terça-feira, 1 de dezembro de 2020
Lookbook Inspirado em Chaves
quinta-feira, 19 de novembro de 2020
O Último Escudo
Quando você nasce está indefeso. Você precisa que o protejam, que o acalentem, que o coloquem no colo e não importa que chore ao infinito, estarão lá por você. Todavia conforme cresce você precisa aprender as coisas, aprender quando recuar e quanto avançar, e esse aprendizado nem sempre é fácil, você enfrenta muitos percalços ao longo do caminho e sequer estou falando das malícias do mundo adulto ou profissional, mas mesmo criança você vai precisar enxergar coisas que antes não precisava. Quantas não sofreram com o bullying ou aquele coleguinha maldoso que pegava seus lápis sem pedir ou o colega vaidoso que dominava todos os outros e você implorava pra ser amigo, caso contrário seria exilado o resto do ano? Muitos passamos por isso e a tendência foi a piora.
Não quero parecer pessimista nem desgostosa porém conforme o crescimento vem você vai criando o que chamo de escudos. Não que a vida seja uma guerra mas as paredes de escudos tinham por função proteger quem estava do lado de dentro, a pessoa enquanto escudo levantado avançava devagar, com cautela, ou ficava parada esperando o melhor momento, todavia sempre protegida, sempre segura de qualquer coisa que pudesse feri-la.
Quando se nasce, tão frágil todas as proteções são para você, os outros fazem a parede de escudos por você mas a medida que cresce você vai construindo a sua própria, até que chega um ponto que tem uma parede completa. Essa parede tem por função proteger você do mundo mas não no sentido de que se está em uma guerra com ele, mas no sentido de que sua experiência faz você ficar cauteloso com o avançar dos passos, pensar bem se a estratégia é a melhor, faz você lidar melhor com as coisas e pessoas.
Daí, quando você se depara com uma nova situação, seja um emprego novo, uma nova amizade, um convite, um relacionamento sempre começa com todos os seus escudos levantados. A velocidade com que vai baixando eles varia muito de pessoa para pessoa, no quão mais desconfiado/cauteloso alguém seja. Um a um eles vão sendo abaixados conforme o tempo também passa, dificilmente alguém que possui a parede de escudos completa abaixa todos de uma vez e muito rápido. Exige muita confiança e entrega a uma situação, um conhecimento mais profundo. Entretanto, existe um escudo que nunca é abaixado, ou em teoria nunca devia ser, não importa quanto tempo passe, o último escudo, o escudo da individualidade.
Esse escudo é o escudo que guarda seu cerne do outro lado. O escudo que guarda seu eu, um lado seu que é totalmente individual e existe independente do quão em guerra o lado de fora esteja, não importa quantas pessoas estejam ao seu lado, ou onde esteja, é um escudo feito de momentos consigo mesmo ou da solidão e por estes se mantém.
Este escudo demora pra ser feito, muitas vezes é construído e levantado em momentos nos quais se precisa de si mesmo mais do que de qualquer outra coisa no mundo, situações nas quais não se pode contar com mais nada ou ninguém. Ele nem mais é construído de madeira mas de ferro, quase impenetrável, fazendo com o que está dentro não saia nem o que está fora entre. Quando este escudo é quebrado, há coisas que podem acontecer. Uma é a pessoa por estar totalmente desprotegida, se submeter a relacionamentos abusivos, nocivos e ficar vulnerável a qualquer tipo de situação, se submeter a elas sem respeito por seus próprios desejos ou pessoa, pode ocorrer dela deixar que quebrem este escudo e o resultado será semelhante. Outra é a pessoa se perder, não saber bem o que é ou pra onde vai, imergir em um oceano profundo de confusões e escuridão. Para as mulheres, talvez por um filho esse escudo seja quebrado, pois o amor a um filho é capaz de fazer uma mãe esquecer de si mesma em prol dele e de sua proteção, já que isso se torna mais importante, daí talvez ao invés de um escudo há uma espada.
Um último escudo quebrado é bem ruim. Todavia existe um malefício em mantê-lo levantado o tempo todo. Você pode ter um escudo perto de si, mas estar carregando-o somente, sem estar com ele levantado 100% do tempo, como que esperando um ataque mesmo em tempo de paz. Essa situação denota uma pessoa que não mais consegue viver do lado de cá do seu próprio escudo, permanecendo sempre presa nele. Em todos há um lado que sempre será solitário, um lado que gosta do silêncio dos pensamentos, de estar só consigo, mas em quem esse escudo assume a parede toda, a solidão é 100% do tempo, mais do que uma conotação solitária existe uma preferência por ela, como um acolhimento que não se consegue ter com nada que esteja fora. Há uma vontade de se evitar pessoas e lugares, não se tem uma sensação de estar a vontade, como se não houvesse encaixe mais em um mundo fora de seu próprio escudo, é perigoso quando o último escudo toma conta ou começa a tomar muito espaço no ser de uma pessoa.
