terça-feira, 30 de julho de 2013

Texto: O que é uma vagabunda?


Enviei esse texto faz um bom tempo para o Papo de Homem, mas acho que o senhor dono do site não deve ter curtido, enfim, talvez seja meu jeito de falar e eles gostem de um negócio mais maquiado e cheio de palavras, não sei. Mas há dois meses, não tive mais resposta, daí decidi publicar aqui.

Há umas três décadas atrás, vagabunda e puta eram sinônimos. Acrescentaram o “vadia”, que por vezes também significa mulher preguiçosa. Vagabunda ainda é impactante. Uma mulher chamando a outra de vagaba é bem mais chocante e golpeador do que um homem fazer a mesma coisa. Nas novelas, não posso negar que me regojiza uma cena com essa característica. A razão é simples: a mulher tem a concepção diferente e mais profunda do que caracteriza uma verdadeira vagabunda. Nos dias de hoje pelo menos.

Na novela Gabriela, que se passa nos anos 20, isso foi bem estampado. As vagabundas eram as guengas, as prostitutas; em contrapartida, as “direitas” eram as esposas, as que tinham uma casa e filhos pra cuidar, por mais hipócritas, mesquinhas e até más que fossem. Essa concepção perdurou por décadas, mesmo na revolução sexual dos anos 60, as “senhoras” olhavam de viés para aquelas mulheres que não se importavam com regras, etiqueta, depilação nem com a quantidade de homens que passavam em suas camas. Essas eram tidas como as legítimas vagabundas.

As prostitutas, que lançaram a moda do boca tudo, olho tudo, geram polêmica pelo que fazem e pelas condutas assumidas. Não raro ouvir uma esposa dizer: “Não faço isso porque é coisa de vagabunda, é coisa de prostituta”, como se elas fossem alguma espécie alienígena de mulher. No tempo da minha avó, se você fosse somente vista nos arredores da zona da cidade, já era motivo de preocupação porque poderiam confundir você com uma das guengas do local e ficaria péssimo para sua reputação.

Amantes são outro tipo bem comum de se ver segundo as denominações alheias. Na verdade, é uma espécie em larga expansão, algumas até preferem ser amantes, porque não tem compromisso, nem deveres, nem toalha molhada em cima da cama, nem cozinha, nem filhos chorando á noite, só prazer e a diversão. Claro, elas só tem que arcar com o ódio das esposas, a rejeição dos conhecidos e o escárnio da sociedade. Fora isso, tá de boa.

E a espécie de vagabundas que mais vem crescendo atualmente são as que dão de primeira. Chegam na balada, mostram a que vieram, escolhem um carinha bem aprumado e foi. Não é necessário dizer que as feministas tem nos ensinando que é errado chamar esse tipo de moça de um nome tão feio, porque o que acontece na verdade é que são bem determinadas e confiantes. Não só elas, mas as que andam de shortinhos, minissaias e decotes também se enquadram nesse lote, pois só querem a liberdade de escolher como agir e o que usar. A marcha das vadias confirma isso. 

Esses exemplos mostram os tipos de mulheres que a sociedade rotulou como vagabas por décadas e décadas. É algo tão forte que a mesma se esqueceu de ver QUEM SÃO AS VERDADEIRAS VAGABUNDAS.

Vagabunda na real é mulher sem caráter, sem escrúpulos ou dignidade.

Aí a coisa inverte drasticamente. A prostituta que tá lá de boa no seu ponto não acha tão agradável assim passar na mão de 20 homens por noite, porém precisa comer e se sustentar tanto quanto outra pessoa. Algumas até gostam assumidamente de seu serviço e tem orgulho dele, porém ainda que seu trabalho envolva o corpo, não faz dela uma vagabunda. Á menos, é claro, que ela seja aquele tipo de pilantra que bota um boa noite cinderela na bebida do cliente pra roubar e deixá-lo num estado de quase coma. Aí eu dou razão, esse tipo é uma vagabunda.

Conheci amantes que eram mais dignas e direitas do que as “senhoras” que levavam sobrenome e casaram na igreja com padre, pajem e aliança. Como disse Tânia Alves: “Não tenho nome. Trago o coração ferido, mas tenho muito mais classe de quem não soube prender o marido”. E a real é que tem esposa que atormenta o cara, briga, faz comida ruim de propósito, extorqui de todas as formas, chama o cara de encosto e demônio e ainda chama a outra de vagabunda, quando na real ela é que é. Amantes só se tornam vagabas quando se metem de propósito no relacionamento de alguém, metem o dedo num bolo que não é seu, provocam ou tem a intenção de fazer a outra mulher de trouxa e usam o marido dela para tal.

E quanto ás jovenzinhas que fazem sexo no primeiro encontro e gostam de ir até o chão com suas microssaias, não são putas ou derivados, porém se você está deliberadamente mentindo para alguém, o que inclui você mesma, usando seu corpitcho pra provocar e humilhar outra garota que não é lá tão sensual e tá na dela com o namorado de boa ou se por acaso você finge ser uma boa menina para seus pais e o reverendo, mas á noite vira a coelha raivosa da Playboy, sugiro que você não só é vagabunda, mas alguém com sérios distúrbios comportamentais e aconselho busca por assistência especializada.

Eu quando mais nova tinha uma imagem errada aquelas meninas bonitas que viviam com garotos em volta, mas sempre me arrependia quando em algum trabalho em grupo percebia que elas eram legais e eu tinha feito um julgamento errado. A razão porque isso acontecia comigo era porque eu não classificava corretamente uma vagabunda. Hoje, percebo que há muitas delas vestindo ternos e blazers, usam maquiagem importada, podem ter olhos azuis e dinheiro, mas nenhum pingo de caráter ou respeito ao próximo, o que inclui até a própria mãe. Vagabundas do calibre da Paola Bracho

Acho que pra começar a desmistificar as imagens arcaicas de vagabunda-mulher direita, o primeiro passo é saber do que é feito cada uma delas. Eu pelo menos, percebi á tempo e passei a enxergar melhor as verdadeiras vagabundas. Torço para a sociedade fazer o mesmo.

3 comentários:

  1. Muito bem observado. Pena que a marcha das vadias desse ano descumpriu seu própósito, ao fazer protestos indecorosos (pra não dizer indecentes) em frente a Igreja Católica. Todos nós podemos e devemos protestar caso não concordemos com algo ou atitudes. Mas não devemos confundir protestos com avacalhações e provocações dessa natureza, pois isso não ajuda a transmitir os valores da marcha, que é a liberdade da mulher em ser não apenas mulher, mas sim um ser humano, que possui vontade, desejos, sonhos e que quer ser tratada com respeito pelos outros.

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  2. É verdade, se tem um objetivo e um ideal, alcance-o da maneira correta sem agredir ou denegrir outra pessoa, o que dirá uma instituição, tal qual a igreja. Nesse caso, todo o objetivo e intenção se desmancham, e os valores se perdem e o propósito idem. Busque seu objetivo, mas sem agredir, isso é que faz você ser levado a sério. Obrigada por ler meu texto e pelas considerações, achei bem interessantes!

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