Existe uma premissa de que histórias felizes não vendem. O que é extremamente estranho, uma vez que supostamente o objetivo do ser humano é a felicidade plena. Todavia algo muito confuso e até desequilibrado no ser humano é o caminho que ele percorre para essa felicidade.
Começa que pra muitos é difícil estabelecer um ponto de equilíbrio. Ou se quer tudo com extrema facilidade, ou se existe a dificuldade, surge o discurso de romantização do sofrimento. Mas a realidade é que absolutamente nada na vida vem sem uma dose de desprendimento pessoal, o que obviamente causa certa revolta emmuitos. E mais revolta também há nos que lutaram e sabem das durezas, todavia agem para com os outros como se elas não houvessem, dando a entender um desdém para com o esforço alheio.
Do início. Quando se nasce, o bebê estava muito confortável sendo suprido integralmente pela mãe. Literalmente nem respirar por ele mesmo ele fazia. Só que vem o momento do nascimento. E quando dizem que é um momento traumático não é um eufemismo. Existe ali uma necessidade do bebê de respirar por si mesmo. Obviamente que esse ato ativo de puxar o ar não é totalmente confortável, o ar entra, o líquido das narinas sai. O ar entra abrindo milhares de alvéolos de uma vez, antes tão firmemente colados e depois o ar se espalha fazendo o corpo funcionar. O bebê precisa se esforçar ao menos para chorar se quiser ser alimentado e limpo, e todos sabem que chorar não é exatamente algo agradável.
São aquelas pessoas que adoram postar e exibir para todos viagens, paisagens, família e vidas perfeitas com a legenda: "Nunca foi sorte, sempre foi Deus" e parecem querer se esquecer, sequer lembrar quando a frase era: "Deus não mova a montanha, dê-me forças para escalá-la", querem esquecer de quando também passaram pelos
A atitude de tentar fugir das adversidades denota medo, insegurança, temor de se perder o que se tem e dificuldade de lidar com esse fato que é da vida. Então retoma-se o que foi dito e é sabido desde a época em que Clark Kent era repórter: as histórias 100% vaselina não vendem. Não vendem não porque se romantiza o sofrimento excessivamente ou porque se gosta dele, mas porque ao se ver uma história na qual um esforço se desprende no caminho, as pessoas se sentem mais próximas, indiretamente se forma uma compatibilidade, uma espécie de ponto que conecta quem
As histórias vaselina são rechaçadas até mesmo nos filmes e livros. Se no filme Titanic, Rose não tivesse que enfrentar as dificuldades para viver seu amor com Jack, se ele por acaso fosse outro rapaz rico e ela só vivesse um simples dilema de troca de noivo não haveriam oscars nem a eternização do enredo, não haveria suspiros e tudo pareceria até sem graça. Romeu e Julieta duram séculos mais pelo contexto da adversidade do que pela tragédia. Noah e Alie, do Diário
Lógico que no caminho é importante aprender a discernir quando algumas batalhas são perdidas, mas mesmo para esse aprendizado haverão as dificuldades e ranhuras. Porque são elas que nos colocam em confronto com nós mesmos, no quanto desejamos de fato um
objetivo e se eles devem ou não mudar, e se for o caso de permanecer firme, são as dificuldades que ajudam na construção de uma força que nos melhora e nos permite ressignificar o que antes parecia terrível. Afinal, por mais complicado que seja aceitar, a vida é assim: ou ela fica fácil por você ter feito algo difícil, ou ela fica difícil por você ter feito algo fácil. Logo, as histórias felizes tem seu valor, mas que sejamos sinceros (e corajosos) pra expor toda a rugosidade que foi necessária pra se chegar até tal felicidade.







Excelente reflexão. As vezes, queremos esquercer os percalços, mas através deles que nossa vida está sendo moldada.
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