sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Vídeo make de pokémon - Look do Crobat I


Oi! E aí? Tudo bem? Bem, eu finalmente editei o vídeo do Crobat, um dos visuais inspirados em pokémon, porém vou fazer outro mais artístico e com mais formas dele. Mas espero que gostem, pois este look é bem facinho de fazer! Curtam!



domingo, 25 de janeiro de 2015

Look e outfit para confraternização


Fui convidada pra uma confraternização que ocorreu só agora em janeiro. O evento foi realizado no salão de festas de um prédio, porém por ser a noite e um tanto formal, eu procurei colocar elementos finos porém prezando o conforto ao mesmo tempo. Eu aprendi a combinar algumas peças que ainda diferentes entre si e até um pouco informais conseguem uma boa combinação. Espero que curtam e se quiser, experimentem!


OUTFIT: Alguns já devem ter lido que eu adoro leggings. E que usar uma legging linda com estampa exclusiva na academia pra suar e abafar pra mim é desperdício. Nesta confraternização, usei uma legging azul e preta, olhando mais atentamente, ela lembra uma estampa de cobra que foge daquele clichê de tons amarelos e neutros. A blusa é longa, nude e possui uns detalhes brilhantes, ainda que não dê pra ver na foto, a alça tem uma corrente dourada que dá um brilho a mais. Ainda que este esteja presente, não há briga com a calça porque as texturas e cores se equilibram. De sapato, estreei uma ankle boot bem elegante e diga-se de passagem um dos sapatos mais altos que já usei. Os acessórios eram simples mas de cor prata e preto.



Make: Dessa vez eu decidi perder o medo de pincéis e produtos. Comecei corrigindo imperfeições com corretivos coloridos em várias áreas do rosto seguindo uma aplicação de base de cobertura média, arrisquei também um contorno no nariz. Nos olhos decidi marcar com sombras em tons lilás, violeta, marrom e preto, a finalização ficou por conta do lápis preto e máscara. Nos lábios um gloss de tonalidade ameixa e nas bochechas um blush de tom rosa frio.


sábado, 24 de janeiro de 2015

Pena de morte: uma opinião




Devido ás inúmeras polêmicas sobre o brasileiro condenado à pena de morte na Indonésia, a questão da pena máxima foi reacendida. Afinal, ninguém pensa muito nisso até que um "patriota" nosso está passando pela situação.

Inicialmente, deixo bem claro que sou contra a pena de morte. Pelo menos por aqui sei que não funcionaria devido a justiça falha e facilmente corruptível. E ainda que ela funcionasse, acho que a morte e tal pena não é tão educativa quanto parece. Seja para a população, seja para servir de exemplo. Não nego que para as populações que cresceram com tais leis e mesmo as que não, é natural que um bandido condenado ao ser fuzilado inspire uma sensação de alívio, de justiça, é o típico olho por olho, dente por dente, porém o rastro de terror que o dito cujo espalhou não vai se apagar só porque ele não existe mais na terra. Esse é o ponto contraditório da pena de morte.

Mas voltemos a situação atual. O trafiante Marco Archer, 53 está na milha verde por ter tentado entrar com 13,4kg de cocaína na Indonésia. O país adotou há um tempo penas severas para o tráfico de drogas, até mais do que para homicídios. Consigo visualizar o porquê, o tráfico é como uma raiz doninha, ele faz com que muitos outros crimes e criminosos brotem. Através do tráfico, gera-se traficantes, homicidas, assaltantes que matam, fora toda uma chaga social em famílias e comunidades. Logo, o presidente da Indonésia deve ter tido motivos muito fortes pra adotar o sistema atual.

