A relação do nerd com academia ou
com qualquer outro exercício físico é uma relação complicada, pra não dizer
trágica. Contudo, com a disseminação de nutricionistas, academias e medo de
morrer em qualquer lugar decorrente do sedentarismo, muitos, ainda que nerds
estão aderindo aos programas físicos. Minha história com a academia começou em
setembro de 2011, não foi fácil, tive que engolir um orgulho construído há pelo
menos uma década pra poder pôr meus pés lá e perguntar sobre os planos.
Por parte, ao contrário de
muitos, que se gabam de sua “gnética boa e abençoada” e podem se dar a luxos
como comer sem parar, não ter celulite e não engordar, eu não tenho vergnha de
dizer que minha genética não é boa, pelo contrário, tenho genes que podem ser
verdadeiros problemas. Não que peso acima e celulite sejam neuras pra mim, mas
por parte de mãe e de pai, tem umas coisas aqui e ali que ficam martelando na
sua cabeça e fazem pensar sobre sua vida daqui a alguns anos. Educação física
nunca foi meu forte, mas quando criança, pratiquei natação, dança do ventre
(lembra da febre do clone? ¬¬) e arrisquei ginástica rítmica com 12 anos (meio
tarde não), nem preciso dizer que foi traumático, uma das meninas que fazia
aula comigo foi campeã um monte de vezes, hoje ela está fazendo engenharia
(putz).É, o tempo e desgaste de tecidos ainda não perdoam os atletas, por
melhores que sejam.
Continuando, eu não sabia jogar
nada e se jogava não era lá grande coisa e quase sempre sobrava quando escolhiam
times, costumava ser daquela turminha de não-bons ou que não se misturavam aos
atletas-populares e que ficavam brincando com uma bola num cantinho da quadra e
olha, dei boas risadas com as quedas que a gente levava. Á partir de um certo
ano, educação física passou a ser matéria com nota, acho que quando a gente é
pequeno, é mais como uma recreação pra se livrar de aulas, depois incluem ela
pra mostrar que também é importante. Eu nunca encarei como recreação, nerd
desde a mais tenra idade... Enfim, sendo uma matéria, reprovava por falta e
tinha nota. Até que meu último professor era bem legal e gente fina, ele sabia
que eu não gostava, talvez fosse pelo fato de que eu era a única que levava um
livro pra quadra (=o), então como eram dois horários seguidos, ele me deixava
fazer um só e depois eu voltava para minhas adoradas páginas de histórias.
Hoje, como é de escolha, eu
comecei a fazer academia, mas não é aquela história de amor, tem dias bons e
ruins. Já faltei um bocado porque não conseguia levantar e só de pensar nas
dores, me enfiava debaixo do cobertor e voltava a dormir. Minha meta é ir todo
dia, faço o básico, esteira, braço, perna e fiz pilates solo também, esse eu
devo dizer, doía, passei pelo menos dois dias andando como um robô e sem poder
rir, tossir ou espirrar sem sentir dor no abdômen, mas até que depois de um tempo o resultado se
mostrou e não passou a ser tão ruim. Só que mudei de turno e passei a ser a
novata, fico observando as novas figuras, tem muitos garotos lá que levantam
50Kg e fazem umas caretas dignas de show de humor. Tenho minha classificação
pros que vão pra academia, tem os magros, os gordinhos/gorduchos, os da
terceira idade que querem saúde, os magros quase atletas, os atletas só
músculo, os gordinhos condicionados e por aí vai. Vi um que tinha cara de nerd,
usa aparelho e se colocar óculos inspiraria um grande potencial, mas
provavelmente é só a cara, se bem que não posso dizer com certeza pois nunca
falei com ele e tem um que é a cara do Neville Longbottom, do Harry Potter. Observo
todo mundo levantando peso, se contorcendo, ficando dolorido e voltando no
outro dia pra fazer a mesma coisa, não importa se é pilates, ginástica
localizada, pump, step, o que for, vai doer de qualquer jeito. Isso não soa
como um bando de masoquistas?
Pode até ser que sim, mas até que
o resultado é visível e se não for, por dentro pelo menos é. Exercício físico
condiciona seu coração diminuindo suas chances de ter infarto, dizem que dá
sensação de prazer, mas falando por mim, sinto mais prazer na frente do meu
computador lendo fanfiction, vendo vídeo ou lendo, fato. Ás vezes dá uma
preguiça, afinal, é mais fácil ficar sentado teclando, mas não comecei a fazer
academia pra ficar como uma modelo, seria louca se pensasse isso porque não
dispenso um bom pão com requeijão não light ou uma pizza de calabresa com
coca-cola. Até que minha genética nesse sentido me favoreceu um pouquinho,
porque herdei da minha avó paterna um belo par de pernas e da minha bisavó
materna um belo par de braços, ainda que seja baixinha, não tenho aparência de
barrilzinho.
Enfim, é complicado sair da
inércia, principalmente se você tem uma longa trajetória de traumas em aulas de
educação física, de ser sempre o perna de pau e o ruim, se tentou fazer algum
esporte e ou apanhava, como é o caso de artes marciais ou não conseguia fazer
os movimentos (acreditem, acho minha antiga prof de ginástica rabugenta até
hoje). Sem contar que ás vezes cria-se uma imagem de que academia é cheia de
gente com músculo e cabeça vazia, mas até que também tem gente legal, conheci
uma senhora que me elogiou, disse que eu era muito bonita e que quando ela era
moça tinha um corpo parecido com o meu e que se arrependia de ter feito uma
cirurgia, não lembro se era redução de estômago ou lipo, porque ficou bem
debilitada depois. É, casos a serem pensados...
Meu caro (a) nerd, talvez
exercício seja mesmo necessário, nem que seja pra evitar problema depois. Penso
nas coisas mais mirabolantes enquanto to fazendo as séries que quando vejo já
acabou, penso no trabalho que tenho que entregar, na ligação que tenho que
fazer, repasso a matéria de provas, penso nas fics que vou reviewsar e etc.
Depois volto pro meu mundinho onde só existe eu (de banhinho tomado), meu computador
e tudo que ele pode me oferecer. Academia não é de todo ruim, porque depois da
dor, você fica mais trófico e condicionado, vale á pena, ainda que seja só pra ter mais fôlego pra correr atrás
do ônibus.

Nenhum comentário:
Postar um comentário