terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Agora sim: Feliz Ano Novo!

 


Não é segredo o quanto as palavras dos influencers hoje em muito são perniciosas, egoístas, oportunistas e distorcidas nos mais diferente níveis, todavia devo admitir que um deles disse algo muito pertinente no final do ano passado. Segundo ele, na época do ano novo todos estão cheios de planos, pensando no que fizeram no ano que passou e cheios de expectativas, contudo justamente por isso que não se deveria fazer planos para o ano que vai entrar.

Afinal, esse estado de confraternização, de amor ao mundo, de súbito surto de clareza, humanidade e energia renovada não é o padrão, estão todos contagiados pela energia natalina e familiar, porém passada a primeira semana, logo após o dia 05, começa a bater o velho cansaço e vontade de deixar tudo pra depois. Aí o entusiasmo para os exercícios e a vida fitness já não são mais os mesmos, aquela velha arrumação do guarda roupa e mudança de estilo pode esperar e por aí vai. É semelhante aos cadernos novos dos estudantes, no momento em que saem das papelarias estão ali, branquinhos, novos, com aquele cheiro inebriante e rola um juramento silencioso de que a dedicação será impecável e serão alunos diferentes, mas passada a quinta página, o cheiro não é mais o mesmo, já tem folhas amassadas, riscos na capa e o caderno não é mais ou não parece mais tão novo como antes.

Rola o mesmo com as promessas, segundo o tal influencer, não se deve fazer promessas antes do começo do ano de fato, afinal só quando você volta ao seu padrão é que começa a verdadeira análise do quanto se quer de fato alguma coisa. Do quanto sua vontade é forte e do quanto está disposto a persistir nisso. E como se diz que o ano só começa de fato após o carnaval, talvez essa reflexão não tenha hora mais pertinente do que agora.

Indiscutivelmente parece que o tempo está passando mais rápido. Parece que a semana em muitos momentos é interminável, mas a páscoa chega em um instante. E aí deve vir o questionamento: o que estamos fazendo com esse tempo afinal? Será que agora, passadas as luzes coloridas e o carnaval, a folia, a energia de que ainda se estava no clima de festa consegue-se ver de forma clara o que se quer de fato para o ano que está começando? Quais os objetivos e o quão se quer permanecer neles?

Os anos anteriores ainda foram bem nebulosos. Tal como um mundo que precisou se reerguer após as grandes guerras, se precisou de uma recuperação após o COVID 19. Algumas adaptações permaneceram como características permanentes, vimos faces sendo reveladas e percebeu-se que o povo pode ser mais ignorante do que poderia se pensar. Daí começa um novo ciclo no qual se questiona o que realmente se quer para este novo mundo reformado.

E lógico que isso influencia nos desejos e planos da população. Ao perceber como muitas conjunturas mudaram, muda-se também as perspectivas de emprego, de carreiras e estudo. Com a desvalorização de determinadas profissões, muitos mudaram suas perspectivas com relação ao estudo e ao que desejavam


por trabalho. Influencer foi um trabalho que virou sonho de muitos, ao ter a noção de que se está falando algo de que goste, que se pode ganhar dinheiro com outros ouvindo criou-se o imaginário de que estudos e intelecto não são mais tão necessários, gerando uma onda de pessoas iludidas. Será que estes têm noção de onde estão se metendo? Será que vão dedicar seu ano novo a isso e esquecer de outras possibilidades mais seguras?

Da mesma forma como muitos se iludiram com relação a trabalho, os relacionamentos viraram alvo. De forma muito comum, se faziam pedidos para se achar a chamada “alma gêmea” no ano que estava entrando. Hoje, muitos fazem questão de dizer que querem longe. Seja porque perceberam que dentre as opções disponíveis nenhuma agrada e não se submetem a qualquer coisa, seja porque há raivas mal resolvidas, traumas não trabalhados e se estende más perspectivas a uma totalidade, seja porque simplesmente não sente necessidade de dividir a vida ou há uma pura incapacidade de tal, fato é que muitos não querem um relacionamento. Entretanto, se fosse só o fato de não querer, isso é uma escolha pura e pessoal, mas tudo muda quando esta escolha passa a ofender um grupo terceiro, com insinuações e acusações, fazendo parecer que sua escolha deve se estender a uma totalidade de pessoas, como que dando a entender que a escolha delas por ser diferente é inferior a sua.