Ainda que eu seja contra, convido a entrar na cabeça da Excelência Indonésia. Imagine que você tem uma casa e dentro está sua família. E aparece alguém vindo você não sabe nem de onde, entra na sua residência com artefatos disposto a fazer o maior rebu lá dentro, ameaçar o bem estar da sua família e depois ir embora como se nada tivesse acontecido. O mínimo que você ia querer é ver o cara bem longe. É por aí. Só que o Presidente não tem uma casa, ele tem um país. Ele não tem uma família, mas uma população de 249,9 milhões de pessoas, logo ele sentiu a necessidade de medidas drásticas com quem queria entrar e fazer o maior rebu no país dele.

A pena de morte provavelmente foi a melhor saída no momento para aquele país, não significa que seja a melhor universalmente. Pelo menos segundo algumas entrevistas que li mais os comentários, as opiniões por aqui se dividem, seja pela população em si, seja pelas autoridades e pelos Direitos Humanos. Claro que violência gera violência, porém quando se está em outro lugar deve-se compreender que certas leis são diferentes. Archer ignorou isso e está sofrendo as consequências, embora pelo que li ele não parece muito arrependido, provavelmente faria tudo de novo, mas lamenta seu destino trágico. Muitos tentaram intervir, o que inclui a família e a Presidente e nesse ponto mais críticas e adeptos a pena máxima surgiram. Eu sou obrigada a concordar com o fato de que Dilma agiu como aquelas típicas mães que se aborrecem com o vizinho que briga quando o filho dela faz bagunça no quintal alheio, mas não age com essa severidade toda quando o filho bota fogo na própria casa. Se pararmos pra pensar, Archer é UM brasileiro lá fora, sentenciado a morte por uma conduta imprópria e amoral, mas aqui CENTENAS DE MILHARES de conduta digna, o que inclui policiais que morrem todos os anos e nunca vi a presidente sequer oferecer uma medalha de honra ao mérito aos mesmos. Isso me parece hipocrisia.
Não que eu esteja falando que ele merece, embora não deixe de ser uma colheita de um jeito ou de outro. Os Direitos Humanos caem em cima de adeptos a pena de morte como gatos sobre ratos, mas atualmente lutam por causas certas de formas erradas. A pena de morte é ruim, sem dúvida, mas deixar uma única pessoa responsável pela desgraça de centenas de outras também é. Como se sentiriam os brasileiros que possuem algum conhecido com problemas com drogas se vissem Archer entrar triunfante no país? Como a população da Indonésia encararia seu Presidente se um estrangeiro fosse absolvido, mas um indonésio condenado pela mesma razão? Talvez os Direitos Humanos olhem para Archer como uma vítima de leis severas em um país estrangeiro, porém ele não é. Nesse ponto a causa perdeu muitos adeptos. Eu concordo que ele deva receber a punição correspondente (o que não deveria ser a morte), mas a privação de tudo que ele conseguiu com o crime e ruína de famílias. "Ah mas ninguém é obrigado a se drogar", dizem alguns argumentadores, francamente, damos um doce a um diabético sabendo que ele é diabético? Ninguém é obrigado a se drogar, mas nem pro isso deve-se se comprometer com isso fabricando drogas. Por isso, que apoio a idéia de que uma punição aliada com um trabalho de elucidação seja necessário, os Direitos Humanos deveriam lutar pra isso, pois as vítimas do tráfico não são ET's. E ainda que Archer em teoria fosse cumprir pena nem que fosse numa prisão como a do Magneto, mas ainda assim numa prisão.

As leis deveriam ser iguais para todos, independente de quem o "todos' seja. Talvez as nossas sejam falhas, mas sempre acreditei na lei do retorno. A pena de morte é tão violenta quanto os que se encaminham para ela, dá o alívio, mas nem sempre o bem estar para as vítimas. Acredito que há outras maneiras e alternativas pra ela que não são menos punitivas nem menos educativas, embora a escolha do outro dependa exclusivamente do outro, a pena de morte é matar, pura e simplesmente, e por vezes a linha é meio tênue entre o desejo por justiça e a vingança olho por olho, muitos não sabem lidar com isso. Outras alternativas devem ser buscadas. Contudo devo dizer que por mais bárbaro que pareça aos olhos de muitos brasileiros e falho que no geral seja, pode-se considerar isso que está acontecendo a Archer como a colheita por atos de uma vida inteira, querendo ele ou não, ainda que esta não seja ideal, e infelizmente não há Direitos Humanos, Dilma, Lula, Polvo, hakuna matata que negue isso...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Resenha Kit de Pincéis Florais



