segunda-feira, 26 de maio de 2025

A escrita e as portas para mundos melhores

 


"Esqueça-os Wendy. Esqueça todos. Venha comigo para onde nunca mais vai ter que se preocupar com os problemas dos adultos"

Existe uma tônica curiosa em diversos autores famosos da literatura clássica e até da contemporânea. Para os leitores de plantão é possível perceber as diferenças de estilo e assuntos abordados. Contudo converge em um ponto comum, os escritores tem uma capacidade ímpar de criarem mundos e portas que sugerem estar fugindo dos próprios medos e vida.

Não raro perceber um enredo que por mais diverso que seja tem um caminho ou porta ou chave que são a possibilidade para algo incrível, um mundo diferente e com coisas extraordinárias nunca vividas até então. É como se houvesse um desejo secreto de mudar o vivido até ali. Quando se mune dessa percepção, consegue-se ver que pode haver muito mais nas histórias que se supõe. Começando com um super clichê: Peter Pan. O que parece mais fantástico para uma criança do que a possibilidade de voar para um mundo desconhecido no qual se permanece eterna?

Todas as futuras responsabilidades de uma vida adulta chata e sisuda simplesmente desaparecem mediante um vôo. Nessa ilha, tudo que parece ser de mais bonito e divertido... para sempre. Mesmo que haja a ideia de eternidade, o nome Terra do Nunca é justamente fazendo referência a "nunca crescer", "nunca deixar sua essência de criança". Mesmo que isso significasse esquecer os pais e ser esquecido por eles, muitos pagariam o preço em troca de poder serem eternamente crianças. O autor de Peter Pan
não criou a Terra do Nunca como uma alegoria. Ao ver como o filho de uma amiga sofreu com a morte do pai e desejou crescer por acreditar que os adultos eram isentos de dor e sofrimento, ele fez justamente esse lugar mágico como o contrário: como a forma de estacionar na fase da vida mais feliz.

É notório na história que Peter tem aversão, até repulsa por qualquer coisa da vida antiga. Não crescer é a metáfora da ojeriza a fase adulta, a fase em que diferente do que o menino supunha, é a mais dura e que mais se sente infortúnios, porém a questão é que adultos aguentam melhor. Ainda assim a metáfora fica clara, do quanto havia uma vontade de entrar (ou não retornar) a essa fase, com total consciência guiado por uma fadinha e tendo aventuras diárias, sem rotinas enfadonhas.

Outro que se fez valer de uma "porta" foi Lewis. No caso dele era até literal visto que era um guarda roupa o portal para algo totalmente novo. As coisas nas Crônicas de Nárnia também tinham uma situação complicada acontecendo paralelamente. Os quatro irmãos Pervensie precisaram amadurecer mais rápido em decorrência dos horrores da guerra e de tudo que veio depois disso. Ao precisarem ficar no campo por segurança, encontravam-se solitários e tristes. Daí em meio a uma brincadeira, o guarda roupa é descoberto. E daí eis que a mágica ocorre, ele se revela um portal para um mundo fascinante no qual eles não eram mais crianças isoladas, assustadas e sozinhas, mas reis e rainhas envolvidos em algo extraordinário. Uma luta e aventura onde tinham importância, onde sua presença não era um aborrecimento e eram considerados como iguais dentro de um reino. Ainda que tivessem sido envolvidos em uma guerra no fim das contas, dessa vez foi uma com propósito, onde havia algo que compreendiam e tomaram parte. As Crônicas de Nárnia demonstram que em meio ao caos você pode encontrar a luz em um lugar de esperança.

JK Rowling também sentiu e deu esperança quando sua história sobre Harry Potter, o menino bruxo ficou mundialmente famosa. Se todos já se sentiram sozinhos na vida, Harry tinha isso bem literal uma vez que tinha perdido os pais, estava sendo criado pelos tios e era considerado um estorvo o tempo
inteiro. Daí em um mágico destino, literalmente, ele é inserido em um mundo bruxo que sequer imaginava existir, tanto que até tentou se amenizar dizendo "eu sou só o Harry", numa demonstração de estar tão acostumado com migalhas que jamais se imaginou merecedor de mais. Lá todos o conheciam e o tratavam com respeito, gostavam dele, as pessoas queriam ser suas amigas e não estava mais sozinho no mundo. De repente, havia chance de felicidade cruzando uma pilastra da plataforma 9 3/4.

Henry Jekyll, no Médico e o Monstro, tinha boa intenção para sua fórmula. Em sua mente, liberar o que havia de pior no ser humano poderia ser útil para ajudar a combater, porém ele não imaginava que o que ele tinha dentro de si também queria conhecer o mundo, que pra ele era novo, fora das barreiras do inconsciente. 

