segunda-feira, 13 de junho de 2022

o amor em brasa de hoje...

 


O dia de Santo Antônio, o que pode ajudar com um casório feliz assim como o dia dos namorados sempre geram comoção. Curiosamente, gerava comoção somente nos que estavam de fato em um relacionamento, hoje, gera comoção inclusive em quem está solteiro. Seja porque se dissemina a ideia de amor próprio, seja por certo despeito, seja por desesperança. Talvez a principal razão pela qual este dia desperte tanta emoção seja porque ele mexe com algo primordial do ser humano: amor.


Não é mentira para ninguém que o ser humano é um ser social. Não social como no tempo das cavernas onde ficar só significa a morte, mas social no sentido de que vivemos em sociedade, desenvolvemos noções de respeito mútuo, harmonia, modos de se conviver, educação e acaba que precisamos uns dos outros pra nos sentir humanos. Mesmo que alguém viva só, sem uma rede de pessoas em volta, isso é diferente de ser só, pois do padeiro aos médicos do plano de saúde, este indivíduo precisa de outras pessoas para se manter. Todavia, não é bem desta relação que o dia dos namorados trata. Ele trata mais da relação que duas pessoas escolhem ter e desenvolver. 

Ter uma relação de dois não é fácil. Se começarmos por namoro, pode até parecer leve e divertida, afinal, existe um compromisso mas não um  círculo totalmente fechado de deveres e obrigações. É um período de encantamento e conhecimento, no qual você olha o mais bonito do outro, cada palavra, cada som, cada gesto assume um significado maior e mais bonito. Talvez por isso que antes o dia dos namorados focava muito em casais jovens, até mesmo adolescentes, pois se valia deste encantamento para as transações comerciais tão conhecidas. Hoje, já percebendo que muitos acabaram sendo voláteis, o foco mudou e não raro vermos casais até mesmo de idosos estampando as campanhas, demonstrando que o encantamento dos primeiros tempos pode perfeitamente durar uma vida inteira.

Após selar um compromisso mais sério, não que este néctar da descoberta se esvai, mas é substituído por  outras percepções, outros interesses, outros olhares. Uma delas é se surpreender com o cotidiano, se encantar com algo que pode estar sempre ali mas saber ver a beleza por diversos

ângulos, depois de um tempo de firmado o compromisso, a manutenção dele e saber apreciar cada ponto é que é o desafio. E muitos, que se acostumaram apenas com novidades não conseguem atingir esse ápice. Os que atingem podem se considerar bem felizardos, pois é m sinal de maturidade, da percepção de que amor verdadeiro não é feito de instantes nem de novidades constantes, mas de saber ver o melhor no mesmo, na rotina, nas pequenas coisas.

Além de pessoas mais idosas nas campanhas, uma novidade é que incluíram casais mais diversos também, no caso os homossexuais. Mesmo que isso gere um certo rebu (que não deveria), fato é que eles vieram pra mostrar que existem, não no aspecto de que não se sabia de tal existência mas no
sentido de que eles existem e podem ser felizes, saudáveis, íntegros e amorosos tanto quanto qualquer outro casal. É pertinente falar disso porque ainda hoje muitos pensam que casais homossexuais se formam na base da promiscuidade e perversão. E percebe-se não apenas no sentido dos comerciais, mas das mídias que estão saindo atualmente. 

Antes de entrar em polêmicas, lógico que muitas dessas mídias já são criticadas no momento de seu lançamento alegando que querem notoriedade e não tem sentido de existirem. O mais curioso é que a indústria der cinema, séries e afins se fizeram exaltando os casais ditos tradicionais, lucraram com isso desde que nasceram, mas quando se mostra outra possibilidade ainda é encarada como ameaça, seja por aqueles que ainda estão presos em arcaicos valores ou que acham que o mero fato de mostrar algo que existe desde os primórdios pode acabar com o que já existe e é aceito desde dos primórdios também. Pois bem, a real é que todos gostam de um romance. A maioria ainda sente

aquele frio na barriga quando vêem um casal, sem filme, novela, série, atravessando dificuldades, descobrindo o sentimento e quando o primeiro beijo acontece, muitos sentem as tripas retorcerem. Talvez seja uma sensação que remeta ao que eles mesmos sentiram com seus amores nos primeiros tempos, onde tudo era novidade.

Por suposto, se isso é algo tão inerente do ser humano, devia ser aceito com naturalidade independente do casal em questão. Sejam homossexuais, heterossexuais, até mesmo idosos, não se devia colocar barreiras ou ressalvas. Esse ano com algumas séries da Netflix nas quais casais não tradicionais foram apresentados e se desenvolveram de modo leve, gerou repercussão. Vamos imaginar uma situação. Todos conhecem Romeu e Julieta, o trágico casal de Shakeaspeare, que se amam intensamente e se matam tragicamente para fugir do ódio das famílias, eles viraram a referência de amor intenso e proscrito. Por mais que todos saibam como as coisas terminam, é fato que sempre acabam vendo. Agora, vamos imaginar que todo filme/novela/série apresentasse os casais com desfechos iguais ou parecidos com Romeu e Julieta. Seja ambos morrendo, ou um ficando sozinho. Numa percepção, em filmes nos quais o casal não fica junto ou sequer é formado parece que falta algo ali, o público anseia por um romance, um beijo, por mais breve e fugaz que seja. Imagine um volume de filmes nos quais tudo termina em tragédia?

Ademais, isso é quase sempre o que ocorre em filmes com casais não tradicionais. Principalmente os

homossexuais. Sempre ocorre uma tragédia no qual um morre, ou é assassinado, ou fica doente e morre, ou tem todo um contexto de preconceito e impedimento no qual é sentenciado a infelicidade. Injusto, não? Por isso que hoje as mídias estão se preocupando em mostrar que o romance é para todos e que para estes grupos é perfeitamente natural que vivam um relacionamento saudável, feliz e engrandecedor, mesmo que muitos ainda queiram manter isso a margem.

O amor é algo inerente do ser humano, existe algo dentro de nós que é primitivo neste sentido e que nos faz reconhecer esse sentimento. Quando se trata de amor entre casais, é um amor que se desenvolve por alguém que se escolhe de forma totalmente voluntária, com base em similaridades e compatibilidades. Lógico que da mesma forma como esse amor se desenvolve, o outro por ser também ser particular, pode favorecer que ou este sentimento se desenvolva ou se escasseie, é sempre importante que haja o equilíbrio entre o amor próprio e o que se dedica ao outro. E assim, pensando no compartilhamento, no equilíbrio, nas experiências possíveis, isso não pode ser chamado de felicidade?

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