O primeiro evento deste ano foi o
III Congresso Espírita Paraense, do qual farei resenha posteriormente. E além
disso, me lembro que devo mais detalhes sobre minha religião, que influencia
diretamente na minha personalidade, conduta e volta e meia aparece por aqui.
Voltando, contudo, ao tema do
post. Eu assisti muita coisa no congresso e não só os conhecimentos científicos
dá para absorver, mas tem umas historinhas e conceitos bem interessantes.
E quando assisti a palestra do
Alberto Almeida pude me identificar muito com o que foi dito. O mundo
normalmente é um lugar assustador. E em grande parte do tempo, até mesmo para
adultos. A vida adulta é sim cheia de medos, preocupações, contas e
responsabilidades. E o mundo nos estupra todos os dias com suas adversidades.
Não é nada gentil.
Segundo Alberto, é como o
nascimento. O nascimento para o feto equivale a uma grande violência, é como
sair de um lugar muito seguro para outro no qual a solidez é duvidosa. Nada se
equivale aqui do lado de fora ao útero materno em questão de proteção e
aconchego. Talvez o abraço de alguém que amamos, mas o útero é o local no qual
o mundo pouco nos alcança, nos toca e nos machuca.
Daí quando chega a hora do parto,
é inevitável nossa saída, porém no meio do susto e temor do desconhecido,
daquela luz forte nos olhos e em mãos que nos pegam (ás vezes de qualquer
jeito) precisamos sentir que no mundo daqui de fora haverá o aconchego que
havia do lado de dentro. É preciso sentir que na família que estamos teremos
aceitação, que gostarão de nós e nos amarão pelo que somos. Logo, com isso em
mente conforme se cresce, surgem meios de lidar com as adversidades no lar e no
mundo fora de suas paredes. O acolhimento é um desafio e tanto para todos que
nascem. E considerando esse contexto, para ser merecedor do amor da família e
do mundo as pessoas em sua maioria acabam seguindo três caminhos.
O primeiro é o da competição. A
pessoa busca um caminho de modelar o ego de modo a vencer aqueles que considera
adversários e opositores. Cria-se uma ideia de que vencendo os outros e se
destacando, haverá um reconhecimento do mundo externo, ainda que se precise ser
o que não é para não ser rejeitado.
O problema é que além de não se pode
vencer a todos, mesmo as vitórias obtidas nunca parecerão o bastante. Sempre se
busca mais. Não há a percepção de que os chamados tops de linha, os que tem
seus nomes lembrados por séculos a fio, são 5% de um todo. Os outros são bons e
com esforço e aprendizado constante se tornam muito bons, podem ter certa
influência e alcance em quantidade considerável de pessoas, mas a palavra “melhor”
ainda é pretenciosa. Daí vem os conflitos de quem faz da competição um
combustível. Quando não se consegue vencer os outros, por vezes essas pessoas
acham que “Não valem a pena” e mesmo quando conseguem não se sentem plenas.
Não faltam exemplos no mundo dos
famosos. Celebridades que tinham tudo. E o tudo nesses casos é bem literal.
Porém não conseguem se contentar, não se sentem felizes, o topo nunca chega. E
buscam alguma plenitude no ilícito ou errado. Mesmo vencendo, permanecem vazios
e tentam ficar perto de quem consideram vencedor achando que podem “sugar” um
pouco de vitória para si mesmos. Ainda que não precisem.
O segundo caminho é o do ser
bonzinho. Eu já havia escrito sobre ele. É o tipo de pessoa que não diz não para
nada nem para ninguém. E se sente culpada ao extremo quando precisa dizer. Na
tentativa de não querer desagradar ninguém, o bonzinho acaba comercializando o
amor e carinho das pessoas em volta. “Se eu não fizer nada de errado e não
disser não nunca, vão gostar de mim”. É aquela pessoa que torce para o time do
dono da casa onde está assistindo, que empresta canetas mesmo sabendo que elas
não voltam, que não faz pedidos diferentes dos que estão a mesa para não pensarem
nada de mau, são pessoas mornas que usam uma máscara de bondade, porém nada
mais estão fazendo do que dar um tiro na própria alma.