De Harry Potter a Dr. Jekyll, dos Pervensie a Bastian, de História sem Fim que salvou o reino de Fantasia e montou no dragão Falcor tendo sua porta através de um livro, todos eles tiveram algo em comum: a chance de estar em um local fantástico e sair da ordinariedade de suas vidas. Em muitos casos, a vida nem precisa ser propriamente ruim, porém mediante um reino onde há coisas fantásticas, seres incríveis e coisas tão bonitas, é óbvio que a vida vai parecer algo sem graça e cinza.

Os escritores sabia disso. Sabiam dessa condição do ser humano, algo que remanesce dos tempos de criança quando as florestas encantadas são o quintal e os castelos uma cabana de lençol. Eles sabiam que não importava que mundo fosse, seria algo que tocaria profundamente, afinal, o mundo é cheio de dificuldades, de pessoas desagradáveis e obrigações logísticas. Capitão Gancho disse: "Crescer é um investimento e tanto, cheio de inconveniências e espinhas", além dessas espinhas, há o esquecer as
essências, engavetar sonhos, chega-se a duvidar da própria vida e dos objetivos dela, um mundo fantástico atrás de uma porta, de um guarda roupa, de uma fadinha que faz voar parece extremamente tentador. Uma cidade Esmeralda que reluz ao sol, numa terra com danças, amigos em toda parte e nada de boletos e pessoas chatas.

Para uma criança é mais fácil, muitos adultos podem ter dificuldade, contudo uma das coisas que podem ser consideradas um ápice é se o adulto mesmo no mundo complicado das responsabilidades, consegue transitar também no mundo das fantasias, pegando o melhor de ambos. Alguns, sejam escritores ou pessoas comuns, usam de alguns subterfúgios pra isso, e ainda que o resultado seja magistral em termos criativos, nem sempre é algo legal, Sthepen King criou mundos, personagens inesquecíveis completamente drogado em cocaína, embora não seja o melhor meio, não se pode tirar o mérito. 

Que felicidade é poder aproveitar melhor a vida, as cores e mesmo que tenha boletos, ainda se possa voar nas costas de um dragão, dançar em uma ponte colorida e correr ao lado de centauros. E com maestria transitar por entre essa linha tênue quando tiver vontade. Isso talvez seja ser verdadeiramente livre. Livre e feliz. 



terça-feira, 13 de maio de 2025

Polêmica: a subserviência do paraense a Região Sul

 


Assunto polêmico a vista. 

A região Norte sempre foi alvo de múltiplas opiniões. Por estar literalmente no coração da Região Amazônica, não é incomum acharem que os habitantes têm onças de estimação ou criam jacarés. Alguns ainda mais extremos creem que se mora em casas na árvore e cobras andam nas ruas livremente. As únicas vezes que vi estes animais foi no museu e no bosque, e ainda assim por trás de uma grade quando eles apareciam. Região Norte atualmente não é como se fosse uma protagonista, exceto por um evento relacionado ao meio ambiente que ocorrerá e que mesmo sendo um evento super esporádico que ocorre na região ao invés das tradicionais Sul e Sudeste, foi o bastante pra muitos se encresparem, tanto os de fora quanto os conterrâneos, estes últimos de forma mais espantosa ainda.

Pois bem, não é de hoje que muitos estão criticando a ocorrência do evento da COP 30 em Belém, afirmando que não há estrutura na cidade e tal. Tudo bem, não é de todo inverdade, a cidade precisa mesmo de melhorias todavia o que está se vendo não é apenas a crítica a infraestrutura, rede hoteleira e saneamento, afinal, os de fora já fazem isso com muito gozo, o negócio é ver quem mora na cidade dando pilha e falando deliberadamente mal. “Não venham pra COP 30” já virou um mantra de uma ou outra influencer. Por suposto que a cidade tem um sério problema com lixo, saneamento, estrutura dos pontos turísticos, isso é notório, falar em tom de crítica e elucidação, puxando para uma chamada de atenção para melhoria é uma coisa, mas as catirobas e galas secas não estão sabendo a diferença entre isso e deliberadamente falar mal da cidade. 

