quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

História de Cosplay - Rosalie Hale (Crepúsculo, eclipse)





Rosalie Hale, do Crepúsculo é um cosplay difícil de identificar. Afinal, qualquer um pode confundir com uma simples noiva desesperada. E a personagem secundária também propicia essa dificuldade. Uma noiva de olhos vermelhos logo é taxada de "noiva cadáver", "noiva fantasma", "noiva assassina" enfim... Rosalie pode ser um pouco de tudo isso, mas ainda tem um nome.

Tinha vontade de fazer a Rosalie por pelo menos um ano. A história dela havia me tocado significativamente. Todos já tivemos uma decepção com uma pessoa amada ou que se gostasse muito ou que se pensa que gosta, tanto faz. Mas no caso de Rosalie, isso foi visceral. Foi de uma quebra tão violenta e brutal que a raiva que ela sentiu dá pra ser sentida de longe.
Ela era uma garota muito bonita e vaidosa. Em plena depressão econômica americana (sim, Rosalie nasceu nos anos 20), ela se gabava de sua família aparentemente não sentir, pois andava com belos vestidos e sapatos. Quando ela se abre com Bella, deixa cair o antigo véu de pessoa carrancuda que tinha. Ela se abre e diz o quanto sentia inveja, o quanto queria ter tido uma escolha, o quanto queria realizar seus sonhos...
"Havia coisas que eu ainda queria. Me casar, com uma boa casa e um marido que me beijasse quando chegasse. Ter minha própria família". Consigo entender perfeitamente que nos dias de hoje, com a liberação da mulher, independência, feminismo fervoroso, espaço no mercado de trabalho e eterna guerra com valores e crenças ditas do "paternalismo", para muitas e muitos ter o sonho de casar e formar uma famíliia daquele jeito bem classic pode parecer meio careta, mixo e insignificante, mas ainda assim era um sonho. E sonhos não devem ser menosprezados.

Daí ela conta sua história, que tinha um noivo, Royce King, o solteiro mais cobiçado da cidade, o que para uma garota como Rosalie aguçava sua vaidade. Como ela mesma diz era jovem e encantada com a idéia do amor, embora essa se confundisse muito com o que realmente é esse sentimento. Esse foi um ponto que me aproximou de Rosalie. Quando somos muito jovens nossos sonhos começam de cima e temos dificuldade de plantá-los no chão para que cresçam fortes e isso leva a ilusões muito doces, mas que se tornam amargas e dolorosas quando são finalizadas, eu assim como Rosalie vivi isso. 

"Na última noite da minha vida eu saí tarde da casa de uma amiga, não estava longe de casa". Rosalie tinha uma amiga a qual tinha acabado de ter um filho. Apesar do marido e da casa serem simples, ela havia notado que sua amiga e o marido tinham um amor muito grande um pelo outro, um amor que ela buscava em Royce, mas que não havia, um consolo, porém, era imaginar que tal como a amiga ela teria filhos lindos. Esse era seu sonho e maior ambição, frustados por aquele que supostamente deveria ajudá-la a realizá-lo. No caminho pra casa, ela encontrou seu noivo e mais quatro amigos bebendo embaixo de uma lâmpada apagada. Nesse momento Royce revelou-se. "Ela não é linda John? Eu disse que ela era linda" "Com todas essas roupas é difícil dizer". Ainda que Rosalie quisesse reagir e ir embora, não pode. E foi estuprada e espancada por todos.
"Eles e deixaram na rua, achavam que eu estava morta e acredite, eu queria estar. Carlisle me achou, sentiu cheiro de sangue, achou que estava me ajudando." Depois de tantas campanhas de "não mereço ser estuprada", dá pra imaginar a dor de Rosalie. Não só pelo estupro em si, mas pelo fato de ter sido transformada, há uma enfatização do quanto ela sentiu raiva por saber que estava "morta" para as outras pessoas, o que incluía conhecidos e família, o quanto ela odiou saber que não poderia mais casar nem ter os filhos que tato desejava.

