Eu assisti Malévola bem atrasado, admito. Só que soubesse que era tão bom, teria ido a mais tempo. Acho que o filme da Bela Adormecida foi um dos primeiros que vi, a vilã do desenho não era daquela super sombria ou cínica, ela era equilibrada. Demonstrava momentos de vilania sim, mas também de classe, decepção, satisfação. Curiosamente, no entanto, nunca cheguei a ver Malévola como uma bruxa. Alguém com poder que fez algo ruim, mas não como uma bruxa no sentido caricato da coisa.
Por isso, tal qual foi minha surpresa quando vi a pequena Malévola com asas e de quebra sendo chamada de "fada". Claro, os chifres desmistificaram algumas idéias de infância, pois eu sempre achei que fosse um daqueles chapéus pontudos de dama. E depois da lição inicial, veio a admiração de como ela voava, de como protegia seu povo, de como era boa e gentil e divertida. Até conhecer Stefan.
Nesse momento começa o contraponto do filme. Muitos de nós são como Malévola, sem entender a ambição e maldade dos homens. Observe que eu disse "entender", o que é muito diferente de ignorar ou desconhecer. Significa que se sabe da existência, mas não se permite que isso empeste nossa alma. Tal qual Malévola, ela sabia perfeitamente que os homens podem ser cruéis, lutou com eles várias vezes, foi queimada e sentiu na pele o ferro quente de suas duras armaduras, porém no final voltava sempre a sua árvore, aos lagos límpidos, às flores.
Ela acreditava no amor verdadeiro. Seja ele de que natureza for, embora o mais forte tenha sido aquele que ela sentiu por Stefan. Não digo que o amor não tenha sido real por parte dele, porém era extremamente frágil, tão frágil que sua ambição não resistiu a uma oportunidade de riqueza e sucesso ainda que implicasse em fazer mal a Malévola. Mesmo que ele precisasse matar para assumir o trono, no momento em que teve a chance não teve coragem, o amor provavelmente segurou sua mão naquele instante, porém não com a força suficiente para evitar que ele cortasse as asas dela. Asas essas que para uma fada era como uma condenação de morte, de vida incompleta e deficiente.
O grito de Malévola, a sensação de dor, a percepção de que algo faltava e o desiquilíbrio de início foi algo aterrorizante, depois de conhecer seu simpático corvo, elucidante. Ela percebeu o que Stefan fizera, percebeu que para que ele realizasse seu sonho precisou castrar o sonho dela. E nessa hora, parte do coração dela se foi. O amor verdadeiro pareceu uma leve brisa que de tão leve parecia irreal. O ambiente se modifica, as flores, a luz, tudo fica com uma áurea escura e triste, os seres percebem que Malévola não tem mais a luz natural que tinha.
Daí vem o nascimento de Aurora e a maldição. Stefan logo nota o ressentimento de Malévola no ato de acrescentar a nota "poderá despertar ao receber um beijo de amor verdadeiro". O medo pela filha e fantasmas do remorso passam a asssombrá-lo de tal forma que ele a persegue, embora nada impedisse de fato Aurora de cair no sono profundo. A floresta de espinhos na entrada da floresta mágica também simboliza o quanto Malévola estava fechada a qualquer coisa em seu coração.
Ela permanece assim até que Aurora começa a crescer. Brilhar como o sol. E a surpresa que não há medo pelas suas roupas pretas, nem pelos chifres, há risos até, diversão e a crença de que ela era sua fada madrinha ou até mesmo porque não dizer, anjo da guarda. Conforme a convivência aumenta, há um enlace maior a ponto de Malévola ser traída por ela mesma: ao tentar retirar a maldição, não há como.
Paralelo a isso, Stefan tenta arrumar uma maneira de derrotar Malévola e lembra do ferro que queima fadas. Ao preparar a armadilha, Aurora acaba caindo no sono profundo e mesmo com o beijo do príncipe não há despertar. E Malévola, triste constata o que achava desde o início, que não existe amor verdadeiro. E o boom do filme se dá aí. Ao se declarar pra Aurora, dizer o quanto sentiria falta do sorriso e dar um beijo em sua testa ela desperta. "Olá fada madrinha" "Olá, Praguinha".