A parede de escudos é necessária, não se pode pensar em não tê-la, todavia saibamos quando levantar e quando abaixar, sem deixar nenhum escudo importante de fora, mas sem deixar que apenas um nos domine fazendo-nos esquecer como a vida pode ser do lado de lá da muralha.
Extreme look #30 - Azul e púrpura
Eu fiz esse look inspirado em um outro que vi em uma moça num grupo, a Thamiris Tizianna. Ela me deu permissão pra fazer algo inspirado no look dela e aqui está o resultado final. Eu pessoalmente adorei como ela combinou as cores de azul, roxo e rosa. São cores sempre vibrantes e cuja combinação é sempre incrível, eu queria agradecer a ela por esse look tão lindo e perfeito.
quinta-feira, 12 de novembro de 2020
Lições de Detona Ralph e Wifi Ralph
Por vezes eu assisto filmes, séries e vídeos bem depois de quando eles são lançados. Acho que isso não novidade nenhuma, tão pouco um defeito, apesar de parecer que se está meio por fora no fundo é até legal reviver algumas coisas e relembrar filmes bem legais que muitos gostaram e ficaram meio esquecidos, os da vez são Detona Ralph e Detona Ralph wi-fi, foram filmes muito legais que mexeram com a nostalgia do pessoal dos antigos fliperamas e trouxeram grandes questões sobre amizade e perspectivas. E é por isso que aqui vão algumas lições desses dois filmes que marcaram as sessões de cinema.
Ralph era vilão do jogo de video game, todos os dias via como o herói Félix ganhava os louros, tortas, tinha o apartamento mais alto e mais legal e carinho dos condôminos. Triste, Ralph chegava a fazer terapia com outros também vilões para ver se conseguia lidar melhor com esse fato. Foi-lhe dito que ser "mau" é bom, afinal, todo jogo precisa de um vilão que faça o trabalho, e mesmo ele nunca sendo "bom" isso não era mau propriamente dizendo, afinal, quando ele sumiu do jogo, o dono do fliperama achou que este havia dado defeito e iria desligar a máquina, deixando todos os personagens sem ter pra onde ir. Desse modo, Ralph percebeu que mesmo tendo um papel não muito agradável não significava que era inútil ou desnecessário.
Do mesmo jeito que Ralph era taxado que era vilão e sempre seria vilão, merecedor do tratamento hostil que recebia, Vaneloppe era sempre deixada de lado das corridas por ser considerada inferior devido seu tilt. Ela sempre tentava entrar, mesmo que clandestinamente, para correr com os outros competidores, chegou a fazer um carro por conta própria, que foi destruído e jogaram na sua cara que ela tiltava, dava defeito. Todavia, mesmo assim, mesmo com esse pequeno detalhe, ela no fim conseguiu usá-lo a seu favor e o que lhe caracterizava como menos que os outros como se fosse pra sempre, tornou-se uma característica marcante e positiva, além de outras que se fizeram perceber.
Ralph queria desesperadamente uma medalha, tal como as que Félix ganhava todos os dias. Queria provar que conseguia ser melhor do que os condôminos o viam e melhor do que o vilão que acreditava ser. E com isso na cabeça, saiu de seu jogo, fazendo com que o dono do fliperama achasse que estava com defeito, colocando todos os outros em risco se o jogo fosse desligado. Não bastando isso, penetrou em outro jogo totalmente diferente do seu, como se fosse integrante e causou um verdadeiro caos ao liberar insetronicos no jogo da corrida doce, insetos que causam destruição sem limites. Ou seja, Ralph só queria uma medalha, mas os meios pelos quais buscou isso foram bem atrapalhados, que acabaram envolvendo negativamente os outros e causando danos que ele não imaginava que pudesse causar.
Vaneloppe morava em uma caverna não muito amistosa, era meio feinha mas como ela mesmo dizia, era tudo que tinha. Todavia, com Ralph, ela conseguiu transformar uma boa parte daquele espaço em uma super pista de corrida para que pudesse treinar com seu carro. Mesmo com as condições não ideais, ele usou sua força pra conseguir ajudar a amiga e ela aproveitou isso. As coisas parecem não ser as melhores nem as mais favoráveis muitas vezes, contudo você ainda fazer delas as melhores naquele momento até que o ideal apareça.