Lógico que a diáspora do paraense para a região Sul logo entra na roda e não falta quem comece a dizer que se pudesse não estaria mais aqui. Simples seria dizer: “Então meu mano, RASGA! Vai-te-imbora! Roberta Miranda pra você!”, como muitos (inclusive eu, confesso) dizem. Longe de mim querer castrar alguém cuja melhora está fora do estado, tenho muitos amigos que foram devido a realmente não encontrarem um lugar aqui, porém boa parte deles honram a farinha baguda que comeram e não ficam denegrindo o estado lá fora, pois sejamos francos, muitos só querem um pezinho pra olhar torto não só pro estado mas para o Norte como um todo. Sabe-se da diáspora, sabe-se das dificuldades em termos de emprego, você não é o brabo que prendeu a Matinta Perera por afirmar isso, agora é cabível perguntar: você faz algo pra ao menos tentar mudar a realidade, seja incentivando educação, não jogando lixo na rua fora dos dias combinados, recolhendo o cocô do seu cachorro ou é dos que só tem lábia pra falar mal e dizer que vai cair fora na primeira oportunidade? Lá fora adoram paraenses. Como não vão gostar? Lá muitos paraenses chegam, os de fora percebem como se arreganham e dão aos paraenses os empregos que os conterrâneos não pegam, ou seja, os que adoram lamber as regiões de baixo saibam que estão extremamente felizes porque vocês ajudam a região DELES a crescer. Sempre me perguntei sobre essa contradição. Como uma região cresce e se desenvolve se os que nela residem levam toda sua capacidade, força e inteligência pra fora? 

Olha, o Sul não nasceu rico. Tem uma novelinha antiga chamada Terra Nostra que mostra que os italianos ascendentes vieram em navios fugindo da fome e como já ouvi de um próprio sulista: “Tem muitos aqui que se gabam de serem descendentes, mas se esquecem que quem veio nos navios foi a ralé”, ou seja, maninhos, eles se dispuseram a melhorar a região com seu trabalho e capacidade, gerar, desenvolver e construir coisas lá, aqui tem uns que não vestem a camisa, mas também não caem fora, não passam o sal na mina, mas também não saem de cima dela. Curioso porque na nossa história denota uma época totalmente contrária a todos esses problemas. Na época da Belle Époque NÓS éramos os tais, inclusive se você for no comércio tem uma loja de tecidos chamada Paris N’América, que decorre desse tempo onde se vendiam tecidos finos apenas para a alta sociedade. Belém foi a primeira capital a ter bonde elétrico, o cinema mais antigo do Brasil, Teatro no estilo europeu, no auge da era da borracha e sua extração, de forma muito curiosa, NÓS éramos o sul, porque todo mundo queria vir pra cá em busca de trabalho e oportunidade. O que aconteceu então pra que nos desbancassem? Simples em duas palavras: Fomos roubados. 

Contrabandearam mudas de seringueira para o sudeste asiático e aí como dizemos aqui: levamos o farelo. Aliás até hoje rola isso. Vejo e ouço histórias de pessoas que vem pra cá, pegam tudo que podem, usam nossos recursos e força de trabalho, depois voltam para os seus, com bolsos cheios reclamando da chuva e do calor, já dizia nossa música popular: “Ninguém nos leva a sério, só o nosso minério”. Vejo muitos que vão embora renegarem sem pudor nenhum suas raízes, disfarçam o S arrastado, fecham os Ós e Ás pra fingirem que não são daqui, e em extremos, já se denominam do lugar pra onde migram, entretanto desculpa dizer, mas você não deixa de ser índio porque deixou seu arco e flecha em casa e quer esquecer como se usa ele, você sempre será visto como “nortista”, “do mato”, “do meio da floresta” raízes são coisas que não se pode cortar fora. 

E eu sinto muito pelos meus amigos que foram pra fora que continuam se orgulhando de onde são, que acreditam no potencial da cidade e que não merecem ouvir isso por conta dos pomba lesas que tem vergonha; lamento também por amigos sulistas/sudestinos que são muito receptivos e não merecem os rótulos que alguns intolerantes pintam na região. Belém é uma cidade cheia de problemas, mas com potencial e se não olharmos por ela, cobrarmos, fizemos nossa mínima parte, é um problema a mais. Então se for pra apontar os problemas faça a crítica, embora com a mesma deferência e cuidado que teria com um turista das regiões que bajula. Afinal, não queira bancar o maninho que curte enfeitar a casa e bajular só a amante enquanto a casa da esposa e dos filhos cai aos pedaços, isso fica feio pra ti.

domingo, 4 de maio de 2025

Vídeo Sobre Thais Carla




Oi! E aí? Como é que tá? Tudo na boa, de rocha? Eis que a influencer Thais Carla, fez uma bariátrica. Ativista do bodypositive, sofreu críticas porque segundo alguns ela "romantizava a obesidade" e realizou a cirurgia. Mesmo ela esclarecendo que tudo era sobre amor próprio não hesitaram em criticar mesmo assim. Ao meu ver ela nunca deixou de falar sobre as dificuldades que enfrentava, porém isso é muito diferente de se odiar enquanto pessoa. Então, aqui uma pequena opinião sobre o assunto.





Vídeo Makeup inspirada em Notre Dame - Clopin

 



Oi! Como é que tá? Tudo na boa, de rocha? O último video da série de maquiagens inspiradas en Notre Dame de Paris, o Clopin. Ele é o chefe dos ciganos, o mestre de cerimônia, o que coordena os festivais e super divertido. As cores dele são muito fortes e marcantes e espero que curtam!