Há vários tipos de amor verdadeiro. O de homem-mulher é um muito comum como foi mostrado por anos nos filmes de conto de fada, porém amor de irmão (ã) também é de verdade, amor de amigo, amor de mãe... São amores de dimensões diferentes, mas com intensidades tão grandes que também merecem esse título de amor verdadeiro. Malévola tinha um pouco desse amor de mãe por Aurora e amizade, como ela mesma disse, a praguinha roubou o que restava de seu coração, deu de novo uma luz que parecia perdida.
Talvez o filme mostre que há ambição das pessoas que pode nos afetar ainda que estejamos por trás de uma densa floresta, podem haver dores tão grandes que enegreçam nosso coração de tal forma que um caminho de volta parece inexistente, mas mesmo Malévola que perdeu as asas achou o dela. A história daquela que foi heroína e vilã mostra que não importa que nossas asas sejam cortadas ou nossa pele queimada, ainda assim, lá no fundo fomos feitos para amar. E quando o amor começa a entrar, mesmo que passe pelos espinhos do coração, consegue encontrar nossa luz escondida e nos fazer amar e sorrir novamente. E nesse momento, tal qual Malévola, recuperamos nossas asas perdidas.
Daí vem o nascimento de Aurora e a maldição. Stefan logo nota o ressentimento de Malévola no ato de acrescentar a nota "poderá despertar ao receber um beijo de amor verdadeiro". O medo pela filha e fantasmas do remorso passam a asssombrá-lo de tal forma que ele a persegue, embora nada impedisse de fato Aurora de cair no sono profundo. A floresta de espinhos na entrada da floresta mágica também simboliza o quanto Malévola estava fechada a qualquer coisa em seu coração.
Ela permanece assim até que Aurora começa a crescer. Brilhar como o sol. E a surpresa que não há medo pelas suas roupas pretas, nem pelos chifres, há risos até, diversão e a crença de que ela era sua fada madrinha ou até mesmo porque não dizer, anjo da guarda. Conforme a convivência aumenta, há um enlace maior a ponto de Malévola ser traída por ela mesma: ao tentar retirar a maldição, não há como.
Paralelo a isso, Stefan tenta arrumar uma maneira de derrotar Malévola e lembra do ferro que queima fadas. Ao preparar a armadilha, Aurora acaba caindo no sono profundo e mesmo com o beijo do príncipe não há despertar. E Malévola, triste constata o que achava desde o início, que não existe amor verdadeiro. E o boom do filme se dá aí. Ao se declarar pra Aurora, dizer o quanto sentiria falta do sorriso e dar um beijo em sua testa ela desperta. "Olá fada madrinha" "Olá, Praguinha".Há vários tipos de amor verdadeiro. O de homem-mulher é um muito comum como foi mostrado por anos nos filmes de conto de fada, porém amor de irmão (ã) também é de verdade, amor de amigo, amor de mãe... São amores de dimensões diferentes, mas com intensidades tão grandes que também merecem esse título de amor verdadeiro. Malévola tinha um pouco desse amor de mãe por Aurora e amizade, como ela mesma disse, a praguinha roubou o que restava de seu coração, deu de novo uma luz que parecia perdida.
Talvez o filme mostre que há ambição das pessoas que pode nos afetar ainda que estejamos por trás de uma densa floresta, podem haver dores tão grandes que enegreçam nosso coração de tal forma que um caminho de volta parece inexistente, mas mesmo Malévola que perdeu as asas achou o dela. A história daquela que foi heroína e vilã mostra que não importa que nossas asas sejam cortadas ou nossa pele queimada, ainda assim, lá no fundo fomos feitos para amar. E quando o amor começa a entrar, mesmo que passe pelos espinhos do coração, consegue encontrar nossa luz escondida e nos fazer amar e sorrir novamente. E nesse momento, tal qual Malévola, recuperamos nossas asas perdidas.



Cara, amei esse filme!
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