segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Agosto: mês da desinfelicidade



Dizem que agosto é mês de desgosto. Infelicidade é não estar feliz, portanto desinfelicidade é não estar infeliz. Hoje posso dizer que meu mês de agosto/2014 está sendo bem feliz. Feliz porque finalmente compreendi o que é felicidade e o segredo para tê-la a maior parte do tempo. Provavelmente este será o post mais pessoal nestes dois anos e pouco de Cancerious. Até sugiro que seria uma boa idéia assistirem o video que fiz falando do início do blog.

Há um ano atrás, o blog teve um novo boom. Parecia contraditório uma vez que eu estava em pedaços. Talvez o pior do ser humano seja a perda de sonhos, porém pior do que essa seja a de perceber que não consegue criar novos. Eu estava nesse estado. Era um limbo emocional, ao passo de se querer sair de uma tristeza e ao mesmo tempo se afundar cada vez mais nela.

É algo difícil de lidar, uma vez que não se é uma ilha. Existe todo um meio, incluindo trabalho, casa, amigos além de seus conflitos internos que já parecem pesar demais. Como esconder algo que sobe aos seus olhos contra sua vontade? Como aguentar o corpo reclamando e querer parar ainda que seja impossível? Como apagar lembranças presentes de algo que já se foi?

Escuridão mas lá no fundo esperança
Ao tentar responder essas perguntas, o blog me pareceu um ponto de apoio, além de distrair um pouco. Gradativamente, passou da distração a alguns desabafos, mesmo que dissolvidos em alguns posts. E algo dentro de mim se sentia bem de ver que as pessoas de ver que as pessoas se identificavam com algumas das minhas idéias.

As pessoas que estavam a minha volta foram muito boas comigo. E preciso ressaltar que algumas não tinham obrigação de me ouvir, como o mundo não tem, afinal eu tinha muito pra falar e desabafar. Não somente da tristeza em si mas das expectativa, ainda que poucas e surreais.

E nesses momentos de desabafo que se repetiam, quase sempre acompanhados de lágrimas e muito pesar, fui aprendendo mais sobre as pessoas que conviviam comigo e também sobre mim mesma. Cada um tem uma capacidade como ouvinte, dão o que possuem ainda que possam se acrescentar, quem me ouvia de o que pode e sou grata por isso. Contudo pra mim, que não entendia muita coisa, naquela hora era preciso mais.

Rebirth
A primeira coisa que aprendi foi a não colocar nosso sonho em outra pessoa. Digo, dar totalmente isso na mão do outro, pois o sonho começa em nós e cabe a nós dispormos esforço pra sua realização. É algo tão pessoal e importante que mesmo compatível é necessário individualidade. A pessoa se vai e leva com ela o que você colocou em suas mãos, é como roubar um pedaço seu, é como ser preparado como um porco pro abate: o sonho é alimentado por anos a fio e sangrado ao final, você sabe que vai morrar mas continua alimentando mesmo assim.

Após aprender sobre essa concepção de sonho, percebi que as pessoas nem sempre entendem a dimensão do que o sofrimento por isso traz. O sofrimento é um hóspede indesejável, mesmo que ele ajude no aprendizado, diferente do amor e da dor, ele invade sua porta e se abanca com as bagagens sem que você tenha tempo de dizer nada. E como um hóspede abusado, você leva um tempo pra botá-lo pra fora. Esse tempo não é pré-determinado, vai de cada um, as pessoas em volta não entendem muito bem essa demora. Alguns compreendem melhor quando o sofrimento invade suas próprias portas.
Far over the mountain misty cold

Vendo as pessoas, aprendi a lidar com meu sofrimento e a ser um pouco egoísta com ele. Se o sofrimento é meu, sou eu que tenho que lidar assim como botá-lo pra fora. Quem tem ouvidos pra dar, que bom; quem tem escuta limitada, lide com isso, permaneça assim ou se incremente. Com esse pensamento, tomei as coisas nas minhas mãos e aprendi a ser solidária com o sofrimento dos outros. Pode parecer arrogante da minha parte, porém como ignorar o olhar das pessoas? Aquele olhar de desdém através da tela do computador? É aquele olhar que você não vê, mas sabe que está ali no rosto das pessoas. Como negar o fato de me chamarem de carente, grudenta, lesa...?

Tudo pelo fato de que eu ainda não havia aprendido a lidar com certas coisas nem conseguia ainda expulsar meu hóspede indesejável. Como conviver com o fato de que me olhavam com comiseração e pena? Tal qual uma mendiga ao receber uma esmola não caridosa, era como se fizessem um grande favor ao me escutar. É difícil admitir que alguéns (e alguém) olhavam dessa forma. E julgavam um fardo me ouvir, me notar, conviver. Isso se perdurou por quatro meses a fio, até que depois de muita insistência da minha parte, offlines sucessivos, diretas de "Você é carente", "Procure ajuda", "Estou cansando de você" e uma patada definitiva, eu reagi. E a frase chave foi: "Posso não ser muito segura, mas tudo que eu não sou é uma coisa mixa".

