domingo, 28 de abril de 2013

Homofobia - Não faz sentido por Felipe Neto: Crítica



Hoje vi o vídeo do Felipe Neto sobre homofobia e devo dizer que ele se superou. Já tinha visto alguns, mas neste senti uma áurea de seriedade diferente. Claro, continua sendo o mesmo estilo, com palavrões, expressões engraçadas, ironias, contudo, o embasamento foi de uma solidez surpreendente.

Ele dá logo no início um aviso, muito digno, afinal se você não curte o assunto ou se incomoda de alguma forma, tinha logo a chance de parar por ali. Com uma breve introdução, ele logo menciona o principal discurso de quem é homofóbico, regado a hipocrisia, algo do tipo: “Não tenho nada contra, não tenho preconceito, mas não concordo com isso, com aquilo, seria bom que eles mudassem e tals”. Bom, sinceramente, quando escuto algo assim a primeira palavra que me vem na cabeça é egoísmo. Afinal, quando se fala isso, dá a entender que certas pessoas tem o direito de ser feliz, de ter algo que desejam e outras por serem “diferentes” não tem. Fazendo um paralelo, os deficientes (físicos, mentais, visuais) há tipo 50 anos atrás não tinham direito a trabalho, estudo e eram chamados de fardo pela família e chaga pela sociedade, hoje eles tem direito quanto qualquer outra pessoa sem deficiência e acima de tudo a serem felizes.

Gostei de como ele enfatiza que as palavras tem poder e a expressão: “Você não precisa dar uma lampadada na cara de alguém pra causar esse efeito, bastam as suas palavras” exemplifica bem isso. Além do fato dele mostrar ao longo do vídeo que respeitar o próximo vai além de um bom dia e de uma aceitação camuflada.

Houve a discussão do argumento de que caso a lei do casamento gay fosse aprovada de certa forma influenciaria as pessoas a se “tornarem” homossexuais, nem preciso dizer que já deixei bem claro em posts anteriores que não acredito que você se torne isso ou aquilo quando se trata de sexualidade, você simplismente é. E com relação aquele papo de um filho seu ver dois homossexuais se beijando, concordo quando Felipe Neto diz que todos nos sentimos constrangidos ao ver QUALQUER pessoa se pegando na rua independente da sexualidade. Eu mesma, me sinto constrangida com os gritos dos gatos da vizinhança em épica de cio, acredite se você ouvisse, ficaria assim também.

Acho que quem diz “como vou explicar isso?” com relação a homossexuais deve ter alguma dificuldade de exposição e esclarecimento de idéias, diga a verdade universal: que somos diferentes, que algumas pessoas tem tendências diferentes das outras, o que não as faz piores ou melhores que os outros. Um dia também você vai ter que explicar para seu filho que drogas existem, muitos usam e que são ruins ou de onde vem os bebês e acredito eu que uma crise da sua parte não faria muito bem a ele.

Pela primeira vez, Felipe entrou no mérito da religião. Há uma larga exposição de versículos, tanto do antigo como do novo testamento. De atos, ações, “regras”, coisas como: uma mulher menstruada deve fica 7 dias isolada da sociedade, um homem pode vender suas filhas para proteger anjos e por aí vai. Me surpreendi com o discurso e acredito que muitos também se surpreenderam, pois tinha algo de muito sólido ali e Felipe mostrou saber muito bem onde estava pisando, embora o terreno fosse bem perigoso. Concordo que a Bíblia deve ser interpretada, mas se seguir á risca, siga ela TODA. Não pegue partes a seu favor e desfavorecendo o outro, acho que isso pode ser chamado de usar as Sagradas Escrituras como arma e francamente, usar algo que deve ser bom para fazer o mal é no mínimo desumano.

Felipe Neto deu seu recado e mostrou, com seus palavrões e ironias, argumentos sólidos, fatos concretos, dissertou sobre crenças e que acredita no mandamento da felicidade e amor ao próximo, que em minha opinião já é o próprio Deus. Em tempos cinzentos como esse, é gratificante saber que coisas assim tão expressivas não vem só de sábios e estudiosos, ativistas, mas também pode vir de um vlogueiro aparentemente rebelde e que fala as coisas tão na lata e sem meias palavras. Talvez seja por isso que fez muitos pensarem e repensarem em suas atitudes...

sábado, 20 de abril de 2013

Músicas pra se ouvir em dias de tristeza/solidão


Acredito eu que tristeza e solidão são sentimentos muito respeitáveis, tanto quanto felicidade. Respeitáveis porque devem ser respeitados pelos outros tanto quanto. Não que sentir-los seja agradável ou prazeroso, porém se alguém está assim, as pessoas deveriam respeitar os motivos, ao invés de querer logo levar pra uma balada pra “animar” ou só dizer “não fique assim”. A diferença de quando se está triste ou feliz é a qualidade das pessoas que permanecem ao seu lado e o que elas dizem e em ambas as situações o tempo do outro deve ser respeitado. Deve-se ajudar e conversar, mas ás vezes não está nas mãos do outro, mas nas daquele que sente. Então, aqui vai uma lista de músicas que você pode ouvir quando estiver naqueles dias de fossa ou solidão e não tem nada de bom pra ouvir, há possibilidade de depois de ouvir estas canções se sinta melhor, porque música também tem alguns efeitos terapêuticos.