Com isso vimos esses grupos dos pills, ou como já vi “supositórios vermelhos”, que transvestem suas ideias de “valorização masculina” de puro e simples preconceito, grosseria e intolerância, crendo-se no direito de despejar todo tipo de ofensa aos discordantes. Se fosse somente a questão de relacionamentos, não é propriamente uma novidade, já que muitos livros desse tipo foram lançados em décadas passadas, mas tal atitude tem sido vista nos mais diferentes assuntos, desde opção de mulheres por carreira ou ficar em casa, religião, hobbies, virou uma verdadeira guerra de ideias ao invés de partilhar e demonstrar elas.


O ano de 2024 começou mas em muitos aspectos carrega a velha energia de seus antecessores. Como se de repente a sociedade, especialmente a brasileira, tivesse entrado em uma fenda do tempo, a qual tem looping eternos das mesmas situações, dos mesmos clichês, apenas com pessoas diferentes, assuntos diferentes mas em atitude tudo permanece. Muitos tentaram e tentam através do caminho da elucidação demonstrar que enquanto sociedade podemos evoluir, mas ainda é um trabalho de formiguinhas.

E aí volta-se para o questionamento do início. Agora quais são realmente os planos das pessoas? Será que em uma sociedade tão partida e cheia de dicotomias, pode-se sonhar com um mesclado de ideias ao invés de apartheid delas? Será que se pode levar a velha noção de respeito, tolerância e coisas novas adiante, ao invés de mais um ano repetindo os mesmos erros, as mesmas falhas para que em dezembro de 2024, ao ouvir a musiquinha deprimente de “e o que você fez?” só reste arrependimento e sensação de tempo perdido? Se quisermos que seja diferente, seja o projeto verão de emagrecimento, seja uma guinada da vida, tudo começa mesmo pelos planos, por uma vontade que vai permanecer conforme a disciplina for sendo trabalhada. Afinal, desejos, planos, as vontades e pedidos ao pular as sete ondas todos tem, mas é a força de vontade e disciplina de regar tudo isso dia após dia, mesmo depois da energia do ano novo, é que determina o sucesso.


terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Os coachs e a educação atual. Ou a falta dela

 


Esse é um post sobre educação...

Esse mês saiu o resultado do vestibular na minha cidade. Aqui se pode dizer que há uma exclusividade na comemoração, existe uma música que é trilha sonora única para este dia, todo um ritual que envolve quebrar ovos, trigo, colorau, laçarotes de jornal na cabeça das meninas, buzinam quando passam diante de uma comemoração mesmo que não conheçam quem passou. Aqui é uma mudança de status, é como passar pelo guarda roupa de Nárnia rumo a um novo mundo, não raras histórias de filhos de bombozeiro e bicheiros que conseguem a vaga e todos sentem intimamente o que isso significa. É uma chance. Me fez pensar em como a educação está sendo vista atualmente. Não é segredo pra ninguém que no nosso país ela é um privilégio e bem exclusiva. Sofria reveses variados. Um deles pela própria questão de falta de políticas públicas, materiais e ensino de qualidade, presente até hoje e também claro, por aqueles para os quais era vantagem que parte da população permanecesse nesse nicho da falta de instrução, comumente os que se valiam dos serviços dessa fatia populacional. Já foi até retratado em novelas... a filha da empregada era uma potencial futura empregada, o filho do jardineiro virava motorista, dificilmente havia aqueles que gostariam dos serviços em um nível superior, pois isso significaria pagar mais caro. Então, que ficassem restritos.

Hoje as coisas mudaram e muitos acessos foram possíveis, todavia o revés se dá de outro modo, disfarçado, distorcido, parece inocente mas ganhou força, os reveses hoje (em parte) se chamam influencers e cocoachs, como já vi. O conhecimento no país já é restrito e considerando muitos seguidores, estes ainda se dão ao luxo de serem idiotas, mesmo com o


privilégio do acesso desvalorizam a formação superior, o conhecimento, a ciência, incentivando a disseminação de conhecimento promíscuo sem filtro ou moral alguns. Há os deslumbrados que se impressionam com carinhas bonitas. Tipo o rapaz com um nome e sobrenome estrangeiros que diz ter ficado milionário sem nem ter concluído o ensino médio e fala que a universidade é uma farsa. De forma muito comum (e conveniente) existe uma lacuna na história do ganho milionário baseado no “trabalho com internet”. E de forma até imoral faz parecer que o ensino superior é um desperdício e quem nele ingressa viverá uma vida medíocre, tudo enfatizando a fortuna feita “sem universidade”.

