quarta-feira, 11 de julho de 2012

Cheias de Charme: Lições de moral na novela das sete



Dentre todas as coisas que estão sendo mostradas na televisão hoje em dia, não só nos jornais cuja função é mostrar os fatos realmente, mas também nas novelas com temáticas polêmicas, foi tocante o modo como a novela das sete no capítulo de ontem abordou sobre caráter e moral. 

Não há outra expressão do que tocante e reflexivo. Não por acaso o capítulo foi todo essa temática, os outros núcleos ficaram literalmente parecendo meros coadjuvantes e o telespectador permaneceu preso às lições de moral dadas nas cenas. Logo no início se vê aquela cena de revelação, novelas geralmente promovem essa expectativa do cara mau ser desmascarado. Nesse caso, o cara mau era o filho da “vítima”, envolvido junto com o sogro num desvio de verba (roubo por assim dizer). Quem descobriu a tramoia toda foi um funcionário do escritório de advocacia onde todos trabalhavam. o funcionário novo, dedicado e diga-se de passagem explorado pelo mais poderoso porém completamente incompetente. A vítima, um grande empresário muito cheio da grana, fez um discurso louvável. Frase marcante: “No meio de tanta gente desonesta é difícil acreditar que alguém ainda possa ter caráter”.  Mostrando que não era nenhum ingênuo e enfatizando que apesar de todos os esforços para uma boa educação, baseada em valores, em decência o filho condizia muito mais com o caráter sem escrúpulos do sogro e havia achado o pai ideal e afim com seu jeito de enxergar a vida, conforme palavras do próprio personagem “Um calhorda como ele”.  

Incrível o paralelo feito, pode parecer clichê da parte do autor, mas promoveu sérios pensamentos. O advogado honesto que denunciou, era o típico trabalhador que lutou muito para chegar e conseguir a carteira da OAB, vindo de origem humilde, á base de sacrifício e quase órfão de pai, valoriza muito qualidades pautadas na ética e na moral e idolatra sua profissão, tendo orgulho de ter chegado onde chegou de forma direita, não se deixando levar pelo deslumbramento do dinheiro fácil. O outro, o menino filho de pai milionário que recebeu boa educação, não gostando muito do trabalho árduo, vaidoso chegou onde chegou com um contatinho aqui e ali e se segurando na boa pinta e no sobrenome do pai, mudando rapidamente ao menor sinal de ameaça ao seu status. Levou ao conflito não só do personagem, completamente decepcionado com o filho e que acredita na educação e na compensação de uma vida digna, mas dos telespectadores. Qual o preço da honestidade? Vale á pena ter caráter ou ele se molda conforme a situação? Será que as pessoas nascem boas ou más e não se pode fazer nada á respeito?

Não. O caráter conta bastante, contudo sua percepção do certo ou errado e suas escolhas contam mais ainda. O personagem  honesto vem de origem humilde e tem índole boa; o rico, com todo luxo só tem seu deslumbramento pela juventude e nenhum amor ou valorização pelo trabalho. Houve muitas cenas, com a velha desculpe de que o trabalho não é necessário, uma vez que já se tem dinheiro pra várias gerações. Embora, o que esteja em jogo não seja necessariamente o dinheiro, mas a construção de uma auto suficiência. A noção de que produzir algo e construir algo com seu trabalho, com suas mãos, se sentir útil, não só para sua família, mas para a sociedade compensa tanto quanto ou até mais do que o retorno material. Afinal, dinheiro, juventude, não são garantias. Eles vão tão facilmente que quando se percebe, você acorda de mãos completamente vazias e velho e o pior: inútil e sem ter feito qualquer diferença.

Achei interessante o paralelo feito com a família. Por um instante a cena da esposa chocada com a situação e demonstrando não saber de nada, me pareceu ridícula, a tola idolatrava o marido o achando o verdadeiro tubarão do direito quando ele não passava de um bandido. Percebi depois que foi um erro pensar assim, ainda que a culpa da esposa não possa ser totalmente absolvida. Ela era meio perua deslumbrada, com tanto luxo em volta, roupas caras, objetos de arte, cartões de crédito á perder de vista, arrogância e educação apenas para cuidar de uma casa e empregados, parece muito natural o dinheiro estar sempre ali. Ledo engano. Não entender de negócios e transações é um fato, não saber cada detalhe do contra – cheque do marido também, contudo apoio a ideia de que mesmo pra uma madame, ela deveria se interar minimamente de questões financeiras relacionadas ao orçamento. Nunca confie totalmente em uma fonte inesgotável se não puder saber a origem e o trajeto de seu conteúdo. Fica a dica.

