Devido ás inúmeras polêmicas sobre o brasileiro condenado à pena de morte na Indonésia, a questão da pena máxima foi reacendida. Afinal, ninguém pensa muito nisso até que um "patriota" nosso está passando pela situação.
Inicialmente, deixo bem claro que sou contra a pena de morte. Pelo menos por aqui sei que não funcionaria devido a justiça falha e facilmente corruptível. E ainda que ela funcionasse, acho que a morte e tal pena não é tão educativa quanto parece. Seja para a população, seja para servir de exemplo. Não nego que para as populações que cresceram com tais leis e mesmo as que não, é natural que um bandido condenado ao ser fuzilado inspire uma sensação de alívio, de justiça, é o típico olho por olho, dente por dente, porém o rastro de terror que o dito cujo espalhou não vai se apagar só porque ele não existe mais na terra. Esse é o ponto contraditório da pena de morte.
Mas voltemos a situação atual. O trafiante Marco Archer, 53 está na milha verde por ter tentado entrar com 13,4kg de cocaína na Indonésia. O país adotou há um tempo penas severas para o tráfico de drogas, até mais do que para homicídios. Consigo visualizar o porquê, o tráfico é como uma raiz doninha, ele faz com que muitos outros crimes e criminosos brotem. Através do tráfico, gera-se traficantes, homicidas, assaltantes que matam, fora toda uma chaga social em famílias e comunidades. Logo, o presidente da Indonésia deve ter tido motivos muito fortes pra adotar o sistema atual.
Ainda que eu seja contra, convido a entrar na cabeça da Excelência Indonésia. Imagine que você tem uma casa e dentro está sua família. E aparece alguém vindo você não sabe nem de onde, entra na sua residência com artefatos disposto a fazer o maior rebu lá dentro, ameaçar o bem estar da sua família e depois ir embora como se nada tivesse acontecido. O mínimo que você ia querer é ver o cara bem longe. É por aí. Só que o Presidente não tem uma casa, ele tem um país. Ele não tem uma família, mas uma população de 249,9 milhões de pessoas, logo ele sentiu a necessidade de medidas drásticas com quem queria entrar e fazer o maior rebu no país dele.
A pena de morte provavelmente foi a melhor saída no momento para aquele país, não significa que seja a melhor universalmente. Pelo menos segundo algumas entrevistas que li mais os comentários, as opiniões por aqui se dividem, seja pela população em si, seja pelas autoridades e pelos Direitos Humanos. Claro que violência gera violência, porém quando se está em outro lugar deve-se compreender que certas leis são diferentes. Archer ignorou isso e está sofrendo as consequências, embora pelo que li ele não parece muito arrependido, provavelmente faria tudo de novo, mas lamenta seu destino trágico. Muitos tentaram intervir, o que inclui a família e a Presidente e nesse ponto mais críticas e adeptos a pena máxima surgiram. Eu sou obrigada a concordar com o fato de que Dilma agiu como aquelas típicas mães que se aborrecem com o vizinho que briga quando o filho dela faz bagunça no quintal alheio, mas não age com essa severidade toda quando o filho bota fogo na própria casa. Se pararmos pra pensar, Archer é UM brasileiro lá fora, sentenciado a morte por uma conduta imprópria e amoral, mas aqui CENTENAS DE MILHARES de conduta digna, o que inclui policiais que morrem todos os anos e nunca vi a presidente sequer oferecer uma medalha de honra ao mérito aos mesmos. Isso me parece hipocrisia.
Não que eu esteja falando que ele merece, embora não deixe de ser uma colheita de um jeito ou de outro. Os Direitos Humanos caem em cima de adeptos a pena de morte como gatos sobre ratos, mas atualmente lutam por causas certas de formas erradas. A pena de morte é ruim, sem dúvida, mas deixar uma única pessoa responsável pela desgraça de centenas de outras também é. Como se sentiriam os brasileiros que possuem algum conhecido com problemas com drogas se vissem Archer entrar triunfante no país? Como a população da Indonésia encararia seu Presidente se um estrangeiro fosse absolvido, mas um indonésio condenado pela mesma razão? Talvez os Direitos Humanos olhem para Archer como uma vítima de leis severas em um país estrangeiro, porém ele não é. Nesse ponto a causa perdeu muitos adeptos. Eu concordo que ele deva receber a punição correspondente (o que não deveria ser a morte), mas a privação de tudo que ele conseguiu com o crime e ruína de famílias. "Ah mas ninguém é obrigado a se drogar", dizem alguns argumentadores, francamente, damos um doce a um diabético sabendo que ele é diabético? Ninguém é obrigado a se drogar, mas nem pro isso deve-se se comprometer com isso fabricando drogas. Por isso, que apoio a idéia de que uma punição aliada com um trabalho de elucidação seja necessário, os Direitos Humanos deveriam lutar pra isso, pois as vítimas do tráfico não são ET's. E ainda que Archer em teoria fosse cumprir pena nem que fosse numa prisão como a do Magneto, mas ainda assim numa prisão.
As leis deveriam ser iguais para todos, independente de quem o "todos' seja. Talvez as nossas sejam falhas, mas sempre acreditei na lei do retorno. A pena de morte é tão violenta quanto os que se encaminham para ela, dá o alívio, mas nem sempre o bem estar para as vítimas. Acredito que há outras maneiras e alternativas pra ela que não são menos punitivas nem menos educativas, embora a escolha do outro dependa exclusivamente do outro, a pena de morte é matar, pura e simplesmente, e por vezes a linha é meio tênue entre o desejo por justiça e a vingança olho por olho, muitos não sabem lidar com isso. Outras alternativas devem ser buscadas. Contudo devo dizer que por mais bárbaro que pareça aos olhos de muitos brasileiros e falho que no geral seja, pode-se considerar isso que está acontecendo a Archer como a colheita por atos de uma vida inteira, querendo ele ou não, ainda que esta não seja ideal, e infelizmente não há Direitos Humanos, Dilma, Lula, Polvo, hakuna matata que negue isso...

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