Olá! Eu recebi este kit de pincéis há um tempinho, porém só fui lançar o vídeo agora. Adorei a qualidade e funcionalidade dele, a loja Flashmakeup foi atenciosa comigo, pois ocorreu um imprevisto com minha encomenda, havia encomendado o kit réplica da Nars, porém chegou o kit floral, mas eu simplesmente adorei tanto que nem quis trocar! Agradeço toda a atenção que a loja me deu tal qual recomendo altamente pelos produtos de alta qualidade!























terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Vídeo Make dos Beast Wars - Look do Waspinator


Retomando projetos agora em 2015, editei meu vídeo do Waspinator, no qual faço a maquiagem inspirada neste predacon. Ainda que tenhamos perdido a copa, não posso negar que as cores lembram a bandeira do Brasil. Espero que curtam!





sábado, 17 de janeiro de 2015

Cultura do estupro: uma opinião




Eu poderia dizer: "é uma porcaria", mas serei mais detalhista. Segundo uns textos aqui e ali, dizem (com muita enfatização): que só o fato de ser homem é fazer parte da cultura do estupro. Bom, analisando por esse lado, eu devo me sentir obrigatoriamente vítima dessa cultura só pelo fato de ser mulher. Mas a pergunta é: e se eu não me sentir?

Segundo os mesmos textos é normal que os homens se sintam ofendidos. E pra ser sincera, se eu fosse acusada de ser estuprador em potencial só pelo fato de ter um pênis, também ficaria. O fato todo é que de acordo com as fontes, a cultura de estupro está relacionada com o fato de que por causa das concepções do patriarcado, do modo como a mulher foi vista anos a fio, ela vive com a insegurança de ser estuprada constantemente.

Eu compreendo, cara, eu sou uma menina, lembra? Eu ando sim com pressa, evito passar perto das pessoas, não caminho perto de grupos reunidos, se fazem psiu,psiu pra mim nem olho e se por acaso olham na mesma direção que eu, viro a cara. Tipo, devo ser alguma espécie de fura ideologia ao dizer isso mas a insegurança que eu possa vir a sentir não é com relação a estupro, na verdade quando estou na rua, penso mais onde quero ir e hoje, se o caminho é seguro a ponto de não haver algum trombadinha no meio. Mas a real é que sempre fui muito nem aí com psiu, psiu, eu simplesmente finjo que não ouço nem fico neurada com isso. Embora compreenda que a educação dos homens deve ser pautada em respeito e entendimento de que por mais que eles possam "aparentemente" ser dominantes, isso não os dá o direito de obrigar uma mulher ou quem quer que seja de qualquer coisa.

Voltando para as concepções, a cultura de estupro se estabelece devido a transformar o corpo da mulher num objeto de prazer. A mídia e cultura populares também propiciam isso. Logo, por esse raciocínio, músicas, novelas, propagandas e até a história da Branca de Neve entram no meio de "fatores que propiciam a cultura do estupro", sério, os príncipes que despertam as moças com um beijo são vistos como "abusadores" por muitas nos dias de hoje.

