Hoje vi o vídeo do Felipe Neto sobre homofobia e devo dizer que ele se superou. Já tinha visto alguns, mas
neste senti uma áurea de seriedade diferente. Claro, continua sendo o mesmo
estilo, com palavrões, expressões engraçadas, ironias, contudo, o embasamento
foi de uma solidez surpreendente.
Ele dá logo no início um aviso,
muito digno, afinal se você não curte o assunto ou se incomoda de alguma forma,
tinha logo a chance de parar por ali. Com uma breve introdução, ele logo
menciona o principal discurso de quem é homofóbico, regado a hipocrisia, algo
do tipo: “Não tenho nada contra, não tenho preconceito, mas não concordo com
isso, com aquilo, seria bom que eles mudassem e tals”. Bom, sinceramente,
quando escuto algo assim a primeira palavra que me vem na cabeça é egoísmo.
Afinal, quando se fala isso, dá a entender que certas pessoas tem o direito de
ser feliz, de ter algo que desejam e outras por serem “diferentes” não tem.
Fazendo um paralelo, os deficientes (físicos, mentais, visuais) há tipo 50 anos
atrás não tinham direito a trabalho, estudo e eram chamados de fardo pela
família e chaga pela sociedade, hoje eles tem direito quanto qualquer outra
pessoa sem deficiência e acima de tudo a serem felizes.
Gostei de como ele enfatiza que
as palavras tem poder e a expressão: “Você não precisa dar uma lampadada na
cara de alguém pra causar esse efeito, bastam as suas palavras” exemplifica bem
isso. Além do fato dele mostrar ao longo do vídeo que respeitar o próximo vai
além de um bom dia e de uma aceitação camuflada.
Houve a discussão do argumento de
que caso a lei do casamento gay fosse aprovada de certa forma influenciaria as
pessoas a se “tornarem” homossexuais, nem preciso dizer que já deixei bem claro
em posts anteriores que não acredito que você se torne isso ou aquilo quando se
trata de sexualidade, você simplismente é. E com relação aquele papo de um
filho seu ver dois homossexuais se beijando, concordo quando Felipe Neto diz
que todos nos sentimos constrangidos ao ver QUALQUER pessoa se pegando na rua
independente da sexualidade. Eu mesma, me sinto constrangida com os gritos dos
gatos da vizinhança em épica de cio, acredite se você ouvisse, ficaria assim
também.
Acho que quem diz “como vou
explicar isso?” com relação a homossexuais deve ter alguma dificuldade de
exposição e esclarecimento de idéias, diga a verdade universal: que somos
diferentes, que algumas pessoas tem tendências diferentes das outras, o que não
as faz piores ou melhores que os outros. Um dia também você vai ter que
explicar para seu filho que drogas existem, muitos usam e que são ruins ou de
onde vem os bebês e acredito eu que uma crise da sua parte não faria muito bem
a ele.
Felipe Neto deu seu recado e
mostrou, com seus palavrões e ironias, argumentos sólidos, fatos concretos,
dissertou sobre crenças e que acredita no mandamento da felicidade e amor ao
próximo, que em minha opinião já é o próprio Deus. Em tempos cinzentos como
esse, é gratificante saber que coisas assim tão expressivas não vem só de
sábios e estudiosos, ativistas, mas também pode vir de um vlogueiro
aparentemente rebelde e que fala as coisas tão na lata e sem meias palavras. Talvez
seja por isso que fez muitos pensarem e repensarem em suas atitudes...