Vendo isso e percebendo o que essa “farsa” significa pra pessoas mais vulneráveis em termos de acesso a uma vida melhor é no mínimo indignante ver a concordância. A região Norte é vulnerável. Não só pela imagem estereotipada de índios e onças na rua, mas pelo histórico econômico e social que perdura em muitos aspectos, essa “bobagem” de universidade foi o que possibilitou muitas pessoas de mudarem suas vidas e de suas famílias, quebrarem ciclos de pobreza e terem chance em seu próprio lugar. Só que é aquilo: não dá pra esperar que um menino branco, de uma região historicamente bem desenvolvida, o qual mal deve saber o que acontece do lado de fora da janela de seu suposto carro importado, vá entender isso: o que pra uma população vulnerável significa uma chance de quebrar paradigmas.

Daí se um diz que a universidade é uma farsa, existe os que são farsas em si. Não formados em absolutamente nada, desde pedreiros a uber (não desvalorizando tais profissões), produzem conteúdo de uma área na qual não tem graduação e ainda menosprezam a educação e formação de fato. Comumente ocorre com indivíduos ditos religiosos. Disseminam ensinamentos preconceituosos sobre condutas, o que é certo ou não com base na Bíblia e ao mesmo tempo querem pautar seus artigos em bases “científicas” distorcidas,


sem sequer saber os mecanismos de como se faz uma referência científica. Ou seja, quer cativar os carolas do fã clube conservador e tradicional porém sem ao mesmo tempo parecer burro. Guloso o influencer, não? Quer agradar ambas as cozinheiras para ganhar mais sobremesa. E nisso escarnece de profissionais sérios, lucra, compra paraísos na colina, bens e segue incentivando que a educação superior é mixa, todavia se valendo dela nas partes mais convenientes. Dar palco para este tipo de indivíduo é como dar seu coração para ser operado pelo açougueiro só porque ele tem experiência em cortes ao invés do cardiologista porque acha que conhecimento teórico é dispensável. Tal como alguém que se acha tão superior a ponto de dizer que você não precisa de educação ou se crê tão incrível a ponto de disseminar coisas sem ter tido uma aula sequer.

Fora isso existem os que ganham dinheiro de forma literalmente abjeta: elencando um grupo para ser vítima de falas preconceituosas. Um dos alvos principais são as mulheres. Sempre tem alguém que colocá-las como interesseiras, carreiristas, pessoas ruins e lógico que vai haver um grupo de sequelados, que talvez não conseguiram ressignificar seus traumas, com mórbido prazer em acompanhar o bonde. E promover lucro pro influencer benfeitor que lhes fez o favor de “abrir os olhos”. Em uma sinceridade despudorada: no Brasil já se teve notícias de fortunas feitas com pedofilia, prostituição, abuso sexual e exploração de menores, tráfico de variados tipos e mão de obra ilegal, sendo um país machista (e fofoqueiro) em nuances terríveis, não é até óbvio que um rapazinho que fale mal de mulheres também não vá ter seu quinhão? Assim como outros do mesmo buraco fétido e mesmas ideologias também?

Todos os dias saem na rua o malandro e o mané. O mané pode até não o ser pro malandro X, porém nada impede de o ser para Y. e quando se encontram, dá negócio rentoso pra influencer torpe. E de modo curioso, muitos destes usam o conteúdo de outros influencers como exemplo do que não seguir, como se o lucro não fosse feito da mesma forma. É como se o traficante de crack para quebrar o negócio do traficante de pó começasse a fazer campanha anti-drogas. A regra devia ficar clara: não importa o gênero, se o conteúdo for infame, o filtro deveria ser aplicado sem pestanejos.