O primeiro vídeo de maquiagem
Coisa mixa. Tudo o que eu não queria me tornar. Uns chamam de vergonha na cara, eu chamei de aprendizado. Lembro-me como se fosse hoje. Eu havia reunido cacos após palavras ferinas, porém quem deu um up de ajuda foi minha equipe de trabalho. Algo incomum: mal cheguei e disseram: "Por que não está maquiada? Você é nossa inspiração" (eu já fazia vídeos de maquiagem na época), me ofereceram produtos, pediram pra eu maquiar, trançaram meus cabelos e eu me senti refeita, não era somente carência que eu tinha pra oferecer afinal. Ainda que um pedido de desculpas tenha vindo depois, certos buracos não podem ser tapados somente com uma pá de terra.

Comecei então a retomar sonhos que ficaram perdidos, o novembro iniciara ainda que a passos de bebê. Fui numa academia de kung fu assistir uma aula, comprei um bolo delicioso nesse dia, pensei em coisas para curto, médio e longo prazo, coisas que queria tanto, mas que deixei pra trás frente a questionamentos como "para que?", "por que?", "você vai usar?". Aos poucos uma vontade foi crescendo: a de andar. E andei, andei e uma hora acabei voando.

Aqui tudo rebirthou
Em dezembro, eu fiquei livre. Como ainda não tinha ficado. No Anime Geek, com o Wendell, com o Rai, com o Thiago Andrade, ao conhecer meu colega Cássio, ao cantar a abertura de Dragon Ball GT no ônibus e ver os enfeites de Natal brilhando tanto, me senti plena. E meu dezembro, me trouxe presentes e um presentão mesmo antes do sia 25. Passei a noite num hospital trabalhando, mas fiz questão de ligar pro meu irmão Miguel e dizer: "Amigo, to livre! Finalmente livre!"

Os posts no blog sobre o evento refletiam essa liberdade. E ao me deparar com um jovem de cabelos verdes, pouco depois isso se consumou completamente. Mesmo que tenha passado por tanto, senti como é ser livre, plena, ter total sensação de planos e projetos como há muito não tinha. E ainda que esse hóspede tenha ficado abancado tanto tempo, eu mudei e adquiri concepções que antes não tinha, em todos os sentidos, devo dizer. Fiquei mais próxima de Deus, me abri e passei a levar a sério os conceitos que me passaram a ser ensinados e mais do que isso, passei a praticá-lo de forma ativa. Procurei melhorar no trabalho, estudar mais, correr atrás. Dou mais crédito às pessoas, não coloco mais minha vida e meu destino nas mãos do João Bidu, na Astral, nas frases de futuro do jornal, em superstições, aprendi o quanto nós e Deus somos responsáveis por nós mesmos, o quanto nossas escolhas e pensamentos podem repercutir.

Nos projetos pessoais já retomados e documentados, passei a procurar formas de realizá-los e em pouco tempo já realizei dois. Adquiri responsabilidade, maturidade, percepção e capacidade pra lidar com problemas, as palavras negativas já não me atingem tanto, já fui posta a prova. E coincidência ou não, também foi em dezembro.

O segundo boom do Cancerious foi nessa época, da mesma forma como pretendo incrementar o blog cada vez mais, não posso negar que todo o processo que vivi contribui para minha formação como pessoa e para um blog que é puramente o que sou, obviamente contribuiu para ele também. Deixo meus sinceros agradecimentos a todos que ajudaram e contribuiram, e ainda contribuem para este blog, seja comentando ou mesmo cobrando mais posts. Sou extremamente grata!

4 comentários:

  1. Excelente, mo'nami. A experiência faz parte da vida. Ajuda-nos a crescer e enxergar novos horizontes, novas possibilidades. Parabéns, continue trilhando esse caminho que te faz bem. Aguardando novos posts.

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  2. Muito obrigada Heber! Quero deixar notificado o quanto fico feliz por você comentar, ler os posts, agradeço muito todo o carinho e consideração que tem dado todo esse tempo, além do incentivo!

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  3. adorei o post, muito bem escrito como sempre... a vida é assim sempre nos ensina algo novo e nos transforma, que bom que pudemos nos conhecer e melhor ainda nos conhecer em uma época de renascimento em sua vida^^

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  4. Muito obrigada Cássio! Pelo carinho, amizade e por estar sempre por aqui!

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