When I was Five – Clare Bowditch: “Eu não me lembro dos seus olhos, mas suas mãos eu me lembro e sabia como era seu cheiro quando estava viva”. Acho que essa música é pra aquelas pessoas que sentem falta de algo ou alguém e tem vontade de gritar: “Me traz de volta!”.

Koe – Tsukiko Amano: Tema de Fatal Frame, em japonês. Tem um efeito relaxante. “Nascendo, nascendo o sol. Purifica este lugar”.

Wish you were here – Bliss: Já escrevi sobre ela. O piano e a voz suave ajuda muito. E o próprio refrão: queria que você estivesse aqui já diz o quanto se quer alguém que ajude a tirar a gente da tristeza.

Iter impius – Pain of salvation: Não poderia colocar trechos porque a música toda é boa, do primeiro ao último verso. Mas ela em si fala de um mundo devastado, sem mares, florestas e alguém que governa ruínas. o que nada mais é do que tristeza, pois ela esvazia por dentro e parece não sobrar vestígio do que se é.

Hello - Evanescence: Super lenta, piano, versos melancólicos. “De repente sei que não estou dormindo, ainda estou aqui, tudo o que restou do dia de ontem.” Quando se está triste se quer dormir, acho que essa música fala disso.

Missing – Evanescence: Música pra dias solitários e tristes, em que você fica pensando se há algo mais a se esperar. “Não tem algo faltando? Ninguém está sentindo minha falta?”

Talking show host – Radiohead: Fez parte da trilha de Romeu e Julieta, tem uma letra confusa e estranha, mas o ritmo relaxa bastante. Destaque para o primeiro verso “Eu quero ser outra pessoa ou vou explodir”.

Steet spirit (fade out) –Radiohead: Também é super lenta e tem uma letra diferente. O verbo é traduzido como “desvanece”, embora eu ache que “sucumbir” também é adequado. Pra quem viu o filme da Bruna Surfistinha, essa é a música que toca no momento que ela está fumando na janela e chorando. “Aqueles pensamentos e a pressão a que estou submetido/ Será um mundo infantil, formará um círculo/ Antes que todos sucumbamos/ E se desvanece de novo”.

Conceived sorrow – Dir em Grey: Música japonesa, tem um toque muito dramático e melancólico, o próprio nome remete a tristeza, já que sua tradução significa “tristeza concedida”. “Eu odeio a mim mesmo por ser incapaz de esquecer as lágrimas, as mentiras e o amor. Quero dormir com minha lágrimas”.

Lonely Day – System of a Down: Por experiência própria, essa é a música de final de dia, tipo último dia da semana e do semestre quando você vai pra um restaurante de esquina só. Esta música é perfeita pra dias que você gostaria de estar com alguém especial e está triste porque não está ou está se sentindo só no meio do mundo. “Um dia tão solitário. E é meu. O dia mais solitário da minha vida!” “E se você for, quero ir com você. E se você morrer, quero morrer com você”.

Obokuri Eeumi – Ikue Asazaki: Significa “juntando forças”, é uma japonesa também que fala de coisas meio medievais, tipo construção de uma casa usando feno e pedra. O ritmo dela é que faz a diferença, curiosamente, ao ouvi-la, mesmo estando triste, ela também me dá uma sensação de esperança pro dia seguinte.

Dumbledore’s farewell – Harry Potter: á partir daqui começam as trilhas instrumentais, porque elas conseguem captar muito bem o sentimento. Essa música é a mesma que foi tocada na cena em que Snape está abraçado ao corpo de Lilian Potter, chorando e sofrendo muito. Ponto pra cena e trilha perfeitas pra um momento assim!

Hokage’s Funeral – Naruto: Piano do início ao fim, dá uma emoção e ao mesmo tempo uma calma. Ajuda muito.

Sadness and sorrow – Naruto: Se é perfeita pra retratar a tristeza e solidão de Naruto de ser rejeitado, humilhado, subestimado em seus sonhos e desejos, por que não seria ideal também para o resto das pessoas?