Contudo, alguns pontos são muito pertinentes nesse bolo todo. Estupro é uma palavra chocante. Ela remete ás vias de fato, porém algumas atitudes também possuem uma vilania do mesmo naipe. A questão dos homens "pegadores", por exemplo. O fato de se relacionar com muitas meninas e isso comumente vir acompanhado da concepção de que elas são objetos ou devem fazer o que quiser, também é considerado parte da cultura de estupro. Já ouvi que esse fato dos pegadores começa a ser incentivado na adolescência e em parte pelas próprias meninas. Se lembre dos tempos de colégio, quem eram os "sonhos de consumo"? Eram aqueles fortões, populares, boa pinta independente que fossem os mimados que pensam que o mundo os servem. As meninas só tinham olhos para esses e as mais quietinhas se sentiam subjulgadas por pensar que nunca teriam chance. Os garotos quietinhos, ratos de biblioteca e na deles eram tidos como panacas, ainda que fossem os mais legais. E aí começa o processo dos que no futuro podem se tornar os machões que não aceitam um não como resposta, incluindo de uma mulher na balada.

Essa situação puxa o assunto de que em situações nas quais ocorre um estupro ou assédio, por vezes culpam a vítima. Pela roupa, pela condição, pelo lugar onde estava (a história da insegurança). Esse ponto é ruim, pois a vítima não tem culpa, seja quem for. Eu quero dar a enfatização para a palavra "vítima", pois ela é unissex. Portanto, pode ser homem, mulher, criança e não limita somente ao estupro feminino. Afinal, os homens podem ser crucificados por serem homens, porém mulheres também estupram, mesmo em quantidade ínfima. E outra coisa: homossexuais são estuprados também, por outros homens e não duvido que também sejam assediados por mulheres. Porque pode parecer chocante dizer,mas mulheres secam bundas e peitos tanto quanto homens e tem também imaginação fértil, só não falam. O assédio também é considerado apologia a estupro, sendo algo muito negativo seja em atitudes ou palavras, porém sempre digo que ainda bem que ainda não se pode ler mentes, pois se assim fosse a proporção de assédio seria 50-50. Quem assedia vê o outro como objeto e isso independe de ser homem, mulher, hetero ou homo. E do mesmo jeito que homens podem ter ter uma ereção mental e assediar explicitamente, mulheres podem ter orgasmos mentais sem dizer nada, embora o pensamento seja o mesmo.

Qual a minha crítica a isso tudo? O modo como tem sido passado. Concordo plenamente que vítimas não tem culpa, que todos deveriam se sentir seguros pra ir e vir, que os homens devem ser ensinados a respeitar e não o contrário, ou seja, ensinar a evitar agressões. É válido criticar as agressões sexuais e também não fechar os olhos quando elas ocorrem, não é não afinal. Porém, pelo que vejo o modo como isso tem sido passado tem um tom mais próximo de agressivo do que de elucidador. Não faltam textos dizendo que "todo homem é estuprador em potencial" só pelo fato do homem ser homem, não escondo que palavras como tudo, todos, sempre, nunca devem ser usadas com cuidado, pois pode-se incluir fatores que nada tem a ver com o caso e o ideal tão defendido vira falácia.

Nem preciso dizer o que achei dessa budega ¬ ¬
Nem todo homem é estuprador em potencial pois muitos foram ensinados por uma mulher como se portar e não sucumbem ás pressões sociais. Muitas regras ditas ainda que influenciem em aceitação de um determinado grupo não são seguidas regiamente por todos, pois parte desse todo pensa antes de agir. Os filmes e novelas podem mostrar o que for, muitos tem o discernimento de pensar e perguntar pra si mesmo: "isso é certo?" e se não for, não fazem. Simples assim. E ainda criticam quem o faz. Portanto, pra quem usa a palavra "todos", lamento pelo pai e amigos homens dos ditos cujos.

Por essa ótica, muitas músicas iriam pro brejo. Tal como filmes. A Branca de Neve morava com sete anões bagunceiros, cuidava de uma casa e foi beijada quando estava dormindo. "Apologia a estupro!", mas tipo vamos considerar que o filme era de 1937, uma época em que o patriarcado era fortíssimo e que a massa de meninas e mulheres sonhavam com casamento e uma casa bonita pra chamar de sua. Uma época em que a mentalidade era essa, fomos evoluindo com o tempo, questionando e mudando, mas exigir idéias que não se tinham na época e criticar ferozmente um filme dessa mesma época é meio injusto e sem senso. 

