terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Resenha II Congresso Espírita Paraense



Já fui para alguns congressos, mas sempre acho que o espírita tem algo de muito diferente de todos. Talvez seja o único no mundo em que saber menos não é ruim, não importa se você não leva banner ou manda resumo, é até um ponto positivo pois possibilita um maior aprendizado, além do que é o único no qual eu vi um público que variou desde jovens, casais, até idosos. Sinto (e muito) que assim como houve uma Rhayssa de antes e depois do Anime Geek, também houve uma de antes e depois do II Congresso Espírita Paraense, realizado nos dias 17, 18 e 19 deste mês. Fui para o primeiro, contudo a maturidade era de um tipo ego sem tamanho. Lá eu era pouco mais do que uma menina fascinada mais pela companhia do que por tudo que me estava sendo ensinado. Dessa vez não. É a magia de ir a um evento sozinha.

No 1º dia, Divaldo Franco com seu modo de falar encantou a todos na palestra da noite. Daquele jeito eloquente e culto como muitos sabem, ele contou a história de um jovem judeu que fora obrigado a ouvir toda a trajetória de um nazista moribundo de 22 anos e ao fim da narrativa, a fatídica questão por parte do nazista: "Você me perdoa?", realmente foi algo que fez pensar.

Já no sábado, cheguei atrasada na palestra do meu conterrâneo Alberto Almeida, mas o pouquinho que peguei, percebi que ele falava dos tipos de amor. Desde amor a si mesmo de forma egoísta, até amor caridoso e de partilha. Ainda houveram outras palestras antes do almoço, ministradas pela Marlene Nobre e Severino Celestino, este último me pareceu o PhD do hebraico, ele falava sobre as palavras e as traduções, em muitos casos errôneas. Na hora de comer, formou-se uma fila imensa, eu sabia que ia demorar, então preferi descansar um pouquinho nos puffs do Hangar até a fila diminuir. Eu fui pegar meu almoço só umas 14:40, mas valeu a pena. Até tomei um milk shake do Bob's, coisa que eu não fazia tinha tempos. 

Alberto Almeida
Marlene Nobre


Severino Celestino

Almoço do sábado

Almoço do domingo
Nesse mesmo horário, cogitei comprar o livro "Sexo e Consciência" do Divaldo Franco, contudo á tarde todos os exemplares já tinham evaporado, mas ainda assim posteriormente quero o meu. Em umas folheadas que dei, vi uma das frases mais bonitas e esclarecedoras em termo de relacionamentos que já vi nos últimos tempos: "Você não vai reconhecer a pessoa com quem acertou que ficaria antes de reencarnar. Quem dera que fosse assim tão fácil! O que importa não é o acordo que se faz lá em cima para ficar com determinada pessoa na reencarnação, mas a vontade que duas pessoas tem de ficar juntas e fazerem tudo dar certo." Livre arbítrio imperando!

O domingo também teve surpresas, Celestino foi muito engraçado ao contar uma história na qual a paciência dele foi testada. Aquelas situações nas quais você tenta com toda a boa educação conseguir algo que quer muito, mas há obstáculos, daí é como ele disse: aquilo vai subindo pelas suas pernas e quando chega na cintura, mentalmente você começa a rezar o Pai Nosso. Pra quem muito é dado, muito é cobrado, e todas as vezes são testados para que se estabeleça um paralelo entre sua teoria e o quanto está praticando. Como foi dito: "Não é espírita quem quer, é espírita quem aguenta". Não se deve levar no sentido religioso da coisa, algo centrado, mas se levar no sentido de que é muito difícil nos livrarmos de nossos vícios da alma, das nossas rachaduras morais às quais estamos tão acostumados e buscar o caminho da mudança e compreensão.

Otaciro Rangel

Sandra Borba
As palestras que mais gostei do domingo foram as referentes às parábolas, incrível como há uma raiz de aprendizado e moral por detrás das histórias. Como a do bom samaritano, justo o que era rejeitado, mal visto, estendeu a mão àquele que pertencia ao povo que lhe tinha aversão; a dos talentos, que mostra uma relação de trabalho e não trabalho, e a colheita correspondente de cada atitude; a do joio e do trigo, mostrando que nós temos os dois lados, porém devemos separar o joio das nossas vidas.

Em suma, o II Congresso Espírita Paraense mostrou muito do amor que rege o mundo e ao mesmo tempo da falta que ele está fazendo nessa época de tanta raiva, desvalorização e desafios com relação a nós e ao próximo. Jesus veio nos dar exemplo do bem sem ver a quem, veio nos mostrar o real significado da palavra "amor" e que esta assume múltiplas facetas quando buscamos a evolução do espírito.

Eu quero parabenizar a equipe organizadora pelo trabalho maravilhoso; pela facilitação do acesso, este foi o primeiro congresso no qual uma equipe que traduzia em libras estava em 100% do tempo, além da facilitação para uma deficiente visual com uma cadela guia (a primeira do estado), sendo que sempre era advertido ao fim das palestras que não chamassem a atenção da cadela para que o trabalho da mesma não fosse prejudicado.
Eu e o pessoal das libras



Este congresso foi uma ótima oportunidade e aguardo ansiosa pelo próximo. Termino com uma frase que me marcou e que talvez todos nós devêssemos levar conosco: " É bom sentir saudades de Jesus. Só sentindo saudade dele teremos o impulso de ir ao seu encontro."

2 comentários:

  1. Apesar das crenças diferentes, temos um ou muitos pontos semelhantes: os exemplos de Jesus. A falta de amor realmente está prejudicando o mundo. Cabe a nós transmitir esse amor, e dando exemplo dele com nossa própria conduta.

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  2. ^^, as crenças diferentes dos homens são fontes de aprendizados para ambas as partes, contudo Deus e os exemplos de seu filho deveriam sempre ser o ponto comum, afinal, não há como se tocar o Pai que não pelo seu Filho, e não há como chegar a ambos senão pelo amor ao próximo. :) Muito obrigada pelo comentário e pela amizade!

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