A dignidade da irmã do honesto, foi umas das cenas mais bem feitas do capítulo.  Um verdadeiro show de atuação e do texto do diálogo de deixar o queixo caído e até os mais céticos, emocionados. Foi a descrição da história de vida dita como difícil em uma cena com muitos detalhes. O abandono dos pais, a responsabilidade de criar dois irmãos pequenos e a frase mais tocante e que já entrou pro meu próprio ranking de vale á pena ser lembrada: “Foi nessa hora que eu vi que sozinha eu não ia conseguir. Eu precisava dos outros. Foi aí que eu passei á respeitar os outros. Eu não tinha nada, eu precisava conquistar a confiança das pessoas.” Todos passamos por dificuldades, isso é inerente para a evolução do ser humano, para a construção do seu verdadeiro ser, mas o modo como você encara o sofrimento e fica depois disso é sim, puramente escolha.

Muitas lições foram dadas. Reflexões instigadas, como diria no facebook “Eu curti”, pra caramba devo dizer. A atuação de Taís Araújo, Leopoldo Pacheco, Humberto Carrão, Jonatas Faro e muitos outros realmente deu o recado e atingiu o objetivo.  Percebe-se que caráter não é algo em extinção e rótulos nesse sentido não devem ser feitos. Pessoas humildes podem ser honestas ou usar sua condição como desculpa, assim como milionários podem valorizar o trabalho e o suor do rosto e a dignidade de uma vida honesta e passar isso para seus descendentes ou ter uma vaidade tão grande, que confiam cegamente no valor dos bens materiais. Eu acredito em índole e escolha. Acredito que não importa se você mora num apartamento de R$ 800.000,00 ou em um bairro de casas de madeira, é possível ter caráter, respeito ao próximo, valorização de bons sentimentos e trabalho, independe de classe social.
 
E definitivamente, ficou claro que vida digna, honestidade e caráter compensa. Mesmo no mundo de hoje, compensa.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Explicando o inexplicável: A SOLIDÃO





É um sentimento muito complexo pois apresenta muitas faces e explicações vindas de várias pessoas. Por tudo que vivi  e vi na vida, sei que 99% das pessoas nunca sentiu uma solidão verdadeira. Porque solidão de verdade não é um sentimento que você sente porque seus amigos estão longe, não é porque seu namorado lhe deixou ou porque o mundo não lhe compreende, não é algo que venha de fora para dentro, mas de dentro pra fora. 

Por isso que somente 1% das pessoas já se sentiu de fato solitário (não só), desses 1%, parte é patológico, por causa de doenças como depressão e a outra parte sentiu a verdadeira nata da solidão. É o momento que você olha pra todos os lados e se pergunta: Onde eu estou? O que estou fazendo aqui? Que pessoas são essas? Aí seu interior vem com tudo pra fora e você pode estar numa rave, ou em qualquer lugar com muita gente, música alta, algazarra e sente solitário. SOMENTE SOLITÁRIO.
 
E não interessa quantas pessoas sorriam, o sorriso delas não te anima. não importa a dança, ela não te alegra. É algo como "Quero ser outra pessoa, quero viajar pro espaço, quero dormir por 6 mesese ver que tudo está diferente" É uma sensação como se você se sentisse meio oco, meio preenchido por um buraco negro que suga tudo em volta e não sobra muito pra contar a história. É se sentir peixe fora d'água mesmo estando no meio de um coral.
Já me senti solitária. De verdade, olhando a lista do celular e vendo muitos nomes nos contatos mas poucos rostos, poucas chances de palavras com sentido. Assim como num filme, cada rosto cujos nomes pertenciam passaram na minha mente me fazendo lembrar de momentos e do que me fazia sentir mais solitária quando via.
Não sei até onde é positivo se sentir assim. Muitos são taxativos e dizem que nunca é positivo, no entanto sempre fui muito teimosa, com a vida, com as pessoas, enfim, sempre teimo em ver  o que a maioria não vê, seja por sua visão de “protocolo do viver” ou pelo pessimismo. Tanto que me sentir solitária ás vezes me fez também enxergar quem me preenche, sendo um sentimento de dentro que se exterioriza, só quem consegue tocar seu eu interior consegue preencher, embora nada tire sua responsabilidade de também se deixar preencher. Mas filosofia á parte, se sentir puramente solitário pelo menos uma vez na vida faz você enxergar as pessoas e também perceber as coisas. Além do fato que passa a saber o que realmente preenche você e não se ilude com qualquer esmola de atenção.
Se você alguma vez já sentiu solitário de verdade, do tipo como se estivesse no clipe Lonely Day, do System of Down, não foi o único, acredite. Contudo tenha a certeza de que se você conseguir passar pelos dias solitários com dignidade, dias mais preenchidos virão.