Outro ponto é: e se eu como mulher não me sentir inserida nessa cultura? E se eu não considerar homens estupradores em potencial? E se eu, só pelo fato de ter uma vagina, não me considere oprimida pela mídia, propagandas, o escambau? E se eu não aceitar que me inflijam uma vitimização e idéias que sinto que não que faço parte nem compartilho? Seria eu menos mulher ou acreditaria menos na igualdade por causa disso? Compartilharia menos a idéia de não violência por causa disso? E se eu, ao ouvir aquela música do Nego Bam "Ah eu vou gozar, vem que eu vou te tacar o peru" diga: 'Oh vamos, é engraçada!' ao invés de 'isso é um absurdo!', seria eu considerada apologista a estupro? É possível eu ser vítima de mim mesma? Porque acima de tudo é o modo como se interpreta. Eu posso considerar uma música e um filme inofensivos, posso não ligar pra cantadas, mas ainda assim saber que estuprar é errado, que mulheres devem ser respeitadas ao dizer não e passar isso para meus filhos, sobrinhos, primos... E passar isso para que eles aprendam a pensar e assim crescer. 

E o mais importante: ensinar e elucidar dando a eles a consciência de que tem potencial para serem de bem e respeitar. Isso é diferente de já jogar sobre eles a capa escrita "estuprador". E é só uma opinião...






segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

A experiência de um assalto


Ontem fui assaltada, não foi concretizado porque gritei e não quis largar a bolsa, levei um soco no rosto, caí e fiquei com uns machucados. Claro que uma experiência assim faz a gente repensar em fatores, imaginar mil e uma reações, querer fazer defesa pessoal, além de ficar meio desolado, afinal quem quer ser agredido e ver a pessoa ir?

Bem, eu poderia evocar vários discursos contra o governo, acusar a presidente e outros mais de não investirem em segurança, pensar em penas mais severas e tal, mas curiosamente comecei a pensar em outra coisa. Os bandidos, assim como os dos direitos humanos que muitas vezes os defendem, assim como o governo que não investe em segurança tal qual quem o formou são o que? PESSOAS. E tal como pessoas, são dotados de pensamentos e consciência (em teoria), além disso há o caráter, que possibilita você saber o que é certo e o que é errado. Que possibilita você saber que roubar e matar não é certo e isso estar claro na sua cabeça a ponto de o mundo exterior não interferir.

Eu sempre acreditei em escolhas. Acredito que as pessoas tem esse poder dentro de si e que ninguém é destinado a ser fantoche de nada. Afinal, se você é o espelho do outro ou meramente reproduz o meio, que personalidade é essa? É claro que muitos tem criticado os direitos humanos porque ele utiliza esse fator de oportunidades/meio para justificar crimes e defender quem os pratica. É uma visão meio torta, afinal, todos independente de idade, classe social ou meio precisam colher os frutos de seus atos. E encobrir isso tal qual apagar o que os autores de atos vis fazem é desleal para com os outros que ou são os sofredores com tais atos ou os que vivem a mercê deles.

Pode ser muito antiético o que falarei a partir de agora, mas talvez seja algo que passou pela cabeça de muitos. Se os direitos humanos justificam os atos vis através do argumento de "falta de oportunidades", não se pode por acaso justificar outros atos talvez tão vis quanto através do argumento de "justiça"? Muitos sabem que sou da área da saúde e ainda que tenha pouco tempo de experiência já atendi muitos meliantes e garanto que eles não são tão assustadores nem marrentos quando estão com um tubo na boca precisando de ajuda até pra respirar. Talvez seja por isso que não e revoltei tanto, porque já vi ao vivo a colheita da semeadura de um indivíduo que opta por esse caminho.