Até que nesse angu existem os influencers com instrução de fato. Pessoas cultas e instruídas, que felizmente usam o conhecimento para o bem, para o chamado impacto positivo na sociedade, seja fazendo receitas, com atividades manuais ou prestação de serviços úteis todavia há os que ainda que entendam o valor da educação, em nome de seus personagens criados nas redes, disseminam que o melhor é a internet em sobreposição a um trabalho regular fora dela. “Um emprego de 8h por dia é medíocre”, trabalhar para “outros” é


perda de tempo e todas estas falas sendo disseminadas de forma irônica e antiética. De forma muito pessoal, jamais foi visto nenhum destes senhores não fazer uso (e muito bem) dos serviços “medíocres”, com cartão de ponto, horário definido e contra cheque. Desde as cozinheiras que fazem sua salada proteica, os médicos que cuidam de sua saúde, da sua família, fazem partos e prescrevem dietas, se passarem mal quem prestará socorro serão os medíocres com escalas de 8, 2 até 24h do atendimento móvel, se tiverem problemas com a lei, os medíocres advogados com suas jornadas; para decorar a casa ou fazerem edições em seu conteúdo digital, os designers com seus estúpidos diplomas, ou seja, trabalhar para os outros é medíocre desde que os outros sejam literalmente “os outros”.

Entretanto como eu disse, é um post sobre educação

O que todos estes influencers e cocoachs tem a ver com os vitoriosos vestibulandos?

Simples: ao demonstrarem sua falta de ética e atitude rasteira com conteúdos disseminados na rede é como um escárnio ao verdadeiro conteúdo e educação. O influencer que só sabe falar mal das mulheres ou quem que seja, engorda a ilusão dos 75% de jovens que dizem querer ser influencers e talvez não fazer uma universidade, crendo que se pode ganhar a


vida fazendo esse tipo de coisa. O Brasil é um país materialista, ao que parece, desde que haja muitas garoupas envolvidas, uma boa parcela não quer saber de onde vem, sem se importar com os valores morais que permeiam a situação. Ainda que isso possa custar dignidade e a possibilidade de conhecer realmente o significado de satisfação pessoal.

Seja o cara pedreiro que se acha psicólogo, o truncado fitness que se crê terapeuta de relacionamentos, o uber que pensa conhecer as leis, o moleque com carro importado que ludibria dizendo que fez milhão, todos jogam lama na carreira de pessoas que se esforçaram e se esforçam por uma carreira dentro de moldes honestos e éticos. A educação no Brasil é algo que sempre possuiu restrições. O acesso a ela para muitos significa sair de uma realidade e passar por uma porta estreita rumo a outras possibilidades.

As dificuldades no acesso começam na própria falta de políticas públicas, ensino e material de qualidade para todos e claro, não se pode deixar de mencionar que era vantagem para os que tinham sob seu domínio pessoas em um ciclo de ignorância permanecessem assim, afinal, seus filhos seriam fortes candidatos a perpetuar o ciclo em posições de subjugação ao invés de uma ascendente.

Combater esses cocoachs é fazer com que seja freada a forma vulgar e abjeta com que a educação vem sendo tratada e incentivada a ser tratada por eles. É combater essa promiscuidade de conteúdo. E se perguntarem o porquê da importância disso, é simples: nosso país já tem uma fama bem negativa em múltiplos sentidos, relacionada a maracutaias, safadeza e pouca confiabilidade, se abdicarmos da única coisa que pode bater de frente com isso, selaremos o destino de permanecer sempre abaixo sem muitas possibilidades de melhora. Não permitamos que isso aconteça.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Vídeo Dicas para os calouros na Universidade

 


Oi! E aí? Como é que tá? Eis que o resultado dos vestibulares saiu e é uma das maiores felicidades pra qualquer pessoa que sonha com isso. Mas claro, passada a euforia, é preciso colocar a cabeça no lugar e pensar nessa nova fase de vida, então aqui vão algumas dicas pra você, pro seu amigo, seu filho, seu irmão que estão entrando nessa instituição. Desejo a todos muito sucesso nessa fase!





quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Vídeo A pandemia e o surgimento dos pills

 


Oi! E aíw Como é que tá? Eis que me passou pela cabeça em como a pandemia afetou nossas vidas, como deixou consequências e uma delas foi o surgimento desses chamados pills, de várias vertentes, com várias ideias mas quase sempre meio torpes e tortas. E vocês, o que acham?