sábado, 24 de agosto de 2013

Mulher/Homem pra casar. Isso existe?

O Brasil deve ser um dos poucos países em que o dia dos namorados se comemora no dia 12/06. O motivo para isso é que está atrelado ao dia de Santo Antônio, no dia seguinte. Acredito que é um santo que sofre um pouco, porque o que tem de moça colocando ele de cabeça pra baixo no poço, de castigo virado pra parede ou até mesmo tirando e escondendo seu menino Jesus não tá no gibi. Contudo, além de casamenteiro é o santo do possível e impossível. Detalhes assim á parte, muitas pessoas querem casar ou se juntar (que é casar sem festa divertida ou fotos com roupa bonita) e procuram a "pessoa certa" pra isso. Acredito que a primeira característica para a pessoa ser "a pessoa" é o amor mútuo, com semelhança de interesses, doação e compreensão com o outro. Um padre chamado Shankar disse certa vez que uma coisa para o relacionamento dar certo é a outra pessoa querer o mesmo que você, concordo plenamente. Se isso ocorre é um passo mais perto do matrimônio. A real porém, é que a pessoa ideal não existe. Tipo, o cara que nunca vai pra balada, a garota que cozinha bem e não teve muitos namorados, o garoto sem vícios... Uma ficha, tal qual a de um emprego, com as características e complementos.
Só que casamento não é um empego ou um negócio, e já sabendo quando vai se aposentar. Casamento tem seus altos e baixos, ondas não muito boas e necessidade de muita paciência e compreensão. Logo, o carinha sem vícios pode ser um grosso e a menina prendada pode brigar por mixaria. Não existe pessoa certa pra casar, existe pessoa que decide arcar com isso, que escolhe evoluir ao lado do outro, algo como "comprar essa parada e ir até o fim". Pessoas que não foram escolhidas pelo destino ou tiveram uma grande sorte, mas sentiram algo muito especial pela outra e fizeram uma escolha: a de serem casadas e dar o seu melhor por isso. Há um mito de que casar é escolher perder a liberdade. Ledo engano. Não há nada mais libertador do que se acrescentar, do que poder seguir em frente sabendo que ainda assim deixa algo pra trás. Sentir que pertence a alguém e ainda assim continuar sendo você mesmo, aprender e poder compartilhar isso no dia a dia. Ter a possibilidade de olhar a mesma montanha todos os dias por ângulos diferentes e se fascinar ao descobrir um detalhe novo. A expressão "mulher pra casar", segundo ouvi, se originou do patriarcado e sociedade machista. Ok, eu concordo, embora devo considerar que nós mulheres, ao ficar avaliando as vantagens de um garoto, tipo carreira estabilizada, histórico de namoros, círculo de amizade e se ele tem o carro do ano, não nos tornamos muito mais nobres. Muitos homens queriam uma garota virgem por causa de seu egoismo e "honra", ao mesmo tempo que muitas garotas desejam o top man para apresentar e fazer pose para os pais e provocar inveja para as amigas motivadas pela sua arrogância e conceitos de aparência. Não vejo diferença aí.
E por falar em pré-requisitos pra casar. Outra coisa que gera polêmica é o histórico sexual da pessoa (e estou falando de ambos os sexos). Realmente, a confiança fica difícil quando a pessoa tem uma larga trajetória no campo, se encara talvez como uma aversão a laços, fica-se com um pé atrás e se divide: "Esse (a) é pra casar e esse (a) é pra transar". Só que o buraco é mais embaixo. A questão é a vontade e as escolhas. Tem gente que não quer compromisso. Simples. Os motivos são diversos, variados que só dizem repeito a quem pensa dessa forma, mas há quem deseje só o rala e rola e não se apegar. Isso não faz de ninguém um mau caráter (exceto quando se magoa os outros propositalmente) ou indigno. Porém se não quiser mais essa conduta a questão é escolha e mostrar o quanto arca com ela. É querer e ir atrás, bancar a sua decisão de ser de um alguém só e provar o quanto isso é concreto. Daí, não interessa se você foi o maior safado-cafajeste-tarado ou a garota-que-não-quer-compromisso-com-ninguém-e-só-quer-curtição (escrevo assim porque vagabunda é mulher sem caráter, piranha/pistoleira idem e piriguete é mais como um estilo visual). Não interessa se você transou com um time de futebol mais os bancos reservas, se decidir casar e bancar isso, tudo é relevante. Não é fácil, mas confiança também exige disposição para lidar consigo mesmo e com o outro. Tenho observado que ás vezes casamento e trabalho tem adquirido significados parecidos (e errados): o de duas coisas penosas, chatas, um fardo do qual se espera ansiosamente se livrar e que qualquer outra coisa é mais legal e divertida. Casar não é negócio e não é só diversão. É disposição para o aprendizado mútuo, se importar com o outro assim como se gostaria que se importassem com você e definitivamente, fazer de cada dia cheio de novas descobertas e conhecimentos.

2 comentários:

  1. Parabéns pelo texto, Rhay!
    Adivinhou que eu estava pensando nisso hoje? xD
    Enfim, beijos :*

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  2. Muito obrigada Lu! Pelo comentário e pela consideração! Nossa, será que eu estou virando telepata? hehe. Beijos pra você tbm!

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