quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A morte do caranguejo




Tire a alma e o coração deles e não lhes resta mais nada. A alma os conecta com o espiritual e o coração tudo o que eles tem de melhor, a mente é só um anexo. É assim...

Tire o que eles guardam no coração e eles se perdem. Eles não tem grandes ambições, mas o que conquistam protegem com tudo que tem.

Eles se conhecem. Na escuridão ou na luz, eles sabem o que lhes preenche. Eles são água, por isso conseguem passar por entre as pedras, parecem tão frágeis, sensíveis, tímidos, mas caranguejos conseguem fazer novos caminhos. Derramam muitas lágrimas, quase sempre pelo coração, por isso ganharam a fama de chorões. O que não dizem é que eles aguentam mais do que as lágrimas exprimem.

E como morre um canceriano? Ele morre pelo que vive. Ou seja, pelo coração. Não há muito estardalhaço, nem multidões, caranguejos gostam de silêncio, de toca, de algo só deles. Gostam de quatro paredes. 

Gostam... de quarto.

Gostam do calor de sua cama. Se tiverem alguém especial, gostam do calor da pessoa, do cheiro, do toque. Acredite, eles tiram o coração por quem amam.

E é assim que terminam. Eles deitam na cama, como gostam de música, acontece ao som de uma música meio romântica, meio melancólica, tipo Lithium, do Evanescence.

Olham pra cima. E lhes ocorre um déja vu. Há lembranças de toda a vida, dos momentos bons, dos momentos ruins, é aquele filme que dizem passar diante de nossos olhos antes do fim.

E tem uma lembrança dos amores. Eles tem lembranças muito mais marcantes por amores do que por desafetos. Vem o sentimento de perda, mas depois a felicidade por ter vivido.

Daí os olhos se fecham, molhados por lágrimas, mas brilhantes pela aceitação.

Muitos falam em luz no fim do túnel, cancerianos são o contrário: eles só veem o escuro do oceano profundo onde mergulham cada vez mais fundo.

Por um momento há pressão, mas depois... a paz entorpecente que chama a todos nós.




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