Sou eu e mais uma equipe multidisciplinar que trata deles quando eles se tornam retalhos do que já foram, medica, eu por exemplo já aspirei cérebros escorrendo pelo nariz, já vi eles agonizarem, talvez nós da saúde sejamos a última parada deles antes da funerária. E aí pergunto: o que nos impede de fazer algo sob o argumento de "justiça"? Sabendo que é um meliante diante de nós, o que impede de ministrar um medicamento que acelere o coração e leve ao óbito? Por 23h o paciente fica sob os cuidados da equipe e quando há uma ameaça, todos são solidários uns com os outros, portanto, haveria uma solidariedade mútua em livrar a sociedade de um perigo em potencial. Pra que devolver um individuo assim para a sociedade? O ventilador mecânico é minha responsabilidade, o que me impede de virar um botão e aumentar uma pressão além do que o pulmão suporta? O que me impede de aumentar a frequência respiratória e fazer um pulmão explodir? O pulmão de uma pessoa que ao sair pode me assaltar, fazer mal, a mim ou qualquer outro? Isso não seria fazer uma justiça para o mundo, para as vítimas? Ou em outras palavras, não seria até mesmo, cumprir um dever cívico? Livrar a sociedade de um mal não seria contribuir para o bem estar geral? O que me impede de "fazer justiça" com um simples virar de botão? Eu refleti e cheguei a conclusão de que o que me impede é a CONSCIÊNCIA.

A consciência do outro ou a falta de uso dela por parte do outro não determina a minha nem como vou usá-la. Não tenho medo de punições, este mundo foi feito pra ser de prova e expiações, nos ensina muito mas também pune, então só de viver aqui você está sujeito a punições. Mas não explodo pulmões de meliantes ou de quem quer que seja porque minha consciência me diz que isso não é certo, não cabe a mim punir ninguém pois todos colhemos de acordo com o que plantamos. Essa é a verdadeira justiça: a que vem do universo. Eu não me sentiria bem matando. Por mais "justificado" que fosse o motivo e por mais "merecido" que fosse para a pessoa. Tal como eu falei, o retorno não depende de mim.

A experiência com o lado mau do mundo é meio humilhante, talvez por um segundo ou dois a gente queira mudar e querer fazer a justiça nós mesmos, o serviço que a quem compete não é feito. Começa a pensar e cultivar ódio se deixarmos essa semente crescer. Mas talvez ainda com a dor física e lá dentro, a consciência fala mais alto. E pensamentos bons sempre ajudam. E com toda a certeza, minha consciência está limpa. E com isso, não tenho medo das minhas colheitas.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Coisas que não se deve dizer a um gordinho



Eu fui esse fim de semana a uma casa de caldos e sopas e me assustei quando vi a quantidade de gente que tinha lá. Já frequento lá a pelo menos seis meses e nunca vi tão cheio a ponto de ter fila pra mesa. Formulei uma teoria: depois do fim de ano, muita gente entornou o pernil e fica com aquela culpa na cabeça e quilos a mais no corpo. É mais ou menos assim, muitos vivem de dieta e exercícios e durante o ano não abrem muitas concessões, mas no natal e ano se afundam nas guloseimas e os quilos ganhos são um martírio. 

Os gordinhos não tem muito esse problema, tipo, a gente nasce com o gene do controle e da cobrança tanto quanto o gene que propicia aumento de peso, fazemos concessões, mas sempre com uma rédea curtinha. Eu sempre fui meio gordinha, ás vezes nem sei como me classificar. Talvez seja o típico tamanho M, não magra pra assim o dizer mas também não tenho as medidas classificatórias para um plus size, mas a real é que não me lembro de comer em datas festivas sem ter aquela sensação meio ruim depois, assim como não me lembro de ter tido um IMC normal. Provavelmente quando eu era bebê, mas depois de dois meses cuspi o leite materno e só aceitava tomar nesquik. Se enganam os que dizem que quem é gordo assim o é só porque come muito, existem outras coisas envolvidas, o que inclui a individualidade da própria pessoa, mas aqui vão umas coisas que você nunca deveria dizer pra um gordinho ou pelo menos, evitar de dizer.