Por vezes não aceitamos os amargores da vida e achamos que ela se resume somente a aquilo, porém Vaneloppe e Ralph nos mostraram com sua história que a vida pode ser doce mesmo que você tenha uma pitada de fel de vez em quando. Quando Ralph aceitou seu papel de vilão e percebeu que poderia fazer o melhor nele, tudo se tornou mais fácil, ele inclusive gostava pois no momento ápice do jogo quando os condôminos o jogavam do prédio, ele conseguia olhar para a Corrida Doce e enxergar sua amiga Vaneloppe. E ela, mesmo sendo a princesa, tiltava sempre durante as corridas e ainda assim usava aquilo como um atrativo, tanto que quem jogava com ela adorava quando seu tilt aparecia.
Vaneloppe estava meio entediada com a Corrida Doce que sempre era a mesma coisa. Ela se sentia meio mal da rotina de todos os dias no fliperama, mesmo em outros jogos, tudo era sempre igual e previsível, Ralph querendo ajudá-la, numa tentativa de colocar algo novo na Corrida Doce, detona e faz uma nova pista, todavia Vaneloppe acaba perdendo um pouco o controle do carro, fazendo com que quem está jogando com ela quebre o volante do fliperama por acidente. Tudo seria uma mera questão de substituição porém era um volante que a muito não mais se produzia e o único disponível no ebay era demasiado caro, Ralph percebe que para que a Corrida Doce continuasse eles teriam que ir atrás do volante. Ou seja, ele tentou ajudar mas acabou criando um problema maior ainda não somente para a amiga, mas para todos os integrantes do jogo.
Vaneloppe depois de conhecer as maravilhas da internet e um jogo novo, totalmente diferente do que estava acostumada, ela percebe que existem outras possibilidades além do velho fliperama. Com isso, todo o seu questionamento sobre como a vida estava entediante vem a tona e ela sente a necessidade de ter uma nova motivação, um novo objetivo que a empolgue novamente. Lógico que isso vem com o conflito de ter que abandonar a velha vida e velhos hábitos, incluindo se afastar um pouco de seu amigo Ralph, em nome de uma satisfação pessoal, todavia tal como aconteceu com ela, quando se tem vontade de algo novo, seja projeto, desejo, hobby isso tem que ser respeitado pelos demais.
Essa é uma zona muito tortuosa, afinal sempre se quer que amigos estejam sempre junto. Todavia, a vida mostra algo muito certo: os amigos, por mais que se amem possuem sonhos diferentes. E mesmo que sejam sonhos iguais, os caminhos podem ser diferentes. O que não significa de forma nenhuma que a amizade se enfraqueça ou acabe. Vaneloppe estava cansada do fliperama, para Ralph os dias iguais lhe bastavam, ela encontrou o que lhe preenchia de uma forma que o fliperama não poderia e fez uma escolha, ficar na internet na Corrida do Caos, Ralph não poderia acompanhá-la, ambos compreenderam que não estariam no mesmo caminho, mas sempre juntos em sentimento. E resolveram seguir, sem ressentimentos.
Vemos muito isso com pessoas mais novas, existe ciúme, existe o desejo de uma exclusividade que não é correto se ter. E com isso, o supra sumo é um sufocamento que não se queria, mas que acaba ocorrendo devido esse desejo de querer o amigo para si como uma propriedade particular. Ralph liberou um vírus na internet numa tentativa de que Vaneloppe saísse do jogo no qual estava tentada a ficar, deixando assim o fliperama para trás. Ele causou uma confusão sem tamanho na rede e ela, ao contrário do que ele desejava, ficou com medo ao invés de desejar ficar ao seu lado. Ela em determinado momento se rendeu a um vírus no formato de Ralph implorando que ele parasse, dizendo que ficaria ao seu lado para sempre. Nessa hora, seu amigo vendo o quanto ela estava assustada e triste percebeu que estava errado, disse que doeria horrores mas que precisava deixá-la livre para fazer o que queria e ser feliz. Daí, o vírus se dissipa porque a lição é aprendida e Ralph percebe que ver um amigo infeliz do seu lado dói muito mais do que vê-lo longe, mas feliz.
A despedida de Vaneloppe e Ralph é uma das mais tristes despedidas por partida que existem. Eles se amam, isso é inegável, e por conta desse amor é que é preciso saber quando você tem que deixar o outro ir. Vaneloppe escolhe ficar na internet e no jogo Corrida do Caos, que a cativou. Ralph por outro lado precisa voltar para o fliperama, eles conseguiram salvar a Corrida Doce comprando o volante que havia se quebrado, todavia tudo havia mudado a partir dali. Mesmo eles se comunicando, persistia um pesar pela distância, mas o coração ficava quente de saber que estavam bem, ambos onde escolheram estar, felizes um pelo outro por estarem alegres fazendo o que gostavam, e com expectativas de quando se veriam novamente. Ou seja, o amor sobrepõe barreiras físicas e mesmo que haja ausência, de algum modo ele sempre vai aproximar as pessoas que se amam verdadeiramente.















