próprio umbigo” (amorzinho, entrei pra estudar, não?),  o ex novamente achou que abafou destilando seu veneno sobre como minha família “fazia minhas vontades”, como eu era “vazia e meritocrata”, como eu levava dinheiro para passar o dia na universidade (pra comprar um almoço que quase sempre era dividido), fora a mentira de que ganhei um consultório e que eu “achava que merecia mais que o filho de um trabalhador”, como se meus pais nunca tivessem trabalhado na vida. Seria muito legal que eu pudesse dizer que cheguei na porta da universidade estadual, fui até a reitoria e olhei para o reitor com meus grandes olhos castanhos e dei a ele algumas das minhas iguarias culinárias, ele me achou fofa e me deu uma vaga de graça, mas N-Ã-O  F-O-I  A-S-S-I-M.

Então acho que tenho o direito de ter ficado brava, tal como qualquer um ficaria. Essas foram algumas das coisas que sofri. Fui rotulada porque acreditava em mérito e trabalho duro, que é o caminho mais claro pra mim e sempre foi. Ficava na minha e não me metia nas confusões de protestos, ficava na minha e só queria estudar para me formar, não era de sair muito. Deve ser mesmo uma coisa muito errada você ter uma família protetora, você ter estudado duro mesmo que num colégio bom pra conseguir passar, sem rodadas de pizza com coleguinhas, sem sessões de cinema, só seus livros e cadernos e crises e deve ser muito ruim você ficar na sua e se dispor somente a estudar, sendo que foi esse seu objetivo desde quando entrou. Essas coisas devem ser bem erradas pra chegar ao ponto de você sofrer bullying por elas.

E com isso a gente percebe que os bullies (safados) não somem por completo da sua vida. Eu queria dizer que sim, mas não. Eles talvez existam desde a criança até o idoso, eles somente mudam de categoria. Mudam de estado civil, alguns desses são casados, tem filhos. Você torce para que os filhos deles sejam diferentes ou nunca sofram o que você sofreu. Alguns se mostram grandes defensores das minorias, dos menos favorecidos e você fica com aquela cara de “Me compre um bode”, fora que sempre existem os advogados de defesa pra dizer “ele mudou, aprendeu muito na vida”. Bom pra ele, porém infelizmente, um bullie por melhor que se torne, não vai apagar o que você pode ter vivido com ele.


Apesar dos pesares, se você sofre ou sofreu bullying na universidade, aqui vai uma boa notícia: eles podem não sumir, mas você muda seu modo de lidar com eles. Daí podem aparecer em qualquer lugar, você fica mais maduro pra lidar com isso, você se sente mais você, percebe que uma pessoa que precisa subjulgar o outro pra se sentir forte ou valorizada é uma piada ou mais uma lamentação. Sim, você sente compaixão por ela e passa a perceber que assim como foi na escola, tudo acaba. 

E acabando, você está pronto para o próximo passo, para a próxima etapa. Não se deixe abater, os dias pra quem sofre e se sente uma solidão imensa podem até parecer uma eternidade, mas a felicidade é o que foi feito pra durar de verdade.