"Fulano de tal tem um corpo/condições perfeitas para fazer qualquer cosplay". Eu já tinha escrevido o rascunho deste post, mas achei mais oportuno fazer depois do Animazon quando já tinha vivido a experiência. Quando ouço isso, imediatamente me calo. Não por consentir, muito pelo contrário. É por não concordar de tal forma que se eu começar a falar vai gerar gastos de energia tão grandes de ambos os lados que é bem mais saudável deixar quieto.
Talvez eu seja suspeita pra falar de cosplays e eventos, estou engatinhando em ambos, ainda que tenha sentido uma liberdade incrível e percebido ao mesmo tempo alguns pontos importantes. Meu primeiro contato com cosplay foi quando eu tinha uns 10 anos. Não em eventos, mas através daquelas revistas que traziam notícias e figuras. Muitas já saíram de circulação a milênios, como uma chamada Tudo de Bom, que custava R$ 1,00, o que pra alguém que ganhava R$10,00 por mês era um lucro e tanto e podia ser chamado de felicidade.Com essas e com outras, fui vendo e conhecendo no que consistia um cosplay, ainda que fosse puramente visual.
A arte de cosplayar ainda estava no início. Nas revistas de ilustrações eu pirava. Curiosamente, o primeiro cosplay que pensei (devaneei) fazer na minha inocência de menina de 10 anos, foi o de Sakura Cardcaptors. Achava lindos os vestidos, sapatos boneca e segurar o báculo mágico era um sonho. E quando via imagens de outras meninas cosplayando ela e outros percebia somente uma coisa: sorriso. E poses. E alegria. Nem ligava se o cabelo não era igual, se era mais gordinho (a), se o material mal disfarçava a qualidade ruim ou se a peruca era aquelas de camelô, o que eu via era: "É a Sakura!", "É o Vegeta!", "É a Sailor Vênus!", enfim eu só via o fato de que a pessoa estava vestida como um personagem de anime, dos animes que amávamos e estava se divertindo. E eu queria essa diversão pra mim.
Hoje, as coisas são bem diferentes do que eram naquela época. E embora se divertir ainda exista, apareceram os concursos. Não que sejam algo ruim, até instigam um esforço maior e valorizam muito o trabalho de quem faz o cosplay e de quem se apresenta, aprendizados e busca pela melhora. O problema todo nasceu quando alguém deve ter aparecido e dito: "Aquela pessoa não está igual ao personagem, esse cosplay não serviu". Em um concurso, detalhes como cabelo, cicatrizes e marcas mais reais, tecidos da roupa fazem a diferença quando se quer ganhar o prêmio, contudo, esse tipo de crítica está se estendendo até pra quem não vai participar das competições e só está circulando no evento pelo simples prazer de cosplayar.
É fácil de notar. Os circulantes andam mais despreocupados no espaço. Eles param nas barraquinhas pra comprar lembranças, carregam bolsas, pulam param pra tirar fotos fazendo poses, comem crepe, ainda que participem de algum concurso, estão lá pra se divertir acima de tudo. Os exclusivos do concurso são mais compenetrados, procuram ficar parados ou só na sala cosplay, tomando cuidado pra não danificar a roupa e ensaiando sua coreografia para apresentação. Ainda que eu tenha poucos eventos nas costas (mas muitas idéias na cabeça), consigo notar quem é mais inclinado pra esse lado puramente divertido do cosplay.
Há quem não hesite em gastar verdadeiras fortunas por materiais inéditos e sem precedentes, outros não economizam no esforço. Acredito que deva haver recompensa e esta não necessariamente se dá no quesito financeiro já que combinemos, alguns acessórios custam mais do que o cheque do prêmio, mas na questão do orgulho, no fato de você poder dizer que fez, que se esforçou e aprendeu para que o cosplay saísse a contento.
Acredito eu que essa recompensa acrescenta muito ao trabalho, porém por mais perfeito que seja o cosplay, não é certo a rejeição e desvalorização daqueles que cosplayam, porém não conseguem o nível dito "da perfeição", seja porque motivo for. Daí, quando escuto: "Ele (a) não serve pra fazer tal cosplay", sei bem que a maioria está só olhando para o lado físico, como a gordinha que queria fazer a Yuna ou o garoto magrinho que queria ser o Surfista Prateado, contudo, isso é só a ponta do iceberg e o buraco é mais embaixo. Quando essa expressão "Não pode" ou "Não serve" entra em cena, não é só do físico que se fala. Você também exclui a garota negra que gostaria de ser a Sailor Moon, o garoto deficiente que adoraria ser o Flash ou a cadeirante que sonha em ser a princesa Disney.
E como exemplo, não me esqueço do que presenciei no Anime Geek em nov/2013. Nas andanças pelas salas temáticas, encontrei uma figurinha que pelo que pereceu fez bastante sucesso. Era um garotinho de uns 6 anos de idade vestido de Harry Potter. O pai sempre ficava perto, como um cão de guarda e demonstrava ficar sem graça e um pouco preocupado toda vez que muita gente se aproximava pedindo pra tirar fotos. Pra quem via de relance, era só um garotinho de Harry Potter, porém quem olhava uma segunda vez, notava que o andar dele era diferente e que usava sapatos especiais. Não posso afirmar com certeza, mas acredito que havia algum tipo de comprometimento neurológico ali.
Talvez devêssemos voltar a esse estágio primitivo do fazer cosplay: se divertir, porque no final o mais importante vai ser a diversão e felicidade e o objetivo, no fundo, idem.





É, nós precisamos aprender muita coisa ainda. Aceitar a diversidade, não olhar pra "grama" do vizinho, achando q poderia cortar melhor, ou ainda, regar com maior eficiencia. O importante é: não desista de seus sonhos. Muitos vão criticar, zombar, mas, no final, é sempre você que decide sobre sua vida. Você é a única pessoa que pode decidir se dará determinado passo ou não. Se te faz feliz, siga o conselho da autora. ;)
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