Married life – UP: Não sei, mas essa música dá uma sensação de conforto e ao mesmo tempo de choro. Quem viu o filme sabe que é a música tocada no início, mostando a vida de Carl e Ellie até o momento da morte dela. Acho que é por isso que é boa pra esses momentos, porque dá a impressão de vida que passa e de tranquilidade.
Evenstar – Senhor dos Anéis: É bem lírica e retrata bem esse sentimento de tristeza e angústia, pois é a música que toca quando Elrond diz a Arwen que ela estará separada de Aragorn porque ele morrerá de qualquer jeito e que seus anos serão desperdiçados caso ela continue amando-o.



sexta-feira, 19 de abril de 2013

O comercial do Peugeot 208 e uma polêmica

Vídeo - 208 na Corrida Maluca

Ontem eu vi o comercial doPeugeot 208 e achei simplesmente incrível! Nossa, ficou muito bem feito e foi de grande criatividade. Fui procurar no youtube o comercial e eis que esbarro num daqueles comentários de uma feminista revoltada, questionando o porquê de ser um homem a dirigir ao invés de uma mulher, e porque uma mulher tem que terminar com o cara no carro já que estamos no séc. XXI e a mulher hoje pode comprar o seu próprio veículo. Nem preciso dizer que além das negativações em peso teve uns comentários ofensivos mandando a dona do comentário lavar louça.
Eu, mesmo não concordando com as mandadas de lave louça ou encare tanque, também achei desanimador ler uma coisa dessas num vídeo que era pra ser só diversão. Caso você não tenha visto, sem dar muitos spoilers, o comercial é baseado no desenho Corrida Maluca, de Hanna Barbeira. Muitos não sabem, mas costumava passar a uns anos atrás no SBT. E achei super criativo porque na corrida maluca o objetivo é a chegada, mas a principal atração são os (adivinha só!) CARROS.

Por isso, a intenção de um comercial como esse é mostrar o carro, as vantagens, acessórios e não necessariamente o motorista, então pra mim, tanto faz se é um homem ou uma mulher, a diferença seria no final do comercial, ao invés da Penélope Charmosa seria o Peter Perfeito com o carro bugado. Os personagens estavam muito bem caracterizados, os Irmãos Rocha, o Barão Vermelho, o Cupê Mal-Assombrado e meu Deus! Que Dick Vigarista era aquele?? A cara de fanfarrão e trapaceiro nunca pareceu tão real pra mim! Até a armadinha e a queda do vilão foi super bem feita, os Srs. Hanna-Barbera devem estar orgulhosos, de onde estiverem.

Aí falam do fato da mulher que espera um homem com carro, bem, só por informação, a Penélope Charmosa tem seu próprio carro e já ganhou várias vezes a corrida maluca. Não hesitei em responder o comentário crítico, não com ofensas, mas com uma resposta que julguei inteligente e pelo que vi, já recebi curtidas. “A questão do comercial de carro é o público alvo e a criatividade envolvida nele, da mesma forma que comerciais de perfume possuem mais protagonistas femininas que masculinos, o que não quer dizer que homens não usem perfumes, do mesmo jeito que neste caso em questão não signifique que mulheres não dirijam. A questão da conquista no comercial acredito se dar pela personagem que é a Penélope Charmosa, que para os que conhecem é uma personagem bonita que conquista pela beleza e simpatia”.

Acredito que sempre há um público para o qual se direcionem as propagandas. Todos usam perfumes, mas quem mais compra são as mulheres, ainda que para filhos, pais, maridos, etc. Toda mulher pode comprar um carro, porém na maior parte das vezes, consultam alguém mais experiente no assunto, que pode ser uma mulher ou um amigo que dirija há mais tempo. Seu irmão/namorado/pai/filho pode comprar maquiagem pra lhe dar de presente, mas nos comerciais as cores e cobertura dos produtos ainda serão mostradas por mulheres.

Não é a primeira vez que fazem comentários assim sobre um comercial. Li uma crítica sobre o comercial da Schin dos caras que ficavam invisíveis, dizendo que o fato deles entrarem no vestiário feminino seria uma alusão ao estupro. Na moral, acho que as mulheres saem assustadas e gritando não por causa de uma tentativa de estupro, mas porque sentem que tem algo ali que não conseguem ver de onde vem. Se você assistir aqueles documentários da Discovery de investigadores que passam a noite em casas assombradas também vai ver os homens assustados e gritando por estarem sendo tocados, cutucados e sentindo calafrios de alo que não sabem o que é.

Adorei o comercial, achei de uma simplicidade e criatividade únicas.  Seria muito legal que só prestassem atenção nos carrinhos, nos personagens, sentissem a falta do Professor Aéreo ou do Rufus Lenhador, aos interessados em comprar, percebessem os acessórios, porque em um comercial assim é esse tipo de coisa que conta e que faz rir. Aos que ficam falando, criticando indevidamente e fazendo picuinha, só dou minha risadinha de Muttley a eles.