domingo, 1 de julho de 2012

A saga da bolinha de gude


 
Eu precisava comprar algumas coisinhas para um tratamento que vou fazer com um amigo meu e uma dessas coisinhas eram bolinhas de gude pra estímulo de coordenação motora fina. Aqui a gente também chama de peteca, eram umas coisinhas bem populares há uma década atrás, embora em alguns lugares ainda se achem crianças brincando disso pelas ruas.  

Hoje em dia, é possível se ver dentro de vasos enfeitando a sala e baseada nisso imaginei que seria fácil achar, uma vez que sabia mais ou menos onde procurar. 1ª decepção,  no lugar onde dava por certo que tinha, não tinha. A moça que me atendeu pelo menos me recomendou outro lugar onde poderia ter. Cheia de esperança fui lá e não tinha também. Alguns vendedores pareciam não entender muito bem o que era, então depois da terceira tentativa eu perguntava se tinha “peteca” ao invés de “bolinha de gude”.

Mais duas lojas e eu perguntava se havia “bolinhas para colocar dentro de vasos pra decorar” e nada também. Depois de mais uma penca de ruas andando, eu decici entrar nas lojas e olhar primeiro antes de perguntar, não só pra não receber um não de cara, mas não ter que me chatear com a cara do vendedor de má vontade me dizendo isso.

Exatamente. O que chateia o consumidor nem sempre é o fato de não ter o produto, o fato do produto ter um preço elevado demais, muitas vezes é o atendimento. Noto uma diferença drástica de atendimento em determinados lugares embora eu como consumidora mesmo podendo gritar meus direitos de ser bem atendida, sempre cumprimento com um oi. Não nego que embora tenha comprado em lugares bem mais em conta com péssimo atendimento, também já optei em comprar mais caro com um atendimento razoável/bom. 

Entendo que há toda uma questão de cansaço, afinal vendedores trabalham muito, é verdade e isso vai desde shopping com lojas de luxo até aquele armarinho de comércio popular, porém convenhamos que não tem nada pior do que ser atendido por um vendedor que age como se ele estivesse fazendo um favor pra você. Atitudes como não sorrir e nem olhar na sua cara é um claro exemplo disso.

Visitei várias lojas e procurando as famigeradas bolinhas de gude, parei em uma loja de make pra comprar um presente. Sempre vou lá e já sou até conhecida, a vendedora que estava no microfone gritou meu nome e eu atravessei a rua. Lá é um claro exemplo de bom atendimento, principalmente porque se tratando de maquiagem você nem em seus mais loucos devaneios pode vender algo sem saber pra que serve, sem saber como usa. As meninas de lá evoluíram bastante desde que fui lá pela primeira vez e não por acaso a loja se tornou referência em termo de maquiagem.

Da mesma forma como lá tem bom atendimento, há outras lojas nas quais as vendedoras só se maqueiam literalmente. Fui em armarinhos, lojas de costura, de importados. Muitas nem olhavam na minha cara, só diziam: Não tem. E eu observava, muitas estavam lá, com os olhos cheios de cores, pele impecável na base, blush e rímel, mas só isso. Só umas bonecas com um monte de acessórios, como as Barbies e suas múltiplas profissões.

No final de tudo consegui achar as bolinhas, em um lugar muito mais longe do que costumo ir, quase chegando em como se diz por aqui “em outro setor”. E curiosamente, foi em uma loja chamada “Casa do papel” que vendia um monte de miudezas, desde material escolar até coisas de arte e diversos materiais. Perguntei para um homem de uns 40 e poucos e ele falou: Ali á esquerda. Tipo super espontâneo e educado, considerando a simplicidade da loja. 

Muitas vezes me imaginei como vendedora e a primeira que colocaria na minha cabeça é: saber o que estou vendendo, porque também já aconteceu de eu saber mais do material que estava comprando do que quem estava vendendo e ambos ficarem com cara de tacho, se bem que o vendedor (a) fica além disso constrangido. Acho que saber o que está vendendo, demonstrar conhecimento e ser simpático são ingredientes fundamentais pra ser um bom vendedor, falo como consumidora, mas acredito que para os comerciantes também vale...