Uma vez que se condicionam a não
desagradar ninguém, isso por vezes implica em se desagradar. É uma auto
anulação e auto depreciação sem precedentes. Pois essa conduta possui paredes
frágeis que o mínimo esbarrão mais vigoroso faz com que ela trinque e o
bonzinho exploda e todos os seus bichos venham à tona, chocando aqueles que com
ele convivem.
O terceiro caminho é a fuga do
mundo. Se alguém não se sente acolhido pelo mundo, escolhe se afastar dele,
afinal “se eu não fico do lado do mundo, o mundo não me machuca”. Talvez seja
até perigoso porque a solidão não é uma escolha, mas algo impingido e ainda
assim para se ter uma falsa paz, a pessoa não se sente segura. São aquelas pessoas que não conseguem (não
mesmo) ficar perto de outras, não conseguem conviver nem lidar com conflitos
seu e do outro e preferem ficar em algum lugar isolado abraçando árvores ou com
muitos animais. “Eu sinto paz porque não vejo gente”. Em suma, é uma fuga para
tentar se encontrar.
Essas alternativas são bem
comuns, porém muitos não percebem que elas se contrapõem ao amor. Ao amor a si
mesmo primeiramente e ao amor ao próximo. É com certa vergonha que admito que
utilizava a primeira alternativa. E fico feliz de perceber que mesmo que tenha
demorado a deixei de lado. Quando pequena competia para ter as melhores notas,
ficava possessa quando outro tinha mais destaque; na adolescência era um eterno
conflito porque outros tinham cabelo mais bonito, eram mais magros, tinham
atividades diferentes ou namorados; hoje é quem publica mais artigos, sabe mais
coisas, é mais elegante ou tem mais notoriedade no cosplay. Só que aí um dia,
cansada de ter momentos infelizes constantemente comecei a trabalhar a ideia de
que você não tem que competir com o mundo, tem que competir consigo mesmo.
A competição precisa ser com suas
próprias adversidades, seus próprios defeitos e sentimentos mesquinhos. A
felicidade, seja pelo que você é, pelo que tem e pelo que conquista é interna,
tudo que chamamos de feliz que está condicionado ao que está fora é movediço e
balanceia conforme a situação.
Você não precisa dizer sim para
tudo. Se diz sim para tudo e todos, em algum momento um sim vai significar não para
alguém e você entrará em um conflito sem tamanho. Você pode dizer não, desde
que isso signifique um bem maior. Ás vezes dizer não pode acarretar a confiança
de uma pessoa. E acima de tudo precisa saber dizer não para si mesmo,
especialmente quando é para seu próprio benefício e aprendizado.
E se isolar é um caminho muito
fácil de se escolher. Sempre digo que se obrigar a ficar sozinho é um caminho
muito fácil de se seguir: você não precisa lidar com adversidades, com outras
pessoas emitindo opiniões diferentes da sua, com aquilo que é diferente de você...,
mas ao mesmo tempo não aprende. Não aprende a ter paciência, não aprende a
compreender, não aprende a ver o outro como alguém que por vezes tem
necessidades e que você não vê.
O truque não é competir com o
mundo, nem se isolar dele nem dizer sim para suas atrocidades. Não é o caminho
para se ganhar estima. O primeiro passo é você ter estima por si mesmo, é saber
quando dizer sim para si e se recolher para seu interior quando for necessário.
A felicidade verdadeira é um caminho árduo e curiosamente, ser feliz também é
ficar triste. É você não idolatrar a tristeza, mas saber lidar com ela quando
vem e saber tirar algo de bom disso.
Saiba caminhar pelo mundo lidando
com suas próprias limitações que a felicidade vai estar ali como um pote ao fim
do arco-íris esperando por você.




Belo texto. E concordo: devemos superar a nós mesmos, pois somos o nosso maior adversario. Seja para atingir um sonho, chamar aquela garota pra sair, pular de pára-quedas. Não é fácil; o caminho é árduo, mas a recompensa vem, cedo ou tarde.
ResponderExcluirOpa! Muito obrigada por comentar! Realmente, somente vencendo a nós é que alcançamos a felicidade verdadeira. Vemos o quanto caminhamos, e percebemos que evoluímos, melhoramos. E a cada sonho alcançado sentimos que tudo valeu a pena. Muito obrigada!
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