1. "É só fechar a boca/passar fome"
Tipo assim, você diz pro sol: menos sol? Ou pra chuva: chova menos? Pois é, então não se diz pra alguém gordo ou magro que goste de comer, pra simplesmente parar. Da mesma forma como não se diz pra alguém que gosta de esportes, fazer cosplay, de sexo, de ir ao cinema simplesmente: pare com isso. A razão é simples: quando se gosta de algo, não se para, se for nocivo a longo prazo se modera, somente se oferecer risco iminente pra sua vida, aí sim se para. Eu pessoalmente nunca ouvi dizerem pra um magrinho pra fechar a boca, ainda que ele esteja disputando rodízio com o Goku. Acho que sei porquê: quando um magro está levando o dono da churrascaria a falência num almoço, ele so passa por mal educado, mas quando é um gordinho (e nem precisa ser um superobeso), ele passa por alguma espécie de Godzila, ou seja, um monstro prestes a devorar a cidade de Tókio. Talvez isso seja uma forma longa de explicar preconceito.
2. "Você pode substituir alimentos, por exemplo requeijão por cottage"
Sempre digo que comer e procriação são fatores evolutivos. O que quer dizer que essas duas funções foram necessárias a sobrevivência da espécie e inclui o fato de que há prazer primitivo nisso. Os nossos ancestrais quando encontravam um pedaço de gordura botavam pra dentro porque isso garantia mais força, as mulheres que acumulavam mais gordura nos quadris eram mais atraentes e tinham mais chances de dar cria sem problemas. O que quero dizer com tudo isso? Nosso gosto por comidas "calóricas" vem de quando nossos ancestrais ainda usavam lanças, é coisa de milhões de anos e talvez não deva ser ignorado tão veementemente, devia ser olhado com um pouco mais de atenção. É um dos principais motivos pelo qual as dietas são abandonadas, essa raiz que faz a gente adorar bolos e pizzas não pode simplesmente ser cortada e dizer de uma hora pra outra que você deve faze-lo é complicado, pois ninguém consegue fazer por muito tempo algo que não se goste. Não tiro a razão de comer coisas mais saudáveis, mas por vezes não dá pra substituir porque é horrível. E depois, voltando ao fator evolutivo, eu gosto de salada, na verdade adoro, devoro um prato de folha com shoyo numa boa, mas a real é que isso nunca, NUNCA, vai me dar o mesmo orgasmo gastronômico que um bolo de chocolate recheado. Acho que deu pra entender agora.

3. "Consulte um médico ou nutricionista"
Assim, já consultei uma nutricionista e nunca me esquecerei da cara de tacho que ela fez quando eu disse que comia arroz e feijão como todo mundo, talvez ela tenha ficado decepcionada de ver que ainda que eu fosse gordinha, não virava latas de leite condensado nem comia lasanhas todo dia. E pelo que vejo nos sites, revistas e tv, não é muito diferente. Fiscalizam sua geladeira e seu armário, se tiver só três panelas com arroz, feijão e carne/frango é pouco; se tiver um bocado de coisa diversa é muito, se não for integral, não presta, legumes, só com as calorias de um chuchu e por aí vai. Por vezes há contradições, o integral de um não serve pra outro, frutas podem dar fome pra determinadas pessoas ao invés de saciedade, acho que deveriam sair daquele círculo vicioso de 'integral-salada-carne magra", porque com toda certeza, não vale pra todo mundo. É como ouvi um comediante dizer: "O nutricionista entende do corpo do gordo, mas não sabe nada da alma dele". E sim, gordinhos têm alma.

