sexta-feira, 10 de julho de 2015

Feminismo à la Suffragette: esse eu curto


Navegando pelo face um dia achei um trailer de um filme que me chamou atenção. O filme em questão era o Suffragette, o qual trata do movimento sufragista no séc. XX pelo direito das mulheres ao voto.

Tive certa reserva já que não sou muito dada a radicalismo e etc., mas vendo o trailer mais vezes e me arrepiando com a música "Freedom" do Thrills, percebi que se foi radical a ponto delas explodirem coisas foi porque não haviam muitas opções para se chegar ao objetivo. Vamos considerar: no séc. XX na Inglaterra (aqui devia ser bem pior), as mulheres eram exploradas em termo de trabalho e oprimidas em casa, 100% do tempo elas eram limitadas em sua capacidade, dignidade e livre arbítrio.

E então, algumas começam a ligar pra isso. "Nunca subestimem o poder que nós mulheres temos de definir o nosso destino. Ficamos sem opções. Desafiem esse governo". E aí começam prisões, baderna, tumulto... E elas continuam. Quando são presas e vem a fala: "O que vai fazer? Nos prender? Estamos em toda parte, somos metade da raça humana, não pode parar todas nós". Aí eu percebi... Essas eram as feministas originais! As legítimas e valentes, que íam pra cima de homens não por causa deles, mas por causa delas.

As mesmas que foram queimadas numa fábrica, as que deram origem ao 8 de março, mas que foram pra cima porque queriam algo melhor pra elas, mais tempo para casa e filhos, salários melhores e dignidade, não porque o patrão era feio, fazia apologia ao estupro e tinha um pênis. Eu me surpreendo com essas mulheres. Elas ainda que por um filme conseguem passar, a idéia do verdadeiro feminismo. O que prega a igualdade de direitos real, não uma antipatia e competição. Elas queriam ser incluídas, não depor os homens.
Hoje, ainda que a raiz da ideologia seja essa, o tronco e os galhos se retornceram. Muitas ainda conseguem passar a energia das sufragistas, mas também sentimos que encoberto pelo véu da luta por justiça, está a chaga do ódio e intolerância. Um feminismo que não hesita em atacar homens só pelo fato de serem homens, e até mulheres que discordam em alguns pontos. Ainda que digam: "Ah, mas essa é uma pequena parte", tal parte não deve ser ignorada pois ainda que pequena reúne boa quantidade de indivíduas e dissemina estas idéias de forma bem concreta.

Eu admiro o feminismo original com toda sua força e espírito, porém tenho aversão a esse feminismo torpe que se originou dele. Esse feminismo que quer direitos mas não hesita em atacar e ofender deliberadamente, ofender e nomear os ofendidos, mandar pro inferno, ou como já vi: vá ser feliz no raio que te parta, que defende a liberdade da mulher e a garantia aos seus direitos até o ponto em que uma contrarie certas crenças tão enfaticamente disseminadas. Eu sou contra o aborto, tal qual contra sua legalização, contra porque minha índole não me permite ser a favor ainda que compreenda os 1001 argumentos, contra porque meu eu não consegue ser a favor, devo ser tratada como avessa a ideologia ainda que defenda a igualdade? Devo ser crucificada e chamada de assassina como já fui por muitas "feministas"? O "rótulo" de feminista verdadeira deve ser arrancado da minha testa?
Que feminismo é esse que separa e oprime tanto quanto o machismo? Um feminismo que não pode ver uma moça mais nova com um homem mais velho sem taxar de "relacionamento abusivo" e que sequer pergunta a mulher envolvida se é assim que ela se sente, como aconteceu com a cantora Mallu. Um feminismo que quer obrigar as mulheres em muitas situações a acatarem suas idéias distorcidas. Uma mulher mostrar os seios em uma passeata, manchada de sangue contra a opressão está tudo bem, digno de notas em jornais e fotos, mas outra que realiza o mesmo ato, por livre e espontânea vontade e mostra os peitos numa revista masculina é tida como incentivadora do machismo, colaboradora para aumento da opressão do sistema ou até mesmo oprimida por tudo isso. E digna de todas as críticas por parte das outras "irmãs".

Todo o apart que existe entre mulheres quando se trata de feminismo em muitos casos não é culpa dos homens, mas das próprias mulheres. Muitas quando dizem: "não sou feminista", não estão mirando na igualdade mas na aversão que sentem por atos radicais e extremos que conduzem a violência, quem quer carregar em si o título e ideologia que parece odiar o oposto, que apela pra aspereza e no fundo, ainda é chato? Já fui chamada de assassina por ser contra a legalização do aborto, já fui acusada de falar besteira por falar que ás vezes nem tudo é apologia ao estupro e associar até contos de fadas com isso é chato, por falar que 50 tons de cinza não é ruim nem abusivo e que se a mulher se sentir a vontade, ninguém tem o direito de julgar, fui criticada e atacada por mulheres que tinham tanta vagina quanto eu, mas que por alguma razão se achavam acima e com o direito de apontar. Acredito que até chegarmos no modo ideal de lutar talvez demore visto que muitas se acham com mais voz do que outras. E nisso há contradições, muitas sabem que a ideologia tem pontos positivos porém ao verem tanta confusão e agressividade preferem se retrair. 
Por isso que recomendo e admiro as suffragettes e quero ver o filme, através da frase "Não queremos infrigir a lei, queremos construir a lei" elas representam, afinal, um feminismo que nos faz ter orgulho, não vergonha.



2 comentários:

  1. Respeito. Essa palavra deve ser prática nas nossas vidas. Respeito à mulher, a equidade no trabalho, nas relações pessoais. Não restringindo somente às mulheres, mas respeito ao próximo em geral.

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  2. Exatamente! Mulheres, homens, idosos, crianças, independente de cor ou religião são pessoas, seres humanos, então devemos respeitar a todos ^^

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