Hoje em dia com tantos dizendo e enfatizando que vivemos na apologia do estupro, pode-se concluir que é um problema social. Porém, Rosalie não quis nem saber, ela fez disso um problema pessoal. Não procurou autoridades ou campanhas, foi meio egoista nesse ponto, se a dor era dela, buscou seu modo de lidar com isso. "Mas eu me vinguei deles. Um de cada vez. Deixei o Royce por último pra que ele soubesse que eu estava chegando." Isso me lembra um filme bem trash que passou na tv a cabo um dia desses, tem no youtube. Se chama Doce Vingança. A situação é bem parecida com a de Rosalie, uma moça estuprada por cinco homens de uma forma brutal. E ela volta pra matar todos. Porém diferente dela, Rosalie não fez castrações, afogou os caras em soda caústica ou deu tiros no ânus, nada de sangue ou sujeita, ela era uma vampira recém criada que dificilmente resiste a sangue fresco, por isso a questão foi mais de tortura mesmo, psicológica. Ela fez os caras tremerem de medo literalmente e sentirem isso doer muito mais do que uma dor física, como nela estava doendo. Além do que, ela tinha aversão de pensar em ter uma gota de sangue deles dentro dela.

O que é um estupro, afinal? Segundo definições é a prática de sexo não consensual mediante ameaça ou violência. Eu acho que a palavra violação é mais adequada, logo não precisa do coito propriamente dito pra ser estupro, daí por que não dizer que baseado nisso, podem sim haver estupros da alma? Ou de sonhos? De desejos? Não é de cunho físico, mas em questão de violação, dor, desolação, desespero e por vezes vergonha é quase a mesma coisa. Rosalie mais do que seu corpo violado, teve seu sonho quebrado e isso era algo do qual não se podia livrar tão facilmente ainda que tivesse a eternidade a sua disposição, tanto que tal qual a menina de Doce Vingança, ela não se sentiu tão melhor assim ainda que todos os seus agressores tivessem perecido, foi apenas um troco, mas nada que apagasse de fato a desolação que estava sentindo.

"Eu era meio teatral naquela época". Rosalie quando teve sua vingança foi vestida de noiva, mais do que a teatralidade era algo como: "Olha o sonho que você tirou de mim. Quero que ele seja a última coisa que você veja." Era literalmente um enfrentamento dos agressores, para que eles vissem o que fizeram e naquela hora percebessem a gravidade de tudo. Eu já tive sonhos estuprados. Algo que pra mim era valioso e me foi também tirado. Aprendi e ganhei em dobro, mas não foi de graça. Senti também a desolação de Rosalie, a raiva, a tristeza, a vergonha, aguentei os julgamentos e desdenhos, mas tal qual ela tudo melhorou.

O cosplay de Rosalie Hale não foi reconhecido no Anime Geek, mas gostei de andar por aí com ele. Não faltou gente dizendo "eu aceito", foi divertido porém mal sabiam (hehe). Acho que a maior alegria de fazer a Rosalie estava no fato de que ainda que ela tivesse uma história triste e lamentasse pelas possibilidades perdidas, ainda conseguia ser feliz com o Emett, achou uma pessoa para partilhar a eternidade. Ela vem para nos alertar de como sonhos perdidos podem ser dolorosos, mas podem haver novas chances e que nunca se devia desdenhar do sonho alheio, por mais bobo que para os outros possa parecer.

Não sou muito de fazer isso, mas acho que quando se trata de cosplay, devemos ajudar os outros com fontes, então segue as minhas (as lojas são de Belém-PA, então se mora aqui, fica fácil):

VESTIDO E VÉU: Desapego, quem pega? (https://www.facebook.com/groups/128005290709640/?fref=ts). Fiquei sem jeito quando a moça perguntou se eu ia casar e  me disse: Espero que você seja tão feliz quanto eu
PERUCA: Sol Bijuterias (Travessa 13 de maio)
LENTES: Nexus store
MITENES (luvas): Sol Bijuterias
COLAR E BRINCOS: Sol Bijuterias

2 comentários:

  1. Foi muito interessante mesclar sua experiência com a da personagem. Sua análise foi profunda. Quantos de nós não tivemos sonhos e desejos frustrados, arrancados de nossa alma, sem consentimento? Ainda assim, seguimos em frente. E, na maioria das vezes, superamos os obstáculos e damos a volta por cima.

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  2. Opa! Obrigada pelo comentário! É importante pra mim ver que ainda estão por aqui ainda que eu esteja meio ausente XD. É, eu simpatizava com a Rosalie há um tempo. Tive uma história de sonhos que foram tirados da minha vida, sei como é o vazio que fica, mas sei também como é ir preenchendo com outros sonhos, ainda que o primeiro ainda esteja lá no fundo. Aprendi que ás vezes as coisas não são como queremos, mas se tivermos esperança elas podem ser melhores um dia quando soubermos enxergar os objetivos da vida. Muito obrigada pelo comentário mais uma vez!

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