4. "Precisa fazer exercícios físicos"
Olha, não é só porque temos quilos a mais que a gente fica burro. Sabemos que exercícios são importantes, sabemos que condicionam, porém o exercício que dá certo pra uns não dá certo pra outros e mais do que isso, há exercícios físicos que são tão chatos que não dão certo mesmo. Fiz academia com todos aqueles aparelhos e séries que os educadores físicos mandam, sabe aquela coisa de "perdi 5kg no primeiro mês comendo certo e exercício"? Pois é, nunca vivi. Gostei do Pilates solo, mas ainda assim, não tinha perda de peso, embora outros benefícios viessem, mas a balança continuava desdenhando de mim. Na escola, pra ser sincera, como boa cdf que era, achava educação física completamente dispensável. Pra mim era como um recreio fora de hora, mas que não gostava nem um pouco por ser ruim em esportes e a última a ser escolhida. Desafiava os professores levando livros para a quadra e sentando no chão no meio do jogo de vôlei. A real é que exercícios são um tabu pra quem é gordinho, leva tempo até que se consiga achar disciplina pra seguir com academia ou uma atividade que se goste. Além do que, ainda no mesmo comediante existe uma coisa quando se trata de exercícios: "Aí você corre na esteira que conta o tempo diferente do tempo do mundo real e quando vê perdeu somente 140kcal. Parabéns, já pode comer uma ameixa."

5. "Assim, ninguém vai querer você"/"É por isso que não arranja namorado (a)"
Já ouvi isso e estava até numa fase boa. Ouvir isso é um chute no ego, é como se tirassem o resto que você tem de bom. É como se você fosse inteiro e do nada amputassem suas pernas: você sabe que tem algo diferente, que pode limitar de certa forma, mas não significa que sua vida se foi com suas pernas ou que você era limitado somente a elas. Um gordinho é assim também. Ele não é só o corpo, é personalidade, caráter, carisma, modo de ser. E não estou falando do esteriótipo de "gordinho bacana", estou falando como ser humano, como profissional e porque não dizer, como pessoa que tem seu valor no mundo e em sociedade. E portanto, deve ser valorizado como tal.

6. "Faça uma dieta, eu fiz e consegui, você devia fazer o mesmo"
Hoje li uma história engraçada. Era sobre uma gordinha super amiga de todos, ela tinha vida social, bacana, namorava, enfim, era uma pessoa como qualquer outra. Daí fez a cirurgia bariátrica e emagreceu. E segundo o autor, que era amigo: "Quando nos viu, fez uma cara de quem comeu e não gostou, desviou de nossa mesa e mudou de calçada sem pronunciar uma palavra sequer, mudou seu círculo de amizade e passou a desfilar pela cidade como se além de magra, também tivesse voltado a ser virgem." É mais ou menos assim: é ótimo o exemplo que pessoas que superaram o excesso de peso, pessoas que realmente estavam insatisfeitas e mudaram, tiveram força de vontade para tal, porém já não se torna algo tão bom quando esse mesmo alguém só pelo fato de ficar "magro" também emagrece seu caráter e personalidade. E olham por cima, chega a ser falta de solidariedade, pois por mais que um gordinho se torne "ex-gordinho" não deveria esquecer como a cabeça dos gordinhos funciona nem ignorar que a dificuldade do outro já foi a sua.

Acredito que levar uma vida saudável, com bons hábitos é importante. Manter sempre a saúde com exames normais também. Porém, não ficar restrito a IMC's e testes, alimentos com tantas calorias e ficar verificando até o rótulo da água pra ver se não tem glúten. Talvez a comida tenha um significado especial em nossa sociedade, isso deve ser respeitado, o alerta se dá, como eu falei, somente se isso oferece um risco iminente a vida. Porém, gordinhos ou magrinhos temos sempre que nos respeitar como pessoas.